Vou batê pa tu

14/12/2011

Fui acordado há pouco pelo toque do telefone, pouco antes da minha insônia da madrugada. Liguei de volta com a pulga atrás da orelha, a me sussurrar xiiiii, deu merda! Porque além de minha amiga, minha despertadora está também minha chefe por conta de um frila fixo.

Ela então se desculpou sem graça mas na última frase antes de desligar me permitiu ouvir o nascimento de um novo verbo. Pela primeira vez na vida testemunho o nascimento de um novo verbo.

Sou da geração do disco nos telefones de baquelite, pretos e elegantes. Lembro do disco voltando lentamente, com uma leve resistência sonora de catraca, giro após giro, até completar os poucos números de então.

Lembro também da rapidez ao teclar ou digitar nos telefones brancos, substitutos da esfera preta do disco e responsáveis pelo início da mudança, ainda em curso, do verbo discar por teclar ou digitar.

Ao se despedir, minha amiga chefe disse: – Desculpa, bati errado.

Lembrei então do japa Chorik. Outro dia ele espancou em vão a tela de um pobre caixa eletrônico das antigas, já mal acostumado com o novo verbo bater.

2 Respostas para “Vou batê pa tu”

  1. Lidi Diz:

    Realmente, não conhecia essa expressão. De agora em diante, irei bater no telefone, a exemplo de Chorik. ;)
    Bom Natal pra ti. Abraço.

  2. Chorik Diz:

    Protesto. Não espanquei a tela. Deslizei suavemente meus dedos, quase uma carícia. E sua amiga/chefe está certíssima. Discar em teclas só porque embarcamos em avião?


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