Demorei de abrir a e-carta de Neto e este coco foi furado por Márcia do Sarapatel, aquela ingrata – perco a amiga mas não perco a citação. Na carta, Neto fala das suas lembranças de Waldick, seu compatriota. (Correção, a pedido: Neto é quase de Caetité. É de CACULÉ. Errei porque pensava que fosse mais ou menos a mesma coisa. Erro grave).
Caetité não é apenas mais um município da Bahia, Caetité é uma nação. E quando este povo se junta, dana a roer pequi e falar de suas lembranças. Roer pequi é um esporte radical praticado pelos caetiteenses. Consiste em roçar perigosamente língua, dentes e lábios sobre uma superfície que está a menos de um milímetro de um feixe de minúsculos espinhos que se atingido leva o cidadão para o hospital com a boca escancarada gritando por mamãe. Eles adoram desafiar os incautos e se amostrar neste esporte, praticado com maestria por Shirley Pinheiro, Rose Guanaes e Nilson Pedro, um sub-caetiteense de Brumado, mesma origem de Ana Lívia, que não honra as tradições do seu povo e detesta pequi.
É um povo meio metido. Além do romantismo de Waldick eles têm a sapiência de Anísio Teixeira e a tradição de uma cidade escola que formava as normalistas de toda a região. De uns tempos pra cá, virou uma espécie de Montes Urais da Bahia, a terra dos minérios.
São tão esnobes que ouvi dizer que planejam transportar o ferro, sua riqueza mais recente, em forma de polpa, utilizando água, a preciosa água do sertão, numa tubulação até Ilhéus. Espero que abandonem esta idéia e utilizem a velha e boa ferrovia para o bem e a paz entre os povos.
De alguma maneira sou caetiteense também, já que até 1840 o reino de Caetité alcançava as terras de Minas Gerais e incluía até minha Conquista. Não tive a sorte de Neto, que acompanhou a carreira de Waldick desde a infância, no cine teatro Engenheiro Dórea, até os cabelos brancos, no último show em Salvador. Nunca vi um show de Waldick. Mas como Patrícia Pillar, somos todos uma geração fã do cara. Como Neto bem disse, Waldick não é o Frank Sinatra do Nordeste. Frank Sinatra é que é o Waldick dos states.
Amigos e-amigos sobre Waldick:
Márcia Rodrigues (aquela ingrata que furou o coco com a e-carta de Neto)
Nilson Pedro (foi coincidência?)
Christiana Fausto (esta também é compatriota e não gostou nada do filme da Pilar)
Franciel (irado)
Madame Kátia (Relembra a boa matéria da muito, assnada por Zezão Castro)
Chico Muniz (outro que conhece Waldick desde a infância e entra hoje na minha lista ao lado)
Veja e ouça mais Waldick neste coco pequeno aqui.
E não poderia deixar de citar a capa do Correio da Bahia, que brilhou, mais uma vez. Fui então lá nos blogs do Marrom e do Hagamenon para comentar mas bati com o coco na tela. Eles inventaram uma inovação muito nova e muito inovadora: blog sem caixa de comentários. Aí fica difícil posar de muderno… Tentei também encontrar a capa de Waldick mas eles oferecem só a edição de hoje.
Tags: Anísio Teixeira, Caetité, Música, Minério de Ferro, Pequi, Waldick Soriano
06/09/2008 às 13:41
Realmente, Marcus, a capa do Correio arrasou.
“Tortura de Amor” é uma música linda. E quem disser que não sabe sequer um pedaço do cachorro está mentindo.
Beijos Maria
Depois do seu comentário fui lá no youtube e ouvi novamente. Muito boa: http://br.youtube.com/watch?v=R_vblBKtUW8. Do cachorro e da carta. bjs.
06/09/2008 às 16:07
Waldick é quase uma unanimidade: só os “aiotolás culturais” (grande saque de Renata Belmonte) lhe torcem o nariz.
O Durango Kid cantou pra subir.
O cara que vai na alma de quase um país inteiro merecia mais reconhecimento. O problema é que são almas de pobres, de putas e de sertanejos, talvez daí o preconceito. Fui lá no Vestígios e li o post. http://vestigiosdasenhoritab.blogspot.com/2008/09/os-aiatols-culturais.html. Gostei. Conheço figuras bem semelhantes às descritas e adoro sacanear com elas.
06/09/2008 às 17:50
Pois eu, sub-caetiteense e portanto sub-conterrâneo, devo registrar que: 1) Waldick me deu um nó na cabeça de criança quando chegou a Brumado e esculhambou Caetité, chamou o povo de lá de ingrato e chegou a dizer que considerava Brumado a verdadeira terra dele. Teve um primo meu que ficou explorando essa minha fraqueza, ter nascido em Caetité, terra que o próprio filho famoso repudiava. E eu lá sabia de Chico Buarque, Caetano, Gil, João Gilberto, Frank Sinatra, etc? O cara era um cantor famoso de grandes sucessos e tal e tinha falado aquilo. Fiquei retado, e só muito depois entendi que devia ser só algum aperreio do filho ingrato; 2) Talvez por causa daquela história de renegar a pátria mãe, nunca dei muita bola pro dito cujo: Waldick era Waldick, um figuraça; 3) Pecado dos pecados, de acordo com Franciel e Setaro: não é que parei pra reparar no cara depois de Patrícia Pilar, e de Christiana Fausto, e da morte e do que se disse dele depois da morte, incluindo Perfilino Neto com um belo especial na Educadora que teve replay de entrevista gravada tempos atrás? 4) Pois, pois: constatei o que já sabia, que o bicho era mpbrega e por que não, que Tortura de Amor é uma puta música, que aquele gesto lá nos anos 70, de esculhambar Caetité, foi só mais uma de Durango Kid. O menino que sobrevive em mim, no entanto, segue desconfiado: que porréessa, Waldick?
Peraí, você também não é de Brumado? É fogo. Não dou uma dentro. Mas como o cara se declarou brumadense desde criancinha, você ficou duas vezes conterrâneo. Mas parece que mesmo magoado, ele fez as pazes com a cidade. veja aqui http://br.youtube.com/watch?v=Pj8jM5U3wD4
E o texto de Setaro lá no Ingresia tá muito bom mesmo.
06/09/2008 às 23:41
Mockba, só um reparo. Não sou metido a besta, pois de CACULÉ, a Metrópole do Sertão!!! Mais também pratico o saudável esporte de roer pequi, além de devorar sacos de chiringa e chimango.
E para não esquecer de onde sou, soletre Caculé.
Rapaz, esta minha memória…Claro você já me disse isso várias vezes, meu pai já morou em CA-CU-LÉ (Ceacá – cê -u…. Este negócio de soletrar é meio complicado) e já fomos eu e Soraya e você e Neuzinha e mais outros caculeense ver aquele show de seus conterrâneos, pai e filha. Mas, me esclareça: assim como Brejinho das Ametistas, CACULÉ não é um próspero distrito de Caetité?
07/09/2008 às 08:53
Na verdade, Caculé e Caetité fazem parte da Região Metropolitana de Brumado.
Vocês bem sabem que desde muito antes de seu Colombo e seu Cabral, a grande civilização daquele pedaço eram os valentes mongoiós, dizimados pela Conquista da Vítória. Portanto, vocês todos roedores de pequi e adjacências são súditos da civilização mongoió, que vicejou em volta do poço escuro, perto da Praça da Bandeira, onde por acaso nasci, descendente do tronco dos oliveiras, da parte lá do vale do gibóia. Como diz o ingresiistico Franciel, recebam pelos peitos a prova: http://www.elomar.com.br/discografia/letras/cantoguerreiromongoio.html
07/09/2008 às 11:08
Grande Marcus, soube por Maria Sampaio que vc soube de mim e tomou providências cabíveis e publicáveis e por isso venho aqui lhe agradecer. Sim, Waldick fez falta ao longo de minha infância (que não terminou ainda) e parece que impressionou sua alma tb, hem? Muito bem. As cartas continuarão sendo levadas pelos amigos, em nome da boa amizade, mesmo que “ELA” se mantenha na ingratidão…
Abraços.
Ave Chico! É muito bacana esta rede e com ela faço uma ponte para a matrícula no curso de jornalismo, quando o calouro aqui recebeu das suas mãos, já um veterano, o jornalzinho Kulunchaba (é este o nome?), lá se vão quase 30 né? E lá em casa ainda guardo um exemplar das Histórias de Isaac na Chuva, com suas histórias. Enfim, isto aqui tem se tornado um lugar de encontro e reencontros. Grande abraço.
07/09/2008 às 17:18
Rapaz, não crie mais confusão. E Caetité ainda é um município contaminado – niguém mais quer fazer parte daquele território. Quanto a Brumado, não pertence a Região Metropolitana de Caculé por pressões políticas dos governantes atuais.
Na verdade tudo ali pertece ao território dos antigos mongóios, valentes mongoiós, que habitavam a área onde está hoje minha Vitória da Conquista, esta sim, capital daquela vasta região.
07/09/2008 às 23:24
O povinho sem identidade, esse do sertão. Sejam como os do recôncavo, universais. Afinal, temos Caetano
E nós, Elomar.
08/09/2008 às 07:42
Pensando bem, Waldick pode ser brega. Mas Caetano soa ou não soa brega demais tb? (o nome, xiitas, o nome!!)
08/09/2008 às 16:34
Marcus,
irado?
Nécaras.
Sentimental eu sou.
13/09/2008 às 02:52
Oi Marcus,
Obrigada por se lembrar de me incluir como caetiteense, conterrânea de Waldick, com muito orgulho. Abraço, c.