Arquivo para janeiro, 2009

Pra não dizer que só falei de flores

31/01/2009

Nós andamos iguaais,
nós andamos iguaaaais
prum lado, pro outro/pra frente, pra trás
nós andamos iguaais

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Luísa trouxe esta brincadeira, um caminhada coreográfica, desafio para todos pisarem no mesmo passo, pé direito à frente, prum lado, pro outro, pra frente novamente e pra trás, aprendida por ela no Acampamento Verde de anos passados.

Assim partimos para a praia no domingo, péssimos aprendizes, mas felizes tal qual família de propaganda de margarina.

Claro que o pau quebrou muitas vezes na viagem, mas as fotos até agora foram  feitas nas  muitas “horinhas de descuido” , como disse um dia seu Guimarães, bem lembrado por Bethânia. Ou naqueles momentos da “vida inteira num segundo”, como canta o bardo Odair José  na sua impagável A noite mais linda do mundo.

Interrompo aqui esta transmissão, como diria o ingresiástico Franciel, e paro de falar somente das flores. O assunto agora é lixo e a nossa capacidade de não enxergar o outro.

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Junto à praia estavam estacionados dois ônibus (vieram em excursão de Salvador, dos bairros de Lobato e Tancredo Neves), caminhões, camiontes e tantos outros transportes coletivos. A praia “virgem”  e deserta das fotos anteriores estava lotada no domingão.

Gentalha, gentalha, assim define os passageiros dos ônibus a dona de uma das 25 barracas que se espremem, umas coladas às outras, na faixa de praia liberada para o comércio.

Favela, diz o gerente de uma pousada próxima sobre as barracas.

Criminosos, diz o ambientalista sobre os donos de pousadas que teriam destruído o mangue e vegetação para ali colocar concreto.

No discurso de cada um deles, errado é sempre o outro. Ou seja, como diria dona Ludu, avó de Soraya, todo mundo é bom mas meu capote sumiu.

Meu amigo Josias, que muita coisa sabe há muito tempo, me falou um dia sobre uma palavrinha desconhecida, nem na moda ainda estava, a tal da alteridade. Entendi mais ou menos, mas ao juntar estas visões do outro recolhidas  beira a mar, chego à conclusão de que  tal plavrinha não passa de uma quimera da moda, irreal como a tal Liberté, Egalité, Fraternité –  merci bocu, merci bocu Não há de que (obrigado Madame K, por ter me trazido de volta Ednardo).

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A estrada chegou há 11 anos. No dia 28 de março de 1998 vi esta placa da foto acima novinha em folha. E fiquei espantado com uma estrada que rasgou o mangue, desviou rio em Jatimane e chegou até a areia da praia. Na época via carros trafegando pela praia e censurei. Iriam acabar com tudo.

A praia não acabou, mas também quase nada de bom foi feito. Parece que a interferência pública só foi a estrada mesmo. Ninguém organizou o baba, ninguém tomou conhecimento e o lixo da segunda-feira vira cartão de visita da praia.

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Depois de 11 anos, os únicos benefícios aparentes é o acesso à praia das pessoas de Ituberá, a ponta do dinheiro para o pessoal da região de uma rave chamada Universo Paralelo, que acontece há nove anos durante 10 dias depois do Natal. A praia, perto dali, é isolada por seguranças (fala-se em três mil) e uma multidão (fala-se em 13 mil, 3 mil estrangeiros) se diverte com pulseiras compradas a R$ 350,00, ao som de música eletrônica, ininterruptamente. É quando paraíso natural e paraísos artificiais se encontram, sem traumas.

dsc04507Bar da rave Universo Paralelo, único participante da festa encontrado

Há muito plástico nas areias das praias. Talvez daqui a alguns segundos geológicos (ou seja, milhões de anos) algum arqueólogo encontre por aqui imensos sambaquis de plásitco e batize nossa era de polimerozóica ou coisa parecida.

O lixo aparece em ondas, dizem que trazido pela corrente (sempre o outro), mas grande parte é produzida ali mesmo.

É ridiculo gente como eu. Recolhe o próprio lixo, fica em paz com a consciência,  mas se esquece que o almoço na barraca, os restos da pousada, enfim a economia do lugar gerada pela nossa presença produz e joga ali na praia mesmo sobras e embalagens.  Restos plásticos de festas, de passeios, de alegrias.

Mas vamos deixar de zanga. A era polimerozóica tem também seus momentos felizes, suas horinhas de descuido. Meus, seus, e de muita gente.

E o outrora censor viajou  também na areia, rumo a Barra de Serinhaém. Mas isto é assunto para o próximo capítulo.

Voltaire, Maria e Verger

28/01/2009

Interrompo aqui, extraordinariamente, esta série sobre as férias para registrar um comentário enviado  hoje ao post Sapatadas por  Alex Baradel:

Prezada Maria Sampaio,
li artigo sobre Voltaire Fraga no “Muito” e confesso que gostaria de conhecer melhor a obra dele. Onde é possivel ver mais fotos desse fotógrafo? (além da exposição em São Paulo?)Estou muito interessado por Pierre Verger e sua obra, e não entendo que mal Pierre Verger fez em relação a Voltaire Fraga para a senhora parecer tão amarga contro Verger (é apénas porque Verger é mais conhecido que o Voltaire Fraga? E porque Verger é francês de nascimento? Ele se comportou mal por alguma coisa?).
Li no Muito que Verger teria copiado a obra do Voltaire Fraga. Me interesse muito em saber se os dois fotógrafos se conheceram, fotografaram junto, como o Verger tomou conhecimento da obra fotográfica do Voltaire Fraga, etc…
Agradecendo.”

Repassei o comentário para Maria, mas resolvi dizer o seguinte:

Monsieur Alex Baradel,

Enviei seu questionamento e perguntas a Maria Sampaio. Como foram dirigidos a ela, cabe a ela responder. Mas como eu também sou fã de Verger, de Maria e de Voltaire, me autorizo a responder a algumas de suas questões.

Li a matéria da Muito, um ótimo trabalho do repórter Vitor Pamplona, e não me recordo da afirmação de que Verger teria copiado Voltaire. Também é injusta a atribuição de amargura a Maria. Tai, quem conhece um pouco Maria sabe que amargura é um sentimento distante, muito distante dela.

Não conheço nada desabonador em Verger. Ao contrário. A única pessoa de quem ouvi falar mal de Verger foi eu mesmo. E explico: vi numa exposição sobre sua obra uma linha do tempo em que na primeira foto ele aparece garotinho, de paletó, com a família, na França. E na última, com uma bata africana, já sarcedote. Ou seja, Verger nasceu francês e morreu afro-baiano. Pensei.

Tempos depois assisti a um documentário (aqui relatado) com depoimentos de Arlete Soares sobre sua relação com Verger,  de amiga e produtora.

Acontece o seguinte. A última atitude de Verger foi passar em vida a sua obra para o controle de franceses. Minha nova dedução: o cara na verdade nasceu e morreu europeu. Pensando em proteger seu trabalho, confiou apenas nos seus iguais.

Diante da morte, não confiou seu trabalho aos neguinhos que tanto retratou e amou. Acabou se repetindo a velha história do branco que vem, se locupleta (não é só de bens que a gente se locupleta) e depois dá uma banana para os selvagens, que são, na maioria das vezes,  objetos.

Falo tudo isso com nenhuma amargura ou rancor contra Verger, um grande artista. Continuo fã deste artista europeu.

Duas luas

27/01/2009

_Olha pai, tem duas luas. Uma lua assim – disse Maria, girando o dedinho indicador num duplo círculo para a direita. E tem uma lua assim, repetiu o gesto. Desculpa aí a baba, mas tem definição mais lindinha para auréola lunar?

dsc04051-copia3Igreja do Jatimane

E a lua foi a nossa companheira de tarde/noite do dia seguinte, o quarto dia,  um sábado iniciado com um uma ida à feira de Ituberá para providenciar frutas, um bis na Cachoeira de Pancada Grande, quando o acaso nos levou a uma plantação de guaraná. Soraya apostava numa subida alternativa aos milhões de degraus para se chegar ao alto da cachoeira, porque ele vira um pessoal subindo, e eu teimava. Não havia.

dsc03932-copia3Fruto do guaraná

Pois havia. Mas antes de encontrar a tal subida, também feita a pé, pegamos uma direita errada e fomos parar numa plantação de guaraná. Os frutos pareciam olhos a nos espreitar. São impressionantes a cor e o formato. Deco lembrou então da história contada por Kátia Borges, no Crear, sobre uma lenda indígena. A semente original seria os olhos de um menino.

dsc040352Ponte da saici

Voltamos já noitinha, e lá estava ela novamente por trás da igreja do Jatimane, um vilarejo quilombola. Há dez anos, na abertura da estrada, o povo vivia da colheita da piaçava e da pesca. Tinha uma fita cassete gravada com a mais antiga moradora do lugar e dei de presente para Soraya, apaixonada por história oral. Ela promete encontrar a fita e me emprestar para eu ouvir novamente.

dsc04047-copia3Ponte da Saici, a leste, um pouquinho depois

Hoje o turismo já mudou o perfil do lugarejo, onde não há ainda pousada mas se vê várias placas para aluguel de casas. Quase ficamos hospedados no primeiro andar do restaurante de Jajá, onde, na beira do riacho, são  servidos peixe defumado e galinha da terra. Um dos ilustres fregueses é o Dr. Bernardo.
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Travessia

26/01/2009

Encontro a tarde em Salvador, trânsito calmo de domingo, encontro postes com reclames de Carnaval, encontro a casa vazia, cheia de contas debaixo da porta. Jet leg de férias traz os versos de Milton e Brandt, da casa que não é minha, do lugar que não é meu. Não achei a menor graça em voltar.

Esqueci o controle do portão da garagem e domingo não tem porteiro, esqueci o celular e não tenho nenhum número na cabeça, esqueci que havia desconectado o telefone e passo um tempão tentando resolver a não conexão da internet.

Queria ter me esquecido.

Mas a vida é bela e continua. A renca ficou mais uma semana em Iaçu e eu retomo à rotina sozinho com a minha bagunça.

Ficam aqui registradas três imagens do terceiro dia de viagem, dia inteiro de praia do Pratigi, do amanhecer com chuva ao anoitecer de véspera de lua cheia (as TRÊS duas últimas fotos foram feitas por Luísa).

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Azul e branco

23/01/2009

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Não comungo da concepção católica de Deus mas tenho uma grande simpatia por templos católicos. E os do Baixo Sul são especialmente bem localizados, na maioria das vezes no alto de colinas,  na maioria das vezes com grandes escadarias como este de Ituberá na foto acima. E também  na maioria das vezes  azul e branco como a maioria dos barcos que navegam por aqueles braços de mar e ilhas.

Porta da igreja matrizDetalhe da porta da igreja

Se eu fosse pintar um quadro do Baixo Sul eu também pintaria em azul e branco. Tudo ali é céu, mar e espuma . E ainda tem de quebra o verde da vegetação exuberante e variada. As matas invadem as cidades, os mangues invadem as águas.

Clique na imagem para ver e ouvir a cachoeira em movimentoClique na imagem para ouvir e ver a cachoeira em movimento.

Acordamos no segundo dia de viagem na intenção de Pancada Grande, a cachoeira. Estive também ali a trabalho há uma década e pra minha surpresa o entorno da cachoeira mudou para melhor. Na época só havia os escombros da casa de máquina da velha hidrelétrica e muito lixo deixado pelos visitantes.  Se não houvesse a intervenção que houve talvez estivesse coalhada de barzinhos , churrasqueiras e muito arrocha como a cachoeira dos Prazeres, no Rio Jequiriçá.

Mas a Michelin, aquela do boneco gorducho, e dona do pedaço, se penitenciou do fedorzão que joga nos ares da entrada de Ituberá com sua usina de borracha e criou uma pequena reserva no entorno da cachoeira. Os carros dos visitantes são barrados numa zona de contenção a cerca de quinhentos metros da queda d´água e os visitantes caminham por um corredor de mata. Perfeito.

No final da manhã chegaram mais alguns banhistas. São aqueles pontinhos sessenta metros abaixo.
Os pontinhos à esquerda são banhistas que chegram no final da manhã

Como chegamos cedo, num dia de semana, tivemos o privilégio de sermos os únicos banhistas naquele início de manhã. O tempo passou rápido e a gente teve que voltar às pressas para fechar a diária do hotel antes do meio dia e partir para Pratigi para arriscar camping, pousada ou o tal chalezinho sonhado por Soraya.

E não é que o tal chalezinho  rolou?  Quarto exclusivo para o casal, meninos amontoados em bicamas na sala, bar americano, geladeira grande, relógio, fogão, escorredor, suporte de  garrafão de água mineral,  kit cozinha, rede na varanda e chuveiro quente, quintal, lavanderia, chuveirão  e um mercadinho perto.  Tudo isso por R$ 50 o dia. Pra quem estava preparado para gastar quase isso num camping, o sentimento foi de ter encontrado um cinco estrelas.  Tudo isso acompanhado da simpatia de Dona Lenice e de sua irmã Emília. Telefones para reservas:   (73) 9988 1598/ (71) 3249 2839.

Chalé SabiáChalé Sabiá

Deu ainda tempo para  um mergulho. Voltamos já noite, curiosos com a sugestão de Dona Lenice de um passeio pela praia a Barra do Serinhaém. As duas últimas fotos foram feitas no dia seguinte, mas reproduzem bem os programas e a alegria deste segundo dia de viagem.

Maria no PratigiMaria no Pratigi

Valha-me meu Santo Antõnio da Anta Gorda

23/01/2009

Depois de chorar o Chorik que se mandou, apenas por uns tempos, espero, foi a vez de constatar o fim da Menina da Ilha.  Paulo Galo já havia parado e Maria Fabriani não posta desde o primeiro Advento do ano que passou.  Blog é um negócio cíclico, como época de gude e arraia e de tudo o mais nesta vida.

Mas ainda tenho gás e estou aqui me coçando para contar a tal viagem, nascida de uma entrevista com um médico de 85 anos. Na verdade a mãe de tudo é Soraya, que vinha  sugerindo há algum tempo uma viagem de férias, não seria  tão caro assim, poderíamos achar uns chalezinhos em conta para acomodar todo mundo. E achamos.

A última viagem da renca de férias, noves fora Natal e São João para Iaçu, Conquista e Minas, foi há seis anos para Igatu e Andaraí, quando Maria sequer existia. Teve o reveilon do ano retrasado, na Ilha, com  Marcinha, mas foi uma coisa rápida. Ano passado passei janeiro trabalhando.

A  tal entrevista foi decisiva. O sujeito já viajou o mundo, todos os destinos exóticos imagináveis  e na última pegou o transiberiano, se picou para a Mongólia. Acampou numa tenda mongol com direito a xixi ao relento do frio de rachar Gengis Khan.

Então pensei  cá com meus botões, dinheiro não tenho para ir tão longe mas tenho uma barraca e uma renca. Por que não?

Pensamos inicialmente em  Camamu e Barra Grande, mas optamos pelo Pratigi, onde estive há dez anos a trabalho, na inaguração da estrada. Mergulhei  naquele mar com roupa e tudo e prometi um dia voltar lá. Voltei.

Tenho algumas destas promessas ainda na cabeça.

Ia a trabalho, passava um, no máximo dois dias, e sonhava, e prometia voltar  com mais calma e com os meus. Nunca havia cumprido sequer uma destas promessas. A Cachoeira de Tremembé, também no Baixo Sul, Gentio do Ouro, próximo a Xique-Xique,  o Parque Estadual das Sete Passagens, em Miguel Calmon, Correntina, no Oeste, são alguns destes destinos sonhados.

Viajei com a Viagem do Elefante na cabeça, resultado da leitura de presentes de fim de ano. Uma amiga recomendou, com o devido esclarecimento de que era best seller mas era muito bom. Não tenho preconceito com best-sellers. Pra mim tem a vantagem adicional de poder ser lido até o final. Gosto de Saramago, do português de Portugal, que é a mesma coisa sem ser, como o ditado sobre o bom entendedor, para quem até meia palavra sobra.

Lá pelas tantas, ao explicar um deus indiano, ele se refere a um deles que não se preocupava em ter filhos, posto que era imortal. Ao ver Luluthica ansiosa para acordar de madrugada e ir ver o sol nascer, eu me senti meio que continuado nela.

A viagem me colocou mais perto deles e de Soraya. Nos colocou a todos um perto do outro. Demasiadamente perto muitas vezes. Era briga todo dia, mas era grude também.

Já falei sobre o primeiro dia, no post do dia 07, quando saímos às 8h30 da manhã de Iaçu para Ituberá , do licuri em direção ao dendê, com o Vale do Jequiriçá no caminho. Acrescentei no post antigo duas fotos que não entraram naquele dia por dificuldades na lan house.

A Cachoeira dos prazeres, no Rio Jequiriçá, foi ocupada bem ao modo  de quase tudo neste país.  De um lado invadiram os pobres, com seus quiosques movidos a churrasco e arrocha. Na outra margem,  o melhor hotel da região também não se acanha de quase cair dentro d´água para dar conforto e proximidade aos seus clientes. Mas eu não vim aqui para me queixar. A água estava boa e limpa, e ter uma cachoeira no juízo, despencando na cabeça, de fato  é um dos prazeres desta vida.

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Chorik

22/01/2009

Cheguei ontem ao entardecer a Iaçu, depois de 15 dias de viagem, uma das melhores férias da minha vida, cheio de imagens e de histórias para contar. Tomei umas três cervejas com seu Rubem (na verdade ele tomou meio copo) para comemorar nenhum pneu furado, nenhum dente ou osso de menino fora do lugar, nenhum, mas nenhum incidente mesmo, afora atolar por três vezes nas areias das praias de Pratigi e Barra de Serinhaém, o que acabou virando diversão.

Apaguei meio bêbado e acordei por volta da meia-noite disposto a ler os blogues dos amigos e começar a postar. Ficamos apenas no de Chorik, eu e Soraya rindo, gargalhando mesmo, com as suas histórias das férias na Bahia, em Porto Seguro e Arraial da Ajuda. O texto de Chorik era tão bem humorado, tão redondo, perspicaz e elegante que chegou a me deixar inseguro para escrever as minhas histórias.

 Mas hoje Chorik informa aqui no Licuri a decisão de interromper a publicação do seu blog. Tem um motivo forte. Foi demitido e não dispõe de ânimo para continuar a escrever. A depressão, que julgava controlada, aproveitou a chance para colocar novamente as garras de fora. Pede para avisar a Maria Sampaio, Bernardo, Aeronauta, Katia Borges, Renata Belmonte, Nilson, Janaina e Luli. Lembra que eu fui o elo da corrente, o nó de passagem da rede.

Tenho a maior alegria de ter “apresentado” Chorik a esta turma. Como ele cresceu e se soltou com o acolhimento e entrosamento nesta turma. Não sei detalhes da demissão, sequer sei em que ele trabalha, mas suspeito que a demissão tenha a ver com as férias, a felicidade e o bom humor revelados no blog. A depressão é uma doença grave, mas pouco entendida. Pouco aceita, confundida com preguiça e corpo mole. O cruel é que se ele estivesse em casa, trancafiado, com cara de doente, talvez não fosse demitido. Mas botou a cara na rua, revelou o que estava sentindo e ousou publicar sua felicidade. Aí não pode.

Tenho certeza de que Chorik é bem maior do que este emprego. E vai voltar em breve.

Água

07/01/2009

Cá estamos a renca em Ituberá (Bernardo, cadê você, viemos aqui só pra te ver) depois de um dia inteiro de viagem desde Iaçu para percorrer 287,4 km de  lajedos,  morros, vales cachoeiras, rios, brigas de meninos no carro, gritos, choros, alegria de viajar e muita, muita água,. Porque baixo-sul da Bahia significa água. A lan house vai fechar e eu aqui só tenho tempo de fazer este relato fotográfico bem viagem família. Fica o registro e o custo de ter perdido A Favorita, só para nãodeixar de postar. Ontem teve uma cena antológica de Líliam Cabral a relatar apavorada a perspectiva de sexo com o novo namorado depois de anos e anos de donzelice monogâmica.  Amanhã o programa é mais água: cachoeira de Pancada Grande pela manhã  e a tarde rumamos para Pratigi para nosso acampamento meso-selvagem. Será que lá dá pra assistir A Favorita? E Maysa?

Rumo a Lajedo Alto

Rumo a Lajedo Alto

Cerca viva da fazenda Santo Antônio da Anta Gorda

Cerca viva da fazenda Santo Antônio da Anta Gorda

Vale do Jequiriçá

Vale do Jiquiriçá

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Cachoeira dos Prazeres, Rio Jiquiriçá.

Cachoeira dos Prazeres, Rio Jequiriçá.

 

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Rio Graciosa

Rio Graciosa

Taperoá

Taperoá

santo reis

06/01/2009

dsc02993-copiahoje é dia de santos reis últimos minutos do dia de santo reis em iaçu não enxergo nada no teclado luzes apagadas apenas muriçocas na pele e outros insetos na tela iluminada do portátil enquanto leio os blogues alheios e vejo chegar a meia noite limite para postar na véspera de pegar novamente a estrada vicinal desta vez rumo ao litoral mas antes da viagem quero falar da ponte asfaltada sobre a madeira em vez de reforma e da morte de crianças pelo estado judeu informadas pelo jornal da globo e de mortes inesperadas  e não noticiadas acontecidas antes de se completaram os seis primeiros dias do ano antes de se desarrumarem os presépios morreu a garota de 10 anos cabeça na pedra do rio depois professor de 28 anos de avc mais um operário tragado pela máquina de moer argila para fazer blocos de cerâmica numa cidade de poucos habitantes e muitas mortes mas hoje é dia de festa da festa de santo reisdsc02958

Água grande, dor maior

04/01/2009

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Paraguaçu é água grande em Tupi. Em português contém também água no nome. Rio cheio, risco grande. Mãe em São Paulo, passeio na casa da avó, férias. Foi ontem ao rio com o irmão e não voltou. A notícia, recorrente em épocas de rio cheio, correu de boca em boca. Não sei o seu nome. Sei que tinha oito dez anos e bateu a cabeça numa pedra rasa do rio cheio.

Há seis meses fiz fotos em pé na base desta última coluna da ponte instalação, a não ponte de Iaçu. Dava para ir andando até lá sem molhar os pés. No último dia de 2008 fiz esta foto do rio cheio.

Agora chove no telhado, troveja e relampeja. Soraya tenta colocar os nossos pra dormir. São 23 horas. imagino o tamanho da dor da mãe, lá em São Paulo.

João Amaro

01/01/2009

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Estive hoje em João Amaro e visitei novamente a estação abandonada. As fotos são de hoje, mas o texto abaixo, do Licuri no Uol, é de Janeiro de 2007.

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João Amaro –  hoje distrito de Iaçu – foi o núcleo de povoação inicial  e lá está parte da ancestralidade da minha renca. No cemitério da cidade, ao lado de uma igreja construída pelos jesuítas, estão os quatro avós e tios de Rubem Reis e tetravós das crianças.

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Como seu Rubem está nos seus vigorosos 86 anos, estamos falando de gente que viveu ali pelo século XVIII. Em João Amaro está também dona Ludu, mulher de seu Rubem, a avó de Soraya. Chamava Luísa de Garrinchinha e André de Muquequinha. Pena que Maria não chegou a tempo de ganhar também seu apelido. Em João Amaro seu Rubem viveu a infância. E gosta de voltar ao seu lugar e de recordar histórias. Histórias que Soraya sonha ainda em resgatar mais a fundo.

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Histórias registradas na Folha da Manhã, de 25 de janeiro de 1940: “E, por onde passam as legiões bandeirantes, surgem povoados, levantam-se arraiaes. Em Matto Grosso, Paschoal Moreira funda Cuyabá… Na Bahia, João Amaro Maciel Parente funda a villa de João Amaro… Investem para o Sul, até o rio da Prata, avançam para Oeste, até os contra-fortes dos Andes…

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…percorrem o Norte, povoam o Nordeste… Legiões de bandeirantes entram em Goyaz, surgem no Pará. Outros vão dar na bacia amazônica. Moraes Navarro e Mathias Cardoso, salvam o Nordeste derrotando os barbaros no Maranhão, Piauhy, Ceará e Rio Grande do Norte, João Amaro arraza os indios revoltados da Bahia. Domingos Jorge Velho estirpa o kisto negro dos Palmares. Ha bandeiras anonymas no Amazonas, no Perú, por todo o immenso territorio sul-americano, em lutas com indios e castelhanos. Legiões paulistas concorrem para a “restauração de Pernambuco” em poder dos hollandezes. Os paulistas – na phrase de Euclydes da Cunha – desarranjavam toda a geographia sul-americana”.

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E no site Estações Ferroviárias: “A ESTAÇÃO de João Amaro foi aberta pela E. F. Central da Bahia como estação terminal no prolongamento de sua linha principal, em 1885. Em 1888 a linha foi prolongada até Bandeira de Mello.
As fontes de datas são conflitantes nas diversas literaturas. Segundo Cesar Lima, a estação “ainda existe e está inteirinha“, em 06/2005. “

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Que bom se ela de fato estivesse ainda inteirinha…

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