Gosto de elevadores com portas sanfonadas. No Palacete das Artes tem um, possivelmente dos primeiros de Salvador, mas desativado.
Tem também um no cafofo, apelido carinhoso dado por minha mãe ao apartamento do Areal de Cima onde ela é hóspede da minha irmã, numa das mais belas vistas da baía e onde já desejei morar.
Ontem fui pegar minha mãe no cafofo e resolvi fazer imagens da porta do elevador. Mantive a câmara ligada e ela acabou revelando suas lembranças de Anselmo Duarte, que para mim era apenas o diretor de o Pagador de Promessas. E não ia além disso minha ignorância.
Ontem fiquei mais ilustrado depois que acompanhei no twitter os posts de André Setaro e Symon Nascimento e resolvi ir ao ao Google. No You Tube vi esta cena que deveria ser obrigatória para todo estudante de jornalismo e que traduz muito bem uma postura ainda reinante.
Minha mãe sempre faz as contas e se compara com os mortos da sua geração. É assim que ela se coloca diante da iminência de todos nós, mas que para ela tem mais iminência pela probabilidade. E só por isso, porque meu pai teve um AVC, morreria na semana seguinte mas passou muitos anos seguintes acompanhando enterro de parentes e amigos bem menos iminentes.
No vídeo ela compara também a idade de Anselmo Duarte com a de seu Rubem, avô de Soraya, de quem já foi parceira de baralho, em Iaçu.
Na saída, torcedores do Bahia, que assistiam ao jogo num boteco ao lado, comemoram mais uma derrota do Vitória.
Minha mãe vive o drama dos velhos. Pela necessidade da proximidade dos médicos e hospital, virou hóspede das filhas. Como todos os parceiros de idade, é teimosa. Não aceita acompanhamento, nem monitoramento dos remédios que toma. Está agora em Salvador porque há duas semanas baixou no hospital em Conquista depois de tomar em quatro dias seguidos comprimidos para osteoporose prescritos para intervalos de uma semana.
Garante que foi brindada com uma graça.
A orverdose, de fato, deixou a garota mais disposta. Parece que ativou também a memória.
Tags: Anselmo Duarte, pais e filhos, velhice
08/11/2009 às 18:43
;)
Ai, amigo, entendo.
beijo
M.
08/11/2009 às 19:31
Marcus, meu amigo.
Eu não sou contemporanea de sua mãe, muito menos do Anselmo Duarte, mas de vc. Entretanto, por ter tido uma tia (essa sim, da época dos dois)que me introduziu ao mundo das artes e do cinema, ainda muito cedo, pude desfrutar dos filmes da Chanchada, onde ele era um galã e tanto.
Sua querida mãe, minha tia Maria (lá dos altos) e tantas outras damas senhoras ou não e o cinema brasileiro prstam merecidas reverências.
Até terça!
08/11/2009 às 20:52
Encantei-me com tua mãe! Com overdose e tudo!
09/11/2009 às 04:57
Também quero overdose desse remédio, pra ficar menina assim!
09/11/2009 às 15:08
precisando, tô prescrevendo as veinhas todas!…
13/11/2009 às 18:42
Adorei a Mãe. Me deu uma saudade da minha que foi para o outro lado cedo demais.
O elevador é formidável, me deu uma saudade não sei de que.
Adorava assistir as chanchadas, Anselmo Duarte o galã, Eliana a mocinha e por aí vai.
Super Marcus: beijão pra você (e toda a sua renca, estou com saudade de vocês)
26/11/2009 às 19:46
Fala, Marcus,
Ver a imagem de sua mãe no elevador com porta pantográfica me transportou para outros tempos. Não sei exatamente que tempos, mas me deu saudade. Achei que ela está com uma aparência ótima.
Abraços,
Betão