Seu olhar nesta foto é um pouco diferente do olhar entediado e blasé das modelos. Passa uma certa raiva, uma certa angústia. Por quê? É a pergunta que se faz, principalmente quando alguém dá cabo à vida quando se tem 20 anos, beleza, fama e dinheiro. Tenho baixa tolerância a bêbado, drogado, suicida e maluco. Talvez pela aparente e parcial vitória que tive sobre todos eles que habitam em mim.
Minha intolerância é racional porque sei que todos, voluntária ou involuntariamente, transferem suas cotas de miserê para quem está à sua volta. Eles se deslocam, se esquivam, saem de cena com o corpo ou com a alma e sobra para quem? Para mães, pais, filhos ou alguém que ainda suporta. Pense em algum deles e você logo vê alguém ferrado por perto.
Mas minha intolerância é parcial e não chega ao coração. Um gesto como o dessa garota (tudo indica que foi suicídio) me toca, me comove, assim como me tocou o mesmo gesto de Gustavo, um amigo. Ver alguém louco também é uma experiência que deixa o coração apequenado diante dos porquês.
E por falar em mãe, aqui vai um abraço apertado e um beijo para a minha garota de 78 anos hoje, que segurou legal minha onda quando andei me esquivando do mundo. Parabéns Dona Edith!
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30/06/2008 às 00:43
Somos todos uns potenciais tudo isso que está aí no seu texto, embora nem todo mundo tenha esse texto do cacete, mermão!!! Mas a propósito do tema suicídio tem um filme muntcho doidio em cartaz, “Fim dos Tempos”, que aborda a questão de uma perspectiva ambientalista. É quase trash, mas vale a pena porque é nesse quase que dá uma caruara na gente. O diretor é aquele indiano de Sexto Sentido, Shiamalan ou coisa que o valha. Será que a loirinha foi vítima da praga que tem no filme???!!!
Licuri – Quem me dera um dia poder sintetizar tudo assim:
“É de saudade das asas
que brota esse peso
nos ombros.”
Conheça o autor aqui.
Não vi “Fim dos Tempos”, mas li num jornal russo (estou reaprendendo) que a moça assistiu a Ghost, recentemente com o namorado, que também não diz nada. Talvez seja mais uma destas especulações que muitas vezes passam longe do real e que surgem sempre que alguém se mata.