Por um triz

02/06/2008

 

Quando pequeno fiquei impressionado com um filme sobre um acidente fatal no trapézio. Não lembro quase nada, mas acho que ele me influenciou a sempre temer cenas de risco e fechar os olhos. A deixa é o repique do tambor antes da parte mais difícil, o clímax, quando o impossível nos surpreende –  e aí está a graça –  mas onde o possível também acontece.

E aconteceu  na sexta, na última das seis apresentações da temporada de estréia do espetáculo Histórias Contadas de Cima, quando Carol, uma das cinco artistas encontrou o chão. Eu poderia estar lá com a minha renca, mas fomos a  uma programação dos colegas de André para a estréia de Nárnia. Deixei pra ver numa próxima temporada, agora incerta.
Só soube no dia seguinte, quando levei Luísa para a aula de circo e encontrei uma das  colegas das meninas chorando ao telefone.

A gente sabe que circo envolve risco, que desafiar a gravidade é uma brincadeira milenar que já resultou em muitos acidentes. Às vezes cabe a alguém pagar o preço. E ele é alto. E quando é com pessoas que a gente conhece e que, por um motivo ou outro está envolvido com o trabalho, toca mais. E imagino também o estrago na cabeça e na alma das outras quatro.
Futuquei em busca de algo escrito que  me ajudasse a entender e encontrei este livro aí de cima, de Guilherme Veiga, resultado de uma tese. O autor frequentou a Escola Nacional de Circo para viver o que estava investigando. O livro é póstumo, porque Guilherme morreu num acidente. De carro.

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