Ontem riram de mim. Anteontem também.
Riram do meu espanto.
Conto então os pecados, sem nominar os santos:
Ontem fui o último a saber, depois até do corno. E o pior que eu senti no peito a facada como se fosse comigo. Todo mundo incrédulo, rindo da minha cara. Não sou amigo do cara, apenas o conheço de vista. É do tipo alegre, inteligente e bacana, assim como eu desejo ser. Tinha uma família parecida com a minha, e uma mulher com cara de santinha mas que dava, ao que consta sem esconder muito, para um sujeito consensualmente asqueroso. É mole?
Anteontem outro espanto ingênuo e semelhante. Meu queixo bateu no joelho ao saber de uma pessoa próxima da sua dificuldade para resolver um caso na justiça no valor de mais ou menos R$ 1 milhão. Depende de uma decisão de uma autoridade judicial, cuja assinatura custa R$ 150 mil.
Antes de continuar aqui a dar uma de porreta, a atirar pedras nos erros alheios, eu e você nos sentindo bacanas neste mundo porco, recorro novamente a um trecho de “Aos vícios”, de Gregório de Mattos:
[....]
A ignorância dos homens destas eras,
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas-feras.
Há bons por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não – por não ter dentes.
Quantos há que as telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receiosos?
Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.
Todos somas ruins, todos perversos,
Só nos “distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.
[....]
Tradução: somos todos farinha do mesmo saco. Íntegra aqui
Tags: Bahia, corrupção, Gregório de Mattos, vício, virtude
20/11/2009 às 09:33
dá-lhe Marcus. Você arrasa sempre. Acompanhado de Gregório então…
20/11/2009 às 18:52
Muito bom, Marcus. Bacana o blog, descobri através do Bono. Virei mais vezes.
E se puder, seja bem vindo lá no meu folhetim virtual.
Abraço
Tenório
garciavaimorrer.wordpress.com
21/11/2009 às 07:58
Eu vou insistir numa tese, cada vez mais “antitesada”. Todos somos no fundo bons. As cascas estão podres, mas o núcleo continua firme. Uns poucos estão retirando-as à custa de algum sangramento. Outros fizeram delas verdadeiras couraças de proteção, mas um dia elas também cairão.
01/12/2009 às 08:38
saudade daqui!