Não me conte seus problemas

14/11/2007

A sala é agradável, numa casa dos antigos conjuntos residenciais da Pituba transformada em clínica, com os três últimos consultórios no lugar onde era o quintal. E eu me lembrei do hotel Maringá, onde nasci, com seus últimos quartos construídos no fundo.

Lembrança de infância foi casual? Não. Quando você decide por terapia a viagem já começou.

E eu embarquei novamente.

Ali, de frente para uma pessoa que nunca havia visto na vida, passei a desfilar minhas dificuldades em viver comigo, com os demais e com os compromissos.

E estava diante de alguém com menos idade do que eu. Mais um sinal de velhice? Seguramente. A segunda vez que tive este sinal foi na copa de 90, quando me toquei que a maioria dos jogadores da seleção era mais nova do que eu. Na copa de 70 eu tinha 9 anos. E a primeira foi quando olhei minha mãe de cima pra baixo. Havia crescido. 

Eis-me novamente em crise, em busca de ouvidos alheios, ouvidos outros a me servirem de espelho. A novidade é que desta vez, em vez da linha  humanista de sempre, parti para a terapia cognitiva, uma técnica recente que busca atuar nas crenças e comportamentos que nos fazem reagir sempre da mesma maneira frente aos desafios ou determinadas situações.

Resolvi também relatar o tratamento, ou aspectos dele, num outro blog.

Não me conte os seus problemas, diria você e a cantora axé. Mas eu vou contar à revelia e nem precisei de um novo blog. Ressuscitei o velho Dia-adia, criado para acompanhar meu DDA (distúrbio de déficit de Atenção). O link está aí na coluna de blogs à direita.

 Desconfio ainda de uma recaída na alteração de humor típica de um transtorno bipolar, ou seja a velha deprê que retornou mais de uma década depois.

Enfim, mas por que trazer isto a público? Não sei.

Roberto Carlos que é Roberto Carlos, e que não gosta de tocar no assunto, teve coragem de contar como perdeu a perna em  O Divã…. ( Relembro bem a festa, o apito / e na multidão um grito / o sangue no linho branco… ) porque eu haveria de deixar minhas mazelas apenas no peito e no juízo?

E se Roberto Carlos, que é Rei, esteve de volta também aos consultórios para tratar um TOC, por que também eu não posso ter a minha recaída, seja lá do que for?

Problema seu, de Roberto Caros e das baleias, diria você.

E é.

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6 Respostas para “Não me conte seus problemas”


  1. Terapia cognitiva é ótimo! Estou querendo fazer aqui, mas as filas são gigantes e leva anos para poder se tratar. Não quero comparar mazelas, mas passei por momentos difíceis há pouco, com depressão pós-parto. Agora estou bem melhor, tomando remédio. Agora tenho alegria em acordar de manhã e olhar pro meu Max no berço. E consigo brincar com ele.


  2. Poxa, falei, falei e só falei de mim, que vexame. Marcus, é isso aí, faça tudo o que for necessário para sair da depressão. se é voltar pra análise, pra terapia cognitiva, pro escambal, faça. É importante. Um beijo e boa sorte!


  3. Oi Marcus,
    Parabéns pela coragem de encarar os seus fantasmas. Não é qualquer um q se propõe a tão difícil empreitada. Difícil, mas necessária. Conheço pouco da terapia cognitiva, minha praia é mesmo a psicanálise, da qual não abro mão como paciente q só perde em duração para Wood Allen. Ele brinca, em “O Dorminhoco”, onde dorme por 200 anos, q se estivesse acordado talvez já teria tido alta. Humor faz bem aos males da alma. Boa sorte, vou visitar lá o outro blog específico. Muito sucesso! Grande abraço, christiana fausto

  4. katiaborges Diz:

    Ah, conte seus problemas, sim. A gente vai lendo e se sentindo mais humano ao saber que não é o único em crise no planeta, ou o único que está lidando com os primeiros fios brancos…

  5. paulo galo Diz:

    Bom mergulho, Gusmones. Vai voltar mais leve e mais forte, acredite.
    Conte comigo se precisar, gosto de vc.
    Bjs

  6. sarapatel Diz:

    Gusmão,

    Bem vindo ao time. Nada que o zoloft não ajude a resolver. Ele já me acompanha há quase um ano e a gente “vai levando”


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