Ontem Maria completou 7 anos de caçulice. No final da tarde, depois de um dia corrido e engarrafado, fomos todos para uma praça aqui perto e o acaso nos levou a terminar o dia numa pizzaria desconhecida por nós e na companhia de amigos encontrados casualmente na praça.
A menina insistia em ir para uma pizzaria onde comemoramos outros aniversários, e que para ela era a melhor do mundo. Em fração de segundo, convencida por um amigo de André, mudou de opinião e o lugar mais bacana do mundo mudou de lugar.
Maria é assim. Intensa nas suas crenças, passa do choro e berros ao sorriso e fala mansa numa rapidez tão grande que sempre desconfio errado de fingimento.
Maria tem tudo para ser peregrina em vez de turista nesta vida. Tomara.
Esta história de peregrino e turista surgiu sábado, quando comentei com Soraya sobre o meu encantamento com as pedras abauladas pelos pés das portas da básilica do Mosteiro de São Bento, sobre as marcas de joelhos no confessionário, sobre a atmosfera daquele lugar de 430 anos.
Soraya então me elogiou de peregrino, porque eu havia transformado em viagem uma ida à igreja como acompanhante da minha mãe, que na verdade queria ir para a Igreja de São Pedro, na Piedade, mas eu confundi os santos e fomos parar numa missa de formatura com direto a incenso e cantos dos monges beneditinos.
Soraya então explicou as diferenças entre peregrino e turista, como o desapego aos destinos carimbados e aos roteiros traçados torna o primeiro uma criatura livre e o segundo um quase escravo. Mas, diante do meu espanto com a concordância do que ela dizia com o que sempre pensei, fez questão de lembrar que este papo é velho e que muitas pessoas já escreveram sobre isso. Talvez temesse que eu corresse praqui, para anunciar a minha descoberta da pólvora.
Mas voltando a Maria agora uma menina de 7 anos, no final de tarde ontem fomos todos peregrinos, Maria à frente, sem se importar em comemorar o aniversário na companha de amigos de Andŕe.
Resultado: conhecemos um novo lugar que sempre esteve sob o nosso nariz, conversamos boas conversas voluntárias e casuais com os amigos, e o mais importante, Maria voltou feliz para casa.
Foto de Luísa, descolorida.


16/02/2012 às 22:45
Vocês são tão bons pais… E são tão inteligentes! Que lindo o Dia de Maria!
16/02/2012 às 08:04
Marcus, continuo gostando do que você escreve. Só não gosto de não poder enviar coisas a você, somente responder… Por isso, às vezes tenho vontade de nem mais escrever procê.
Um grande abraço, meu amigo!