Este coco pequeno vai dar um tempo. De hoje em diante, além de modificar o meu modo de vida, estarei por uns dias dedicado ao Ponto a Ponto, blog criado como suporte de um curso sobre cultura digital para 20 monitores de Centros Digitais de Cidadania. O CDC, espécie de lan house pedagógica criada pelo governo para promover a tal inclusão digital ou o Mobral desta era WWW. O curso será de segunda a quinta. Nos três primeiros dias serei aluno e no último virarei… instrutor. Estou tentando levar a sério um curso que me aceita como instrutor.
E estou levando a sério mesmo, incluindo o pânico de atuar na companhia de professores de verdade e de falar para 20 pessoas, monitores dos CDCs, que têm conhecimento real de informática, atividade que aprendo o básico do básico a facão.
Estou levando a sério também porque os pontos de cultura foram a melhor obra deixada por Gil como ministro. Se eu conseguir contribuir, nem que seja um pouquinho, pra este negócio dar certo aqui na Bahia terei realizado algo realmente útil nesta minha vida cinza de barnabé a serviço do discurso oficial, como técnico de assessoria de comunicação, nome bonito para a grande peixaria do discurso oficial.
Sou gaiato o tempo inteiro, não meço palavras no meu dia-a-dia em lugar nenhum, mas diante de uma platéia formal travo, a voz fica trêmula e eu não tenho certeza se estou dizendo o mesmo que estou pensando. Foi assim quando resolvi fazer uma pergunta a Kátia e a Mônica, com microfone, no café literário, lá na feirona de livro. Foi assim, há dois anos, quando falei para um auditório para alunos de Turismo da FIB, desastre relatado aqui .
Sempre fui um aluno relapso, tirando o período em que eu era menino prodígio por decorar e recitar o poema Vozes D’áfrica, de Castro Alves, e tirar o terceiro lugar, com direito a um jogo de panelas de alumínio como prêmio, num quiz show de cartas marcadas, respondendo sobre a origem do homem, num cinema em Castro Alves. Um professor de Ciências me passou um velho volume de uma enciclopédia vermelha e me orientou para estudar um ou dois capítulos, que traziam palavras nunca vistas antes como australopithecus, pitecantropídeo erectus, ou homem de java. As perguntas sairiam apenas dali e isto o auditório não sabia.
Na Ufba, estudante medíocre que detestava o discurso acadêmico. Apenas no primeiro ano na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou, fui CDF, interessado em ganhar 10 rublos a mais no estipêndio, mimo soviético para estudantes que tiravam notas acima de oito e que dava direito ao fim do curso a obter um diploma na cor vermelha, suprema distinção. Este esforço me ajudou a não ser preso e deportado ao praticar nos jardins da Catedral de Santo Isaac, em Leningrado, antiga e atual São Peterbusgo, o ato que segundo Cazé deveria ser tombado como patrimônio imaterial da Bahia: mijar na rua. Tinha apenas como atenuantes o fato de ser duas da manhã, horário em que não havia banheiros públicos abertos e de ter mirado a grama. Não adiantou. Veja o fesfecho do tal ato aqui.
Ato que hoje abomino e que na quinta feira testemunhei sua prática num limite extremo. O sinal abriu na ladeira de Santana, por volta das sete da noite, e o carro da frente não andava. Vi então o motorista em pé atrás da porta aberta e pensei que o carro havia quebrado. O filete liquido ladeira abaixo encerrou o enigma. Cazé é testemunha.
Voltarei a escrever neste Licuri após o curso e após concluir um compromisso, que beira um TOC: só fazer um novo post depois de responder a todos os comentários em aberto. Muitos comentários, a maioria, nem pedem resposta. Não sou portador de TOC, mas eu e Roberto Carlos – talvez algumas baleias – sabemos a força de um compromisso TOC.
Falar em RC vou me organizar para ir ao show dele no dia 03 de outubro. Quero pelo menos ter visto um dos três principais soberanos da nossa monarquia Brasilis em ação, já que perdi o rei do futebol e o rei do baião.