Blog é coisa de velho

08/02/2010

Blogs andam em baixa, blogueiros idem: http://ow.ly/14SqD  (Semi monoglota como eu? http://tinyurl.com/y8q2zu4)

Mas eu estou satisfeitíssimo com este meu coco pequeno.. Funciona como o “Pé de Laranja Lima”, como o amigo invisível que toda criança estranha como eu já teve.

Tenho com o Licuri uma relação infantil mesmo, semelhante à criança que coloca a mão sobre os olhos e acredita que ninguém mais a vê.
Explico. Fui a uma feijoada sábado onde encontrei colegas e amigos dos 17 anos, da adolescência na Escola Técnica. A maioria tomou outros rumos, mal vejo. Alguns deles estão no poder, outros patinam, outros se viram como podem, como eu.

Mas falo aqui da feijoada porque lá pelas tantas, um deles que nunca comentou aqui, ou se comentou faz muito tempo, falou sobre o post do choro e a sua mulher ainda me elogiou pela postura oposta aos bacanas do Poema em Linha Reta, chegou até a declamar uns versos sobre aqueles que nunca se ferram,

Senti vergonha. Tal qual o menino que cobre o rosto, descobri que mais gente tinha acompanhado a minha agonia. Meu irmão também perguntou como eu estava porque minha irmã havia lido…

Mas apesar de tudo isso quero declarar  minha satisfação em blogar, de trocar comentários com meus velhos amigos velhos blogueiros velhos, de tocar esta minha terapia pública, que tem me ajudado. E muito.

Lembra daquele frila cujo tempo havia se esgotado há muito? Ganhei mais tempo. Será que leram?

Enfim, qualquer coisa que eu precisar agora vou colocar aqui nesta espécie de classificados existencial. Tem sempre alguém para jogar a boia salva vidas.

Concluo que  tem mais gente lendo este blog silenciosamente do que pode sonhar minha vã filosofia infantil.  Ainda bem.


Mais vão

08/02/2010


Quase em vão

07/02/2010

O programa no vão do TCA foi mico total. Sobrou admirar esta que é uma uma das mais belas construções que já vi na vida.


Resumo

04/02/2010

A vida é que nem rapadura: é doce mas não é mole.
Sabedoria sertaneja.


Presentes

03/02/2010

Fomos ontem cedo ao Rio Vermelho agradecer. Dizem que 2 de fevereiro não é um bom dia para se casar. A rainha do mar é vaidosa e ciumenta e não gosta de dividir a data. No nosso caso ela não se importou  e ainda nos deu estes presentes ao longo de 16 anos.

A foto é presente de Kátia Borges (Crear), a primeira das pessoas especiais encontradas ontem.


Marcinha e o chorão

01/02/2010

Lembramos muito de Marcinha, eu e Soraya, neste fim de semana. Conhecemos pessoas muito bacanas, que acolheram a renca toda de uma maneira muito especial. A toda hora nos vinha a frase: se Marcinha estivesse aqui…

Hoje de manhã novamente Marcinha me veio na memória. Mas desta vez ela não me perdoaria.

Desabei no choro ao telefone com um amigo irmão, diante da minhas dificuldades com prazos. Mais uma vez elas me custaram caro, princiopalmente pela impossibilidade de crescer, de ficar melhor.

Mais uma vez joguei pela janela uma oportunidade profissional que passou a galope porque eu estava ocupado com o que já deveria ter terminado. Foi daqueles choros que nunca mais tinha chorado, quando a gente começa falar e a voz some no engasgo, tranformada num grunhido fino.

Tive vergonha. Mas depois passou, talvez porque no choro havia uma ponta saudável de raiva. Não, não estava com pena de mim, estava com raiva.

Rídiculo, diria Marcinha. Ela não suportava homem chorão. Não suportava mesmo. Pois é Marcinha. Chorei, não procuro aqui esconder. Mas ainda bem que meu choro tinha esta raiva.

Atenção: estou bem. Retorno hoje das férias ao trabalho de barnabé. Animado.


Sobre “O Apanhador”

28/01/2010

Minha Biblioteca da Alexandria de livros fundamentais não lidos incluia até outro dia O apanhador. Como muitos destes livros da minha não-leitura, eu sabia da sua existência e  importância. Aí Nilson Pedro falou sobre ele, recomendou. E Maria Fabriani e Juliana Cunha citavam tanto que um dia resolvi ler. Teve pra mim o gosto das coisas não realizadas  na idade certa. Era pra ter lido aos 15. Não que exista idade pra isso, mas acredito que  certos livros inflenciam em decisões aparentemente banais mas fundamentais para o nosso destino e aos 47 as alternativas são menores.
Mas mesmo atrasado, o livro bateu,  como dizem os maconheiros. Não sou apologista da loucura, mas tenho um certo fascínio pelas criaturas meio doidas. E Salinger se enquadra nestes figuras míticas, doidas e meia. Ao ler agora a matéria no Uol sobre sua morte me impressionou  o que ele disse em uma entrevista ao New Y. Times “Amo escrever, mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer.” Acreditei. E fiquei imaginando a cena.


Bate-ponte Salvador/Buenos Aires

27/01/2010

Estou de férias e exatamente às 21 e 44  tento escrever a primeira palavra de um frila pra entregar  domingo mas que está na minha mão desde antes do ano novo.

De repente entram três pessoas de uma só vez no bate-papo do Gmail.

Um amigo me ofereceu mais trabalho. Outra, ao ouvir minha queixa de que não viajei por falta de dinheiro, imediatamente se prontificou a me repassar um  relatório para ser feito… durante o Carnaval.

É por isso que dizem que amigo na praça é dinheiro no caixa! Caso a gente sobreviva.

O terceiro foi Gilson Jorge, que vive na terra dos hermanos e de lá pilota o Buenos Aires em bom Português. Não me ofereceu trabalho, pediu uma opinião.

Ao final de 17 minutos reli a conversa e gostei. Como não consegui ainda escrever sobre a odisséia de renovação da carteira depois de um ano de vencida e sobre  férias dentro de casa com três meninos e sem empregada, ou sobre como viemos de Iaçu por causa do festival de verão, ou sobre….etc etc etc, resolvi compartilhar a conversa aqui à guisa de post.

Desculpe-me o texto sem revisão, mas é assim mesmo que acontecem as conversas nos bate-papos online. É uma língua meio estranha mas ao fim e ao cabo todos se entendem.

E  você também já tem opinião formada sobre este debate? Veja então a nossa em estado bruto, na lata:

21:44 Gilson: e ai, marcao…
 eu: Diga, hermano…
21:45 Gilson: rsrsrrsrs
 eu: em Buenos Aires ou em Ares quentes?
 Gilson: Ares quentíssimos!
  Tão quente quanto Salvador, mas sem brisa…
21:46 eu: ????
  juro que n´~ao imagino a cidade quente
 Gilson: De dezembro a fevereiro é um forno
21:47 E de junho a agosto um freezer
  rsrsrsrsrrss
 eu: ent~çao vem pra cá… forno com água
 Gilson: Eu devo terminar o o mestrado no fim do ano, e ai comecar a preparar minha volta…
  Vem cá, que é que cê tea achando dessa discussão sobre a ponte?
21:48 eu: li agora o manifesto de JUR
21:49 no começo achei coisa de velho chato…
  mas quando ele fala da pasteurização violenta dos espaços urbanos acho que tem razão
 Gilson: sim, sim
21:50 me parece que sao duas coisas distintas, a obra em si e a questao estetica
21:51 eu: mas a ilha já tá um favelão mesmo
 Gilson: é isso…
 eu: e tem a questão das drogas, o crak, que tá chegando no interior e ningu[ém fala
21:52 Gilson: a questao para mim é o que pensa quem mora na ilha
21:53 é como o pddu, para mim. Liberar o gabarito para mim nao ee o porblema, mas sim o tipo de obra que se faz hoje em dia, esses condominios fechados
21:54 eu: nisso ele tem razaõ também
 Gilson: mas se é isso que a classe media quer…
 eu: esta cultura de condomínio e shopping center é foda
21:55 Gilson: é desesperadora, ninguem quer mais caminhar na rua
 eu: tem uma geração já condicionada…
 Gilson: sim.
21:56 agora esse negocio do saveirista, tem que perguntar se o cara quer continuar sendo saveirista….
21:57 nao fazer a ponte porque meia duzia de intelectuais é contra, me parece foda. acho que a comunidade deveria decidir
  principalmente da ilha
 eu: Um dia de salvador a Salinas com vento a favor é foda
 Gilson: pois é…
 eu: e quando o vento é contra, tem que ir no zigue zag
 Gilson: e nem todo mundo quer andar de saveiro, eu nao quero….
21:59 e, honestamente, nao ee por decreto que se vai congelar a bahia de caymmi, que morava no rio, de jorge amado, que morava no rio vermelho, e de outros tantos que quase nunca vao a itaparica
 eu: é nesse aspecto que vejo discurso de velho nele
 Gilson: parece uma coisa autoritaria
22:00 a ilha tem que ficar assim por causa dele….
 eu: é igual carnaval
22:01 não aguento o papo de carnaval bom era assim e assado…
  caranaval bom, ontem e hoje e semp´re é o carnaval de quem tem os hormônios de 20 anos… e ponto final. Ou pronto final, como diz Maria minha filha de 4 anos.
 Gilson: pois e…
22:02 mandei uma msg para liz, perguntado se ela esta com wagner, ubaldo, ou se chuta o baldo…
22:03 vou aguardar a resposta
 eu: gostei do chuta o baldo..
 Gilson: hahahahahahaha
pausa

22:10 eu: Gostei desta conversa. posso publicar no blog?
22:11 Gilson: claro
  um prazer
22:12 acho que vou perder alguns amigos. rsrsrsrrss


A terceira ponte de Iaçu

16/01/2010

Iaçu tem uma não-ponte sobre o Paraguaçu, quase uma instalação a ligar o nada ao nada com um espaço vazio no meio, testemunho de uma antiga ferrovia que morreu antes de se expandir. Clique na imagem para ver mais da ponte, rio, cidade e arredores no  google maps.

A segunda ponte, estreita e centenária, ameaça ruir mas ainda é a única utilizada para atravessar o rio, um veículo de cada vez. Veja vídeo sobre a ponte aqui e fotos antigas aqui.

A terceira ponte ainda é virtual mas virá a ser antes  do primeiro turno das eleições. Ela é a síntese da disputa eleitoral pelo goveno da Bahia.
É uma ponte política e uma solução melhor do que a reforma da velha sempre prometida pelo menos nas úitimas quatro eleições.

A cidade não fala em outra coisa. Na padaria, nos bares, a conversa é a ponte,  os 130 trabalhadores que chegarão nos próximos dias e os 20 da cidade que estão sendo contratados. Aí a ponte fica ainda mais política. O trabalho temporário é moeda política e a contratação passa pelo crivo eleitoral.

A licitação para a construção da ponte foi lançada pelo governo do Estado há quase um ano e meio, em agosto de 2008. Do custo total de aproximadamente R$ 11 milhões, 3 vieram do Ministério da Integração.

O prefeito é do PMDB, partido de Geddel, ministro da Integração Nacional. Geddel reivindica a paternidade da ponte e segunda-feira, pelo Twitter, usou a ponte de Iaçu para torpedear a construção da Ilha de Itaparica:

“Esse governo estadual,nao consegue fazer a ponte de Iaçu,cujo dinheiro . Min.Integração ja liberou a (sic) 6 meses, imagina a tal de itaparica” , escreveu o ministro.

A cidade tem outra obra eleitoral na agenda. Para as próximas eleições a nova moeda é a BA O46, trecho Itaberaba – Milagres, Iaçu no meio do caminho, com a ponte construída. A estrada diminuirá em cerca de 72 KM a viagem de quem vem no sentido norte pela BR-116  em direção à Chapada e ao Oeste.

A novela deverá ser tão longa como a da terceira ponte.

Mas parece que a ponte sai mesmo . As  placas com os créditos da obra  foram erguidas hoje, com erro. Falam de reconstrução.
Quem passa por ali e vê uma ponte aos frangalhos e outra incompleta vê sentido.

E o candidato Geddel resolveu se antecipar, e se apresentou a Iaçu no ano novo. Mas cometeu o erro de testar a popularidade dos políticos ao ficar ao alcance das mãos de quem passava. No dia seguinte já estava assim.


A salvação está na imagem

14/01/2010


Fachada da casa onde nasceu Glauber Rocha, uma das poucas preservadas na Rua 2 de Julho, em Conquista.

Acompanhei de longe a discussão sobre o simbolismo do ano novo. Junto com Natal, São João e Carnaval, o réveillon forma o quarteto das festas absolutas, envolvem quem quer e quem não quer participar e geram a tal pergunta: e aí, vai passar onde?


Simpatia na mesa.

Os anos vão passando e confesso que passo a cada dia mais indiferente.
Mas o ano novo tem  um simbolismo forte porque é conclusão de um ciclo, de uma volta completa em torno do sol. É como se fosse o aniversário de todo o mundo.


Balança espelho, espelho meu.

Passei em Iaçu com mesa farta e muita simpatia comandada por Reia, a irmã de Soraya. Romã,  lentilha, arroz e dinheiro nos sapatos, numa de noite de muitos fogos. Sim, Iaçu tem também show pirotécnico, de 15 minutos ou mais.
E a trilha sonora de carros de som na rua: “Me dá a patinha…”
O ano novo me revelou também  na feira livre da cidade, numa balança reflexo de um  equilíbrio precário.
Tudo pendente pra algum lado: peso, orçamento, saúde, atenção aos meninos  etc etc etc e tal.

O pequeno Hotel Lisboa era o imenso Hotel Lancaster

Peguei então André e fomos juntos, de ônibus, passar três dias em Conquista, para a casa onde me mudei quando estava na idade dele. Deste janelão da esquina observava nas madrugadas de sábado o burburinho da feira se formando, na Praça da Bandeira. O hoje Hotel Lisboa era então o Hotel Lancaster, e esta escadaria, então de marmorite, muito maior. Hoje tudo é pequeno, os corredores apertados, mas nos meus oito anos eram uma imensidão.

Túnel do tempo

Saía todo dia pela manhã bem cedo para fotografar. Descia a escada túnel do tempo, onde eu me sentava e ouvia de um primo mais velho a profecia aterrorizante: laaaaá no ano 2000, quando eu teria inimagináveis 39 anos, o mundo iria se acabar em fogo.

A nova previsão, 2012,  me permite chegar a  inimagináveis 51.

Jardim das Borboletas, agora Praça Tancredo Neves

Revi a praça caminho da escola,  cujo viveiro de pássaros foi substituído por um lago com patos. Sobraram apenas as palmeiras imperiais mais altas ainda.


Uma das poucas residências  das décadas de 50/60 ainda livre da demolição e das placas.

Conquista é uma cidade escondida sob as placas.

Não há como conter as alterações do cenário. Por isso, a única salvação, a possibilidade do registro da mudança  está na imagem.

E ao refazer o caminho para a escola, fui garimpando registros, numa pescaria arquelógica que me remeteu àquelas manhãs de 1968/69.

Do antigo mercado só restou o telhado e as escadarias. Onde havia a feira, um cacete armado permanente. E a tradicional  galinhota evoluiu, ganhou até adesivo fosforescente de segurança.

Fachada da década de 60 ganha as inevitáveis grades.

Uma das casas mais antigas da 9 de novembro, que me levava à Escola Anexa ao Instituto de Educação Euclides Dantas (IEED) e que hoje ostenta muros e grades inexistentes na época.

Hoje o IEED tenta recuperar o orgulho de uns dos mais tradicionais colégios públicos da cidade ao exibir  nos muros os nomes dos seus 33 alunos que passaram nos vestibulares em 2009.

A partir de agora, um mix dos passeios fotográficos, começando pela (re)criação de Michelangelo, numa vesão fast food.

Ao voltar ao mercado, encontrei o escorredor de copos no modelo do retratado por Maria.

Na loja de produtos religiosos, uma imagem que conheci há uns três meses  num mercado de Feira de Santana. É Ogum Xeroquê, entidade da Umbanda que retrata os dois lados dos conflitos humanos e religiosos. Olho para este rosto e lembro do símbolo Yin e Yang dos orientais.

Na feira de Conquista, a balança vazia continua a me lembrar do meu precário equilíbrio.

Na volta, mais um escorredor, no bar do entroncamento da BA 046 com a BR 116, que leva a Amargosa ou a Iaçu.

E sobre o bar, a vida continua…

Ainda em Conquista reproduzi uma das muitas fotos que minha mãe mantém nas paredes do seu pequeno apartamento construído numa entrada lateral do hotel. Ela e meu pai. Ao recortar a foto para colocar aqui, vi os controles da TV e vídeo.

Nestes dias de Conquista e agora novamente Iaçu, constato o quanto a televisão ainda é presente. Ela faz parte do cotidiano de minha mãe, que vive sozinha, e de seu Rubem, avô de Soraya, que vive hoje apenas com uma das netas, na casa que já abrigou uma pequena multidão.

Hoje veremos mais um BBB em família.