Licuri

Hoje é dia de Sorayá!

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aniversário

Written by Marcus

11/07/2009 em 16:40

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Palmada

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A palmada foi merecida, veio no limite, mas me arrependi.
Enfim, o mundo ideal está nos comerciais.

Written by Marcus

05/07/2009 em 23:50

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Novas tecnologias

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Fico igual a este sujeito do vídeo diante de novas tecnologias, novas ferramentas, novas formas de fazer a mesma coisa. Levo tempo pra aprender e mal começo a dominar um treco, aparece outro.

Vou aproveitar esta semana que estarei envolvido com o encontro da rede dos Pontos de Cultuara para encarar outros brinquedos como  podcast e  justinTV. Este último me foi apresentado por Cláudio Manuel, com quem estou nesta parceria.

E estas coisas de computador e internet têm uma medida que não é humana. Fotos,  por exemplo. Lembro que eu viajava de férias às vezes com cinco filmes de 35 fotos (quem ainda lembra?) e fazia uma farra. Revelava, olhava uma por uma, guardava, revia. Ainda revejo.

Hoje, um passeio de uma manhã gera mais de 500 imagens, que são arquivadas num canto e, talvez,  jamais vistas. Soraya reclama que nunca são reveladas e se o computador der pau, babau.

E mudando de pau pra cacete,  fui buscar a renca em Iaçu e lá assisti ontem na TV  uma matéria sobre blogues,  no programa Aprovado. Dos entrevistados, só conhecia nossa Renata Belmonte, que mandou muito bem. E uma coisa me chamou atenção nas entrevistas. Alguém falou, se não me engano um poeta ou escritor, que o blogue é uma excelente forma de divulgação de um trabalho.

Pra mim o blog é o próprio trabalho.  Acho que um conto, um poema, uma foto, um post bacana têm existência semelhante e tão  efetiva tanto na tela quanto no papel. Afinal de contas tela e papel são apenas suportes. Nada mais.

Claro, quando vai pro papel significa o reconhecimento, a materialização. Mas imagino que no futuro os livros impressos servirão apenas como motivo para festas de lançamento, quando autor e leitores se encontram. Num ritual. Numa celebração.
Como  vai acontecer em breve com  Maria e Nilson.

Written by Marcus

05/07/2009 em 08:50

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Bárbara

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Lembra de Bárbara?  Entrou no TOP 10 dos mais vistos no YouTube Brasil no mês de junho.
 Revi o vídeo e me surpreendi  com os comentários negativos.  É o preço do sucesso  e da ampliação da audiência.
Mas  hoje vejo com outros olhos a bagaceira habitual da caixa de comentários do You Tube.  É o que se pode chamar de um  território plural.

Written by Marcus

03/07/2009 em 09:33

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Paulo Bono

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A partir de agora vou tentar trazer para cá os posts bacanas o mais completos possível. Sei que vai ficar grande, mas tem a vantagem de se um dia um dono do blog bacana resolver se picar junto com posts e tudo, o empréstimo fica garantido.  Tem ainda a vantagem adicional de você comentar no original. E a lista de comentários deste post traz uma situação muito especial. Um personagem se manifesta e muda a versão original. Para uma leitura mais confortável, comece a ler no original. Basta clicar no título.

Fique então com Paulo Bono, sujeito que admiro há algum tempo pelo humor autodepreciativo, fino e mordaz. É um gordo bem sacana e divertido. Confira:

 

29.5.09

Reprovados

Até onde a mediocridade pode nos levar? a) ao fracasso; b) ao fundo do poço; c) à loucura d) aos concursos públicos; e) todas as alternativas anteriores. Essa foi fácil. Mas nem sempre é assim. A maioria das questões são pesadas. E nem todos são craques. Nem todos sabem a resposta. É o meu caso. Por isso eu estava ali. Naquela sala cinza e sem graça. Era um daqueles cursos que preparam os despreparados para concursos públicos. Era aula de contabilidade. Repito: contabilidade. Como fui parar ali? Também não sei ao certo essa resposta. Lembro que por toda a vida meus pais sempre me sugeriram os concursos públicos. Naturalmente, como um cara legal e criativo, que não se imaginava trabalhar de gravata numa repartição pública, eu descartava a possibilidade. Mas a mediocridade dá suas voltas. Tive o exemplo do Vilela. Arquiteto frustrado que ganhava a vida, como diretor de arte, numa pequena agência de propaganda. Aos 40 e pai de família ainda ganhava uns 1400 conto. E carteira assinada o caralho. Aí um dia ele fez uma prova da Petrobrás e passou. Hoje dirige uma empilhadeira. Mas pôde colocar a filha numa escola particular. E olha que o Vilela era dos bons. Quanto a mim, mesmo quando terminei uma especialização, minha mãe disse, mas meu filho, por que você não faz um concurso? Vai ter o da Caixa. Coitada, ela sempre temeu que as coisas não dessem certo para mim. Engraçado, a velha me conhece melhor que ninguém. Lutei bastante. Mas sabe como é. O tempo passa e a porra do salário não ultrapassa aquela fronteira. Então eu lembrava do Vilela. Não é fácil admitirmos que não somos bons. Chega a ser poético entregar os pontos. E talvez gravatas não fossem assim tão piores que escrever títulos idiotas. Acho que por isso eu estava ali. Naquela sala cinza e sem graça. Lotada de gente sem graça. Estávamos todos nós. Os que não sabem fazer. Os que não conseguiram. Os que nunca conseguirão. Os CDFs de outras épocas. Os inúteis. Os reprovados. Os mais ou menos. Os perdedores especializados. Uma cassetada de Vilelas. Alguns chutando a última alternativa; outros, o caminho mais fácil. Mas como eu disse, nem sempre é fácil. Pelo menos para mim. Porque aquele professor falava e falava, eu não entendia porra nenhuma e me sentia ainda mais estúpido. Crédito, débito, balanço, ativo, passivo, raiz quadrada, hipotenusa, conta de dividir de três números, não sei quanto por cento, fx, x + y, vai tomar no cu. E num dos momentos mais serenos dessa vida, admiti minha total incapacidade, me levantei e deixei aquela sala cinza para trás. Não adiantaria tentar. Nunca fui bom em provas. Nunca fui bom em acertos. Até onde a mediocridade pode nos levar? Essa questão foi anulada. Porque ainda não descobri.
Postado por Paulo Bono às 11:34 AM   40 comentários 

Written by Marcus

01/07/2009 em 23:50

Arriba!

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Licuri junho de 2009 gráfico do mês

Tenho a honra de apresentar  a você, acionista deste coco pequeno, o gráfico mensal de visitas  na virada de 1/2 ano.
O gráfico do orçamento doméstico  está impublicável, o eletrocardiograma idem, o de  novos frilas um horror, de cumprimento de check list de coisas a fazer em casa nem se fala. Mas o de vistas ao Licuri está uma beleza. Combina com o tesão que sinto ao birncar de blogue.
Claro, como disse no mês passado, vale a teoria da relatividade do fio de cabelo. É muito ou pouco?  Pouco na cabeça, muito na sopa.
E  isto aqui está bacana pra mim. E de ótimo tamanho.
Portanto, grato, gratissíssimo. Volte sempre!
Aproveito para desejar também um feliz 1/2 ano novo.

P.S: Devo aos posts bacanas emprestados dos vizinhos aí do lado esta empinada no gráfico neste mês. É claro que eu vou continuar!

Written by Marcus

30/06/2009 em 23:55

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Meda

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O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.

Pinço a definição acima do conto Famigerado para falar de um sentimento que me define. Meda, como diz Didi Mocó. O assunto me veio por conta da  capa da revista Muito desta semana, que se enfiou em algum lugar da  casa habitada nestes dias apenas por minha bagunça e eu acabei só folheando a matéria. Mas o assunto me voltou por causa  das palavras viscerais e dos infernos da Aeronauta. Ela não nomina o medo, mas ele se revela ali, num texto absurdo de bom.  Lembro então de Marilena Chaui e suas palavras em Os sentidos da Paixão. Tenho meda de tudo isso aí dito por dona Marilena e mais um pouquinho:

O alto celestial que nos vigia, o baixo infernal que nos espia…

Temos medo da culpa e do castigo; do perigo e da covardia; do que fizemos e do que deixamos de fazer…

Temos medo do esquecimento e de jamais poder deslembrar. Da insônia e de não mais despertar. Do irreparável. Do inomináveL..

Temos medo do ódio que devora e da cólera que corrói, mas também da resignação sem esperança, da dor sem fim e da desonra…

Temos medo do grito e do silêncio, do vazio e do infinito; do efêmero e do definitivo, do para sempre e do nunca mais. É também nosso o medo do Riobaldo, pois como ele tememos a metamorfose, tanto ou mais do que o Cão…

Temos medo da loucura roubando a placidez das simples coisas mesmas, cortando nosso corpo na dispersão de suas perdidas partes, estranhamento nosso alheio, vozes de lugar nenhum respondendo à nossa que vai a lugar algum…

Além de cada paisagem somente outra paisagem, além de cada horizonte apenas outro horizonte. Rasteado de sinais, dá medo…

É então, quem sabe, nesse ‘medo que esteriliza os abraços’ que descobrimos não termos medo disto ou daquilo, de algo ou de alguém, já nem mesmo medo de nossa própria sombra, somente medo do medonho. Susto, espanto, pavor. Angústia, medo metafísico sem objeto, tudo e nada lhe servindo para consumar-se até alçar-se ao ápice: medo do medo.

…Emprestamos nosso corpo e nosso espírito para que o diabo seja, restando-nos o medo de nós mesmos. O inferno somos nós.

Written by Marcus

29/06/2009 em 23:59

Famigerado

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Guimarães Rosa

Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela.

Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.

Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que, unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo O. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.

Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:

“Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada…”

Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E ele era para muito. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. Dava para se sentir o peso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que ele se persistia de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquele propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.

— “Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras… Estou vindo da Serra…”

Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava:

— “Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso… Saiba que estou com ele à revelia… Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade… O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado…”

Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava: E, pá:

— “Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado… faz-megerado… falmisgeraldo… familhas-gerado…?

Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?

— “Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro…”

Se sério, se era. Transiu-se-me.

— “Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras… É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias… Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam… A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?”

Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:

— Famigerado?

— “Sim senhor…” — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— “Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho…”

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

— Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”…

— “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”

— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos…

— “Pois… e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”

— Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito…

— “Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?”

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!…

— “Ah, bem!…” — soltou, exultante.

Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — “Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição…” — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d’água. Disse: — “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!” Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — “Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não…” Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse: — “A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças… Só pra azedar a mandioca…” Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.

Em “Primeiras Estórias”, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1988, pág. 13. Encontrado aqui e lido com prazer após uma rápida googlada provocada pela  curiosidade gerada no  post de Chico Muniz, aberto assim:  Tomou o elevador o famigerado rei do pop, Michael Jackson.

Written by Marcus

28/06/2009 em 17:19

Publicado em prosa

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Bem

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Camisa  gola cacharrel  branca  na luz negra,  calça quadriculada de pano barato com  boca de sino,  rosto colado, a temperatura subia no frio de Conquista.
Ben. Pra mim,  era bem.

Quem  tocou no assunto aqui do lado: Franciel, Christiana, Maria, Juliana, Chico, Janaína, Celso, Taiane, Nelson, Márcia, Álvaro, Bernardo, Marcelo, Renata, Ari…

Written by Marcus

27/06/2009 em 15:06

Publicado em Música

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Quero ver novamente

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sapato do meu tio

Written by Marcus

25/06/2009 em 00:01

Publicado em Teatro

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Quarta de cinzas

com um comentário

Written by Marcus

24/06/2009 em 13:43

Publicado em Blogolândia

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Véspera

com 4 comentários

1

A cidade se enfeita, na cozinha o movimento é grande, no quintal o forno está aceso. É véspera, manhã/tarde da noite de São João. E eu torço para que isso fique nos meninos como ficou em mim. Hoje já não sinto nada, só lembranças. Da fogueira, dos fogos, dos balões, da música. Hoje sou apenas memória, que tento reaver em caminhadas pelas ruas decoradas da cidade. São João passou por aqui. Pelas minhas lembranças.

Written by Marcus

23/06/2009 em 13:55

Publicado em Iaçu

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Bandeirolas – Shirley Stolze

com um comentário

Written by Marcus

22/06/2009 em 23:59

Bandeirolas – Fenando Vivas São João

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ColorsVivas01yt

Written by Marcus

21/06/2009 em 23:59

Publicado em Fotografia

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Bandeirolas – Adenor Gondim

com 4 comentários

Bandeirolas  junho de 1990 - Cachoeira Bahia  foto - Adenor Gondim

Written by Marcus

20/06/2009 em 23:59

Caminho da roça

com 3 comentários

caminho da roçaDSCcaminho da roça 205183Br 324 hoje pela manhã.  115 km em 2 horas e meia.
Bem melhor do que as cinco  horas do ano passado.

Written by Marcus

20/06/2009 em 15:48

Publicado em viagem

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Fogueiras

com 6 comentários

são joão fogueiras

Inaguro com esta  noite chuvosa de São João que passou, uma sequência de fotos bacanas. Os outros posts entrarão amanhã e terça, sempre às 23:59, na programação automática do blogue. Estaremos em   Iaçu, com nossa renca desfalcada de Luísa. Ela vai  para Cachoeira, lugar das bandeirolas de amanhã, de Adenor Godim. Luísa deve  passar por  Santo Amaro, lugar destas belas  fogueiras de Maria. Vivá São João.

Written by Marcus

19/06/2009 em 23:59

Márcia Rodrigues

com 3 comentários

Como estou carente, o post bacana de Marcinha é um presente de aniversário enviado pra mim em março de 2007.Como sempre fazia, Marcinha mandava bem numa ficha do aniversariante falando não só das qualidades, como também dos defeitos sempre perdoados dos amigos.

Marcinha nos faz muita, muita falta.

Graças ao atraso tecnológico do UOL, eu não posso fazer o link direto para o texto. Você ganha então todos os posts do mês de março. O meu presente foi postado no dia  9. Os 11 comentários também elevam a baixa autoestima. Confira aqui.

Mas vale mesmo é  uma visita aos seus últimos posts, especialmente os dedicados a Sandrinho e a Paul Newman. Aqui.

E veja só. O  sitemeter do Sarapatel acusa média  de 72 visitas diárias. Viva Marcinha.

Written by Marcus

18/06/2009 em 13:39

Publicado em Post bacana

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Serviço incompleto

com um comentário

Maria da Conceição foi retirada de casa na noite de terça-feira, no bairro de Canabrava. Em seguida,  executaram seus três filhos, suspeitos. Era o início de um acerto de contas sem burocracia pelo assassinato de um policial. Alguém tinha que pagar, sobrou para Maria da Conceição. Os filhos  foram paridos em sequência. Três gravidezes, três partos,  nos anos de 1985, 1986 e 1987. Mas na morte foram trigêmeos. Se os executores tivessem mais coração, dariam também cabo do que sobrou da mãe.

Written by Marcus

18/06/2009 em 09:00

Publicado em Salvador, violência

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Martha Galrão

com 7 comentários

Não consigo ver uma lagartixa sem lembrar do fenômeno da atração.
Gosto de fazer piscina na areia para a renca e desejo para  mim essa lembrança de pai.
Faltou um poema visceral? Aí você se vira. Aqui.

Written by Marcus

17/06/2009 em 11:48

Publicado em Post bacana

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M.

com 6 comentários

Náusea

os carros passando

e eu na janela

os carros passando

e eu na janela

os carros passando passando passando

e eu na janela…


Numa conversa com Nilson, acho que já contei isso aqui, argumentei que o poema dele não era dele e por isso ele era um poeta. Se você lê um poema e não vê o autor ali, vê a si próprio, sente como se você estivesse escrito aquilo,  o poema é seu e o autor é ainda mais poeta.

Como  acontece com toda idéia “genial” minha, descubro  que alguém já havia pensado a mesma coisa. Num seminário recente, quando quatro jovens escritoras decretaram a inexistência da tal literatura feminina – assim eu entendi e concordei – uma delas disse mais ou menos a mesma coisa: na literatura confessional quem se revela não é o autor e sim o leitor.

Não me lembro se foi Ângela Vilma ou Mônica Menezes. Peço ajuda a Renata Belmonte e a Kátia Borges, as outras duas da mesa, e a Maria Sampaio, que estava do meu lado, para refrescarem a minha memória.

Portanto, este poema de M. é meu. Eu o “escrevi”, ele reflete exatamente o que sinto muitas vezes. Portanto M. é uma poeta de mim e suspeito que de muita, muita gente.

Mais um de M. Aqui.
Mais de M.  Aqui.

Written by Marcus

16/06/2009 em 21:07

Publicado em Post bacana

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Bilhete azul vira arte

com um comentário

A artista francesa Sophie Calle recebeu uma carta de rompimento, que terminava com a típica recomendação  “cuide de você”. Não engoliu sozinha. Convocou outras 107 fêmeas para interpretar o texto do sujeito. A versão de 104 mulheres, duas marionetes e uma papagaia – dentre elas as atrizes Victoria Abril e Maria de Medeiros –  na forma de exposição,  foi apresentada pela primeira vez na Bienal de Veneza de 2007. Chega a São Paulo em julho e será vista também em Salvador, no MAM, Em setembro. Leia a bendita carta e veja a lista das intérpretes  aqui.

PS. A barra de rolagem do site é um retângulo transparente do lado direito do texto.

Written by Marcus

16/06/2009 em 19:15

Publicado em Exposição

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Juan Trasmonte

com 6 comentários

Written by Marcus

15/06/2009 em 18:25

Publicado em Post bacana

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