Arquivo para fevereiro, 2008

Das Ruas, Pelo Interior e temáticos

29/02/2008

Incorporo mais alguns blogs aí do lado. Meu ex-chefe Iuri Rubim estreou o seu Das ruas  com estilo. E trouxe entre outras novidades do Brasil afora, os Meninos de Araçuaí, do Vale do Jequitinhonha.
E estes meninos apareceram simultaneamente em minha tela esta semana num artigo de Clóvis Rossi na Folha e no post de Iuri. Recomendo o post, o blog e o disco, que vem numa embalagem artesanal de madeira, excelente para presente.
Viva Nicota Farofa, que foi ao  foi ao baile… O refrão de Nicota  é o preferido pelas crianças lá de casa em uma das faixas do CD dos Roda que Rola, dos Meninos de Araçuaí, que conheci há  uns dois anos, quando descobri o site e convenci  um monte de gente a fazer um pedido coletivo pelo correio. Na época comprei também para dar de presente o DVD do grupo com Milton Nascimento. 

O CD é apresentado em uma caixa de madeira, arredondada, tipo queijo-catupiri.  No repertório,  21 canções do folclore do Vale do Jequitinhonha e MPB. O disco inclui batuques negros, tiranas medievais, cocos, cantigas de roda e composições assinadas por nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Dorival Caymmi, Vila-Lobos e Fernando Brant. Se você quiser comprar vá aqui. 

E inauguro hoje também  duas novas categorias de links no blog. Pelo interior vai deixar ao nosso alcance aqui neste licuri blogs do interior da Bahia, lugar indeterminado de onde vim e para onde desejo retornar quem sabe um dia. De prima, o blog Balanagulha,  de Sento-sé, que fica láaaaaaa na margem do Sobradinho e nos versos que todo mundo canta… Adeus Remanso, Casa Nova Sento-Sé…

A segunda categoria é Blog temáticos, de colegas de profissão que resolveram investir no que escrevem e trazem informações específicas e precisas sobre determinados assuntos. Nesta categoria estão os blogs Autobrasil,   de Roberto Nunes, sobre automóveis; Simplesmente elegante, de Márcia Luz, sobre Moda; e o de Joao Mauro Uchôa, sobre jornalismo, informática e concursos públicos. 

Águas de quase março

28/02/2008

tempestade-em-copo-dagua.jpg

 

Que me perdoem os alagados, molhados, encharcados e desabados, mas eu adoro temporal. Gosto de ver o céu desabando sobre nossas cabeças, da força dos ventos, da claridade dos relâmpagos.

E  chove sem parar por horas e horas nesta noite. E a cidade, que poderia curtir a chuva comigo, que poderia promover festas para Iansã, mergulhou no caos. E o mergulho no caos é o chavão impossível de evitar sempre que chove em Salvador. Fui lá no Licuri antigo e resgatei um texto do ano passado, que de tanto atual, repito aqui resumido: 

O céu de Salvador desabou mais uma vez. Chove muito, sempre choveu desde antes do ano de nosso senhor de 1549, quando esta esquina da Baía passou a ser habitada também por forasteiros que vieram pelo mar. Mas até hoje Salvador vive a sua chuva como se estivesse diante do inusitado, do imprevisível. Não aprendeu a viver as mudanças de estação. As pessoas de havaianas e bermudas correm pelas ruas, encharcadas e surpresas. Os motoristas embaçados e estressados avançam lentamente sobre as ruas e avenidas transformadas em correntezas como se estivessem diante do primeiro dilúvio.  O técnico da prefeitura diz que a culpa é do sistema de drenagem, que precisa de R$300 milhões para resolver o problema. Que o sistema funcionava para a cidade de 20 anos atrás. Ou o técnico é muito novo ou não conhecia Salvador da década de 80. Ou não tem noção de dinheiro. Solução de R$ 300 milhões é desculpa para deixar o problema como está. O sistema nunca funcionou. Esta cidade na chuva é cenário daquela música de Raul, que narra o dia em que a terra parou. Vôos são perdidos, consultas adiadas, encontros desmarcados. Uma arquiteta novata na cidade estranhou que certo dia ninguém da casa onde estava saiu pra trabalhar. Tá chovendo, foi a explicação.  A tragédia se repete, sempre anunciada. Mas a cidade insiste em não estudar sua chuva, em não buscar soluções. Apenas bota a culpa na quantidade de chuva e no sistema. Salvador tem universidades com cursos de Engenharia, Geografia e Urbanismo. De lá poderiam vir soluções mais baratas e simples. Os lugares de alagamento são os mesmos e transbordam num ritual que se repede a cada chuva.  Manter bocas-de-lobo desobstruídas não deve custar milhões. É preciso reconhecer também que hábitos dos moradores desta cidade agravam o problema. É comum ver papéis e latas de cervejas arremessadas de automóveis. Tudo que está além dos limites da casa e do carro do cidadão desta cidade é lata de lixo. E a lata de lixo transborda na chuva. O mesmo lixo que vai para as portas em sacos revirados por cachorros e catadores. Restos de areia e entulhos das construções também são levados na enxurrada e entopem ainda mais.

Tirei esta imagem de tempestade daqui.

Decisão

27/02/2008

divinacomedia.jpg

O vício não pensa, não argumenta, não reflete e nem pondera. Ele resolve, decide por você, quebra todos os seus planos. O vício tem a força química, a força física e o ânimo que muitas vezes, alíás, todas as vezes, faltam à virtude. O vício é tirano, oportuno, um vencedor.
É rápido, preciso e sabe o que quer. Nasce simultaneamente no peito, na cabeça, na garganta e irradia em todas as direções, sem dó nem piedade. Quem sabe minha maior virtude um dia será não brigar mais com meus vícios. E aceitar pepsi em vez de coca, nova schin em vez de heineken, talento em vez de toberlone alpino.

imagem

Mania de grandeza

26/02/2008

cosmology-virgo-universe-desk-1024.jpgCadê cadê eu
cadê tu
neste cósmico buraco de tatu?

Sem comentários

25/02/2008

Este coco pequeno está asfixiado.
Sem comentários ele não vevi, como diz o povo na roça.

Verger, Caetano e a Cidade da Bahia

24/02/2008

verger-caramuru.jpg 

 

 

Futucando a fototeca da Fundação Pierre Verger… Bingo! O Caramuru, hoje condenado à morte,  não passaria despercebido aos olhos do cara.

 

 

 

 

E Caetano fala sobre a cidade em entrevista à repórter Mary Weinstein, em A Tarde de hoje. Confira os trechos  sobre o gabarito da Orla e do Comércio e sobre as barracas de Forrest John nas praias (tratei deste assunto ainda quando o Licuri era no uol, em post de 24/01/2007):

 Caetano Veloso: Não é possível que tenham construído essas casas em cima da areia da praia para serem permanentes. Porque isso é como construir uma favela.  E ocupar parte da areia. O movimento deveria ser em sentido inverso. Devia ser o de desencorajar o que quer que seja de permanente sobre as areias das praias.  O que havia na praia – e era bonito – eram as casas dos pescadores quando havia puxada de rede e tudo o mais. Mas isso foi acabado pelo Antônio Carlos Magalhães, na época da ditadura.E eu protestei contra isso. Mas as barracas de vender bebida e não sei quê, na praia, não podem ser uma coisa que fique ali. Acho errado.Eu sou contra até aquele lugar que os guarda-sóis ficam, fechados, durante a noite. Parece um cemitério. Areia da praia é areia da praia. No Rio tem muito mais gente, têm que vender muito mais bebida e, no entanto, cada um chega, põe sua barraca provisória de manhã e retira às cinco horas da tarde. E não fica nada, a praia fica limpa.A Tarde – Esse negócio das barracas poderia ter sido evitado se o Patrimônio da União tivesse usado o seu poder de polícia para impedir a colocação do primeiro tijolo.CV –  Mas eu estou 100% com você. Deveria ter sido simples assim. Os poderes deveriam ter sido aplicados dessa maneira. É evidente.AT  -  O que você diz sobre o aumento dos gabaritos da orla? CV – Eu li no jornal que havia uma liberação do gabarito da orla, sem sequer as restrições que havia num outro projeto, de distância entre os prédios. Eu fiquei apavorado porque acho que tem-se que ter um projeto muito claro para a orla de Salvador, porque o desenvolvimento é inevitável. Então, liberação de gabarito é a pior notícia que poderia chegar aos meus ouvidos. Porque já começa com um negócio de vale tudo, que é justamente o contrário do que deve acontecer.Deve haver o planejamento mais cuidadoso possível, e não liberações que facilitem construções de qualquer maneira. No Rio, em Ipanema e Leblon, você não podia construir mais que quatro andares.Mas sempre aparece um prefeito que, por causa de dinheiro, abre uma exceção pra fulano e aí, primeiro para os hotéis, mas só hotel, e aí pronto (em ritmo de rap).Mas aí, como abriu pra hotel, aí abre pra um sujeito que dá um dinheiro pro prefeito.AT –  Aqui são 18 andares para hotéis. E na Cidade Baixa também houve ampliação de gabarito. CV –  Junto à praia? Acho que isso deveria ser melhor pensado e achando os caminhos viáveis de implementar restrições. É parte de uma conscientização do que é o tratamento urbano. A prova de que os brasileiros não tinham isso em mente é a maneira caótica como as cidades brasileiras cresceram todas.E todas estão parecidas. São Paulo é o exemplo máximo e é o modelo que foi seguido por todas as cidades. Aquele trecho do Comércio pediria um tratamento como Recife velho e Pelourinho. No mínimo. A essa altura, possivelmente, melhor, porque já se sabe mais coisa. Mas eu vou dizer uma coisa que eu acho que, de certa forma, resume tudo isso. Que o Brasil, como todos os países da América Latina, que têm relíquias arquitetônicas, coisas que os Estados Unidos não têm, deviam aprender com os países europeus, porque nesse aspecto, nós parecemos com os países europeus. E a forma americana não nos serve. Americano faz uma igreja de madeira pra derrubar depois. Você viaja no Peru, no México, no Brasil, na Colômbia, é lindo. Nos Estados Unidos, o que tem de bonito foi construído nos anos 20, 30, 40, 50. Aqui deveria ser pensado como Paris, Roma, Praga, Atenas. Mas já há um pouco desse pensamento. Como eu falei, a recuperação do Pelourinho, São Luís, Recife. Porque a própria coisa se impõe, apesar de não se pensar dessa maneira e se deixar o crescimento caótico continuar. E agora é preciso que a gente não permita que apesar disso se destrua tudo.Eu acho que há coisas que têm que ser defendidas pelo poder público e que não podem só ficar entregues aos interesses econômicos.

Assinante lê íntegra aqui

Abaixo, projeção do efeito da emenda aprovada (ainda não publicada) feita pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – seção Bahia.

projecao-emen-249-iab-bahia.jpg

Caramuru

23/02/2008

caramuru1.jpg

Os grupos espanhóis Single Home e Iberkon querem usar a força da grana para erguer um novo prédio no Comércio, Cidade Baixa de Salvador.

E destruir este que está aí na foto.Mas se este edifício é belo, tem história, tem charme, tem uma proposta de cobertura inovadora, pra que destruir?

Professores do Instituto de Arquitetura da Ufba e o Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia IPAC têm o meu apoio, quem sabe o seu, para impedir a demolição. O IPAC já pediu o tombamento pelo Estado e os professores do Núcleo de Documentação e Conservação da Arquitetura e do Urbanismo do Movimento Moderno/PPGAU-UFBa, solicitaram em agosto do ano passado o tombamento federal.

O Edifício Caramuru, projeto do arquiteto Paulo Antunes Ribeiro, é de 1946. 

 

Veja alguns dos argumentos das arquitetas e professoras da Ufba AnaCarolina de Souza Bierrenbach e Anna Beatriz Ayroza Galvãoda contidos no pedido de tombamento:

 

Esse edifício, de inquestionável valor arquitetônico, representa um dos primeiros e principais exemplares da arquitetura moderna filiada à corrente carioca construído em Salvador. Prova desse valor é a sua premiação na Primeira Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo de 1951, assim como a sua divulgação em artigos de importantes revistas internacionais como a francesa L’Architecture d’aujourd’hui em 1952 e a italiana Domus em 1954……Tem como elementos mais significativos: seus brises-soleil dispostos nas duas fachadas voltadas para o poente, cuja solução peculiar (grandes painéis metálicos dispostos em planos alternados ao longo de 7 pavimentos) é o diferencial do edifício; o seu acesso impactante por um saguão de pavimento duplo com um mezanino de linhas curvas; sua cobertura em terraço-jardim que deveria proporcionar uma visual verde ao ser observada a partir da Cidade Alta, e servir de referência para as futuras edificações do Comércio, cujo conjunto resultaria numa extensa mancha verde. Nessa cobertura foi implantado um apartamento para a diretoria da Companhia, além de um volume cilíndrico correspondente à caixa do elevador…

…Há pouco tempo, as placas metálicas dos brises-soleil foram saqueadas do edifício, segundo depoimento do vigia do prédio. Embora essa ação tenha prejudicado a fisionomia do edifício, pode ser entendida como um alerta para a urgência da tomada de medidas de preservação, sobretudo neste momento em que vários projetos buscam a revitalização do bairro do Comércio. O próprio edifício Caramuru deve passar em breve por uma grande transformação, tendo em vista que recentemente foi adquirido por uma rede hoteleira espanhola.É fundamental, portanto, assumir que o Edifício Caramuru corre grande risco de continuar sendo descaracterizado pela falta de conhecimento a respeito do seu valor histórico e arquitetônico. Este pedido de tombamento visa legitimar o reconhecimento deste exemplar emblemático da arquitetura moderna brasileira produzida fora do eixo Rio – São Paulo, e conseqüentemente protegê-lo contra eventuais intervenções equivocadas.”

 

foto:arquivo DOCOMOMO Bahia/PPGAU-UFBA

 

Mora na filosofia

22/02/2008

“No tempo que eu pensava menos eu fodia mais”.

(Frase masculina mas aceita como filosoficamente perfeita e avalizada em uma mesa de mulheres depois de algumas cervejas. Mas faço um apelo aos mais pudicos do que eu. Entenda o verbo foder também como vadiar, brincar, andar para certas regras)

Não tenho saído nem pra ver eclipse; pai, são seis e meia!!!

21/02/2008

eclipse-final.jpg

 

 

O cúmulo de não mais sair, é não sair nem na porta da rua para ver eclipse. Vida de corno essa minha. E como o Licuri agora é diário, receba na caixa dos peitos – obrigado Ingresia -  este desabafo, este lamento borincano.  - ¿qué será de mis hijos Y de mi hogar?.
Saí tarde do trabalho, para variar, olhei para o céu e tava ela lá brilhante, claríssima. Porra, o UOL não me disse que começaria às 9 e 15. Já eram 10 e tanta, o Vitória, pra meu desgosto, já dava de 5 no Itabuna, e o Bahia, a duras penas e para meu desgosto ao quadrado, apenas empatava com o Fluminense de Feira.
E eu, que tiro onda com meus parcos conhecimentos de  céu, que adoro me exibir mostrando escorpião, as plêiades e os planetas, não lembrava que primeiro a lua entra na penumbra, só mais ou menos uma hora depois é que vem o eclipse parcial, quando a sobra do sol de fato começa a morder um naco da lua. Portanto, ver o primeiro eclipse de 2008 significaria avançar mais de uma hora no meu cansaço.
Acabei vendo um eclipse de pálpebra, no sofá da sala. Acordei às duas para ir pra cama e pela fresta da área de serviço lá tava ela brilhante de novo. Eclipse é como a vida, vacilou passa.
E pela manhã, o desejo de mais cama foi interrompido pelo sino, pelo mantra diário da pobre Luísa que prevê atraso: 
- Pai, seis e meia.
E assim lá nave vai, das seis e meia às 10, 11 da noite. Soraya tem razão. Não adianta comprar Vida Simples com aquelas matérias cheias de fórmulas simples e impossíveis para desacelerar, mudar de vida. Planejo viver uma vida menos corrida, planejo caminhar pela manhã, planejo emagrecer. Planejo sair do vermelho. (consegui apenas por uns 10 dias esta façanha).
Tudo fica no desejo, na imensa distancia que separa intenção e gesto. E naquela frase batida de Lenon, de que a vida é tudo que lhe acontece enquanto você faz planos. 

 

 

Achei a imagem aqui. 

Olha pro céu meu amor

20/02/2008

lua_21.jpg

Licuri Diário também é serviço. E se você é de lua não deixe de aproveitar a morada próxima à linha do Equador, espichar o pescoço para fora da janela ou olhar simplesmente pro céu hoje a partir das 20h15 para entrar em sintonia com milhares de ancestrais que se embasbacaram durante toda a existência humana com a mágica da lua praticamente desaparecer num céu sem nuvens.

São Jorge estará totalmente encoberto às 22h06.(foi mais tarde). Dai em diante se desnuda.  E ao contrário de você e eu há dez mil anos atrás, você e eu temos a quem perguntar como será o de hoje ao senhor UOL, quando será o próximo à Mrs. Nasa e saber como foi um dos últimos com Mr. Flickr. Boa viagem.

O próximo desafio

19/02/2008

Alô seu fiscal de promessa, o senhor que estava reclamando da periodicidade deste coco
pequeno, receba pela caixa dos peitos este texto enorme mas fundamental para começar uns papos estranhos aqui. Foi  encontrado enquanto eu futucava os velhos arquivos do Licuri no UOL. Na empreitada acabei achando  também o Filosofia de Privada, ressuscitado e desatualizado, de onde copiei a entrevista. É velha, eu sei, Soraya já até comprou o livro e quem sabe um dia eu me aventure a ler. Por enquanto, fique com a entrevista:

José Castello entrevista Antonio Risério:

P: Em seu novo livro, você defende a idéia de que, ao tratar da
cultura brasileira, não podemos nos iludir com fantasias fáceis, novos
truques ideológicos e maniqueísmos simplificadores. Você se empenha,
ainda, em não fugir da questão chave posta pela idéia de uma
democracia racial e cultural. Contra quais idéias dominantes você
escreveu este novo livro? Em que direção vai esse caminho original que
você vem nos oferecer?

R: Estou nadando, clara e decididamente, contra a maré “bem-pensante”,
hoje, no Brasil. De uns tempos para cá, enquanto negromestiços
norte-americanos passaram a reivindicar sua “identidade birracial”,
aproximando-se assim do modelo brasileiro, o que está acontecendo aqui
é um movimento inverso: negromestiços tentando enfiar a rica e
múltipla realidade racial brasileira na camisa-de-força do padrão
dicotômico norte-americano, que é essencialmente racista e foi criado
pelos senhores brancos do sul dos EUA. Os EUA são o único país do
mundo onde a existência de mestiços de branco e preto não é
socialmente reconhecida – basta uma gota de “sangue negro” para fazer
do indivíduo um “negro” (jamais um “branco”, é claro). É isto o que
está sendo transposto para cá, por nossos acadêmicos racialistas e
agrupamentos ativistas neonegros. Trata-se de tentar transformar o
Brasil num campo racial nitidamente polarizado, com base no que
aconteceu na vida norte-americana, como se a experiência histórica de
um povo pudesse ser simplesmente substituída pela experiência
histórica de outro. Daí que o racialismo político-acadêmico de
professores e militantes tenha baixado o decreto ideológico de que
inexistem mestiços em nosso país. De que nossos morenos e mulatos não
passam de uma perversa ilusão de ótica. É certo que a mestiçagem
brasileira recebeu, no século passado, uma interpretação senhorial,
mistificadora. Mas a solução não é abolir o problema, mesmo porque
continuamos mestiços. Temos de saber encarar os fatos. Mestiçagem não
é sinônimo de igualdade, nem de harmonia. Não exclui o conflito, o
racismo. E a melhor prova disso é o próprio Brasil. É claro que nunca
vivemos numa democracia racial. Mas realizamos conquistas que nos
autorizam a acreditar que podemos avançar nessa direção. Que podemos
realizar o mito, fazendo com que ele se encarne na história.

P: O multiculturalismo é, ao mesmo tempo, uma idéia muito rica e uma
idéia contaminada de mal-entendidos e confusões. De qualquer modo, ela
parece estar no centro dos principais debates culturais de hoje. O
multiculturalismo é uma característica crucial da cultura brasileira.
Mas, você mostra, nenhuma das culturas que aqui chegou conseguiu
conservar sua “pureza”, nesse sentido somos o país das impurezas. Que
dificuldades, mas também que vantagens essas contaminações nos
oferecem?

R: Minha visão é algo diferente. De um modo geral, podemos dizer que
existem países multiculturais e países sincréticos. O Brasil é um país
essencialmente sincrético. Não temos aqui nada de parecido com o
bilingüismo paraguaio, com as divisões que detonaram a antiga
Iugoslávia, com os cingaleses e tâmeis que fragmentam o Sri Lanka, com
o que acontece na Nigéria e na Indonésia. Não temos conjuntos
culturais fechados, ensimesmados. Aqui, apesar das crueldades da
escravidão, as coisas se mesclaram em profundidade. Daí que eu costume
dizer que, culturalmente, mesmos os brancos brasileiros são mais
africanos do que os negros norte-americanos. Mas há, ainda, uma outra
distinção. Uma coisa é a realidade multicultural de um país, outra é a
ideologia multiculturalista. O multiculturalismo se opõe às
interpenetrações culturais, defendendo o desenvolvimento separado de
cada “comunidade” étnica, de modo que esta possa permanecer sempre
idêntica a si mesma, numa espécie qualquer de autismo antropológico.
Ora, nem o Brasil é multicultural, nem há lugar aqui para o
multiculturalismo, a não ser que, como dizia Adam Smith, neguemos a
evidência dos sentidos em nome da coerência de nossas ficções mentais.
Hoje, de resto, a experiência sincrética brasileira se tornou
referência para o mundo globalizado, com todos os seus encontros e
atritos interétnicos.

P: Você estuda, em particular, a presença da cultura negra no cinema
brasileiro e na música popular brasileira. E faz, sempre, um
contraponto com o que se passa na cultura norte-americana. Por que?

R: Sublinho o assassinato espiritual do africano nos EUA. Lá – sob a
pressão cruel e poderosa do poder puritano branco – as culturas
africanas foram destroçadas, varridas do mapa. É por isso que não há
orixás nos EUA (eles só começaram a voltar no século 20, com migrações
antilhanas). Os pretos abraçaram a Bíblia. Criaram uma variante do
cristianismo puritano. E como elementos, práticas e sistemas
simbólicos de origem nitidamente africana inexistem na sociedade
norte-americana, também inexistem na criação estética desta mesma
sociedade. Dessa perspectiva, a cultura norte-americana pode ser
resumida em poucas palavras: nunca ninguém fez nenhum “despacho” na
cabana de Pai Tomás. O que vemos no Brasil é justamente o contrário
disso. Faço o contraponto para mostrar as enormes diferenças que
existem entre as experiências históricas e sociais do povo brasileiro
e as do povo norte-americano, com a sua rígida separação entre um
mundo cultural branco e um mundo cultural negro, coisas que são
fundamentais, mas que nossos atuais racialistas político-acadêmicos
não levam em consideração. Se o que aconteceu nos EUA tivesse
acontecido também no Brasil, em Cuba e no Haiti, não teríamos hoje
sequer vestígios de deuses africanos em toda a massa continental das
Américas. Teria sido melhor assim? Não creio.

P: Você se esforça para mostrar que essa influência negra não deve ser
tratada só como um elemento de formação, como um aspecto importante do
passado, mas também como algo presente, e ainda, como algo que diz
respeito ao futuro de nossa cultura. Que exemplos você poderia
oferecer da vitalidade da tradição negra? Onde e por quem ela é
anulada, e onde consegue não só sobreviver, mas se fortalecer?

R: O ponto principal é que signos culturais de origem africana fazem
parte de nosso presente social e cultural. Impregnam e imantam a nossa
ambiência. Por isso mesmo, não comparecem, na criação estética
brasileira, como dados arqueológicos ou como relíquias salvas de um
naufrágio. Pelo contrário: aparecem como produtos concretos da
vivência pessoal de nossos criadores (muitos deles, negromestiços) ou,
pelo menos, como coisas que existem objetivamente à sua volta. Veja a
criação plástica de Rubem Valentim, que é uma espécie de Mondrian dos
terreiros, a um só tempo ancestral e construtivista. Veja a obra de
alguns criadores do cinema novo, a produção poético-musical de Caetano
Veloso, a literatura brasileira, onde Iansã pode irromper até mesmo
nas Galáxias de Haroldo de Campos. O fato é que temos a presença
ancestral da África na arte brasileira de invenção. Quanto à segunda
pergunta, vejo um quadro complicado. Se o candomblé se fortaleceu em
meio às elites, está se enfraquecendo em âmbito popular. As massas
negromestiças brasileiras estão abandonando os terreiros e aderindo às
igrejas neopentecostais, que se utilizam, diabolicamente, de crenças
populares e de práticas das religiões negras, como a técnica do
transe. Não quero fazer profecias, mas acho que estamos caminhando
para a formação de um neocandomblé, não só em São Paulo, mas também na
Bahia. Um neocandomblé que se configura a partir da presença, nos
terreiros, de pessoas das mais diversas cores, classes e formações
culturais.

P: Apesar do prestígio do futebol brasileiro, o futebol continua a ser
um tema recalcado em nossa cultura. Você não se esquiva dele e mostra
como, apesar de ser um esporte da elite inglesa, ele logo sofreu entre
nós uma sábia apropriação popular. Mostra, ainda, como a expansão do
futebol afetou o crescimento do rádio e da imprensa brasileira, como
ele se tornou produto de exportação e como fomentou uma indústria. Mas
como, apesar disso tudo, nunca perdeu a liberdade e a criatividade. Em
que medida a recriação ou reinvenção do futebol pelo povo brasileiro
ainda é desprezada e por que? Que fatores levaram, entre nós, a uma
valorização estética do futebol, a ponto de ele se tornar um
“futebol-arte”? Você chega a dizer que o futebol brasileiro é “filho
do barroco” – o que isso significa exatamente?

R: Não acredito que haja desprezo, hoje, por essa proeza popular de
recriação ou reinvenção de um esporte inglês. Dos tempos de Mario
Filho e Nelson Rodrigues para cá, cresceu e muito, por sinal, a legião
dos que examinam, estudam e buscam entender a escola brasileira de
futebol. E não vejo como situá-la fora da matriz barroca que está na
base mesma de nossa formação e vem marcando há séculos, de uma ponta a
outra, tanto em plano “erudito” quanto no “popular”, a criação
cultural brasileira, da arquitetura ao desfile das escolas de samba.
Visões do barroco como arte do excesso, como criação lúdica e sensual,
como artesanato feito para enfeitiçar os sentidos definem
perfeitamente o futebol brasileiro, da folha seca de Didi ao lance
desconcertante de Ronaldinho Gaúcho, ou da bicicleta de Leônidas às
pedaladas de Robinho, passando pelo deus Pelé. É o gosto pela curva,
pelo floreio, pelo efeito, pela voluta, pela estetização extrema de
cada jogada, pela surpresa. O povo brasileiro reinventou o futebol com
a inteligência corporal específica de sua formação etnocultural. Na
base, o samba e a capoeira. O ritmo e a malandragem. Não é por acaso
que usamos uma mesma palavra ? e de origem africana: ginga – para
falar de sinuosos movimentos corporais de sambistas, capoeiristas e
jogadores. E esta recriação se deu em horizonte barroco. É por isso
que, acompanhando alguns estudiosos, chego a falar, sinteticamente, de
uma escola barroco-mestiça de futebol.

P: Que marcas a escravidão, e também o movimento abolicionista que a
enfrentou, deixam, ainda hoje, na cultura negra brasileira? Em que
medida esses não são apenas eventos do passado, mas marcas que ainda
hoje se disseminam, com força, na vida brasileira? Como se comportam,
hoje, nossos movimentos negros em relação a esse passado que se
perpetua no presente?

R: Raramente nos lembramos de que durante séculos, no Brasil, ninguém
foi contra a escravidão em si. Os tupinambás praticavam a escravidão,
assim como os portugueses e os africanos. Quando um determinado grupo
negro se rebelava contra a sua situação, travava uma luta específica:
queria se libertar do seu cativeiro, mas não hesitaria em escravizar
outros grupos. Havia escravos em Palmares. E os negros malês, que se
sublevaram em 1835, pretendiam escravizar os mulatos. Ou seja: do
século 16 ao século 19, fomos todos escravistas. Foi com o movimento
abolicionista que, pela primeira vez em nossa história, a escravidão
como sistema foi colocada em questão. E, também pela primeira vez,
formou-se uma ampla aliança de classes e cores, em função do combate
ao sistema. Negros – livres e escravos – participaram ativamente do
processo. Nesse sentido, o 13 de Maio (ainda hoje, apesar de tudo, a
nossa maior revolução social) foi, também, uma vitória negromestiça. E
penso que nossos atuais movimentos negros não deveriam estigmatizar a
data, desprezando a longa e dura luta vitoriosa de seus antepassados.
O problema é que as nossas elites impediram a realização completa do
projeto abolicionista, que visava à integração final do negro na
sociedade brasileira. Não promoveram as reformas moral, educacional e
agrária que eram reivindicadas pelas lideranças abolicionistas. Nabuco
dizia que acabar com a escravidão não bastava: era preciso liquidar
todos os vestígios do regime. E isto não foi feito. É por isso que a
maioria dos negromestiços vive ainda no subsolo da sociedade
brasileira. E que ainda estamos lutando para completar a obra apenas
iniciada pela Abolição. O que não acredito, ao contrário dos
movimentos negros, é que a luta tenha de se dar, necessariamente, por
linhas étnicas rígidas. Pela adoção do modelo racial norte-americano.
Temos de pensar o Brasil por nossa própria conta e risco – ou os
equívocos continuarão se sucedendo vertiginosamente. É mais difícil,
mas, certamente, menos enganoso e falsificador.

P: Você trata da existência de uma “nova história oficial brasileira”,
que se distingue da velha história oficial, que era tramada na
perspectiva dos colonizadores. Você chega a dizer que ela é “uma
espécie de contra-história brasileira”. Como ela se define? Em que
medida ela construiu novos dogmatismos e novos clichês? Que aspectos e
contradições de nossa história essa “contra-história”, formulada nos
anos 70, tratou, ela também, de dissimular e esquecer? Em que medida
ela apenas substituiu mitos antigos por mitos novos?

R: Existe a velha história oficial do Brasil, que se institucionalizou
a partir da obra de Varnhagen e da criação do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro. E existe a nova história oficial do Brasil, que
nasceu na década de 1970, invertendo os sinais algébricos da “velha”,
e se institucionalizou mais recentemente, gravando-se nos Parâmetros
Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, durante o governo de
Fernando Henrique Cardoso. Falo de ?contra-história? porque ela pouco
mais é do que uma inversão de sua antecessora. Se a “velha história”
celebrava a colonização lusitana, a “nova história” celebra
irrestritamente negros e índios, condenando o colonizador português ao
fogo do inferno. De uma parte, ela é a história do índio eco-feliz e
do negro gloriosamente empenhado na luta por sua liberdade. De outra,
é a história do colonizador branco como um animal invariavelmente
estuprador e assassino. De um maniqueísmo absoluto, reduz a história
do Brasil, que é altamente complexa, a um filme de bandido e mocinho,
idealizando os dominados e caricaturando os dominadores. Daí que passe
bem ao largo de coisas como o caráter essencialmente agressivo e
belicoso da cultura tupinambá ou do fato de que os nagôs vieram parar
aqui porque foram vendidos aos brasileiros pelos reis do Daomé. Enfim,
é uma história de povos-anjos e povos-demônios, que converte os nossos
antepassados em fantasias a-históricas. E, assim, não faz mais do que
substituir mitos antigos por mitos novos ? ou mentiras surradas por
mentiras recentes. Se quisermos de fato nos conhecer, temos de superar
esse primarismo “rousseauniano”, feito sob medida para debutantes
mentais.

P: Contrariando a idéia dominante, você faz em seu livro uma
aproximação estreita entre o Brasil e Cuba. O fio de ligação principal
é a santería, a religião dos orixás, e, em particular, a figura de
Exu. A maior parte dos brasileiros tende a ver Cuba como um país
atrasado, parado no tempo, e imobilizado sob o peso de um regime de
exceção. Que elos secretos, ainda assim, seriam esses que nos unem a
Cuba?

R: O traço de união entre o Brasil e Cuba é a África. Em termos
históricos, genéticos e culturais. Costumo dizer que Cuba foi uma
Bahia tardia e, ao mesmo tempo, mais avançada. Mais tardia porque o
apogeu da economia açucareira cubana aconteceu no século 19, quando os
canaviais baianos se encaminhavam para a decadência final. Mais
avançada porque o que se implantou lá foi um parque açucareiro
moderno, efeito e causa da chamada “revolução agrícola” cubana. Nessa
época, as populações negras do Brasil e de Cuba experimentaram uma
mudança notável. Os bantos estavam desde o início em ambos os lugares.
Mas a revolução agrícola em Cuba e o estabelecimento de nexos
comerciais diretos entre o Brasil e o golfo do Benim, na África,
trazem para os nossos países levas e mais levas de iorubanos -
chamados “nagôs” no Brasil e “lucumís”, em Cuba. E os iorubanos vão
marcar profundamente e para sempre as duas regiões, irmanando-as. Isto
é muito claro no campo da produção cultural. Uma antropologia das
formas estéticas no Novo Mundo mostra com clareza a presença africana,
sobretudo banto e nagô (ou lucumí), nas criações brasileiras e
cubanas. Antes que “hacienda” de Fidel Castro, Cuba é, mais
profundamente, terra de Iemanjá e Xangô. Como a Bahia.

P: Como você se sente e se vê no cenário cultural brasileiro de hoje?
Quais são seus principais interlocutores e quais são os principais
obstáculos que enfrenta? Quais são, a propósito, seus novos projetos
de livros?

R: No campo específico da discussão das relações sócio-raciais no
Brasil, hoje, minha sensação é de isolamento. De uma certa solidão
política e intelectual. Por um lado, o que temos é a velha conversa de
que não existe racismo no Brasil. Por outro, o que predomina é o
racialismo político-acadêmico, a militância neonegra, lendo o Brasil
com lentes norte-americanas. Ou seja: por um lado, o clichê
insustentável; por outro, a alienação universitária e o capachismo
ideológico. Nesse último caso, não se trata de combater “idéias fora
do lugar”, mas de lembrar que as concepções raciais norte-americanas
não são conceitos, categorias universais, mas noções “nativas”,
indestacáveis da experiência histórica dos EUA, que procuram
injetá-las em nosso meio através de suas instituições e financiamentos
de pesquisas. Além disso, o poder se comporta com excessiva reverência
diante do discurso racialista. E é ignorante, como Lula pedindo perdão
no Senegal. Quem tem de pedir perdão aos povos africanos, pela
escravidão, são as elites africanas, que participaram ativa e
lucrativamente do tráfico de escravos. Como se não bastasse, há uma
certa covardia dos intelectuais, que temem contrariar os movimentos
negros e serem classificados como racistas. O clima, enfim, é de
inibição do debate. Fico, então, com as exceções. Com a paixão da
troca clara e honesta de idéias. E, portanto, com poucos
interlocutores, a exemplo de Peter Fry, Eduardo Giannetti, João
Santana e Caetano Veloso. Quanto a novos livros, não sei. Tenho
escrito muito sobre a cidade no Brasil. Mas, no momento, quero que
venha à luz este novo, A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros

Tenho que comemorar

18/02/2008

Estava vasculhando os rascunhos do blog e descobri este post. E tenho o que comemorar. Terminei de ler o tal livro. Levei exatamente o mesmo tempo que o autor gastou para escrever. Conheço uma garota de 12 anos que leu mais ou menos 50 livros no ano passado. Eu li apenas este. Ainda bem que este meu traço de personalidade não foi transferido por hereditariedade. Deixo a seguir registrado o post/rascunho porque pretendo voltar  ao assunto O Processo  nos próximos dias:
 
 
Há certas coisas comuns, bestas, fáceis de realizar por qualquer mortal mas que pra o portador de TDAH  se tornam tarefas intransponíveis. Minha tarefa quase impossível é terminar de ler um livro. Sem essa dificuldade seria um cara lido. Mas não sou leitor, sou começador.O engraçado é que largo, abandono, perco, empresto até, mesmo estando envolvido, interessado, falando o tempo todo sobre o assunto.Às vezes nem começo, leio um pedaço e largo. Nem o Jogo de Amarelinha , que pode ser lido de trás pra frente, ao gosto do freguês, consegui terminar. Houve um tempo em que eu lia até o fim. Nesse tempo li A  Metamorse, de Kafka.Mas O Processo entra no rol daqueles que já tentei várias vezes, onde também me esperam Os Irmãos Karamazov e Sagarana. Todos literatura básica, mas que o cidadão aqui não conseguiu compartilhar com a humanidade.E a vontade de ir adiante no Processo já dura quase um ano. Seria uma oportunidade para também até o fim em Crime e Castigo, que segundo Modesto Carone, seria uma das matrizes da obra de Kafka. Quem sabe um dia chego lá…Sem culpa. 

 

E este blog já virou uma sociedade (sem autorização prévia) com o Olho da rua  Mas este Vivas  não fotografa…

 

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Mônica Gedione

17/02/2008

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Teatro Castro Alves lotado hoje para mais um Domingo no TCA. No palco a história de Luiz Gonzaga. E na platéia Dona Edith, minha senhora mãe, para assistir com Marcelo e Stael, a filha caçula no papel de Mãe de Gonzagão em  O Vôo da Asa Branca.Minha irmã Mônica Gedione,  atriz, é chegada a interpretar uma mãe. Foi também mãe de Raul Seixas, mãe do protagonista Roberto Zucco e avó de Portinari num espetáculo montado por Luiz Carlos Vasconcelos em São Paulo. Só lembro dela ter feito a filha em A Casa de Bernarda Alba, na década de 80, dirigida por Fernando Guerreiro numa montagem na Capela do Solar do Unhão. Mônica é esta da direita na foto, numa cena do Vôo, quando interpreta uma cantora de Rádio.

“Felicidade é bicho caprichoso”

16/02/2008

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Inspirado num post da Madame e aperreado com a cobrança de seu Franciel, cometo aqui a insanidade de me prometer a quebrar diariamente este licuri. E pra não falar demais por não ter nada a dizer vou apelar sempre para os vizinhos, como já faço hoje com esta citação da Aeronauta:

“O perder tudo me livrou de perder ninharias”.

Esta frase, isolada, me diz  muito e serve como alento para um jogador compulsivo como eu.  
Vá lá ver de quem é e em que contexto está e faça sua leitura. Amanhã eu volto.

E antes de amanhã, inicio hoje a campanha: Queremos o Sarapatel de novo na mesa!

Maria

14/02/2008

mariabanho.jpg 

Minha Pachuluca completa hoje, 15 de fevereiro,  tlês anos. (escrevi este post quase uma da manhã mas o relógio do blog ainda estava no ontem).
E antes de dizer quantos,  junta os três dedinhos gordos com a ajuda da outra mão e mostra.
Toda linda, não sei se pelos belos olhos, não sei se pela simpatia, não passa na rua sem que todos a chamem pelo nome.
Em Salvador ou em Iaçu, é a garota mais popular que eu já conheci.
De personalidade forte, reúne três personagens de Maurício de Souza nela só. Come como a Magali, fala como o Cebolinha e é foltona, baixinha e golducha como a Mônica.
Voltou bilíngüe de Iaçu. É preda pra cá, vrido pra lá e saudade de Frô, sua colega de escola.
Pediu e vai ganhar daqui a pouco a bicicreta rosa que tem desejado, enviada por tia Reia e Tio Rubinho, transportada pela vó Mônica, que trouxe também um imenso bolo branco no colo, enfeitado por três princesas.
Mandona, outro dia gritou da sala. - Liene, venha cá! Eliene vai e recebe de chofre: – Liene, eu te amo.
Bate muito e apanha, apanha muito de André. Completamente apaixonada pelo irmão, mal sai dos tapas e abraça e beija seu algoz ou vítima sem a menor cerimônia.
É a mais apegada a Soraya, a quem se declara também assim do nada e em quem  vive se enroscando em busca de um chamego.
Obedece a Luísa como a uma mãe de quem recebe cuidados e proteção. Foi Luísa a autora da  foto deste post, quando Maria tomava seu banho de espuma no quintal, em Iaçu.
Parabéns minha filhota.
E eu, por que  vou reclamar da vida diante de uma coisa como essa?

 

P.S: E hoje também é o aniversário de minha querida amiga Márcia, uma das figuras mais incríveis que conheço. E pra completar, resolveu nascer no dia de Maria.
É uma maleta, mas é maravilhosa também. Parabéns Marcinha.

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