Arquivo para agosto, 2008

Tsssssssssssssssssssss!!!

30/08/2008

Incutido é pior do que doido, diria sua avó. Incutido não, focado, diriam os psi que ainda acham que TDAH não é loucura.  Passei a semana incutido, focado, com o juízo transpassado pela seguinte questão: O que é marca? Marca é o conteúdo simbólico que conecta um produto ao cliente.

Gostou? O professor doutor que nos assistia, a mim e a Marcinha, ficou pensativo, ensaiou concordar, mas desconfiou. Quem escreveu isso? E foi taxativo: Não pode, só com doutorado. Acredite.

Mas aqui no Licuri pode e então eu me atrevo a emitir outra opinião, esta amparada pelo meu doutorado infantil em Sertão:

Marca é ferro em brasa no juízo.

Ainda ouço na memória o berro de dor, o mugido junto com o esticar das patas do garrote deitado, a fumacinha subindo, o cheirinho de queimado, o bicho em disparada depois de solto. Pronto, agora tem dono.

Temos muitos donos. Todos com sua marquinha cravada nos nossos cérebros e corações loteados. Isto não é uma queixa, é constatação.

Coca-Cola, Microsoft, IBM, GE, Intel, Nokia, Toyota, Disney, McDonald’s, Mercedes-Benz…Ter marcado o juízo de bilhões de garrotes no mundo inteiro rendeu somente a estas top 10 a avaliação de U$ 396,569 bilhões em 2006 (veja lista mais recente aqui ).
Bilhões. Não, isto não é a soma dos ativos das empresas. É só a marca, o tal valor intangível, que me lembra Disparada: intangível ferro engorda e mata. Que me lembra Admirável Gado Novo: …povo feliz.

Depois da aula continuei matutando sobre marcas.

Mas por quê elas valem tanto? Tenho um palpite. Você adquire um produto com a ilusão de estar comprando. Na verdade, você está se vendendo. E pagando por isso. Claro que uma parte do que você paga é para cobrir os custos de produção e o lucro. Mas esta parcela é cada dia menor. Ao se vender pagando, você passa a pertencer ao tal ativo intangível da empresa. E mais. Parte desta fábula que valem as marcas é calculada pela quantidade de vezes que você vai estar disposto durante a vida a adquirir aquele produto. Peraí? Além de se vender comprando você ainda é alugado pro resto da vida sem saber?. Isso mesmo.

A marca não contém nada além de nós todos. Nós é que pertencemos a ela. Estamos definitivamente ferrados. Tssssssssssss!!!

Por falar nisso, já foi buscar seu Snoopy?

P.S – mais um repeteco de um post do Licuri no UOL, escrito há dois anos, quando eu inventei inciar um mestrado. Abandonado.

 

Cобака

29/08/2008

Moscou, 1984. De repente entra no quarto uma garota. Não sei como burlou a segurança das babushcas na portaria da habitação coletiva. Bem crescidinha, insiste em fazer o tipo Lolita. Deita apoiada nos dois cotovelos em uma das duas camas e começa a falar. E fala, e fala, e interroga, e continua falando pelos cotovelos… Digo sim, não, não, sim, pode ser (da, niet, mojet bit). E só. De vez em quando fica apoiada em um só cotovelo, com a outra mão mexe na ponta de uma das duas tranças longas do cabelo preto, revira os olhos, faz caras e bocas e fala, e fala. Cruza e descruza as pernas enfiadas em um macacão jeans último modelo no mercado negro. Olhos negros, bochecha rosada, camiseta branca. E fala, e interroga, e fala… Eu continuo um monossilábico gago, ali parado, olhando para ela.

De repente fica muda. E faz a última pergunta:

_ E você não fala nada?

_ Não, mas entendo.

_ Ummmm, como cachorro. Entende tudo e não fala nada…

Lembro dessa história toda vez que ouço alguém dizer que entende uma língua. Passados 23 anos, continuo não sendo cachorro malmente em português. E apenas português do  Brasil.

Mas, voltando à menina de tranças, digo, miserável de tranças, descobri hoje, graças a são google, que para me humilhar ela havia feito referência a um ditado russo:

я как собака – все понимаю и вижу, а сказать ничего не могу…

Como um cachorro, tudo entendo e vejo. Mas não posso falar nada…

Taí, um bom ditado pra gente usar também ao testemunhar o indizível.

(P.S – quando alguém repete uma história na minha família, lembram meu pai: Lá vem Dedé com o caso da viola. Herdei dele esta mania de repetir histórias. Esta post já é conhecido dos dois ou três leitores antigos do Licuri e foi recontado umas muitas vezes entre amigos. E  como isto aqui tem ficado mais movimentado por conta do destaque nos blogs de Maria Sampaio e agora Bernardo – tou quase mudando pro blogspot para ter este recurso de bandeirar os e-amigos – resolvi então republicar o meu post do cachorro dois anos depois da primeira postagem).

fite o acaso, e me conte quantas fitas encontrou.

27/08/2008

(não, não virei poeta. ganhei uma)
http://sustologias.blogspot.com/

Morcego

26/08/2008

“…Ali no chão, já rodeado de curiosos ao longe, recuperava sua inocência perdida na fama. 14 anos de idade, magrelo e comprido, uma vareta de cutucar estrelas. Maltrapilho, trazia estampadas na pele e na mente as marcas sujas da Bahia preta, pobre e perversa.
- Levanta, vagabundo!!
Só então, percebeu, já pelos coturnos e a calça cáqui que subia de dentro das botas, que se tratava de um meganha. Levantou cabisbaixo e, arcando-se sobre si mesmo, mãos na barriga, finalmente, soltou seu primeiro gemido de dor. Baixinho como convém diante de um homem da lei…   

Trecho do conto Morcego, do  livro inédito RGP, de Nelson Maca, que me foi  apresentado pelo acaso de uma navegação a trabalho. Confira íntegra aqui no blog Gramática da Ira, de onde também foi importada a foto. Gostei muito. Segundo Nelson, o conto é um relato real.

 

 

 

Um quadro falso

24/08/2008

Tenho mania por rankings e tabelas. Acompanho pouco esta olimpíada, mas o quadro de medalhas eu checo cada vez que entro na internet. Nesta última consulta, antes de assistir à final de vôlei, constato que uma boa posição no quadro de medalha para um país significa uma boa posição no quadro de medalhas. E só. É como aquela piadinha sobre o jogo de xadrez: é ótimo para desenvolver o raciocínio. Para jogar xadrez.

Fico irritado com este ufanismo exagerado, plantado no juízo das pessoas, com o subtexto de que somos melhores quando ganhamos mais medalhas. Por esta lógica da tabela, Etiópia está um melhor país do que o Canadá. A Jamaica virou uma potência, à frente da Espanha, e Luxemburgo é uma terra de ninguém, um autêntico povinho sem medalha. Suécia e Áustria também são umas porcarias, pois sequer têm uma medalha de ouro.

Na verdade, a tabela ainda reflete a guerra fria e a queda de braço entre os decadentes capitalistas e os virtuosos atletas do socialismo. O que estes chinas comeram de pão amassado pelo diabo pra ficar bem diante do mundo nem quero imaginar. E Cuba? Está entre os oito melhores. No bronze. Será que todos os bons se picaram ou o país ficou pior? Não sei.

Sei que os vermelhos e os ex-vermelhos ainda imperam. Some as medalhas da Rússia com os demais países que formavam a CCCP e você chega ao segundo lugar, com 37 ouros. E no total de medalhas, os ex-companheiros da união indestrutivel das republicas livres, conforme pregava o hino negado pela história,  seriam campeões com 167 redondinhas, 60 a mais do que os americanos. Claro que a matemática não é tão simples assim porque se estivessem competindo todos pelo mesmo país uns eliminariam os outros, mas o número seria bem próximo disso.

Não torço pela olimpíada no Brasil. Pelo menos tão cedo, ou pelo menos enquanto Galvão Bueno não se aposentar. Afora isso seria uma encheção de saco por oito anos, e uma geração inteira dedicada a esta arte de ganhar medalha, que ao fim e ao cabo não dá em quase nada.

Enfim, como previ num comentário no blog de Maria Fabriani antes do começo dos jogos, vamos terminar as olimpíada com um número de medalhas de ouro que se pode contar nos dedos de uma mão, de presidente. Exatamente igual, caso o Brasil vença daqui a pouco. Ou com folga se Bueno ficar triste. Mas pra mim, sinceramente, tanto faz.

Agora vou para a poltrona porque ele me chamou, me convocou novamente como amigo. E me informa a grande novidade que o jogo vale ouro. Quem precisa de inimigo?

Atualizado em 25/08 – Dormi antes do jogo terminar, mas o resultado todos sabem. E o contas abertas informa hoje que cada medalha custou ao nosso bolso R$ 50 milhões. Confira aqui.

Teria Forrest John um Incitatus?

21/08/2008

Por Júpiter!

O que este aí estava fazendo às sete da manhã hoje nas ruas da Pituba? Será que nosso alcaide tem também o seu incitatus? Será que o passeio é uma inspeção nos banhos de asfalto e de luz?
Com mais algumas passadas, o nosso possível senador soteropolitano estaria numa das avenidas mais movimentadas da cidade. Temendo um acidente, resolvi então ligar para o 156, Salvador atende.
Pode acreditar, ouvi umas 200 vezes a musiquinha  …quem ama tem respeito, quem ama só quer o bem…  
Desisti. Tinha mais o que fazer. Intrigado, resolvi ligar mas tarde e só então a moça me explicou que o serviço começa a funcionar a partir das 7h30. Ou seja, o otário que liga antes das 7h30 ouve trocentas vezes a gravação – estamos transferindo sua ligação. 
E ainda tenho que ouvir o dia inteiro a versão daquela musiquinha   que tá dentro, deixa, traduzida pelos marketeiros de Forrest para  já que embalou, deixa João.

Você deixa?

P.S: mas acho que o bicho não é de Forrest, ele não leva jeito pra montaria. Confira aqui.

 

 

Olhos bem abertos em Policarpo e no Indignado

20/08/2008

Semana passada finalmente fui ver Policarpo na Sala do Coro, com direção de Marfuz, e ganhei a viagem. Caiu bem a alternância de texto e folguedos, que tornou o espetáculo ao mesmo tempo denso e leve. Cobrinha dá um show como Policarpo, o cenário tem uma solução criativa na disposição dos livros, o ritmo também é bom. As cenas da loucura de Ismênia sob o jogo de fita e a do delírio de Policarpo com as saúvas são daquelas que ficam na memória da gente.

Falar em loucura, fui em busca do tema na obra de Lima Barreto. Mulato, filho de louco, alcoolista e com um texto que incomodava, acabou mesmo no hospício. Não gosto de fazer apologia à loucura tampouco aos loucos, tem gente que gosta. Vi de perto o monstro e posso garantir que ele é bem feio. A loucura é solidão, é a incapacidade de compartilhar delírios.
Vá ver Policarpo. Garanto que você, além de não perder também a viagem, vai se diveritir e refletir sobre nossa locura, individual e coletiva.

E na sexta saí com os olhos molhados de riso e o fígado leve de O Indignado, culpa de Frank Menezes, dirigido por Guerreiro. Ele mesmo não resistia e parecia se divertir com os próprios cacos. As cenas que demonstram e explicam como funciona uma licitação e o comportamento do funcionalismo público, com base nas leis de Murphy, de Gerson e do mínimo esforço são impagáveis. Eu, como Barnabé, assino embaixo do texto de Simões.

É um monólogo, mas a gente nem se toca de que só há um cara no palco. Em alguns momentos, o fôlego de Menezes lembra p daqueles propagandistas com um microfone enrolado num pano e uma cobra elétrica na mala, que falam horas, fazem rir, vendem quilos de pomadas milagrosas nas feiras sertanejas e não deixam a peteca cair durante uma manhã inteira. Sempre achei que muita gente comprava pelo espetáculo. Também recomendo o Indignado. Desopila e faz pensar.

E a trilogia de boas peças freqüentadas na companhia de Soraya e Luluthica nas últimas semanas começou com A Gaivota, que já não posso indicar porque não está mais em cartaz. Mas graças a esta peça eu saí na Muito. Ainda não foi como capa, mas fiz minha estréia, no papel daquele que cochilava enquanto outros e a Madame sonhavam acordados diante da arte do grupo Piolin.

Concordo com todo o texto. Mas aqui me defendo em um ponto. Não foi o ritmo da peça que me fez dormir. Quem tem insônia braba entende o que aconteceu comigo naquela sexta-feira. Pode ser o melhor filme do mundo, a melhor peça, o melhor show. Quando o acúmulo de noites pouco dormidas atinge determinado ponto, babau. Pelo menos, em público, eu não ronco.

Terapia da aceitação irrestrita do elogio

18/08/2008

Complexo Escolar Polivalente de Castro Alves. Aos 11 anos, mais uma vez no papel de declamador oficial de Vozes D'África

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…
Qual Prometeu tu me amarraste um dia…

 

 

E por aí seguia no meu destino de declamdor de Vozes D’ África.

Passei um bom tempo achando que um dia Deus, de fato, prometera amarrar a África. Só anos depois, ao estranhar o título da peça Prometeu Acorrentado, a ficha caiu. Não tinha a menor idéia do que significava o “tomba ressupino”, destino do cavalo estafado do beduíno, mas estava lá eu emocionando velhinhas, tirando onda como menino prodígio do interior.

Era um 06 de julho de 1971. Aos dez anos, lançava meu brado retumbante em praça pública na pequena Castro Alves, no palanque armado ao lado da estátua do Poeta no dia do centenário da sua morte. De tempos em tempos, o garoto era chamado a repetir o feito, como nesta foto na sala de aula, provavelmente em 1972.

Alguns meses depois da glória, com problemas nas notas e no comportamento, entreouvi de uma professora: – Elogiaram demais este menino. Veja no que deu. De fato, nunca consegui decorar mais nada, tratei de me desvencilhar da imagem de CDF. Comecei a brigar com Deus a partir deste poema. Nunca me relacionei bem com elogios.

Era tão refratário que cheguei a suspeitar de assédio quando um professor de física me disse numa festa, já meio bêbado, que uma definição minha sobre a Teoria da Relatividade havia sido a resposta mais genial que ouvira em toda sua vida. Este pretérito-mais-que-perfeito degringolou. Dois semestres depois fui reprovado em física e só não repeti o semestre do curso técnico em Geologia porque mudaram o currículo e não havia turma. E fui eliminado no vestibular para Geologia em Ouro Preto na prova de matemática.

Elogios sempre me deixaram encabulado, arredio. Desde quando me entendo. O diabo é que as críticas sempre calaram fundo. Nunca entendi muito bem esta expressão, mas calar fundo parece conter a intensidade do que eu quero dizer.

Parte da culpa por não digerir bem os elogios atribuo ao meu pai. Talvez para valorizar, por insensibilidade, por brincadeira sádica (herdei um pouco disso), ou pela mesma dificuldade em aceitar, quando ouvia elogios dirigidos a mim sempre desmerecia: – Esse aí? que nada! Esse não é de nada. Gordo sacana, que Deus o tenha.

O fato, ou seqüela, é que passei a associar elogio a gozação. Sempre achava que as pessoas estavam sendo falsas por um motivo qualquer ou curtindo com a minha cara. – Esse aí? Não é de nada. A sentença ou maldição paterna continuou a reverberar vida afora.

Aí amadureci, aumentei minha nano auto-estima que convive com um ego imenso (paradoxo?) em algumas frações de milímetros e comecei a aceitar – quando tinha certeza que não era gozação – como a maioria aceita. Ou seja, sempre com a ressalva do tipo generosidade sua, exagero seu, bondade sua, e por aí vai. Foi assim no começo deste Licuri, principalmente no suicidado primeiro Licuri, quando respondia sempre aos comentários elogiosos ao texto com um enfático menas, menas!. Foi assim mais recentemente quando Inamar, um primo que tenho em alta conta, colocou um dos meus textos no nível dos de Hemingway. É mole?

O elogio me trava também. Outro dia recebi no trabalho a incumbência de redigir um texto de 15 linhas para um folder. O diabo é que a empreitada veio junto com um elogio. Batata. Passei cinco horas de relógio [hora de relógio é a unidade de tempo mais precisa e enfática já inventada em todo o mundo] em cima do computador e o texto só saiu depois de uns 15 e-mails de cobrança e uns 30 telefonemas avisando que o tempo havia acabado e que haveria multa pesada na gráfica.

O pessoal que me convocou para participar da primeira edição de uma nova revista, que será lançada no próximo mês pela Unifacs, arrancou os cabelos. Junto com a pauta – um perfil de uma uma figura brasileira de projeção internacional – veio o maldito elogio. A entrevista fluiu, o sujeito é magnífico, mas na hora de fazer o texto… A labuta me custou pelo menos 20 dias e o fim antecipado das férias. Na verdade fiz a matéria em um dia, talvez um pouco mais, mas no último do último, último mesmo, agora último, olhe lá, é o último dia do prazo. Os 19 anteriores foram dedicados à postergação, agravada pelo maldito elogio ou gozação.

Mas mudei de fase novamente. Resolvi enterrar de vez a modéstia, ou a falsa modéstia, e aceitar todos os elogios sem absolutamente nenhuma ressalva. Acreditar piamente em todos. E transferir toda a minha incredulidade para as críticas. Estas sim, serão ignoradas, desqualificadas e bloqueadas de agora em diante.

E começo esta nova fase com o elogio da Aeronauta ao texto do post da foto dos meus avós, mãe e tios, que está aí logo abaixo. Sem mais rodeios, ela simplesmente disse que meu texto estava no nível de A Câmara Clara, de Roland Barthes. Sem mais rodeios e completamente crédulo, embora só conheça Barthes de fama, respondi obrigado, assim, íntegro, sem ressalvas, verdadeiro, acompanhado de uma declaração de felicidade, também sincera. Com Nilson a mesma coisa. Agradeci e aceitei a reverência. Pronto, está criada a terapia da aceitação irrestrita do elogio. Vou lançar um livro de autoajuda com a fórmula e deixar o tal de O Segredo no chinelo.

E pode elogiar também a foto abaixo. Já estou preparado.

 

 

 

Em Vitória da Conquista, com um ano e seis meses

Buda Nagô

16/08/2008

Por Alberto Freire*

Durante anos sempre imaginei que Caymmi nasceu e se criou à beira-mar de Itapuã. A relação da sua obra com aquele local, que ficava “distante e a muitas horas da cidade” nos anos 30 e 40, foi tão intensa que parecia Drummond falando de Itabira, ou Manoel Bandeira da sua Passárgada. Puro engano. Caymmi foi um menino e um jovem do centro da cidade, nos arredores dos bairros da Saúde e Nazaré.

Nessa Bahia revelada e reinventada por Caymmi encontramos lugares, personagens e culinária  que se inseriram definitivamente na nossa história e memória. Exemplos como Itapuã, Abaeté, Festa da Conceição, do Bom Jesus dos Navegantes,  divindades  como Yemanjá, a baiana e a bunda da baiana como patrimônio, disfarçada de “balaio grande”,  o acarajé, o vatapá e em especial os pescadores. Esses e muitos outros exemplos fazem desse microcosmo chamado de Bahia,  terrinha hoje tão maltratadinha, uma geografia que se deve olhar em dois momentos: aC e dC, antes e depois de Caymmi.

Registro a minha profunda admiração pelo que chamo de síntese caymmiana. Algo que pertence ao domínio da sua capacidade de dizer muito em poucas palavras, que tem vários momentos na sua obra. O exemplo mais significativo vem de canção que diz “A jangada saiu, com Chico Ferreira e Bento, a jangada voltou só”. Pronto e acabado, dito e feito. Não é preciso dizer mais nada. Um perfeito exercício de fazer o máximo com o mínimo.

A importância de Dorival Caymmi na música e na cultura brasileira tem várias formas de ser medida. Uma delas segue uma ordem de grandeza e de importância que coloca Caymmi nas alturas da escala máxima de significados. Caetano e Gil reafirmam a todo instante a importância, referência e reverência de João Gilberto para o Tropicalismo e para suas trajetórias na música brasileira. Por sua vez, João Gilberto, quando ainda dava entrevistas,  dizia algo como “Caymmi foi e é fundamental para mim”. Num exercício de lógica, sem muito esforço, o resumo possível leva à seguinte conclusão: “Caymmi é tudo”.

A Tropicália inseriu uma inquietação estética na música, João reinventou a forma de tocar violão, e Caymmi o que fez? A enorme contribuição caymmiana foi trazer para frente da cena o homem comum, dentro de um cenário, até então desconhecido, que ele chamou de Bahia, embora fosse  um recorte litorâneo de Salvador e do Recôncavo.

Caymmi fez isso com o olhar sensível de quem fotografa ou pinta um quadro. Escolheu locais, datas, festas, praias, e enquadrou a sua Bahia de uma  forma pessoal. O resultado já é conhecido. Basta ouvir uma música sua, de olhos fechados, para vermos essa porção de Bahia que ele narra e descreve. Uma espécie de viagem musical. “Abaeté tem uma lagoa escura, arrodeada de areia branca”, ou “Cem barquinhos brancos, nas ondas mar, uma galeota, a Jesus levar” ou ainda “Coqueiro de Itapuã, coqueiro, areia de Itapuã, areia…”

Vi Dorival Caymmi pela última vez em agosto de  2006, quando esteve em Salvador para receber das mãos de Zélia Gattai o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte, no Teatro Castro Alves. O seu estado de saúde, em uma cadeira de rodas e falando com dificuldade, insinuava um certo ar de despedida. A platéia que lotou o teatro parece que percebeu o clima e, emocionada, aplaudiu de pé durante 15 minutos a entrada do nosso “Buda Nagô”, como o definiu com extrema precisão, Gilberto Gil. Desde há muito tempo e agora, com sua partida, mais do que nunca, vale a prescrição de Chico: contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi.    

* Alberto Freire, ou Betão, é meu amigo que entende  mais de MPB e de Caymmi desde os tempos da Escola Técnica e dos shows do projeto Pixinguinha no TCA. Fez este texto agora no final da tarde, por encomenda minha,  no corre-corre de pegar menino em gincana de escola e ir ao show de Rosa Passos, no velho TCA, onde seguramente haverá  uma bela homenagem ao nosso buda.   Fotografia retirada daqui.

Quem da lista aí do lado fala sobre ou reverencia em silêncio:

Amigos, e-amigos

Ari Coelho
Nilson Pedro
Christiana Fausto
Maria Sampaio
Luciano Matos 
Troi
Márcia Rodrigues/Ana Lívia
Kátia Borges

Outros sites e blogs:

Caetano Veloso

Falar em Caetano, veja ele aqui com Caymmi em 1983

Muito bom também este vídeo da Globo News no final desta página.

Itaquaraí, Bahia, 29 de julho de 1937.

14/08/2008

São meus avós, Auta e Antônio, rodeados pelos 10 filhos. Minha mãe é a sorridente, de tiara, na frente da matriarca.

Imagem rústica, sem retoques, de uma família pobre, nobre, sertaneja. Pai, mãe e dez filhos. Pela expressão da mãe, com o cenho franzido, dá pra sentir a labuta.

Esta foto me impressiona. Como num clique ao contrário, ela captura a minha atenção e passo da condição de observador para a de observado.

A foto me vê. Ela me devolve o olhar de tios com quem convivi, que me acolheram e cuidaram de mim em muitos momentos da minha infância.

Talvez esta imagem seja tão tensa e intensa porque levou 20 anos para ser feita. Era a primeira e foi a única de toda a família reunida. São muitos momentos resumidos em um só, que traz todos os outros subentendidos.

Era um dia solene, com a novidade de um fotógrafo na pequena vila sertaneja. Era festa, uma jornada de batizados, casamentos, confissões e catequese. A filha caçula, no colo da irmã, tinha 20 dias e houve resistência da mãe em levar a pequena para a rua, para o tempo.

Auta, ainda com 41 anos incompletos, vivia o último resguardo, aquele que completou a família, depois de 20 anos de uma rotina de um parto vingado a cada dois anos, além de outros dois filhos que morreram pequenos e mais um aborto espontâneo de gêmeos. Naquela casa, sem energia elétrica, sem água encanada e com fogão a lenha, houve sempre cueiros no varal e criança aprendendo a andar e a falar por duas décadas.

Antônio, aparentemente mais relaxado – dos homens não se exige tanto – traz um meio sorriso e a elegância da gravata para ocasiões especiais. Parece um sujeito bem-humorado. Há pouco havia completado 42 anos. Nasceu em 13 de junho, ganhou o nome do santo do dia, como era tradição.

Tomo um susto ao constatar que este cara aí da foto é mais novo do que eu.

Além do esmero das roupas, os sapatos chamam a atenção. Alguns foram comprados especialmente para a ocasião. Eles revelam o cuidado, o carinho dispensado a cada filho, o capricho de quem não dispões de muito, mas vai no limite para dar o mínimo de conforto e dignidade à família. 

E dignidade é a palavra que define esta imagem, que caiu em minhas mãos como uma herança valiosa há cerca de três anos. Uma fortuna afetiva que aqui compartilho.

(P.S peço perdão aos poucos leitores antigos do Licuri por repetir  foto e  texto, publicados nas duas versões anteriores deste coco pequeno. Tocado pelas imagens de memória afetiva da Aeronauta e de  Maria Sampaio  fui também em busca dos meus)

“Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria” ou o cego e o francês

12/08/2008

Clique para ver a apresentação sobre pedras porguesas hospedada no site do MP

Não lembrava do título nem do seu autor, Alcântara Machado. Mas o google trouxe a íntegra deste conto lido na adolescência na Escola Técnica e que não sai da cabeça desde que descobri que foi preciso um francês dar o grito de guerra para que houvesse uma mobilização maior contra a destruição de Salvador por um prefeito néscio e ignorante, embora nosso Forrest John de bobo não tenha nada, repito. Comparo o francês ao cego do conto porque  humilha um pouco saber que o cara é estrangeiro e se mobiliza mais por esta terra do que eu, você e nossos conterrâneos. No conto é um cego, coincidentemente chamado de cego  baiano,  que lidera a revolta contra a falta de luz em um trem.

 

A vitória continua folgada do granito sobre a pedra portuguesa no resultado parcial da enquete do MP. O tiro sai pela culatra. É pedir demais aos conterrâneos, equivalente a opinar sobre um show de pagode ou de chorinho. Dizem que sensibilidade é informação concentrada. Como exigir sensibilidade de uma cidade analfa, desinformada e que ignora sua memória?

Mas o caso ainda não está perdido, vale pelo debate e a guerra por votos continua. Saiba mais sobre o projeto, principalmente os pareceres de Ana Fernandes e Ordp Serra antes de votar aqui.

 

Eis a  revolta do francês, distribuída por e-mail:  

“Nao dá para ficar indignado o tempo todo.

Ás vezes tenho vontade de fechar a cabeça, renunciar a enfrentar mais uma briga, visto a pouca mobilizaçao da sociedade quando se trata de re-pública. Cada um parece so se alarmar quando o problema vem bater a própria porta e ameaça invadir seu bem-estar. individual e imediato.

Hoje de manhã, deste gostoso domingo de sol discreto, apos ler a denuncia da lúcida jornalista Mary Weinstein no jornal A Tarde sob o título “Barra muda de paisagem”, uma chamada de telefone me leva a depressão.

Uma moradora da Barra me informa que fora colocado um imenso tapume ao longo da ladeira da Barra, do lado da encosta, preparando o terreno para a construção de um gigantesco edifício que irá definitivamente obstruir a vista deslumbrante da baía para quem vai em direção a Barra.

Ha probabilidade que os responsáveis sejam a portuguesa Imocom, a mesma do hotel Hilton/Comercio.

Algum de vocês teve acesso ao projeto?

Mais uma vez se evidencia o monopólio ditatorial das imobiliárias, a ganância de uma minoria contra a qualidade de vida, a sensibilidade e os direitos da população.

Façam a conta do que Salvador perdeu nestes quase quatro anos com a eleição desastrada do atual prefeito, o Exterminador do Futuro.

É assustador.

A derrubada, em fim de semana, da mansão Wildberger, no belo largo da Vitória para construção de mais um espigão.

A derrubada, em fim de semana, do Clube Português, na Pituba, nem se sabe para que projeto.

O alvará para se construir um hotel Hilton junto ao Mercado Modelo, totalmente disproporcionado ao contexto urbano. É bom lembrar que a cadeia Hilton não será proprietária do imóvel.

O desaparecimento de um rio da avenida Centenário, sob toneladas de concreto, no momento que o mundo inteiro fala de preservação ecológica.

A derrubada, durante a madrugada, de seis árvores no porto da Barra sem que a populaçao fosse informada.

A retirada da tradicional pedra portuguesa do mesmo porto da Barra, substituida por concreto com alguns enfeitos de granito, impermeabilizando a terra e criando microclima mais calorento.

Agora o roubo da paisagem da ladeira da Barra, com a omissão do Conselho Estadual de Cultura, os argumentos burocráticos do Iphan, a omissão conivente do Etelfi e os aplausos eleitoreiros da Amabarra.

Amanhã, será aprovado o projeto demolidor do Marcos Cidreira para o Comércio.

Depois de amanhã, o vasto quartel dos Fuzileiros Navais, perto do Pilar será vendido a imobiliárias para mais especulação. Enquanto isso, nossa cidade carece dramaticamente de áreas verdes.

E os galpões do porto, em vez de adaptados como em Belém ou Barcelona, serão derrubados para mais alguns shopping centers.

E já que baiano tem os EU como referencia cultural obrigatória, é bom lembrar que em Miami, as residencias Art Deco (1925) do Ocean Drive foram tombadas e não podem ser demolidas.

Veja o que fizeram aqui com o corredor da Vitória…

Chegou o momento de dar um basta a tanta agressão sob pretexto de modernidade.

Chegou o momento de questionar a sanidade de alguns dirigentes.

Chegou o momento de fazermos uma assembléia geral e avaliar o prosseguimento deste holocausto cultural.

Ajudem a programar uma verdadeira ofensiva.

É caso urgente de sobrevivência para Salvador!

ACORDEM!”

Dimitri Ganzelevitch

Presidente da Associação Cultural Viva Salvador

 

A imagem do pombo sobre as pedras peguei aqui.

Crueldade com os pequenos animais

10/08/2008

Não é só nos velhos circos que se cometem atrocidades com os bichos bebês para que eles aprendam. Para comemorar este dia dos pais, resgato um vídeo de 2005 que mostra técnicas cruéis para ensinar filhotes de humanos a engatinhar.

Anticampanha: 100 slogans contra o mais Forrest para quinto lugar

06/08/2008

Estou em campanha. Na verdade em anticampanha, cético e indiferente aos quatro primeiros colocados na eleição de Salvador. Mas faço questão de que o quinto seja Forrest John que, ao contrário do personagem do filme, não tem nada de puro. Nosso Forrest se faz de bobo.

Nutro um ódio cidadão por este sujeito e vários posts neste Licuri são testemunhas disso. Basta ir lá na busca do blog e escrever Forrest.

São vários os motivos. Primeiro, não me sai da cabeça os outdoors do cara protestando contra tudo o que é taxa. Entrou na prefeitura e sua maior obra é a montagem de uma indústria de multas e a compra (ou aluguel?) de centenas de viaturas amarelas que infernizam ainda mais o trânsito caótico. Destruiu as praias de Salvador, não melhorou em nada saúde e educação e passou boa parte do último ano torrando nossa grana na TV e nos jornais numa campanha São Tome: pode acreditar. E em outra diarréica (obrigado Nilson Pedro): tome obra. Destruiu o Clube Português, que podia muito bem ser restaurado, bastava tirar o muro, já que ele ficava num plano inferior, para nos devolver a paisagem. Enquanto gastava os tubos com propaganda, deixou os dependentes do plano de saúde da prefeitura a ver navios ao dar calote nos hospitais. Borrou a cidade inteira com grafites chapa branca e destruiu um terreiro de candomblé, prometeu reconstruir e até hoje não cumpriu mais esta promessa(clique na imagem do Forrest verdadeiro para ver o vídeo).

Sua cara-de-pau chega ao ponto de afirmar que a grande realização na educação é ensinar inglês às crianças da rede pública, como se lá houvesse já uma educação modelo. Enfim, tudo isso pra dizer que apoio a construção coletiva dos 100 slogans da vingança, que circula na Internet desta maneira:

“Você que tem arrepios só de olhar para a cara-de-pau do nosso querido alcaide Forrest John, pode exercer seu instinto de vingança. Acrescente seu slogan a esta lista e passe para a frente:

01 – Muito mais Forrest.

02 – Cada vez mais Forrest.

03 – Por amor a seu saquinho, não repita Joãozinho.

04 – Vote em qualquer mamão, menos no banana do João.

05 – Tenha brio, mande João para a… porta da rua.

… colaborações via comentário neste Licuri:

06 – (…) tudo o que você sonhou é João fora da Prefeitura de Salvador. Pode acreditar tá acontecendo (…)

07 – João de novo, NÃO!!!!!!!

08 – Reze por João Henrique…para que ele se pique!

09 – Batatinha quando nasce
        Esparrama pelo chão
        João Henrique outra vez
        Só se for muito doidão

Quem tem renca não vai a Roma

03/08/2008

A diferença entre remédio e veneno está na dose. O ingresso, a R$ 1 e R$ 0,50. O teatro, o Castro Alves. O espetáculo,  internacional. No palco, a neta de Chaplin. Pra que diabos eu concordei que era necessário espalhar mais ainda a informação?
Quando me pediram pra dar uma força, talvez houvesse o temor de que o teatro não lotasse. Afinal são 1550 lugares, podia chover, o título do espetáculo em francês talvez não desse a dimensão da coisa, sei lá.

Só sei que o e-mail do post anterior correu meio mundo. Mandei uns 300, coloquei recados para os amigos no Orkut,  publiquei no blog e na lista dos  jornalistas. O Picolino replicou uns 1.500. Deixei este Licuri sem posts por três dias para  que minha meia dúzia de leitores não deixassem de ler.

Nilson recebeu o e-mail de três fontes e sacaneou perguntando se era pra  espalhar também lá em Brumado. Mariana, uns quatro, mas dormiu até tarde e ligou em cima da hora para receber a informação de que não adiantava mais sair de casa com Pedro, que caiu no berreiro porque isto significava também não encontrar os colegas da escolas, todos mobilizados por Kátia. Liz ligou e confirmou a origem antes de espalhar. Acácia me mandou um outro e-mail, todo turbinado com foto e mais infomações, enviado pela escola da filha para a lista dos pais dos alunos e funcionários.

Acordamos cedo, com planos de chegar às nove. Mas café, banho, cabelo e roupa na renca é um processo não muito simples, que envolve estresse conjugal (pai nunca ajuda) choro de menino e ranger de dentes num domingo pela manhã. Conseguimos chegar por volta de 9h40 na fila, que dobrava. Andamos uns vinte minutos de papo com Mary e o filho, que também se espantaram com o tamanho da fila. E eis que um funcionário do TCA aparece com a seguinte piada: – Pessoal, acabou mas as bilheterias estão abertas para hoje a noite, a R$60 e R$ 30.

Não sei quantos dos que entraram e da multidão que bateu o nariz no gradil do TCA estavam ali por conta do meu impulso divulgador. Dos que ficaram nos lugares que poderiam ser nossos posso contabilizar  minha irmã Stael, que foi com uma amiga, estranhou a minha ausência e disse que o espetáculo não foi bom, foi ma-ra-vi-lho-so. E Gabriela, que agradeceu a dica na lista de jornalistas e informou que a genialidade do espetáculo  valeu o  sufoco dela com a filha na fila.

Não vou dizer que perdi a viagem. Os sem-espetáculos com crianças frustradas foram pro Campo Grande, lugar onde além do pé do Caboclo para lamentar havia espaço, pula-pula, pombos para correr atrás, sorvete e pipoca e até uma biblioteca móvel da Fundação Pedro Calmon.
Marcelo, uma amiga e os filhos, Josias, Concinha e sua renca, Pierry, André, e mais uma galera gastamos o resto da manhã ali.

Enfim, quem tem boca vai a Roma e quem tem boca de calçola folgada, como os amigos injustamente me classificam, vai ao Campo Grande ver solo do israelense aprendiz de sax Ofir Uziel e um seu pombo pentelho.

 

P.S: interessante é que eu cometi um erro no e-mail, só notado depois que enviei, como sempre acontece. O espetáculo da noite foi de fato  60 vezes ou 6.000% mais caro. Mas eu havia dito que o espetáculo da manhã era 6.000% mais barato. Na verdade é a mesma coisa, mas  o limite para algo ser mais barato é 100%, quando é de graça. Portanto, nao ingresso da manhã  foi 98,33333 % mais barato do que o da noite. O que também é razoavel e reforça a graça da piada involuntária do funcionário do TCA.

Curso de Fotografia com Claude Santos

01/08/2008

curso

Fotografia e Linguagem Audiovisual

 

roteiro

.Apresentação de programa sobre a História da Fotografia,

seu desenvolvimento técnico e sua utilização como documento

social e pessoal

.Aulas sobre a técnica fotográfica

(enquadramento, iluminação, profundidade de campo, velocidade etc)

.Criação e produção de um ensaio fotográfico

.Crítica do ensaio fotográfico produzido

.Edição, utilizando técnicas de animação, do ensaio fotográfico.

Durante o processo, os participantes conhecerão os mecanismos da

linguagem audiovisual

 

pré-requisito

.Possuir câmara fotográfica, tradicional ou digital

 

coordenador

.Claude Santos, fotógrafo e documentarista, diretor de vários programas audiovisuais nas áreas de treinamento, arte, cultura e apresentação institucional. Tem documentários veiculados nacionalmente pela Rede Cultura, entre eles A Noiva, Ruínas do Recôncavo e Ventos, A Bahia dos Viajantes. Também é autor dos audiovisuais Canudos, Luzes, Quintanares, Visões, Teatro na Bahia, Azulejos, A Bahia de Antônio Vieira, Cinco Retratos Esquecidos e

O Sertão de José Calasans

 

carga horária

.10 horas (5 dias/2 horas por dia)

 

horário

.A combinar

.Inscrições: permanentemente

 

preço:

 

 

local

.OIKOS. Rua Almeida Garret, 35, Itaigara, Salvador

 

contatos

.Tels (71)3358.2083/9924.0458

.Email claudesantos@uol.com.br

 

observações

.No encerramento do curso, os participantes receberão certificado, um CD com as imagens produzidas e um DVD contendo o ensaio fotográfico editado em Adobe Premiere Pro

 

PS. post publicado originalmente em maio de 2007 e atualizado em julho de 2010

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.