Posts Tagged ‘Blogar ou não blogar’

Professor por um dia

25/04/2009

Este coco pequeno vai dar um tempo. De hoje  em diante, além de modificar o meu modo de vida, estarei por uns dias dedicado ao Ponto a Ponto, blog criado como suporte de um curso sobre cultura digital para 20 monitores de  Centros Digitais de Cidadania. O CDC, espécie de lan house pedagógica criada pelo governo para promover a tal inclusão digital ou o Mobral desta era WWW. O curso será de segunda a quinta. Nos três primeiros dias serei aluno e no último virarei… instrutor. Estou tentando levar a sério um curso que me aceita como instrutor.

E estou levando a sério mesmo, incluindo o pânico de atuar na companhia de professores de verdade e de falar para 20 pessoas, monitores dos CDCs, que têm conhecimento real de informática, atividade que aprendo o básico do básico a facão.

Estou levando a sério também porque os pontos de cultura foram a melhor obra deixada por Gil como ministro. Se eu conseguir contribuir, nem que seja um pouquinho, pra este negócio dar certo aqui na Bahia terei realizado algo realmente útil nesta minha vida cinza de barnabé a serviço do discurso oficial, como técnico de assessoria de comunicação, nome bonito para a grande peixaria do discurso oficial.

Sou gaiato o tempo inteiro, não meço palavras no meu dia-a-dia em lugar nenhum, mas diante de uma platéia formal travo, a voz fica trêmula e eu não tenho certeza se estou dizendo o mesmo que estou pensando. Foi assim quando resolvi fazer uma pergunta a Kátia e a Mônica, com microfone, no café literário, lá na feirona de livro. Foi assim, há dois anos, quando falei para um auditório para alunos de Turismo da FIB, desastre relatado aqui .

Sempre fui um aluno relapso, tirando o período em que eu era menino prodígio por decorar e recitar o poema Vozes D’áfrica,  de Castro Alves, e tirar o terceiro lugar, com direito a um jogo de panelas de alumínio como prêmio, num quiz show de cartas marcadas, respondendo sobre a origem do homem, num cinema em Castro Alves. Um professor de Ciências me passou um velho volume de uma enciclopédia vermelha e me orientou para estudar um ou dois capítulos, que traziam palavras nunca vistas antes como australopithecus, pitecantropídeo erectus, ou homem de java.  As perguntas sairiam apenas dali e isto o auditório não sabia.

Na Ufba, estudante medíocre que detestava o discurso acadêmico. Apenas no primeiro ano na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou, fui CDF, interessado em ganhar 10 rublos a mais no estipêndio, mimo soviético para estudantes que tiravam notas acima de oito e que dava direito ao fim do curso a obter um diploma na cor vermelha, suprema distinção. Este esforço me ajudou a não ser preso e deportado ao praticar nos jardins da Catedral de Santo Isaac, em Leningrado, antiga e atual São Peterbusgo, o ato que segundo Cazé deveria ser tombado como patrimônio imaterial da Bahia: mijar na rua. Tinha apenas como atenuantes o fato de ser duas da manhã, horário em que não havia banheiros públicos abertos e de ter mirado a grama. Não adiantou. Veja o fesfecho do tal ato aqui.

Ato que hoje abomino e que na quinta feira testemunhei sua prática num limite extremo. O sinal abriu na ladeira de Santana, por volta das sete da noite, e o carro da frente não andava. Vi então o motorista em pé atrás da porta aberta e pensei que o carro havia quebrado. O filete liquido ladeira abaixo encerrou o enigma. Cazé é testemunha.

Voltarei a escrever neste Licuri após o curso e após concluir um compromisso, que beira um TOC: só fazer um novo post depois de responder a todos os comentários em aberto. Muitos comentários, a maioria, nem pedem resposta. Não sou portador de TOC, mas eu e Roberto Carlos – talvez algumas baleias – sabemos a força de um compromisso TOC.

Falar em RC vou me organizar para ir ao show dele no dia 03 de outubro. Quero pelo menos ter visto um dos três principais soberanos da nossa monarquia Brasilis em ação, já que perdi o rei do futebol e o rei do baião.

OK, vocês venceram, conto (quase) tudo

02/02/2009

cadamento-11Dia 02 de fevereiro de 1994. Igreja matriz de Feira de Santana.

1 – Só não  respondo a perguntas difíceis, como por exemplo, sobre a existência ou a natureza de deus, sobre o aborto, a eutanásia, a pena de morte e as cotas. A depender da hora, do impacto de um fato ou dos argumentos de um texto bem feito sobre cada um destes assuntos, posso ter opiniões absolutamente opostas em fração de segundos.

2 – Sou preconceituoso. Por isso muitas vezes me surpreendo com as pessoas, para o bem e para o mal. 

3 – Tenho uma faca na língua. Mas não apito quase nada sobre a ação desta lâmina invisível e na maioria das vezes não tenho a menor idéia de quando ela age. Muitos amigos já se queixaram disso.

4 – Tenho alergia a burrice, a arrogância e a desonestidade.  Os três combinados, então, me levam à beira de um edema de glote, embora esta opinião não  seja atestado de inteligência, humildade ou honestidade. Até aceito inteligência combinada a arrogância ou burrice a honestidade. Desonestidade, tô fora!

5 – Sem o Google eu  não teria coragem de ter um blog, talvez nem mesmo de mandar e-mails.

6 – Adoro televisão. Assisti às primeiras versões de A Grande Família e Irmãos Coragem na televizinha. Mas quando  compramos uma ABC,  aquela em que se mudava de canal girando um botão, comecei minha intensa vida sexual  comigo mesmo,  ao som de Ô Terezinha, Ô Terezinha.

Estourei a cota, sou péssimo em matemática, e falta contar o essencial seguinte:

7 – Completo hoje exatos 15 anos de casado com minha sereia Sorayá, rainha do meu mar, mãe dos meus filhos, que me faz um navegador  e que aportou na minha vida há exatos quinze anos e menos de  seis meses, desde um 14 de agosto de muito bom gosto. Odoyá!

 

Sobre os blogs da hora:

 

1- Noticias do interior
2 – Aeronauta
3 – Continhos para cão dormir
4 – Blag
5 – Já matei por menos
6 – Ingresia

 

Como dali pra’qui não deu ainda  pra aprender matmática, perco as contas novamente, por causa do último, que tem me deixado incutido:

 

7 – Maria Muadiê

 

Foi difícil a seleção, muitos ficaram de fora, mas a graça da brincadeira é justamente  o aperto de escolher. Por isso, recomendo minha lista toda de amigos e e-amigos ai do lado, onde também estão os links.  Cada um deles entrou na lista  porque um dia li e gostei.

Valha-me meu Santo Antõnio da Anta Gorda

23/01/2009

Depois de chorar o Chorik que se mandou, apenas por uns tempos, espero, foi a vez de constatar o fim da Menina da Ilha.  Paulo Galo já havia parado e Maria Fabriani não posta desde o primeiro Advento do ano que passou.  Blog é um negócio cíclico, como época de gude e arraia e de tudo o mais nesta vida.

Mas ainda tenho gás e estou aqui me coçando para contar a tal viagem, nascida de uma entrevista com um médico de 85 anos. Na verdade a mãe de tudo é Soraya, que vinha  sugerindo há algum tempo uma viagem de férias, não seria  tão caro assim, poderíamos achar uns chalezinhos em conta para acomodar todo mundo. E achamos.

A última viagem da renca de férias, noves fora Natal e São João para Iaçu, Conquista e Minas, foi há seis anos para Igatu e Andaraí, quando Maria sequer existia. Teve o reveilon do ano retrasado, na Ilha, com  Marcinha, mas foi uma coisa rápida. Ano passado passei janeiro trabalhando.

A  tal entrevista foi decisiva. O sujeito já viajou o mundo, todos os destinos exóticos imagináveis  e na última pegou o transiberiano, se picou para a Mongólia. Acampou numa tenda mongol com direito a xixi ao relento do frio de rachar Gengis Khan.

Então pensei  cá com meus botões, dinheiro não tenho para ir tão longe mas tenho uma barraca e uma renca. Por que não?

Pensamos inicialmente em  Camamu e Barra Grande, mas optamos pelo Pratigi, onde estive há dez anos a trabalho, na inaguração da estrada. Mergulhei  naquele mar com roupa e tudo e prometi um dia voltar lá. Voltei.

Tenho algumas destas promessas ainda na cabeça.

Ia a trabalho, passava um, no máximo dois dias, e sonhava, e prometia voltar  com mais calma e com os meus. Nunca havia cumprido sequer uma destas promessas. A Cachoeira de Tremembé, também no Baixo Sul, Gentio do Ouro, próximo a Xique-Xique,  o Parque Estadual das Sete Passagens, em Miguel Calmon, Correntina, no Oeste, são alguns destes destinos sonhados.

Viajei com a Viagem do Elefante na cabeça, resultado da leitura de presentes de fim de ano. Uma amiga recomendou, com o devido esclarecimento de que era best seller mas era muito bom. Não tenho preconceito com best-sellers. Pra mim tem a vantagem adicional de poder ser lido até o final. Gosto de Saramago, do português de Portugal, que é a mesma coisa sem ser, como o ditado sobre o bom entendedor, para quem até meia palavra sobra.

Lá pelas tantas, ao explicar um deus indiano, ele se refere a um deles que não se preocupava em ter filhos, posto que era imortal. Ao ver Luluthica ansiosa para acordar de madrugada e ir ver o sol nascer, eu me senti meio que continuado nela.

A viagem me colocou mais perto deles e de Soraya. Nos colocou a todos um perto do outro. Demasiadamente perto muitas vezes. Era briga todo dia, mas era grude também.

Já falei sobre o primeiro dia, no post do dia 07, quando saímos às 8h30 da manhã de Iaçu para Ituberá , do licuri em direção ao dendê, com o Vale do Jequiriçá no caminho. Acrescentei no post antigo duas fotos que não entraram naquele dia por dificuldades na lan house.

A Cachoeira dos prazeres, no Rio Jequiriçá, foi ocupada bem ao modo  de quase tudo neste país.  De um lado invadiram os pobres, com seus quiosques movidos a churrasco e arrocha. Na outra margem,  o melhor hotel da região também não se acanha de quase cair dentro d´água para dar conforto e proximidade aos seus clientes. Mas eu não vim aqui para me queixar. A água estava boa e limpa, e ter uma cachoeira no juízo, despencando na cabeça, de fato  é um dos prazeres desta vida.

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Sem palavras

12/12/2008

Fiquei sem palavras lá no Notícias do Interior, deixei um abraço. E hoje acordei pensando no assunto. No assunto de infância, de irmão, de perdas, de blog.
Gosto de escrever neste blog. Gosto mais ainda de ler blogs. E de incutir com alguns deles durante um tempo. No momento estou incutido com o blog de Bernardo. É um incutimento narcísico. Não domino integralmente o significado desta expressão mas o que quero dizer é que me vejo no blog de Bernardo. É como se ele dissesse o que eu gostaria de dizer. É como ele vivesse o que eu gostaria de viver. Neste sentido, o blog é literatura, numa definição limitada e ao mesmo tempo ilimitada do que a literatura é para mim. Sou moderno, sou antigo, sou completamente ignorante, sou sábio, sou tudo ao ler um blog ou a escrever num blog. Eu me emociono ao escrever e ao ler. Enfim, eu vivo, eu vejo e me vejo.
Umas pessoas gostam muito de cinema. Outras de música. Outras de literatura. Eu descobri que gosto, gosto muito, de blogs. Que não é cinema, nem música, nem literatura, nem fotografia, nem pintura e ao mesmo tempo é tudo isso. Blog é gente.
Queria ainda falar sobre a tristeza das perdas, sobre amor de irmão, sobre a alegria e o encantamento da infância. Continuo só com as palavras na cabeça. Mas o que eu ia dizer está de alguma maneira escrito lá, no post Eduardo.

 

 

 

P.S – Iria dar férias ao Licuri. O vídeo seria o último do ano e o cartão de boas festas deste coco pequeno. Continua sendo. Ou não.

Voltei, Obama, cadeiras sem bundas, TDAH, Marcinha

06/11/2008

Não dá certo ficar vários dias sem escrever aqui. Acumula que é uma beleza. Fiz vários posts de cabeça, vamos ver o que sobrou.

 

Constatei há pouco dois mundos no Brasil. O povo que vê  a Globo pela ótica do Jornal Nacional e o povo que lê a Folha. O povo viu na Globo a euforia dos Estados Unidos com a Vitória de Obama, o apoio dos líderes do mundo. O povo que lê na folha, lê que líderes mundiais vêm com ceticismo a vitória. Volto então para pegar o link e a notícia desapareceu. Talvez eles se tenham dado conta do exagero.

 

Estou feliz com a vitória de Obama. Sei que é uma vitória simbólica, embora seja uma senhora vitória simbólica. A real  mesmo é  que nos EUA Democratas e Republicanos são nomes fantasia do mesmo partido, o partido  dos Estados Unidos. Mas não deixa de ser surpreendente ouvir um presidente americano se colocar contra a guerra. Vamos ver na prática.

 

O terceiro é a minha angústia com cadeiras sem bundas nos espetáculos bancados por nosso rico dinheirinho recolhido na forma de impostos. Lembro que assisti A Gaivota, de Tchecov, com o grupo Piolim numa Caixa Cultural com um terço da pequena capacidade do pequeno pátio improvisado como teatro. A entrada era franca.

 

Semana passada fui à abertura do FIAC com a Peça Melodrama, belo espetáculo carioca, a R$ 10 e R$ 20. A parte de cima do TCA completamente vazia e a de baixo com diversos buracos.

 

E neste domingo fomos todos ver a OSESP, talvez a melhor orquestra da América Latina, cujo maestro custa R$ 100.000,00 por mês aos nossos bolsos. Cabiam ainda 2 mil pessoas na concha. Entrada franca. Em Pernambuco o JC publicou entrevista de Neschling. Aqui os jornais não deram muita bola.

 

Soraya participou de um colóquio sobre trabalho forçado e chegou de lá dizendo que havia muitas cadeiras vazias. Tinha pesquisadores  da África, da Europa e de várias partes do Brasil e a terceira cidade do país não completa um auditório.

 

Qual o problema? Seria simplista dizer que faltou divulgação. Falta talvez um tipo específico de divulgação, uma divulgação efetiva, que chegue às pessoas que porventura se interessassem em estar ali. Estas pessoas existem, como chegar a elas é o grande desafio.

 

Não escrevi estes dias porque estava às voltas com prazos estourados. Quando me queixava com as pessoas, todas, absolutamente todas, comentavam algo como: me conte uma novidade.

 

E hoje, às 7h30, tem missa de 30 dias da partida de Marcinha. Na  Igreja da Conceição da praia.

Uma ponta

11/10/2008

Um dos prazeres bestas da vida é descobrir o óbvio, o que todo mundo já sabe, muitas vezes até mesmo nós mesmos.

 

Mas quando a descoberta vem, chega como a água de um mergulho numa praia de água fria em dia de sol.

 

Se eu fosse rebatizar este Licuri, ele se chamaria Uma Ponta. Esta foi a descoberta.

 

Um blog é uma ponta. Ponta de iceberg, ponta de faca, ponta de THC, ponta de filme, ponta de saudade, ponta de lança, ponta-a-cabeça, ponta de felicidade.

 

Tá Boooom!, como diz minha Maria.

 

Mas qual a novidade? É justamente esta.

Um blog, assim com a vida, não passa de uma ponta.

 

É só isso. Ou tudo isso.

FUXICO

19/09/2008

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P.S. Apenas links dos links deste Licuri, numa mostra ínfima da infinita colcha do fuxico universal.

 

 

 

 

Quem te lê, que te compre!

09/09/2008

Mayotte, Ilhas Comores, março de 2008. Foto: Maria Sampaio.

Cadeira no passeio. 31 dias a quebrar ininterruptamente este coco pequeno. O incutido aqui pegou ritmo e gosto. E hoje reedito mais um post do suicidado primeiro Licuri, quando tive pela enésima vez a dúvida: por que estou a fazer isto?

Encontrei no Usina de maio de 2003 um debate interessante (debate antigo hein?), onde todos eram chamados a listar três motivos para ter e três para não ter um blog. Eis um resumo dos meus preferidos:

Para ter:

1) Possibilita a comunicação com quem interessa. Afinidades eletivas, manja?
2) Você expõe os pensamentos com a certeza da resposta (ainda que seja o silêncio)
3) É um vício

E para não ter:

1) Inventei mais uma sarna para me coçar. Não estaria me expondo demais da conta?
2) Você se acostuma a se auto-referenciar… pode virar um Caetano anônimo!
3) É um vício.

Além de todas estas razões, para o bem e para o mal, escrever um blog seria como colocar a cadeira no passeio em frente da casa numa noite de verão. Família e amigos reunidos, uns chegam e ficam no papo mais tempo, outros passam e dão boa noite. E a gente ali assistindo e relatando a vida nossa e a alheia. No passeio a gente fica disponível para ser encontrado, saber o que está acontecendo e pronto para passar adiante o que ouviu somado ao que vai na nossa cabeça.

Aprochegue-se! (27 de dezembro de 2006.)

Estava de férias com a minha renca em Iaçu quando fiz este texto. Ele está atual e o que me motiva a sua republicação é constatar que meu pé de licuri pegou e isto me dá uma grande satisfação existencial. Sempre quis que fosse assim, com as pessoas aqui nesta varanda, nesta roda de coco. Soraya hoje comentou ao vivo: – A roda está animada!

Lembrei também deste post ao ler no  Madame que ela havia acionado a moderação dos comentários. Isto combina com o que Maria Fabriani fala aí embaixo no comentário de então. Note também os embriões do Blog do Galinho e do Sarapatel. E ao reler o comentário de Bel lembrei que ela é sobrinha da professora Candolina, citada recentemente por Bernardo, uma pessoa de quem nunca ouvi a voz mas com quem agora converso diariamente e me fez lembrar também deste post ao apresentar sua bela casa de campo duas em uma e nos convidar para um chá. Maria Sampaio é outra que eu conhecia apenas de vista . Agora não passo um dia sem saber dela e ela de mim, numa amizade real, que levanta o astral, que melhora a vida. E a ela devolvo o elogio recente – que me emocionou porque eu sempre quis ser fotógrafo e até isso este coco pequeno me proporciona – com esta foto aí em cima e a seguinte réplica: fotógrafa é você!

E tem também a situação inversa, como o Blag de Nilson Pedro, um amigo irmão real. Mas no Blog se revela outra pessoa, um senhor poeta. Engraçado é que quando conversamos, conversamos sobre tudo menos sobre poesia.

Claro que quem se mostra aqui é uma persona, como já comentei lá na Aeronauta, outra e-amiga que espantou Maria: – Pensei que vocês se conhecessem, escreveu, quando o assunto era justamente as muitas pessoas contidas em cada um de nossos posts

Mas em qual momento da vida a gente não representa uma, duas ou três destas personas? Quem não vê esta multiplicidade precisa de um espelho, espelho meu. E lembrei também de uma frase pescada por aí que bem explica por que às vezes a gente nem se reconhece no que acabou de escrever, justamente por ser também para nós novidade: “Escrevo para descobrir o que penso”.

Mas quem melhor resumiu a ópera foi minha Soraya, que rogou uma doce praga aos leitores deste coco pequeno: Quem te lê no Licuri, que te compre!

Incutido é pior do que doido…

24/07/2008

…ou do que criança com álbum novo de figurinhas. E quando eu incuto (?) com uma coisa, sai de baixo. No momento, assim como André que só pensa no álbum do Kung Fu Panda, estou incutido com o Site Meter. Finalmente consegui instalar o treco anteontem neste Licuri.

ATUALIZADO EM 06 DE AGOSTO: DE UMA HORA PRA OUTRA O SITE PAROU DE CONTAR. DEI UM RESET E RECOMECEI DO ZERO HOJE.

É  uma viagem. Uma viagem já viajada há muito por blogueiros experientes como Maria (veja aqui o Licuri registrado lá no Site Meter do  Montanha, como visitante 655.028)  ou sabidos o suficiente para aprender rápido como Paulo Galo, que na primeira semana já tirava onda informando o que eu havia feito no seu Blog do Galinho, por onde eu havia entrado e para onde fui. Eu já havia tentado instalar há cerca de um ano o google analytics sem sucesso, talvez por conta do meu inglês the book is on the table.

O site meter é um abelhudo. Você que lê agora estas palavras já ganhou o número 1, ou seja, última visita. Ao clicar em você,  encontro suas pegadas e as dos 100 últimos visitantes. 

A partir de agora, portanto,  eu saberei quanto tempo você passou aqui, quantas páginas você visitou, como entrou, por onde saiu, seu país, Estado, cidade e o IP do seu computador.
Portanto, fale apenas bem de mim.
Claro que isto não é nenhuma novidade. É como aqueles e-mails que circulam anos e de repente você vê um entusiasmado com ele, como quem descobriu a pólvora. Este um sou eu agora com o Site Meter.

Clique e passe o mouse para ver onde estão os últimos 100 que quebraram este coco

 

 

Nem tudo é 100% e muitos registros ficam incompletos, repletos de “unknown”, como o da minha máquina, ainda vou saber o motivo. Mas do ponto de vista do blogueiro, é instigante saber de onde vieram e o que leram os últimos 100 visitantes. Parece que o programa só registra tempo a partir de 15 segundos. A maioria, portanto, fica no zero segundo. É o povo que faz uma busca, vê que aqui não tem o que buscou e sai imediatamente.  Mas tem os que ficam, passam mais de uma hora e visitam 15,  20 posts e até mais. Será que gostaram? Será que riram? Recentemente um confessou lágrimas e eu marejei também ao responder. Foi um sertanejo chamado Geraldo Vianna, com um depoimento sobre o licuri e sua infância, na página é coco pequeno. Mostrei a Soraya e ela viu um sentido maior aqui, o de aproximar pessoas, idéias, sentimentos, memórias.

É como jogar uma garrafa ao mar e constatar que foi encontrada.

Mas me intriga a facilidade com que estes dados sobre você e sua visita são capturados. Imagine então  a quantidade de informação sobre nosotros acumulada pelo google?

 

Mostrando quase tudo

21/07/2008

Em vez de um longo post sobre o lado confessional dos blogs e deste Licuri, resumo tudo novamente nesta tirinha de Angeli. É também uma homenagem a minhas blogueiras viscerais prediletas: Madame K e Aeronauta. Clique na figura para ampliar.

Dez

09/07/2008

Um fio de cabelo é pouco ou muito?  Pouco na cabeça, muito na sopa. Baseado nesta teoria da relatividade de buteco comemoro hoje 10 mil visitas a este pequeno coco desde a véspera do são João do ano passado. Consegui trazer outros blogs anteriores, mas não o Licuri do UOL, que não se entende com o wordpress.
Dez mil é apenas uma referência,  quase um nada se comparado aos números da blogosfera, mas para mim é um senhor número. Mesmo subtraindo uns 9 mil 900 leitores que esbarraram aqui via sites de busca  -  alguns atrás de “buceta”, sem a foto desejada caem fora antes do primeiro verso de Bráulio Tavares – dos cem que sobraram, tenho que abater uns 90, já que o marcador é de páginas e não de visitantes.
Sobraram dez valiosos leitores, cinco deles silenciosos.
Mas é por estes dez leitores, você está entre eles, é que prossigo completamente fisgado por esta minha nova(?) mania, misto de vício e terapia.