
Desculpe-me o título pegadinha, mas ando com a minha querida UFBA atravessada no juízo. Não vou relaxar e não vou perder a oportunidade de gozar.
Esta pérola de texto na imagem acima é a abertura de um folheto de 20 páginas, em papel de alta gramatura, quase uma cartolina, colorido, impresso aos milhares e entregue por aí. Um “que” a cada duas linhas, vírgula sobrando aqui, a separar um verbo, faltando ali, a deixar órfão um aposto, além de uma frase meio sem nexo, quando aponta opção de curso como modelo.
Tudo isso nas módicas seis primeiras linhas da apresentação, o texto nobre da publicação. Qual o futuro de uma nova Universidade que se expressa desta maneira?
Não gosto de ser caga-regras, nem tampouco ficar apontando erros. Erro, e erro muito, este Licuri é a prova. Mas se a tela aceita correção, o papel é definitivo. Esta semana mesmo tasquei um trás como presente do verbo trazer no jornalzinho da escola dos meninos. Fiquei com uma vergonha absurda, pensei em recolher cada um na mão de cada pai e bancar nova edição de um modesto frente e verso xerocado.
Mas alguém na UFBA sentiu vergonha disso aí em cima? A Odebrecht, que botou nome e dinheiro nesta porcaria, digo, parceria, achou graça?
Por que tenho a minha UFBA atravessada? Porque ela é tirada, é uma bolha metida a besta cheia de professor doutor a arrotar sabedorias inúteis – ou tolices, como nos casos recentes de Dulce Aquino e Natalino – em mestrados e doutorados sobre ciclos menstruais de baratas e as fases da lua, a exercer seu micropoder em seus feudos-departamentos, a ignorar a merda de cidade, a merda do estado e a merda do país, mesmo que a pré-sal venha a nos redimir.
Claro, há muitas exceções, perdoe-me o doutor ou a doutora da UFBA que não venha ao caso e por acaso lê este desabafo, mas eu falo do que predomina.
E mais grave: estão vendendo a universidade em cursos de pós-graduação pagos. Não sei se ainda é assim, mas assim era quando fiz estes textos aqui e aqui. A publicação em jornal gerou um ofício do reitor aos departamentos indagando sobre os cursos, quantos eram, como eram feitos. Ou seja, sequer a universidade tinha controle.
A realidade mudou?
Joguei especialização na UFBA no google. Tudo caminha como dantes. Se alguém se der ao trabalho de contar, é capaz de constatar que hoje na UFBA a maioria dos matriculados é formada por estudantes destas tais especializações pagas, um recurso caro para quem estudou em universidades menos vistosas e quer dar um lustre no currículo.
Não sei o que vem a ser esta tal universidade nova. Oxalá seja melhor. Não tive saco nem paciência de continuar a saber depois destas seis primeiras maltratadas linhas.