Archive for the 'Iaçu' Category

Pé de menino

10/09/2013

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De Iaçu para toda a Nação Nordestina.
Foto: Liz Nunes

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200491532347585

Nação Nordestina: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=638031002896806&set=a.306157526084157.82461.306125182754058&type=1&theater

Em 11 de setembro

A foto bateu na memória de muita gente. Os comentários são muito bons. Pincei, dos 851 postados até agora, alguns dos mais nostálgicos e divertidos:

Jéssica Karoline: Nossa, o cenário é tão parecido com o que eu vivia na infância na casa de meus tios, que fiquei com medo de me achar nessa foto! kkkkkkk #nostalgia 

Karine Cruz: Kkkkkl tem mais menino q sriguela! Oxe!
Jacirene Souzza: ta minando minino ! kkkkkkkkkkkkkkk
Vanuza Candeia? Tão eu no quintal da casa de mãe em Patos-Pb…bommm demais!!!
Fabio Costa: Pense numa infância !!!
Cosma Silva: na casa de xiquinha minha mana no sitio alegre Barro CE.eita saudade.
Aparecida de Souza: Mas é de seriguela mesmo?Tenho dúvidas……kkkkkk 
Elisabete Freitas: Um verdadeiro pé de moleque e de moleca
Rita Santos: Armaria,que cena linda!
Wanessa Nescence Marróia: a rumação dor minino! 
Vaneide Alves: ISSO É UM PÉ DE MENINO É?…
Elly Sillva: Ta nacendo um monte de piralhos ao invez de siriguela kkkkk 
Jaderlan Crtlc Crtlv Isso não é um pé de seriguela; é uma vida de ótimas lembranças e muitas saudades!!!! 
Jean Hobbs Hotz: Thanks Xenia for this delightful picture. 
Francisca Lúcia Dantas Feitosa: Como eu queria estar junto desses meninos, adoro seriguela. // 
Alessandra Carla Essas São grandeskkkkkk.q alegria!!
Yeda Paula: Nunca vi um tão florido assim…
Enmylly Neto: Isabelly Carvalho Amiiga sai dai !
Géssik Kstro: Brotou foi menino foi?kkkkk 
Ana Karla Gherman: Meus deuses como eu fiz isso! 
José Hilton Ferreira: Já vi pé de um bocado de coisas, mas pé de menino ainda nao tinha visto! Kkkkkkkkkkk 
Ulysses de Oliveira eu só quero que voces caia daí viu? eu num sei o que é que voces querem trepando em pe de pau!kkkkkk 

 
E alguns dos compartilhamentos: 
Clara Beatriz Do Vale compartilhou a foto de Nação Nordestina.
Meu Deus. Eis minha infância. *———–*
Edinete Brito compartilhou a foto de Nação Nordestina.
Monique França, Tatiane Brito e Jucelí Brito! Vou postar a nossa, também no pé de seriguela! #Coincidência
Jucelí Brito: Coincidência mesmo… Tem até uma loira e uma do olho puxadinho… kkkkkkkkkkkkkkk
Cris Lima compartilhou a foto de Nação Nordestina.
Essa eu tinha que postar. Era desse jeitinho mesmo! 
Rosangela Rodrigues parece mesmo
Nominando Rodrigues Barbosa QUEM PLANTOU ESSE PE DE SERIGUELA FOI EU, KKKKKKKKKKKKKKKKKK
Júnior Caldas Parece d mais … kkkkk nosso retrato kkkkkk
Rita Guimarães kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk igualzinho mesmo em, eu era a do canto mais baixo porque morria de medo de subir.
Adriana Lopes Ribeiro compartilhou a foto de Nação Nordestina.
ai Marlana Mara achei que era la no Elói a loira parece com raiane a outra a rebeca
Anny Anny Carvalho Penedo: kkkkkk nossa não cabe mais menino ai kkkkk
Adriana Lopes Ribeiro: kkkkkkkkkkkkk pior q nao msm; Mas lá em casa é bem assim Anny Carvalho Penedo ainda ia faltar menino ai.
 

A fogueira vai queimar

23/06/2013

Sem título

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.4998585359166.1073741835.1135737937&type=1

De bendita a maldita chuva

23/01/2013

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Não consigo entender esta enchente de Iaçu.
Sem querer ser leviano, e correndo forte risco de ser neste momento em que as pessoas estão empenhadas em ajudar os desabrigados, arrisco a dizer que esta enchente é uma grande obra da prefeitura, tramada por anos de construções sem o devido planejamento do escoamento, aterramentos de lagoas, calçamento de ruas sem bocas de lobo – nunca vi uma boca de lobo em Iaçu.
Quando soube da enchente pensei que o rio Paraguaçu tivesse subido. Nada, ele estava lá tranquilo no seu leito.

A cidade de Iaçu naturalmente seria a prova de enchentes porque o rio corre lá embaixo e a cidade tem uma leve inclinação que facilita o escoamento das águas para o rio.

Abusaram das construções mal planejadas, dos aterramentos. Pavimentaram, ao longo dos anos, uma grande bica de concreto sobre as regiões mais baixas da cidade.

Soube que o estrago maior foi provocado pelo queda do muro do estádio, transformado pela chuva em uma represa cheia. E se rompeu levando tudo pela frente.
A chuva  sempre foi bem vinda no sertão mas  se transforma de repente na grande vilã. Injustamente.
Os grandes vilões desta história somos nós, por incompetência ou omissão. Mas enfim, como bem diz Nicanor Ramos, o momento é de reconstrução. Vamos ajudar.
Foto: Junior Carneiro / Iaçu Notícias

Veneno

16/11/2012

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Próximo a Ipirá, no entroncamento do povoado chamado Bravo, tem um aglomerado de pontos de venda de requeijão e goiabada cascão. Irresistíveis Romeu e Julieta.

O requeijão é daqueles que choram com um aperto. Foi veneno pra meu pai, é pra mim e é pra seu Rubem.

Noite de ontem, pedaços de requeijão cortados no café com leite quente, seu Rubem lembrou meu pai.

Mas tratou logo de eliminar a minha culpa:
- Ultimamente tenho gostado de poucas coisas, mas quando eu gosto, gosto mesmo.

Há uns 7 ou 8 anos, seu Rubem foi a Salvador para curar uma crise de gota. Levamos ele a um famoso médico naturalista e enquanto ouvia a prescrição balançava a cabeça afirmativamente, assentia calado.

Nunca mais açúcar, nunca mais gordura, nunca mais carne, e ele só balançando a cabeça afirmativamente, sem falar nada. Não sobrou carne sobre carne do cardápio gordo e sertanejo de seu Rubem.

Na saída, comentou com um sorriso maroto:
- Esse velho é doido. Se eu deixar ele escolhe até a madeira do meu caixão.

Quem sou eu para dizer quem está certo, se o médico, se seu Rubem, que continua com seu cardápio completo, aos 91.

Só desconfio que o prazer pode ser o antídoto para muitos venenos.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3953464911808&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&relevant_count=1

Foto: http://bit.ly/XM7Z44

Olhos amestrados

12/10/2012
46547_3808995620166_253142937_nSempre quis parara para fotografar esta casa na beira da estrada Milagres Iacu. Hoje deu. E me dei conta mais uma vez do entorno. E dos nossos amestrados olhos turísticos. Estes olhos turísticos só se abrem diante dos destinos já carimbados, autorizados para a admiração geral. O que falta para Milagres, Itatim, Santa Terezinha, Iaçu entrarem no mapa turístico? Falta amestrar os olhos?
https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.3808995060152.2140176.1135737937&type=1

Os pais da ponte

16/01/2012

O fracasso é órfão e o sucesso é filho de mulher-dama, ensina a sabedoria popular. O abandono da estação ferroviária de João Amaro, por exemplo, é órfão. Já a ponte que liga os municípios de Itaberaba e Iaçu sobre o Paraguaçu e a estrada Iaçu-Milagres estão com fila pra teste de DNA. Tem ex-prefeito, prefeito, ex-ministro e governador disputando paternidade.

É uma peleja intrincada. O ex-prefeito, que fez dois mandatos coligado com o PFL/DEM, hoje é PT desde criancinha e amarga geladeira nos direitos políticos por conta de contas não aprovadas. O atual prefeito é PMDB, aliado nacional mas inimigo local do PT. Será que Wagner vai conseguir reunir este saco de gatos sobre o palanque no próximo sábado, em nova data prevista para a inauguração oficial?

Mas o verdadeiro pai da ponte é o contribuinte, que de cada 10 reais gastos, tem 4 recolhidos como impostos. Os barnabés que assinaram a ordem de serviço, seja prefeito, ministro ou governador, não fizeram mais que obrigação. E demoraram.

Disputas políticas à parte, a ponte é bonita  e deságua de forma elegante sobre a cidade. Mas no conjunto fica meio esquisita, apertada entre a velha ponte de ferro e madeira, inaugurada em 1904, e a ponte ferroviária caída, da metade do século passado.


Ao observar a imagem do Google, ainda desatualizada, dá pra ver que a decisão foi prática. A locação da velha ponte é precisa, num ponto de  menor distância entre as duas margens. Acima e abaixo o rio se abre em ilhas e exigira obra bem maior e mais cara. Acima um pouco, pela imagem,  parece até que daria, mas exigiria desvio da estrada.

A ponte e a estrada também são filhas do momento econômico que vive a região. Em breve será asfaltada a estrada Iaçu-Itaetê, que servirá de escoamento para o ferro que vem de Marcionílio Souza e Piatã e será embarcado na ferrovia num ponto próximo a João Amaro, distrito de Iaçu.

Então, como já explicaram em outro contexto,  “é a economia, idiota!”

6 de janeiro de 1857

23/01/2011

Levei a renca hoje a João Amaro e lá eles viram de perto este  jazigo,  do avô do bisavô Rubem Reis Almeida.

Poderia ter perguntado a seu Rubem Reis a origem do Reis, mas ao ver agora a data de nascimento na lápide, dia de Santos Reis,  descobri.

Invejo meus meninos por ter acesso a tão distante ancestralidade.

Nesta tarde de nuvens carregadas, visitei com os meninos e a vó Conceição  a cada dia mais  literalmente tombada estação ferroviaria de João Amaro. A estação foi cenário de novela da Globo, Pedra sobre Pedra, em 1991, e poderia ter sido preservada.

E o vídeo da novela. Tenha paciência, você vai curtir muito Maurício e Adriana até os 2:06 minutos do vídeo de 3:18. Mas dá pra ver a estação ainda de pé.

Mais sobre João Amaro aqui.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2463122934190&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

A quase 3ª ponte de Iaçu

21/01/2011

Era pra ficar pronta pras eleições, quem sabe no São João. Mas a virtual 3ª ponte de Iaçu avança. Faço este post para atender a curiosidade de mais da metade dos visitantes deste blog, em busca sobre Iaçu.

Informo também que a estrada para Milagres avança  e quem sabe no final do ano talvez  esteja pronta.

A favor da estrada,  que está sendo reconstruída, a opinião de seu Rubem Reis, quase 90 anos de vida,  muitos anos de fidelidade e militância na UDN, Arena,PDS,  PFL, embora tenha se tornado eleitor de Lula (só de Lula, que fique claro) nos dois últimos mandatos:  “As estradas de Wagner são boas.”

Sobre as pontes de Iaçu:
Iaçu tem uma não-ponte sobre o Paraguaçu, quase uma instalação a ligar o nada ao nada com um espaço vazio no meio, testemunho de uma antiga ferrovia que morreu antes de se expandir…(mais)
Desde 1993, quando conheci Soraya, vou a Iaçu pelo menos duas vezes por ano. Lá encontrei um pouco de minha infância…(mais)

Desconectado

19/06/2010

Sport Clube Ideal – O beque central é  Rubem Reis Almeida,  avô de Soraya. Neste jogo o time de Iaçu empatou em 4 x 4 com o S.C. Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Foto do  Projeto Iaçu Cultural

Como a humilde Inglaterra, quando  partiu um cabo de comuicação entre a ilha e o continente, declaro que o  mundo está isolado. Não quero nem ver teclas na minha frente até o dia 4 de julho.

Tomo o rumo de Iaçu para encarar nos próximos dias atividades estafantes como  comer, dormir, vadiar com a renca e assistir aos babas africanos na companhia  de Rubem Reis, craque da era de ouro da seleção da cidade,  quando o Brasil nem sonhava em ganhar a copa da Suécia.

Mas vou deixar uma fogueira virtual para ser acesa dia 23, às 20 horas. Vivá São João.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3389580415048&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

A terceira ponte de Iaçu

16/01/2010

Iaçu tem uma não-ponte sobre o Paraguaçu, quase uma instalação a ligar o nada ao nada com um espaço vazio no meio, testemunho de uma antiga ferrovia que morreu antes de se expandir. Clique na imagem para ver mais da ponte, rio, cidade e arredores no  google maps.

A segunda ponte, estreita e centenária, ameaça ruir mas ainda é a única utilizada para atravessar o rio, um veículo de cada vez. Veja vídeo sobre a ponte aqui e fotos antigas aqui.

A terceira ponte ainda é virtual mas virá a ser antes  do primeiro turno das eleições. Ela é a síntese da disputa eleitoral pelo goveno da Bahia.
É uma ponte política e uma solução melhor do que a reforma da velha sempre prometida pelo menos nas úitimas quatro eleições.

A cidade não fala em outra coisa. Na padaria, nos bares, a conversa é a ponte,  os 130 trabalhadores que chegarão nos próximos dias e os 20 da cidade que estão sendo contratados. Aí a ponte fica ainda mais política. O trabalho temporário é moeda política e a contratação passa pelo crivo eleitoral.

A licitação para a construção da ponte foi lançada pelo governo do Estado há quase um ano e meio, em agosto de 2008. Do custo total de aproximadamente R$ 11 milhões, 3 vieram do Ministério da Integração.

O prefeito é do PMDB, partido de Geddel, ministro da Integração Nacional. Geddel reivindica a paternidade da ponte e segunda-feira, pelo Twitter, usou a ponte de Iaçu para torpedear a construção da Ilha de Itaparica:

“Esse governo estadual,nao consegue fazer a ponte de Iaçu,cujo dinheiro . Min.Integração ja liberou a (sic) 6 meses, imagina a tal de itaparica” , escreveu o ministro.

A cidade tem outra obra eleitoral na agenda. Para as próximas eleições a nova moeda é a BA O46, trecho Itaberaba – Milagres, Iaçu no meio do caminho, com a ponte construída. A estrada diminuirá em cerca de 72 KM a viagem de quem vem no sentido norte pela BR-116  em direção à Chapada e ao Oeste.

A novela deverá ser tão longa como a da terceira ponte.

Mas parece que a ponte sai mesmo . As  placas com os créditos da obra  foram erguidas hoje, com erro. Falam de reconstrução.
Quem passa por ali e vê uma ponte aos frangalhos e outra incompleta vê sentido.

Atualizado em fev de 2012

Finalmente, a novela chegou ao fim e a  terceira ponte ficou pronta em dezembro de 2011, junto com a estrada Ia;u – Milagres. O sucesso foi tanto, que choveu pai de ponte. Veja como se deu o causo aqui http://licuri.wordpress.com/2012/01/16/os-pais-da-ponte/.

A salvação está na imagem

14/01/2010


Fachada da casa onde nasceu Glauber Rocha, uma das poucas preservadas na Rua 2 de Julho, em Conquista.

Acompanhei de longe a discussão sobre o simbolismo do ano novo. Junto com Natal, São João e Carnaval, o réveillon forma o quarteto das festas absolutas, envolvem quem quer e quem não quer participar e geram a tal pergunta: e aí, vai passar onde?


Simpatia na mesa.

Os anos vão passando e confesso que passo a cada dia mais indiferente.
Mas o ano novo tem  um simbolismo forte porque é conclusão de um ciclo, de uma volta completa em torno do sol. É como se fosse o aniversário de todo o mundo.


Balança espelho, espelho meu.

Passei em Iaçu com mesa farta e muita simpatia comandada por Reia, a irmã de Soraya. Romã,  lentilha, arroz e dinheiro nos sapatos, numa de noite de muitos fogos. Sim, Iaçu tem também show pirotécnico, de 15 minutos ou mais.
E a trilha sonora de carros de som na rua: “Me dá a patinha…”
O ano novo me revelou também  na feira livre da cidade, numa balança reflexo de um  equilíbrio precário.
Tudo pendente pra algum lado: peso, orçamento, saúde, atenção aos meninos  etc etc etc e tal.

O pequeno Hotel Lisboa era o imenso Hotel Lancaster

Peguei então André e fomos juntos, de ônibus, passar três dias em Conquista, para a casa onde me mudei quando estava na idade dele. Deste janelão da esquina observava nas madrugadas de sábado o burburinho da feira se formando, na Praça da Bandeira. O hoje Hotel Lisboa era então o Hotel Lancaster, e esta escadaria, então de marmorite, muito maior. Hoje tudo é pequeno, os corredores apertados, mas nos meus oito anos eram uma imensidão.

Túnel do tempo

Saía todo dia pela manhã bem cedo para fotografar. Descia a escada túnel do tempo, onde eu me sentava e ouvia de um primo mais velho a profecia aterrorizante: laaaaá no ano 2000, quando eu teria inimagináveis 39 anos, o mundo iria se acabar em fogo.

A nova previsão, 2012,  me permite chegar a  inimagináveis 51.

Jardim das Borboletas, agora Praça Tancredo Neves

Revi a praça caminho da escola,  cujo viveiro de pássaros foi substituído por um lago com patos. Sobraram apenas as palmeiras imperiais mais altas ainda.


Uma das poucas residências  das décadas de 50/60 ainda livre da demolição e das placas.

Conquista é uma cidade escondida sob as placas.

Não há como conter as alterações do cenário. Por isso, a única salvação, a possibilidade do registro da mudança  está na imagem.

E ao refazer o caminho para a escola, fui garimpando registros, numa pescaria arquelógica que me remeteu àquelas manhãs de 1968/69.

Do antigo mercado só restou o telhado e as escadarias. Onde havia a feira, um cacete armado permanente. E a tradicional  galinhota evoluiu, ganhou até adesivo fosforescente de segurança.

Fachada da década de 60 ganha as inevitáveis grades.

Uma das casas mais antigas da 9 de novembro, que me levava à Escola Anexa ao Instituto de Educação Euclides Dantas (IEED) e que hoje ostenta muros e grades inexistentes na época.

Hoje o IEED tenta recuperar o orgulho de uns dos mais tradicionais colégios públicos da cidade ao exibir  nos muros os nomes dos seus 33 alunos que passaram nos vestibulares em 2009.

A partir de agora, um mix dos passeios fotográficos, começando pela (re)criação de Michelangelo, numa vesão fast food.

Ao voltar ao mercado, encontrei o escorredor de copos no modelo do retratado por Maria.

Na loja de produtos religiosos, uma imagem que conheci há uns três meses  num mercado de Feira de Santana. É Ogum Xeroquê, entidade da Umbanda que retrata os dois lados dos conflitos humanos e religiosos. Olho para este rosto e lembro do símbolo Yin e Yang dos orientais.

Na feira de Conquista, a balança vazia continua a me lembrar do meu precário equilíbrio.

Na volta, mais um escorredor, no bar do entroncamento da BA 046 com a BR 116, que leva a Amargosa ou a Iaçu.

E sobre o bar, a vida continua…

Ainda em Conquista reproduzi uma das muitas fotos que minha mãe mantém nas paredes do seu pequeno apartamento construído numa entrada lateral do hotel. Ela e meu pai. Ao recortar a foto para colocar aqui, vi os controles da TV e vídeo.

Nestes dias de Conquista e agora novamente Iaçu, constato o quanto a televisão ainda é presente. Ela faz parte do cotidiano de minha mãe, que vive sozinha, e de seu Rubem, avô de Soraya, que vive hoje apenas com uma das netas, na casa que já abrigou uma pequena multidão.

Hoje veremos mais um BBB em família.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3415628106224&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Iaçu, década de 70

30/10/2009

projeto-iacu-cultural-no-orkutUma das 2.843 fotos do Iaçu Cultural, projeto de memória criado por Deborah em um perfil  no Orkut e que agora está também no Facebook.

Busquei a imagem para ilustrar este post sobre uma minissaia, motivo  de rebelião num presídio, digo, numa universidade  de São Paulo. 
Soube deste assunto via twitter, há uma eternidade em tempo de internet, mas não consegui ver o vídeo postado no Boteco Sujo porque a Uniban colocou funiconários para enxugar gelo, ou seja, ficam de plantão vasculhando a rede para pedir a retirada dos vídeos ao You Tube.

E hoje finalmente vi um video completo. Veio num e-mail indignado  de Bárbara Jolie, do Vinte e Cinco Inquietações, com o link para uma matéria de tv postada no Bahia em Pauta.  Resolvo entar  na roda porque a história me impressionou.

E pela primeira vez vejo  unanimidade nos comentários no You Tube. O nível é baixo, como sempre, mas a pontaria é certeira. Ou chamam os homens de viadinhos ou as mulheres de invejosas, ou a universidade de Unibambi, ou até aceitam o coro absurdo de puta, mas defendem o direito das putas  frequentarem uma faculdade.

O anúncio no portal da Uniban oferece cursos de até R199,00 por mês. Ou seja, tá mais pra mercadinho. A arquitetura circular do prédio lembra grandes bibliotecas do mundo mas no vídeo mais parece pátio de presidio em motim de filme americano.

Os gritos têm a força dos gritos do movimento estudantil, movido a saias tão ou mais curtas como a da moça. Saias como estas da foto,  usadas à vontade em Iaçu, na Chapada diamantina, pssivelmente por volta de 1968, o ano portador da  ilusão de que o mundo mudaria pra melhor.

Atualizado em 09/11: a decisão da uniban é mais absurda ainda do que tudo o que aconteceu. É inacreditável. Episódio gera  vídeo  hilário.
Atualizado em 10/10: uniban volta atrás. Distribuída pela AP, notícia ganhou o mundo:  The Guardian.

Véspera

23/06/2009

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A cidade se enfeita, na cozinha o movimento é grande, no quintal o forno está aceso. É véspera, manhã/tarde da noite de São João. E eu torço para que isso fique nos meninos como ficou em mim. Hoje já não sinto nada, só lembranças. Da fogueira, dos fogos, dos balões, da música. Hoje sou apenas memória, que tento reaver em caminhadas pelas ruas decoradas da cidade. São João passou por aqui. Pelas minhas lembranças.

Pleonasmo

05/03/2009

Escrota, malvada, vil, torpe, criminosa, que age de má-fé, mentirosa, enganadora, maquiavélica. Origem no latim abjetu. Mais: degradante, desprezível, indigna, imunda, baixa. Pois é, encontrei todos estes significados para abjeta, todos iguaiszinhos à morte. Portanto, chego à conclusão, sem ter concluído a leitura, de que o título do livro de Bernardo Guimarães e Maria Judith, Morte abjeta é um redondo, completo e definitivo pleonasmo.

Não, ainda não é sobre o livro de Bernardo e Maria que eu escrevo. Estou é puto com esta velha abjeta da foice. Anteontem ela me levou Fafá, a colisa lalia sobreviente do aquário dos meninos, logo ela que foi bem cuidada, foi medicada com antibióticos [nunca entendi este prefixo exterminador antes da bio, já que é remédio]. Fafá estava ótima, pra cima e pra baixo, serelepe, até desconfiei que a malvada vivia mais feliz com a viuvez.

Chega hoje e recebo a notícia da morte do retratista Aurelino Costa [veja sua foto no post Haletos de Ouro], pessoa com quem sequer eu havia trocado uma palavra mas imaginava simpática, daquelas do tipo não vi e  gostei. Planejava conhecer pessoalmente Aurelino Costa agora na semana santa [olha ela aí de novo, desta vez disfarçada de santificada].

Não deu. Recebo o recado de Déborah  dando a notícia. Ontem mesmo ela esteve com ele, estavam se falando sempre, ela entusiasmada com o encontro, ele generoso, forneceu todo o seu acervo para o projeto Iaçu Cultural, projeto de memória visual,  cultura digital e o escambau, meu atual incutimento.

Sou inconformado sim, talvez por não crer em mais nada a não ser nos vermes e no calor do fogo, escolha um ou outro. Melhor para quem acredita que o baba continua. Pra mim é fim de jogo.

Comecei a ler um livro fantástico [já comecei a ler talvez mais de uma centena de livros fantásticos na vida] Breve história de quase tudo que  Ana Lívia levou emprestado com a promessa de devolução breve e a mim só resta sugerir como opção de presente para os meus  48 anos, na segunda. [Falar em piscianos, além de minha irmã Stael, Caio de Nilson, Bernardo e Renata Belmonte, Trasmonte fez uma pequena lista aqui].

Pois bem, neste livro se confirma algo que eu já havia pensado. Somos combinações, acidente matemático programado para se desintegrar e voltar a se integrar de novo à massa cósmica. Sob este prisma, somos imortais.

Mas o euzinho aqui, esta combinação impar de gosmas, terminações nervosas, ossos, dentes maltratados e muita dúvida existencial, tudo ensacado em tamanho GG, assim que o game for over, babau. 

Portanto,  essa identidade, esse pronome pessoal da primeira pessoa, tão caro a cada um de nós, dos mais humildes aos mais assumidos na vaidade,  vai pro espaço, literalmente.

Dá licença então poetas e crédulos, aproveito minha inconformidade e minha pouca poesia para deixar um joguinho vagabundo de rimas desta primeira pessoa que é singular e finita,  revelador  da minha birra com ela, a abjeta:

Eu?
morreu,
fudeu.

O trágico destino de Marilene

03/03/2009

Já revelei aqui temas sobre os quais não tenho opinião formada e acrescento agora outros três que já passaram por minha cabeça: drogas, depressão e suicídio.

Hoje fico com a história  de Marilene, miss Iaçu, de quem sei muito pouco. Aos 19 anos, recém-formada, Marilene saltou grávida da janela do primeiro andar depois de ter tomado comprimidos vencidos do pai e cortado os pulsos. Ainda sobreviveu mais uns dias, levando consigo a pergunta sem resposta: por quê?

Fico irritado quando alguém define a causa de um suicídio. Prefiro a Legião Urbana: nada é fácil de entender.  A opinião corrente na cidade é que ela não aguentou o tranco do namorado não ter assumido a criança. Mas a própria Iaçu tem exemplos de situações semelhantes na mesma época e que resultaram em vida.

Ninguém sabe o que vai na cabeça de um suicida. Ninguém nunca vai conseguir medir a dor motivadora. A dor é um sentimento absolutamente solitário, só o doído tem a dimensão. O condoído tenta.

Mas  o estrago provocado no próprio corpo pelo  suicida é multiplicado nas pessoas próximas. A pancada, a bala, a corda, o gás, a roda, a água, o fogo, o veneno, a lâmina  que tira a vida pega de jeito também pai, mãe, filhos, namorados, amigos. A dor da perda de quem fica é amplificada pelo sentimento de culpa, o pior dos sentimentos. Neste aspecto os suicidas são bem sacanas.

Os bilhetes dão apenas pistas da dimensão do desespero, como o de Torquato Neto, resumo de todos os demais:
Pra mim, chega!

P.S – Veja mais aqui sobre este assunto, num  texto de  de Juan Trasmonte, coincidentemente lido na mesma época em que eu soube desta história.

Haletos de ouro

01/03/2009
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1928. Foto mais antiga que se tem registro em Iaçu e uma das 889 reunidas no perfil do Orkut do projeto Iaçu Cultural. É da famíla do retratista Aurelino Costa, que emprestou seu acervo ao projeto.
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Aurelino Costa em seu laboratório. Pelas suas lentes passaram praticamente todos os habitantes de Iaçu nas últimas décadas.

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Avós de Déborah Dias, a biológa e professora que teve a ideia de garimpar e compartilhar a memória fotográfica da cidade

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Este pai é um dos quatro meninos da imagem anterior. Aqui, com mulher e cinco filhos (o quinto está na barriga da mãe, segundo um dos sete comentários da foto no álbum coletivo no Orkut)

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Rubem Reis, bisavô da minha renca, enviou esta foto a parentes enquanto estava aquartelado em Feira. A guerra acabou antes do embarque. A foto foi recuperada na pesquisa de Déborah.

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Dispensado no dia 9 de maio de 1945, o soldado casou com dona Ludu, voltou para Iaçu e se tornou um dos crques da cidade. Foto do histórico 4x4 contra o Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Rubem reis. o quinto em pé, não se lembrava da exstência desta foto, também trazida à luz com a pesquisa.

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Aniversário na casa de amigas. A tia Conceição dos meninos é a maior maior da frente. Mônica, mãe de Soraya, está logo atrás, à direitaa.

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Álbum´"Último dia".

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Buraco doce, uma das casas da rua do Crefe, o brega da cidade.

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Ponte sobre o Paraguaçu.

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Uma vez Flamengo...

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Soraya com quase um ano, no São João de 1970. Foto: Aurelino Costa.

Este coco estava meio travadão, de recaída. O  efeito paralisante do elogio voltou, agravado pelo traço de   TOC,  bem retratado naquele filme com Jack Nicholson, na cena em que ele só pisa nas partes pretas da calçada.

Pra completar veio o incutimento.

Repito aqui mais uma vez a máxima sertaneja: incutido é pior do que doido. Aqui em casa, em toda a Iaçu e em todas as minhas conversas, o assunto da hora são as fotos antigas colocadas no Orkut por Déborah Dias. Já expliquei a história aqui e  numa variação sobre o mesmo tema no 416 destinos .

Como cinco dos seis leitores deste coco são adultos e não têm o Orkut, resolvi trazer algumas das imagens para cá .

O incutimento é um dos responsáveis para o engarrafamento de posts na minha cabeça. Só penso nas fotos de Iaçu e não sobra tempo sequer para o texto sobre o trágico fim  de Marilene, uma das retratadas.

A viagem, que aqui ia pelo do meio do caminho, parou antes de chegar a Moreré,  Bainema, Cova da Onça.

Quem passava pela praça em Iaçu na terça de Carnaval, sem Carnaval, pensava ver um doido pipocando de rir com um livro na mão. Rindo e angustiado a se perguntar por que rir de uma cabeça humana detonada por bombas juninas. Não conseguia parar de rir e a culpa era do sádico Dr. Bernardo e da sua cúmplice Maria Judith. As primeiras páginas de Morte Abjeta seriam também retratadas aqui.

Duas mortes abjetas acontecidas este fim de semana em Iaçu – eta cidadezinha trágica – também ficaram na fila.

Uma geral na produção carnavalesca dos meus e-vizinhos aí do lado também mas deixo isto pra Nilson Pedro, que viu o carnaval passar pelas teclas alheias.

A cova violada de Cova da Onça, que deu nome ao vilarejo de Boipeba, e as imangens de gesso da Igreja de João Amaro, provas do saque geral de imagens sacras das igrejas baianas nas décadas de sessenta e setenta também estão na fila.

Falta mostrar também as fachadas em azul e branco das igrejas do baixo-sul.

Faço aqui a promessa vã de transformar em palavras e imagens todas estes projetos de post relatados acima. Por enquanto fiquem com as fotos do Iaçu Cultural.

Vamos então ao elogio. Goli Guerreiro disse que minha leitura do filme Os Negativos é brilhante. Lenhou. Não consegui responder. Fiquei travadão e não adiantou nada a alta da terapia  de aceitação irrestrita do elogio.

Vou rever o filme e fica aqui mais uma promessa de novo texto. O curioso é que o post estava ali zerado, sem nenhum comentário há muito tempo, no rol daqueles  suspeitos de interessar a ninguém . E com a polêmica sobre Verger, fiquei em dúvida se estava certo. Cheguei a pedir a Maria para para ela conseguir uma cópia do documentário. Está na mão dela há um tempão e já fui informado disso. Vou alimentar os meninos bem alimentados qualquer hora dessa e partir para uma visita a Maria em busca da cópia.

Aqui entra o  filme de Nicholson e o TOC aplicado aos comentários. Como gosto que respondam os meus mas fico dias, meses sem responder os alheios, resolvi tomar a decisão de responder a todos, como no combinado de só pisar nas pedras pretas.

O problema é quando fica um sem responder, como foi o caso do elogio. O resto não sai. E ainda tem o agravante de que certos comentários dispensam respostas, eles se encerra ali mesmo, mas como o combinado é só pisar nas pretas…

Termino este breve relato do que deveria fazer com a promessa de ano novo – sim o ano começa nesta segunda-feira – de responder a todos os comentários.

Conseguirei caso não haja recidiva de TOC e não apareça outro assunto bom de se incutir.

P.S. O título seria haletos de prata. Mas achei pouco.

Álbum de famílias

11/02/2009

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atgaaad8uuv6znluvetmhmgotkjyyv_bqonzr9x_nv7nx_nkzqth62i6qd0zfsij3n9e2pyuwjldxqbrftnwgr1parv2ajtu9vc3w-wsxu58s4y0wn1bnbqu2gng8a1Marilene, miss Iaçu.atgaaadehvmgfttxq8vbhfikvnrxofkcqa6sa9x8cutyi0esscw0rkpz1-c_6dxfkgkbzjofj-0bo5uwavpd0bsckvqiajtu9van-hbjtztfp8s5qvxovd38t_lfzq1123 de dezembro de 1983. O acidente que gerou a não ponte:  mais aqui.

A bióloga Deborah Dias, professora de ciências e artes do ensino fundamental em Iaçu,  está envolvendo a cidade num trabalho  de memória coletivo. E usa apenas como ferramenta um perfil no Orkut. Enquanto  tenta viabilizar o projeto de um livro sobre a  história da cidade,   recolhe e publica imagens de álbuns particulares. O resultado impressiona.

Deborah já reuniu  461  fotos  e  623 “amigos” no perfil Iaçu Cultural. O mais interessante é que quase todas as imagens  provocam comentários, seja pela emoção de rever e se rever num outro tempo, pela alegria do reencontro com velhos amigos ou simplesmente para se divertir. É como se todo mundo fosse junto para a praça da cidade compartilhar a memória.

 A maioria das fotos ainda está sem data, sem crédito e sem a identificação integral dos personagens. Mas no ritmo que a coisa vai, não demora muito para que estas informações apareçam.

santo reis

06/01/2009

dsc02993-copiahoje é dia de santos reis últimos minutos do dia de santo reis em iaçu não enxergo nada no teclado luzes apagadas apenas muriçocas na pele e outros insetos na tela iluminada do portátil enquanto leio os blogues alheios e vejo chegar a meia noite limite para postar na véspera de pegar novamente a estrada vicinal desta vez rumo ao litoral mas antes da viagem quero falar da ponte asfaltada sobre a madeira em vez de reforma e da morte de crianças pelo estado judeu informadas pelo jornal da globo e de mortes inesperadas  e não noticiadas acontecidas antes de se completaram os seis primeiros dias do ano antes de se desarrumarem os presépios morreu a garota de 10 anos cabeça na pedra do rio depois professor de 28 anos de avc mais um operário tragado pela máquina de moer argila para fazer blocos de cerâmica numa cidade de poucos habitantes e muitas mortes mas hoje é dia de festa da festa de santo reisdsc02958

Água grande, dor maior

04/01/2009

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Paraguaçu é água grande em Tupi. Em português contém também água no nome. Rio cheio, risco grande. Mãe em São Paulo, passeio na casa da avó, férias. Foi ontem ao rio com o irmão e não voltou. A notícia, recorrente em épocas de rio cheio, correu de boca em boca. Não sei o seu nome. Sei que tinha oito dez anos e bateu a cabeça numa pedra rasa do rio cheio.

Há seis meses fiz fotos em pé na base desta última coluna da ponte instalação, a não ponte de Iaçu. Dava para ir andando até lá sem molhar os pés. No último dia de 2008 fiz esta foto do rio cheio.

Agora chove no telhado, troveja e relampeja. Soraya tenta colocar os nossos pra dormir. São 23 horas. imagino o tamanho da dor da mãe, lá em São Paulo.

João Amaro

01/01/2009

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Estive hoje em João Amaro e visitei novamente a estação abandonada. As fotos são de hoje, mas o texto abaixo, do Licuri no Uol, é de Janeiro de 2007.

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João Amaro –  hoje distrito de Iaçu – foi o núcleo de povoação inicial  e lá está parte da ancestralidade da minha renca. No cemitério da cidade, ao lado de uma igreja construída pelos jesuítas, estão os quatro avós e tios de Rubem Reis e tetravós das crianças.

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Como seu Rubem está nos seus vigorosos 86 anos, estamos falando de gente que viveu ali pelo século XVIII. Em João Amaro está também dona Ludu, mulher de seu Rubem, a avó de Soraya. Chamava Luísa de Garrinchinha e André de Muquequinha. Pena que Maria não chegou a tempo de ganhar também seu apelido. Em João Amaro seu Rubem viveu a infância. E gosta de voltar ao seu lugar e de recordar histórias. Histórias que Soraya sonha ainda em resgatar mais a fundo.

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Histórias registradas na Folha da Manhã, de 25 de janeiro de 1940: “E, por onde passam as legiões bandeirantes, surgem povoados, levantam-se arraiaes. Em Matto Grosso, Paschoal Moreira funda Cuyabá… Na Bahia, João Amaro Maciel Parente funda a villa de João Amaro… Investem para o Sul, até o rio da Prata, avançam para Oeste, até os contra-fortes dos Andes…

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…percorrem o Norte, povoam o Nordeste… Legiões de bandeirantes entram em Goyaz, surgem no Pará. Outros vão dar na bacia amazônica. Moraes Navarro e Mathias Cardoso, salvam o Nordeste derrotando os barbaros no Maranhão, Piauhy, Ceará e Rio Grande do Norte, João Amaro arraza os indios revoltados da Bahia. Domingos Jorge Velho estirpa o kisto negro dos Palmares. Ha bandeiras anonymas no Amazonas, no Perú, por todo o immenso territorio sul-americano, em lutas com indios e castelhanos. Legiões paulistas concorrem para a “restauração de Pernambuco” em poder dos hollandezes. Os paulistas – na phrase de Euclydes da Cunha – desarranjavam toda a geographia sul-americana”.

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E no site Estações Ferroviárias: “A ESTAÇÃO de João Amaro foi aberta pela E. F. Central da Bahia como estação terminal no prolongamento de sua linha principal, em 1885. Em 1888 a linha foi prolongada até Bandeira de Mello.
As fontes de datas são conflitantes nas diversas literaturas. Segundo Cesar Lima, a estação “ainda existe e está inteirinha“, em 06/2005. “

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Que bom se ela de fato estivesse ainda inteirinha…

Por Zeus! Por Júpiter! Por Nhanderuvuçu!

15/07/2008

500 AC. Paternon, Atenas.

490 AC. Templo de Saturno, Roma.

2008 DC. Portal de Iaçu.

 

 

 

Atualizado em 19/07/2007

Disseram que eu fui sutil demais. Serei  explícito então: bizarro este portal!

 

E este licuri bem que podia se chamar Blog de Iaçu. Os posts mais lidos falam da cidade, as fotos das pontes são as mais acessadas. Por isso, o coco pequeno se alia aos que querem ver a ponte Severino Vieira novinha em folha como este negócio bizarro daí de cima. Você pode notar na segunda foto que o  motorista nem suspeita do risco que corre seu valioso automóvel. Clique na primeira foto para ver o emocionante momento em que  sobrevivemos à travessia e na segunda para ver a situação da parte de baixo da ponte. Veja mais informações no tópico A ponte cai-não-cai do fórum desta comunidade de Iaçu no orkut.

 

A ponte é de 1904. Clique para ver o vídeo da travessia

Rachaduras num dos pilares. Clique para ver mais.

São João sabor uva ou menta?

06/07/2008

Tudo que precisa de resgate me lembra aquele padre dos balões, que não quis esperar o terceiro dia para subir aos céus. Ou seja, já foi, Banda Mel. Não me chame para resgatar nada que eu não vou. Se você observar os patrocínios no palco acima e o super trio elétrico Mega Love estacionado ao fundo vai ver que este negócio de Forró Pé de Serra também precisa de resgate. Pior para ele.

Ano de eleição, este foi o cenário que se viu Bahia adentro, Bahia afora. É só clicar duas vezes no vídeo e ver os similares lá no Tubo. Eu não sou saudosista, se tem que ser assim, que seja.

E as crianças, que não estão nem aí,  gostaram e pelo menos se divertiram  ao som dos Bárbaros do Morro, bloco afro de Iaçu. Maria, a menorzinha, mandou ver devidamente incentivada pela prima Lívia, que tem  talento. E André também caiu no reggae. Mas os três foram devidamente recolhidas ao pé da fogueira antes dos  subcovers das calcinhas pretas e dos cavalos  não sei das quantas  se revezassem noite adentro com seus cantos de amores em falsetes esganiçados: Eu vou fazer um leilão…

O arrastão dos Candangues

06/06/2008

Quem digita  São João em Iaçu no google tem como primeira resposta Iaçu/Macondo « Licuri, ou seja, um post que fiz na véspera do São João do ano passado quando embarquei com toda minha ascendência e descendência no velho Corsa Sedam 99/2000 debaixo de chuva em direção à hospitalidade de seu Rubem Reis. Como boa parte das parcas visitas a este blog é resultado desta busca, resolvi atender à demanda indicando o endereço mais apropriado para informar as atrações juninas deste ano.
Clique aqui.
Recomendo o Arrastão dos Candangues, a reencarnação dos passageiros do trem Mochilão, que desfila no ritmo de São João na tarde do dia 23. O vídeo mostra parte dos candangues ao som do Trio Nogueira, no São João do ano passado.

As pontes para Iaçu

14/05/2008

 

Desde 1993, quando conheci Soraya, vou a Iaçu pelo menos duas vezes por ano. Lá encontrei um pouco de minha infância, conheço  suas ruas e suas margens do Paraguaçu.

***** 

A foto que ilustra (já ilustrou) este Licuri é desta segunda não-ponte vista aí de cima pelo googlemap. Posts  1, 2, 3 , 4 que citam a cidade atraem muitas das visitas ao blog resultantes  de busca no google. O curioso é que ao digitar Iaçu Bahia no googlemap você vai parar em um ponto distante, a sudoeste, entre as cidades de Camacã e Itororó. 

 

(Comentários no post original)

 

Quase todos os dias leio o seu Blog !! conteúdos bastantes interessante, mais interessante quando você coloca fotos e mensagens de minha cidade Iaçu … Conheço seu Rubens e alguns netos dele. O Flávio principalmente, pois quando ele comandou a companhia dos portos na cidada de Juazeiro da Bahia. Por várias vezes fui almoçar na residência da capitania com ele, João, Erotildes e deliciar o tempero e a Maniçoba que Conceição prepara com muito sabor. O João ainda continua aqui estudando na Uneb no curso de direito, sempre encontro ele, mas com mais frequencia em Iaçu … Moro em Petrolina, vizinha a Juazeiro. Grande abraço. Luciano Araujo Costa -  24 de Outubro de  2007 – luciannocosta@bol.com.br

 

Tenho interesse em informações sobre IAÇU. Acho que minha mãe nasceu nesta cidade (de onde saiu com 9 anos), e ainda não voltou lá. TenhoEla me fala que nasceu em Sítio Novo Paraguaçu, uma Cidade as margens do Rio Paraguaçu há 80 anos atrás. Será que é esta Iaçu?Por favor me manda alguma informação ou fonte de consulta sobre esta cidade. Elias – 25 de Dezembro de, 2007

 

Assim como Luciano estou adorando futucar esse blog. Interessante demais!!! Tu consegue captar uma energia de Iaçu que nós aqui muitas vezes não conseguimos. Parabéns!!!!! Deborah  – 4 de abril de  2008

 

Sou filho da cidade maravilhosa Iaçu, sempre morei nessa cidade faço tudo que for para tornar essa terra conhecida. Trabalho na rádio comunitária da cidade e estou a disposição para informações sobre minha amada Iaçu…Ronaldo Ramos -  29 de abril de 2008

Pontes

16/11/2007

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Iaçu tem uma ponte singular, que a  partir de agora ilustra o Licuri. É uma ponte monumento, uma instalação, um cartão postal  sobre o leito do Paraguaçu. Se eu fosse poeta, como Nilson e Kátia, faria um poema para esta não-ponte, que não liga, não une, não leva de um lado para outro, apenas mexe com a nossa imaginação.  O interessante é que esta foto e a  história da sua queda contada neste Licuri  foram solicitadas por Ralph Giesbrecht, um sujeito apaixonado por estações e que está se dando ao trabalho de catalogar uma a uma Brasil afora,  para o  site   Estações Ferroviárias do Brasil. No e-mail em que pediu autorização para usar as informações, ele disse que há tempos buscava confirmar esta versão da queda. E ela bateu com uma outra que ele tinha. 

Sempre gostei de pontes, como esta aí acima sobre o Rio Neva (aquela segunda, ao fundo). Nos poucos dias de inverno que passei na então Leningrado, ela não me deu a ousadia de se levantar, como na cena abaixo, de Outubro. Também tenho esta frustração com a ponte sobre o São Francisco, em Juazeiro, que também nunca mais se levantou. Pena que Salvador seja pobre de pontes. Prova disso é que a gente leva tempo pra dizer quais as duas que antecedem a tal Terceira Ponte, na orla.

 

Pedrasol, morte, ponte, vida.

12/09/2007

Este licuri tem um lado miseravão, um lado triste, que Soraya não gosta, que eu mesmo não gosto. Mas ele se impõe. Venho falar de morte, de morte de bicho, de morte de gente. É incompreensível que toda segunda pós-feriado a gente abra os jornais e veja lá as estatísticas de morte nas estradas num cantinho, como uma seção fixa, com variação apenas de percentuais. Este ano foram tantos por cento mais mortos que no ano passado, este ano foram tantos por cento menos mortes que no ano passado. Neste feriado foram 14. Só nas estradas da Bahia. Estamos acostumados com um absurdo, condenados a este absurdo. Até quando? Mas na estrada tem também a janela do carro, tem o sol, tem as ilhas de pedras. Esta foto foi feita em parceria com Luluthica, que viu o sol na pedra. Nesta ilha de pedra. Fizemos várias fotos.
Neste feriado, só nas estradas da Bahia foram 16 mortos. Eu poderia estar nestas estatísticas. Viajei com minha renca 600 km de perigos na ida e volta de Iaçu. Toda vez que abro os jornais e vejo a notícia de uma família inteira morta dentro de um carro na estrada me vejo ali (toc, toc, toc). É a tal da empatia. E na feira de Iaçu tem pato silvestre e teiú à venda. Extermínio às claras. Lembrei da exposição de humanos mortos vista por Nilson esta semana em Buenos Aires. Esta exposição de bichos mortos na feira de Iaçu não precisa de conservantes. Toda semana é renovada.
Minha cabeça é um blog. Tal qual Santiago, o mordomo da família Moreira Sales, vivo a escrever, registrar e comentar parte da minha vida neste Licuri. Mas muito pouco do que penso, que digo, que vivo, que falo vem parar aqui. Muito mais posts nascem, são escritos mentalmente e permanecem na minha cabeça. E são naturalmente apagados. Pra diminuir esta perda crio mais um blog. O foto-legenda. É uma imitação bem vagabunda do Olho da Rua. O subtítulo: Eu queria ser fotógrafo. E o fotográfo-desejo volta à ponte sobre o Paraguaçu.
Se você quiser saber mais sobre estas fotos, vá ao foto-legenda, que por enquanto vai tratar dos bichos mortos. Mas esta do meu meu irmão com o filhote, vida pura, já publicada neste Licuri, e mais outra dele com o mesmo filhote já virado gente, vá ao Licuri em Família. Ou no Orkut da Gabriela, minha cunhada cearense.

Renca que anda na linha o trem não pega

06/09/2007

Pontes II

09/07/2007

Queria ser fotógrafo. Bem que daria o nome de um novo blog. Soraya postou ontem aqui e foi delicada. Em off disse que o Licuri tá fraco, que ela gosta mesmo é do Blag, do Sarapatel, do Madame K e do Montanha. Disse que antigamente o Licuri era bem melhor. Também acho. Ainda bem que tenho estes vizinhos aí da rota de navegação para entreter quem deste Licuri não gosta mais. O pior é que tenho postado diariamente. Na cabeça apenas. E na cabeça fiz um post enorme contando minha saga como cliente Oidiota conta total. Fiz outro com um desvio na estrada e uma visita solitária a Castro Alves, que gerou umas centenas de fotos e emoção ao rever as escolas, a praça, o cemitério, a igreja, as casas onde morei na cidade dos meus 9 a 13 anos. Tenho também muitos posts sobre Iaçu. Sobre o circo Panamericano que assisti em Iaçu, sobre a feira, sobre as placas da cidade.Por enquanto vou postando estas imagens. Sob a ponte ao nascer do sol, a ponte sob o nascer da lua, o amanhecer na BR-324. Um dia isto aqui melhora e volta a ser como antes. Ou não.

Iaçu/Macondo

23/06/2007

O aguaceiro cai sobre Salvador no primeiro dia de inverno, solstício de inverno, início da noite mais longa do ano. Seis e meia da tarde e estamos eu, minha mãe Edith, André e Maria no térreo do centro médico onde Jocete tem consultório. Lá em cima Soraya e Luísa são atendidas em caráter de emergência. Não foi nada grave. Só um piripaque de Lulutica, minha menina-moça que anda pelos cantos, com achaques da idade.
Embarcamos todos então na camicleta azul, ou corsa sedan 1999/2000 muitos arranhões e amassados pela pressa, pontos de ferrugem e IPVA 2004. Penduradas no fundo três bicicletas a cobrir a placa. Pneus em dia, revisão idem, vamos seguros e irregulares em direção a Macondo Iaçu. Toda a minha ascendência, toda minha descendência a bordo, encaramos a BR 324 na noite molhada.
Risco. Mas tem que ser assim, para a viagem ficar mais curta, com pernoite em Feira de Santana. No caminho, a lua quarto crescente aparece, a pista está seca, e descubro que centenas, milhares de pessoas também adiantaram a viagem no feriado curto de sábado e domingo. Todos no caminho da roça.
E cá estamos todos em Iaçu Macondo. Dona Edith, feliz, encontrou o bom papo de seu Rubens. Dois viúvos com muita história de vida. Ela 77, viúva de seu Dedé. Ele 86, viúvo de dona Ludu. Jogam buraco e falam do passado. Avó e bisavô dos pequenos. É bacana ver todo mundo sob o mesmo teto. E para completar o clima família e cumpadrio, eis que chegam hoje Nilson, Emília e Caio.

Viva São João.

André vê o céu…

…e as cerâmicas.

Luísa registra a boca de pedra.

Chegamos. É São João.

E os santos velam por dona Ludu

 

Atualizado em 06/06/2008. Progamação São João 2008: veja aqui.

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