Posts Tagged ‘A que será que se destina?’

O que foi feito de Ivan?

08/06/2009

A Seta 01 pg 03

A Seta 01 pg 03 - Cópia

Imagino  a alegria do menino ao ver seu texto publicado no jornal da cidade, num outubro de 1956.  O que foi  feito de Ivan e do seu sonho? Deixei esta pergunta para Vespasiano Neto, editor do Comocoxico e sucessor de Vespasiano Filho na tarefa de narrar os acontecimentos da cidade de Caculé.

Macaco olha para o rabo

05/06/2009

blogueiro - Cópia

Recebi  pela caixa dos pelos a imagem acima, desferida  por Chico Muniz desde a caixa de comentários do post anterior.  Olhei então para o traseiro gordo sentado nesta cadeira e fiz as contas. O tempo médio de tela do fabuloso corpo humano aqui imobilizado diante do computador  tem superado, em muito,  as seis horas que o  xará Marcos  passa parado a bordo do seu escafandro,  na rótula do Abacaxi. Ele ainda leva  a vantagem de receber R$ 30 + R$ 10 para o lanche.
Obrigado, Chico. Fui…

É dose

04/06/2009

Depois de  bilhões e bilhões de anos de evolução desde o surgimento da primeira  ameba ou, segundo a versão aprendida por mim no catecismo, já criado pronto e acabado,  à imagem e semelhança de Deus, o corpo humano se transformou num organismo complexo. É capaz de ficar de pé, de andar, de correr, de criar, de produzir, em atividades múltiplas. Somos uma combinação quase perfeita de células das mais variadas formas e funções, dentre elas os fabulosos neurônios, tudo na medida certa. O único probleminha de fabricação, talvez  insolúvel, é a dosagem de criatividade.

post 1

Rótula do Abacaxi, ontem, às 11:40.

Sacanagem cósmica

25/05/2009

“¿Por qué justo a mi tenía que tocarme ser yo?”

 

Pergunta que  também muitas vezes me faço, de  autoria da filósofa argentina incompreendida Susana Beatriz Chirusi.

A tinhosa escapou

20/05/2009

O besta aqui não sabia. As Aracélias são imortais que nem os vampiros. Comecei a desconfiar quando uma delas, a de Chorik, veio me sacanear aqui na caixa de comentários. Mas veio por e-mail o socorro de um outro amigo, que prescreveu o equivalente a madeira, cruz e alho para espantar a coisa: espelho. Devolver o problema para a Aracélia na forma de espelho. Toma que o problema é teu. Pronto, ela choraminga, diminui de tamanho e vai chorar em outra freguesia. O problema então com Aracélia parece parcialmente resolvido.

Escorraçada Aracélia, estou de braços dados com a moça Poliana. Ao ir à esteira novamente hoje e lembrar e rir da queda de Maria, seguida de palavrões cabeludos, tomei um pico de uma droga radioativa e fui para um tubo tirar chapa colorida do músculo involuntário que pulsa por você. Junto com a radiotividade da droga veio uma certa dose de otimismo, de reflexão, de uma vontade mais concreta de rever muitas coisas. Mesmo com a alma grande, será que tudo, tudinho mesmo, vale a pena? Resolvi então  botar um quase antes do tudo do poeta.

Na ante-sala (essa porra perdeu o hímen, como diz Bernardo, ou grudou e ganhou mais um s?) ao lado dos meus parceiros na fila do exame me vi retratado diante de três clones, todos com uma pança instalada abaixo do peito, a cara meio amarga com vincos acentuados em arco para baixo, como anda a minha, semelhante e uma daquelas duas máscaras que simbolizam o teatro. Todos os meus clones estavam tristes e assustados. Mas eu, de braço dado com Poliana, estava sereno e tranqüilo.

Menos. Tava um pouco assustado. Tenho um medo da zorra de hospital, “esqueci” de um exame que era pra ser feito ontem, esqueci de marcar a próxima consluta, mas ainda não fugi como das outras vezes. Esta história de coração é que nem o amor, mexe com a minha cabeça e me deixa assim, por conta da lembrança do velho Dedé, meu pai. Coração é o grande auxiliar da velha da foice lá em casa.

P.S: Tá vendo como Aracélia é tinhosa?
Apenas o primeiro parágrafo deste post é da minha autoria. O restante foi escrito por ela. A sacana escapou dos meus dedos e, como a parceira dela lá de Chorik, assumiu a minha personalidade e veio fazer um draminha básico por conta de uma simples cintilografia. Mas saquei o espelho e ela se ajoelhou, pediu perdão e prometeu dar um tempo.
Se pique Aracélia!

Aracélia, a náufraga

19/05/2009

Aracélia era baixinha, curvada, bochechas rosadas, tinha a aparente inocência dos gorduchinhos. Olhos verdes, cabelos loiros e desgrenhados, usava franja. A voz era baixa, lamentosa, as coisas pareciam sempre mais difíceis para Aracélia. Era daquelas criaturas que você não consegue imaginar dando uma bela gargalhada.

Pois bem.

Um belo dia, Aracélia soltou mais um de seus lamentos. Ia se ferrar na prova da segunda-feira. Perigava não conseguir os 60 pontos exigidos para evitar a temida recuperação da Escola Técnica. Euzinho aqui, sempre solidário e sabichão, resolvi dedicar o meu sábado a ajudar Aracélia. Passei o dia todo ensinando o que eu sabia.

Aracélia, coitada, nada sabia. Os olhos verdes e tristes de Aracélia só enxergavam as próprias dificuldades.

Veio a prova e o final previsível.  Aracélia se deu bem e eu me ferrei. Caiu pouco do que eu sabia e ensinei a Aracélia e mais do que eu não sabia e Aracélia, a coitadinha, me sonegou.

Os problemas das Aracélias da vida são sempre mais urgentes, maiores, mais importantes do que os dos demais, que, aliás, não têm problemas. As Aracélias estão sempre mal, sempre a ponto de se afogar, jogam os braços em todas as direções em busca de ajuda.

Pois bem 2.

Estou com os dois polegares no pescoço da Aracélia que descobri habitar em mim. E mantenho sua cabeça abaixo da linha d’água.

Já suspeitava da sua existência, mas, num insight, percebi que ela é bem mais real, mais forte, mais presente,  mais atuante e mais resistente do  que eu imaginava.

Os polegares continuarão firmes até a borbulha  final.

Só então estarei  apto a dar uns cascudos e puxões de orelha bem dados nas Aracélias alheias que doravante atravessarem o meu caminho.

Resmungador eletrônico

14/05/2009

Descobri a  utilidade do Twitter. É um excelente resmungador eletrônico em 140 caracteres. Já deixei lá o meu resmungo de hoje:

Desafio alguém a provar a existência da continuidade, da linha reta e dos 100% na natureza. Por isso vou caminhar na orla e foda-se o resto.

Atualizado uma hora depois:

A brisa marinha me devolveu um pouco de lucidez: não alcanço nem 30% do que me proponho a fazer, vivo em círculos há anos e um sismograma perde em descontinuidade para o meu gráfico existencial. Portanto, pé no chão e tratar de fazer uma agendazinha, um planozinho de metas porque uma burocratizadinha e canja de galinha não fazem mal à vida torta de ninguém.

Ofícios semelhantes

13/05/2009

De olho no exemplo do Dr. Bernardo, que deu um basta bem dado, gostaria muito, muito mesmo, de entregar  muitos ofícios semelhantes vida afora, a partir de agora. Principalmente porque descubro  na coragem do outro que já tenho redigido muitos deles, que dormem nos escaninhos da falta de iniciativa e da procrastinação. Apenas redijo, muitas vezes inconscientemente,  numa decisão silenciosa, irredutível. Mas não entrego o bendito a quem de direito. Aí o ofício redigido e não entregue faz os seus estragos. Aí fico devedor daquilo que não concordo, que não quero pra mim. Aí então deduzo que preciso, urgentemente, entregar muitos ofícios. O mais fácil,  ou difícil, é que  a maioria não é para ser entregue a outra pessoa. A maioria dos meus ofícios urgentes,  necessários, redigidos e não entregues é endereçada a mim mesmo. Valei-me Santo Expedito.

Professor por um dia

25/04/2009

Este coco pequeno vai dar um tempo. De hoje  em diante, além de modificar o meu modo de vida, estarei por uns dias dedicado ao Ponto a Ponto, blog criado como suporte de um curso sobre cultura digital para 20 monitores de  Centros Digitais de Cidadania. O CDC, espécie de lan house pedagógica criada pelo governo para promover a tal inclusão digital ou o Mobral desta era WWW. O curso será de segunda a quinta. Nos três primeiros dias serei aluno e no último virarei… instrutor. Estou tentando levar a sério um curso que me aceita como instrutor.

E estou levando a sério mesmo, incluindo o pânico de atuar na companhia de professores de verdade e de falar para 20 pessoas, monitores dos CDCs, que têm conhecimento real de informática, atividade que aprendo o básico do básico a facão.

Estou levando a sério também porque os pontos de cultura foram a melhor obra deixada por Gil como ministro. Se eu conseguir contribuir, nem que seja um pouquinho, pra este negócio dar certo aqui na Bahia terei realizado algo realmente útil nesta minha vida cinza de barnabé a serviço do discurso oficial, como técnico de assessoria de comunicação, nome bonito para a grande peixaria do discurso oficial.

Sou gaiato o tempo inteiro, não meço palavras no meu dia-a-dia em lugar nenhum, mas diante de uma platéia formal travo, a voz fica trêmula e eu não tenho certeza se estou dizendo o mesmo que estou pensando. Foi assim quando resolvi fazer uma pergunta a Kátia e a Mônica, com microfone, no café literário, lá na feirona de livro. Foi assim, há dois anos, quando falei para um auditório para alunos de Turismo da FIB, desastre relatado aqui .

Sempre fui um aluno relapso, tirando o período em que eu era menino prodígio por decorar e recitar o poema Vozes D’áfrica,  de Castro Alves, e tirar o terceiro lugar, com direito a um jogo de panelas de alumínio como prêmio, num quiz show de cartas marcadas, respondendo sobre a origem do homem, num cinema em Castro Alves. Um professor de Ciências me passou um velho volume de uma enciclopédia vermelha e me orientou para estudar um ou dois capítulos, que traziam palavras nunca vistas antes como australopithecus, pitecantropídeo erectus, ou homem de java.  As perguntas sairiam apenas dali e isto o auditório não sabia.

Na Ufba, estudante medíocre que detestava o discurso acadêmico. Apenas no primeiro ano na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou, fui CDF, interessado em ganhar 10 rublos a mais no estipêndio, mimo soviético para estudantes que tiravam notas acima de oito e que dava direito ao fim do curso a obter um diploma na cor vermelha, suprema distinção. Este esforço me ajudou a não ser preso e deportado ao praticar nos jardins da Catedral de Santo Isaac, em Leningrado, antiga e atual São Peterbusgo, o ato que segundo Cazé deveria ser tombado como patrimônio imaterial da Bahia: mijar na rua. Tinha apenas como atenuantes o fato de ser duas da manhã, horário em que não havia banheiros públicos abertos e de ter mirado a grama. Não adiantou. Veja o fesfecho do tal ato aqui.

Ato que hoje abomino e que na quinta feira testemunhei sua prática num limite extremo. O sinal abriu na ladeira de Santana, por volta das sete da noite, e o carro da frente não andava. Vi então o motorista em pé atrás da porta aberta e pensei que o carro havia quebrado. O filete liquido ladeira abaixo encerrou o enigma. Cazé é testemunha.

Voltarei a escrever neste Licuri após o curso e após concluir um compromisso, que beira um TOC: só fazer um novo post depois de responder a todos os comentários em aberto. Muitos comentários, a maioria, nem pedem resposta. Não sou portador de TOC, mas eu e Roberto Carlos – talvez algumas baleias – sabemos a força de um compromisso TOC.

Falar em RC vou me organizar para ir ao show dele no dia 03 de outubro. Quero pelo menos ter visto um dos três principais soberanos da nossa monarquia Brasilis em ação, já que perdi o rei do futebol e o rei do baião.

Susan me segue

24/04/2009

Hoje é sexta-feira e eu fui ao médico. Hoje é sexta-feira e eu fui trabalhar. Hoje é sexta-feira e eu estou depressivo. Exame mostra coração mais ou menos. Claro, 48 anos, mais velho que Susan Boyle, IMC lá no alto, stress, corre-corre, queria o quê? Coração de atleta? Tenho medo. Saí do exame cantarolando É preciso saber viver, é preciso saber viver. Bolei um post que teria o título Carpe Diem, decisão de mudar de vida, mudar o rumo da vida. Só decisão, porque mudar é quase impossível, mudar só é fácil de boca.  Susan Boyle apareceu em minha vida hoje pela manhã, via Contardo Galigaris de ontem lido por Soraya. Eliene, a moça que trabalha aqui em casa também conhece Susan Boyle, viu na Record. Enquanto aguardava a esteira que me revelaria coração claudicante, Susan Boyle aparece na TV da clínica lotada. No trabalho todos já conhecem também Susan Boyle. Luísa agora ri da charge de Maurício Ricardo, no Uol e vê entrevista no You Tube em um canal no Canadá. Susan Boyle sabe cantar e eu nem isso. Sem chances. Virei professor por um dia. Quinta-feira vou falar sobre blogs.  Susan Boyle sabe cantar e eu tento fazer blog.

Um minutinho só

18/04/2009


Filme de Maurício Lídio Bezerra, estudante de comunicação da Ufba,  vencedor da categoria celular, do Grande Prêmio **** do Cinema Brasileiro. Os asteriscos são o nome de uma operadora de extorsões, como absolutamente todas as que operam enfiando a faca e prestam serviços porcos neste Brasil varonil.  Mas o filme é bacana. Em um minuto o cara construiu uma bela(?) história.

P.S: leia mais sobre Maurício e sobre a premiação no blog Cultura Digtal Bahia.