Galinho republicou e eu faço o mesmo com a foto acima de Vivas em A Tarde, reveladora da nossa via crucis de cidadãos desta cidade. Escrevi sobre o assunto no início do ano lá no Licuri no Uol. E hoje republico abaixo um post que fiz recentemente no Falando na Lata. E esta semana descobri, ao rever o filme, que fui injusto na comparação. Forrest tinha como principal qualidade a ingenuidade. Nosso prefeito não. Ele se faz de besta com muita competência.
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Cacofonia visual
Houve um tempo em que Salvador exibia poucas placas. Eram tão poucas que a simples existência de uma delas deu nome a uma de suas praias, a Placaford.
Ao chegar do interior, onde pequenas placas no caminho da escola em Vitória da Conquista – Os Gonçalves, Farmácia Lia, Magazine Aracy, Chez Nice Modas, Bazar Cairo – me ensinavam a ler com nomes e sobrenomes, fiquei impressionado com o imenso letreiro da Philips visto de várias partes da cidade sobre um edifício próximo ao Largo 2 de Julho. Estávamos em 1970 e letreiros como o de A Tarde no prédio histórico da Praça Castro Alves me ensinavam que capital era sinônimo de grandes letras.
Mas havia também os pequenos letreiros e o garoto de 9 anos se divertia especialmente com a sentença a contrariar a bíblia, numa loja da Carlos Gomes: Adão não se vestia porque Spinelli não existia.
Sem querer ser nostálgico, de um tempo pra cá a cidade tem sido invadida lenta e permanentemente por uma tsunami de placas, banners, letreiros, ou toda sorte de mensagem publicitária numa espécie de gritaria visual que o senhor aqui de quase 50 anos, que não perdeu o hábito de ler placas, já não dá mais conta.
Aonde vamos parar? São Paulo já parou.
Em artigo na Folha de S. Paulo, o cineasta Fernando Meirelles comemorou o basta dado pelo prefeito. Ao ver a cidade linda, desnudada dos milhares de letreiros que escondiam as fachadas e até o pouco verde, o cineasta descobriu que depois de anos via e não lia São Paulo. E desejou encontrar o prefeito para tascar-lhe um beijo por ter proporcionado sua felicidade de cidadão.
Invejei São Paulo. Quando teremos um prefeito merecedor de um beijo?
Salvador aparentemente suporta ainda mais porque tem muitas áreas verdes, tem um céu luminoso, tem a vista do horizonte sobre o mar. É uma cidade difícil de poluir.
Mas estão conseguindo. Só outdoor são 1200 placas. Somadas a elas temos um sem número de busdoors – cartazes nas traseiras dos ônibus – placas de alumínio do mobiliário urbano e, ultimamente imensos cartazes nas fachadas dos prédios.
O letreiro do novo prédio de A Tarde talvez seja do mesmo tamanho que o da Praça Castro Alves. Mas praticamente desaparece diante da onda de banners e placas que surgem na Avenida Tancredo Neves. Um deles ocupa 11 andares da fachada lateral de um prédio em frente ao jornal.
Na Paulo VI, na lateral de um pequeno edifício, Gisele Buchen mira a imensa placa em frente sobre a fachada da Escola de Administração do Exército, ocupada por dois jovens alunos do Colégio Militar ampliados umas 20 vezes, numa placa devidamente creditada com cerca de uma dezena de marcas patrocinadoras.
Marcas, marcas e marcas espalhadas pela cidade.E o prefeito, longe de merecer um beijo, contribui para esta cacofonia visual com placas amarelas e iluminadas em todos os cantos, a gritar algo que a cidade e eu não conseguimos enxergar: Prefeitura trabalhando.
Tags: forrest john, Salvador

10/11/2007 às 12:28
Bró
Vivas matou a pau com essa cruz q tápesando nas costas dos barraqueiros. Se ele queria votos, podia ao menos ter perguntado pra onde levar os materias da demolição, ou dar tempo, semana talvez, pr’eles tentarem aproveitar as sobras de material -cê sabe, pobre aproveita tudo.
Inda não se sabe quem vai pagar a conta das ‘obras’ começadas e mal acoitadas, ou os prejuízos q os ‘mizeravi tivero’.
Eles mesmo, com quase toda cerveja, e a gente, por tabela. É soda, ’seu’ vinícius…
alf
11/11/2007 às 17:42
Oi, Marcus, me ensina a colocar uma foto na abertura do blog? Mudei o Madame para o WordPress e não sei fazer isso.
Madame,
Tive este mesmo problema quando mudei para cá e a solução que encontrei, já que não manjo de HTML,foi mudar o modelo. Parece-me que alguns modelos aceitam fotos, outros não. Os que aceitam são os que já vêm com alguma imagem e oferecem na barra de edição a opção Imagem de Cabeçalho Customizada, como é o caso do Connections, que adotei para o Licuri. Gostei da mudança. O que tem melhor aqui é a estatística. É interessante você saber quantas pessoas vieram e como elas chegaram. A fotinha da sua cara sorridente também tá bacana. bjs.
12/11/2007 às 06:59
Marcus,
a situação é, inacreditavelmente, horrível.
Ano passado também rabisquei uma bobagens sobre o tema. E também republiquei mês passado.
Maestro, nossos comerciais, por favor.
http://ingresia.wordpress.com/2007/10/17/
12/11/2007 às 13:42
Marcus,
Admito que você tem razão. No começo achava exagero seu, pois o verde e a topografia de Salvador realmente disfarçam a poluição visual das placas.
Porém, o pessoal tá abusando… 1200 placas, fora as fachadas dos prédios, é propaganda pra caramba!
Acredito que um menor número de placas contribuiria até para valorizar o meio outdoor, pois a mensagem poderia ser melhor assimilada…
Quanto ao Forrest John, melhor nem falar… O segredo é partir para negociar diretamente com o Geddel!