Gregório explica

20/11/2009

Ontem riram de mim. Anteontem também.
Riram do meu espanto.
Conto então os pecados, sem nominar os santos:

Ontem fui o último a saber, depois até do corno. E o pior que eu senti no peito a facada como se fosse comigo. Todo mundo incrédulo, rindo da minha cara. Não sou amigo do cara, apenas o conheço de vista. É do tipo alegre, inteligente e bacana, assim como eu desejo ser. Tinha uma família parecida com a minha, e uma mulher com cara de santinha mas que dava,  ao que consta sem esconder muito, para um sujeito consensualmente asqueroso. É mole?

Anteontem outro espanto ingênuo e semelhante. Meu queixo bateu no joelho ao saber de uma pessoa próxima da sua dificuldade para resolver  um caso na justiça no valor de mais ou menos R$ 1 milhão. Depende de uma decisão de uma autoridade judicial, cuja assinatura custa R$ 150 mil.

Antes de continuar aqui a dar  uma de porreta, a atirar pedras nos erros alheios, eu e você nos sentindo bacanas neste mundo porco,  recorro novamente a um trecho de “Aos vícios”, de Gregório de Mattos: 

[....]

A ignorância dos homens destas eras,
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas-feras.

Há bons por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não – por não ter dentes.

Quantos há que as telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receiosos?

Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.

Todos somas ruins, todos perversos,
Só nos “distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.

[....]

Tradução: somos todos farinha do mesmo saco. Íntegra aqui

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4 Respostas para “Gregório explica”


  1. dá-lhe Marcus. Você arrasa sempre. Acompanhado de Gregório então…


  2. Muito bom, Marcus. Bacana o blog, descobri através do Bono. Virei mais vezes.

    E se puder, seja bem vindo lá no meu folhetim virtual.

    Abraço

    Tenório

    garciavaimorrer.wordpress.com

  3. Celso Diz:

    Eu vou insistir numa tese, cada vez mais “antitesada”. Todos somos no fundo bons. As cascas estão podres, mas o núcleo continua firme. Uns poucos estão retirando-as à custa de algum sangramento. Outros fizeram delas verdadeiras couraças de proteção, mas um dia elas também cairão.

  4. edu Diz:

    saudade daqui!


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