Ontem voltei aos meus cinco anos. Luz, muita luz. Cor, todas as cores. Som, o violino ainda reverbera. Movimento. Corpos em movimento, num mix perfeito da babel humana. Realismo fantástico em cena. Dor e alegria. Tudo absurdamente sincronizado, roçando o limite da possibilidade humana. Quidam é um espetáculo do corpo. Não, não é por acaso que eles carregam o título de melhores. E eles são, de fato, os melhores do mundo. Conseguem ser quase tão bons quanto o Tihany dos meus cinco anos. Veja aqui.
A sugestão de pauta estava marcada para 9 da manhã. Do jornal A Tarde vieram Meire Oliveira para o texto e Fernando Vivas para as fotos. Só que o caminhão com as 7 lonas do edital da Funarte destinadas aos circos baianos quebrou em Conquista e só chegaria no final da tarde. Meire se virou, entrevistou os donos de circo e membros da Cooperativa de Circenses da Bahia que ali estavam, entrevistou Anselmo, foi na casa de Jailton, o artista que começou na Picolino e hoje é um dos integrantes do espetáculo Quidam, que o Soleil vai trazer a Salvador. E o texto ficou bem bacana, saiu hoje na página 7 do jornal, alto de página, colorida, enfim, uma senhora matéria. Infelizmente A Tarde não coloca muitos dos seus textos no on line e somente assinantes podem ler (aqui).
E a foto?Um fotógrafo normal xingaria, reclamaria da vida, diria que sem lona não há fotos, voltaria mal humorado pro jornal – conheci muitos destes. Vivas não é nem uma pessoa normal, nem um fotógrafo normal. Não só fez a foto da matéria, numa bela composição com donos de circo e artistas em ação no fundo, como emplacou também a foto do dia na página 2 do jornal (acima). O jornal pediu pra avisar quando as lonas chegassem para mandar outro fotógrafo. Não precisou. Sempre fui macaco de auditório de Vivas. Confira com vagar seu trabalho no Olho da Rua.
E eu estou de volta mais intensamente à Picolino, participando da equipe que prepara uma publicação para os 25 anos da escola, divulgando os cursos.
Conheça mais a Picolino no blog da Escola, no fotolog e neste novo blog específico criado por mim ontem para divulgar os cursos e que ainda está em (argh!) em construção.
O correio também deu duas páginas de seriviço hoje no caderno vida sobre as vantagens das aulas de circo sobre as academias para manter a forma de maneira mais lúdica, com destaque para os cursos da Picolino. A matéria é assinada por Dóris Miranda, as fotos por Angeluce Figueiredo, mas já está fora do ar no site, onde não há a opção edições anteriores. Vou pedir um pdf ao pessoal da redação para colocar lá no blog.
Para completar o dia, encontrei por acaso o recém-criado Picadeiro – A magia do Circo, das jornalistas Cassandra Barteló, Giovanna Castro e Paula Pitta, do curso de pós-graduação em Jornalismo e Convergência Midiática da Faculdade Social da Bahia (FSBA). Muito bacana! Tem vídeos do Quidam postado lá, tem histórias de circo. Vale uma conferida.
Madame K resolveu viver. Eu resolvi imitar a madame, não no viver, mais trabalhoso, mas no modelo do blog. Esta escura teoria do Caos, mesmo que Galinho proteste, combina melhor com o dia de chuva. Gosto de domingos chuvosos, mais ainda de segundas domingueiras chuvosas. As mulheres trabalham (Soraya e Luísa) e eu bebo. Esperamos Maria e André para o almoço. Desde ontem eles foram emprestados para tio Flávio, Lis, Vó Conceição, Lívia e Davi. E por falar em famílias, recebo o e-mail de pai babão de Anselmo Serrat. Sua filha, Luana, venceu como instrutora o circo do Faustão. Vitória também da Picolino diz ele.
E por falar em Picolino, sexta tem uma programação bacana para quem quiser conhecer melhor a Picolino. Vai ter vídeos e performances da Cia Picolino e do Tran-chan, a partir das 8 da noite. E sábado e domingo, 15h30min, tem espetáculo de fim de ano com tosas as turmas.
Desta vez eu peço para não espalhar muito. Convide somente pessoas muito especiais, principalmente quem nunca foi ao TCA. E desta vez a dose é dupla. A primeira é a tradicional, das 10 horas. A gente se encontra no bis, às 19 horas.
É impressionante a força da audiência da Globo. Algumas pessoas que sabem que eu sou colaborador eventual e macaco de auditório do circo me avisaram que viram a matéria. Também tenho aquele sentimento meio estúpido de assessor, que ficar feliz com este tipo de repercussão mas também a consciência de que esta felicidade não passa de uma grande bobagem. A repercussão ajuda, mas não é tudo. Se fossem alinhadas todas as matérias sobre o Picolino que saíram nestes mais de 20 anos do circo e escola de circo daria para ir de Pituaçu a Abaeté e isso não mudou muito a realidade de carência e as dificuldades de Anselmo, que arranca seus últimos grandes fios de cabelos brancos para levar o barco.
Romário de Assis, o garoto que encerra a matéria, enfrentou uma bateria de testes e conquistou o papel de Professor, um dos protagonistas do filme Capitães da Areia,
Clique na imagem para ver o vídeo
Falar em Anselmo, foi ele que deu a senha: L’Oratorio d’Aurélia é imperdível (clique aí e veja o depoimento de um dos que piraram com o espetáculo). Anselmo viu uma performance da protagonista num festival de circo e recomenda.
E por falar em Picolino e Anselomo, encontrei casualmente uma das envolvidas na produção do Picolino no TCA no ano passado e ela sugeriu que eu repetisse a dose de um spam que deu certo.
Seguinte: o medo de cadeiras vazias na apresentação num domingo pela manhã, em um projeto recém-lançado, fez com que eu disparasse mais de 1500 e-mails para a as minhas listas e para a rede do circo. O e-mail pedia que as pessoas convidassem quem nunca havia ido ao TCA. Não sei o grau de influência do e-mail mas não só o teatro lotou como houve necessidade de sessão extra. Fiquei com a fama. Resolvi aceitar a sugestão e vou repetir a dose. Caso você queira entrar na corrente é só copiar, alterar o que achar conveniente e enviar para a sua lista o sequinte e-mail:
Você que gosta de teatro, de gente, de circo, de poesia – não necessariamente nesta ordem – pode ser patrocinador cultural. E terá que fazer apenas duas coisas: repassar este e-mail e levar a informação contida nele para quem não tem acesso à internet.
Explico: muito provavelmente as pessoas que trabalham na sua casa, na portaria do seu prédio, ou nos serviços gerais do seu trabalho nunca foram ao Teatro Castro Alves. Se estas pessoas tiverem filhos, possivelmente eles também não. E certamente nem pensariam em ir ao Oratório de Aurélia, espetáculo internacional que mistura circo, teatro e ilusionismo e encerra sua turnê no Brasil neste domingo, dia 03, às 19 horas. Os ingressos custam R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia. Mas você pode informá-las que no mesmo domingo, às 11 da manhã, o espetáculo será 60 vezes mais barato, com inteira a R$ 1,00 e meia a R$ 0,50. Mas também é importante lembrar para seu convidado chegar pelo menos uma hora mais cedo. Para eliminar a ação dos cambistas, o teatro vende o ingresso na catraca, na hora da entrada. Bom espetáculo!
Quando pequeno fiquei impressionado com um filme sobre um acidente fatal no trapézio. Não lembro quase nada, mas acho que ele me influenciou a sempre temer cenas de risco e fechar os olhos. A deixa é o repique do tambor antes da parte mais difícil, o clímax, quando o impossível nos surpreende – e aí está a graça – mas onde o possível também acontece.
E aconteceuna sexta, na última das seis apresentações da temporada de estréia do espetáculo Histórias Contadas de Cima, quando Carol, uma das cinco artistas encontrou o chão. Eu poderia estar lá com a minha renca, mas fomos auma programação dos colegas de André para a estréia de Nárnia. Deixei pra ver numa próxima temporada, agora incerta.
Só soube no dia seguinte, quando levei Luísa para a aula de circo e encontrei uma das colegas das meninas chorando ao telefone.
A gente sabe que circo envolve risco, que desafiar a gravidade é uma brincadeira milenar que já resultou em muitos acidentes. Às vezes cabe a alguém pagar o preço. E ele é alto. E quando é com pessoas que a gente conhece e que, por um motivo ou outro está envolvido com o trabalho, toca mais. E imagino também o estrago na cabeça e na alma das outras quatro. Futuquei em busca de algo escrito que me ajudasse a entender e encontrei este livro aí de cima, de Guilherme Veiga, resultado de uma tese. O autor frequentou a Escola Nacional de Circo para viver o que estava investigando. O livro é póstumo, porque Guilherme morreu num acidente. De carro.
Equipe de rede em ação. Em breve, a Escola Picolino de Artes do Circo no JN.
São 3 horas da manhã quando, depois de colocar a foto aí em cima, começo a regidir este post. Soraya não agüentou o sono e foi dormir sem ver a homenagem a Noel Rosa no Som Brasil. Eu vi, não gostei de um certo artificialismo nas interpretações, e espero coisa melhor no próximo, dedicado a Raul Seixas. No momento, enquanto digito, FHC dá uma velha aula sobre multilateralismo e a crise internacional na TVE. Até agora não ouvi nada interessante no que ele está falando. Só a suspeita de que o ex deve sonhar algum dia ocupar algum cargo na ONU ou em outro destes orgãos multilaterias que permitam muitas, muitas viagens, esporte predileto de presidente que ele não pode mais praticar sem enfiar a mão no bolso.
Mas resolvi postar motivado pela grande notícia do dia: a equipe de rede da TV Bahia gravou durante toda a manhã matéria no Picolino, pautada para o Jornal Nacional. Pressinto que a Picolino esteja prestes a dar o grande salto, um velho sonho do velho guerreiro Anselmo. Vamos ver no que isso vai dar.
Negro gato
Na verdade devia está postando aqui sobre o tal gato premonitor, como já cobrou Nilson. Não sobre a notícia em si, mas sobre a rapidez com que ela se alastrou e deverá ainda se alastrar pelo mundo nos próximos dias.
Assistia ontem ao Jornal da Globo quando vi a matéria pela primeira vez. Minutos depois já estava no IG, com um link para o site da BBC. Ao acordar, olha a notícia de novo na boca de Boechat, na Band News, que prometeu dá uma bicuda no bichano se ele aparecer por perto.
Seguramente, mais de um bilhão de pessoas hoje no mundo deve ter sido atingido pela notícia, em si bastante prosaica, mas que toca em temas universais como a morte, a premonição e a ciência. E gatos. Liguei para Nilson, um cara entendido de gatos, não no sentido que você neste momento por acaso esteja pensando, mas como um dos donos de Chico, um negro gato que parece gente e que pertence também a Emília e Caio. Chico já provocou uma guerra homérica no condomínio quando era macho e costumava fazer barulho em busca das gatas do Rio Vermelho. Castrado, tornou-se silencioso e costuma descansar em cima do monitor do computador. Eu consigo imaginar Nilson com toda a paciência do mundo a deslocar por várias vezes o rabo do bichano da frente da tela para continuar trabalhando.
Lembrei de Nilson porque eu estava no trânsito e não tinha o google à mão para completar meu post mental. A idéia era argumentar que em poucas horas esta notícia do gato deve ter atingido mas gente do que alguma outra relacionada a gatos que tenha acontecido há algumas décadas.
Bingo. Nilson era um dos mais de um bilhão de pessoas que já sabiam da história e como um raro exemplar daquilo que antigamente a gente chamava de enciclopédia ambulante não só lembrou da história do gato de Winston Churchill, que teria acompanhado o dono no momento da morte, como também sobre a teoria da física quântica que diz, segundo entendi, que a probabilidade de um gato que você colocou dentro de uma caixa esteja vivo é de 50%. Não porque a caixa seja abafada ou coisa que o valha, mas por conta da nossa impossibilidade de garantir as coisas que não estejam sob o alcance dos nossos sentidos. E ainda tirou onda dizendo que havia postado antes da notícia um poema sobre esta tal teoria e que tem justamente um gato preto como ilustração. De fato o cara escreveu um belo poema intitulao Caixa- preta, no dia 25, portanto antes do artigo sobre Oscar, mas eu nem tinha notado o gato preto na caixa nem a teoria quântica contida no poema. O cara joga as cajá como dizem por aqui.
Depois de gastar uma fortuna de celular e correr o risco de receber a milionésima multa de trânsito neste longo papo cabeça com Nilson, que incluiu também a informação dele sobre a estratégia dos persas de colocar gatos a frente do exército como escudo contra os egípcios que os adoravam, cheguei ao trabalho e não tive mais tempo de pensar no post. Mas ao acessar a lista dos jornalistas para pirraçar um pouquinho os companheiros de plantão eis que já estava lá o link para um blog Forquilha, de Vanda Amorim, que falava justamente… de Oscar.
Vou continuar seguindo esta notícia para ver até onde ela vai. FHC agora fala na televisão do sonho de uma sociedade civil planetária que pudesse evitar a guerra, sugerida por um utópico mas não me atrai para a sua aula. Talvez a utopia da paz só se concretize no dia em que a gente entender de fato como os bichos conseguem pressentir a morte.
P.S Fui pesquisar como se escreve Winston Churchill e encotrei esta página sobre gatos.
Olha só a cara do Oscar… foto
Atualizado em 29/07 – Exagerei na estimava, mas não muito. Uma geral na rede revela que o assunto foi notícia no mundo todo. Distribuída pela Associated Press(AP, saiu nos sites dos principais jornais. Esteve entre as cinco mais acessadas na CNN e teve direito a vídeo no Fox News. No Yahoo actualités a foto acima esteve entre as 10 mais vistas nos últimos dias. A busca casada de “oscar the cat” e “The New England Journal of Medicine” no goggle gerou 91.600 registros. E isto não é pouco. Jogue apenas “oscar the cat” google e veja a dimensão do alcance desta história “banal”.
Mas o melhor comentário que vi foi mais ou menos o seguinte (infelizmente, perdi o link):
Não seria uma inversão de causa e efeito? O gato, a chegar no quarto, não estaria provocando a morte do paciente? Perguntou alguém num comentário de notícia de um site americano.
Neste caso teríamos o primeiro caso de um gato serial killer da história.
Atualização: Veja aqui a matéria citada no em breve lá do início do post.
Foi muito bacana ver mais de sessenta crianças vivas, alegres, tensas, felizes. E mais de duas centenas de amigos e familiares celebrando com eles a alegria de se manifestar, de se apresentar. E os instrutores, e a banda, e toda a equipe da Picolino sintonizados com o trabalho.
Confira aqui a matéria de Ciro Brighan, do Correio da Bahia, que foi ontem cobrir o espetáculo dos meninos do Nordeste de Amaralina.
Em russo, bolshoiquer dizer grande. Temos também na Bahia o nosso bolshoi teatro Castro Alves, no Campo Grande. E o nosso grande teatro da Praça Dois de Julho vive dias agitados. Seus 1554 lugares têm sido tomados de assalto por crianças, jovens, adultos e idosos, saídos dos mais improváveis cantos da cidade aos domingos pela manhã. Em março foi o balé, em abril o circo, em maio será o teatro e em junho a música da Orquestra Sinfônica da Bahia.
Para o domingo reservado ao Circo Picolino foi necessária uma sessão extra, ao meio-dia. E a dupla sessão lotada contrariou aquela antiga marchinha que diz que todo mundo vai ao circo menos quem não tem dinheiro para pagar ingresso e fica de fora escutando as gargalhadas. Ficava, porque o ingresso da matinê do TCA custa R$ 1. Crianças e estudantes pagam 50 centavos.
Como que saída do nada, também surgiu uma tropa de vendedores de pipoca, água e refrigerante. Este pequena divisão do nosso exército de ambulantes, com faro aguçado para aglomerações, transformou a calçada em frente do teatro em quermesse.
No palco – ou picadeiro – o povo se viu na cena do ônibus lotado. Passageiros contorcionistas jogados para cima, de cabeça pra baixo, enroscados um nos outros por freios de arrumação, representaram com humor o cotidiano bizarro dos ônibus lotados da nossa cidade. Mas o público se viu também no trapézio, nos tecidos, na pirâmide humana, nos saltos, no hip hop e na poesia de Mario Quintana e Maikoviski. E aplaudiu do começo ao fim o premiado espetáculo cenascotidianas@cir.pic. .
Muitos ali na platéia viviam a primeira experiência de circo e de Teatro Castro Alves. Quem não se lembra da primeira vez em que entrou no TCA, nosso maior teatro?
O preço do ingresso facilita esta primeira experiência para muitos. Mas há ainda o custo do transporte. Para uma família que mora na periferia, só o deslocamento para o teatro pode representar 20% do salário. A Picolino fez então uma campanha de marketing viral, num e-mail que trazia esta conta detalhada e o pedido para que as pessoas se transformassem em patrocinadora do transporte de quem não pudesse pagar. E desse a oportunidade a alguém que trabalhasse em suas casas, edifícios ou empresas de ir ao teatro. Deu certo.
Este foi o segundo espetáculo do projeto Domingo no TCA, uma iniciativa de formação de platéia fundamental para a democratização dos espaços públicos, construídos e mantidos com recursos da sociedade. Foi um domingo histórico para a Picolino. E também para o nosso jovem grande teatro, que colhe aplausos populares para comemorar os seus 40 anos
Publicado na página 3, Opinião, do Jornal A Tarde de 21 de abril de 2007.
Tenho uma relação pra lá de esquisita com o sucesso. Passei mais de um mês encafifado, buscando meios de divulgar o espetáculo da Picolino no TCA. Tinha uma meta: lotar o teatro. E batizei este desejo como projeto 1554, numero de poltronas da grande sala a espera dos aplausos. E vieram as 1554 pessoas em dose dupla, e vieram os muitos aplausos com lotação da sessão extra também esgotada. Teatro coalhado de povo, num mix total que ia dos professores doutores, aos sem escola; da classe média alta aos assalariados de mínimo. Todos ali, encantados com a arte da troupe Picolino.
Não sou maluco o suficiente para achar que a dupla lotação tenha sido resultado da minha genialidade como divulgador. O Picolino tem uma trajetória de 21 anos, é parte da história da cidade. Tem artistas de nível internacional, tem alma, tem gente bonita e astral, tem ritmo, tem axé e é parte do povo desta terra. E tem muita gente que deu e que dá a vida por aquilo ali. E teve ingresso a 1 real e 50 centavos a meia, e tem o peso da sala principal do TCA.
Também tenho lucidez para perceber que o espetáculo ainda pode melhorar muito, a pedra pode ser ainda lapidada. Mas é preciosa.
O problema é que não consigo metabolizar a parte que nos cabe, a mim e a Nilson, neste latifúndio de sucesso. O marketing viral deu certo, o e-mail com a proposta de patrocínio repicou legal, encontrei uma conhecida na porta que tinha trazido a pessoa que trabalha com ela e mais outras vinte. Perguntei como ela teve a idéia e ela disse que havia recebido um e-mail…
Deu tudo certo. Mas não fui ao encontro dos artistas depois do espetáculo, não passei no circo nem anteontem, nem ontem. Consegui apenas mandar um e-mail para Anselmo, Virgínia e Tiago com os parabéns e o pedido de repassar à galera. Consegui também, na insônia de ontem, fazer um texto para o caderno de Opinião de A Tarde, que está na fila, com alguma chance de publicação. Se não publicarem lá, publicarei aqui.
Mas, enfim, em Português direto: foi do caralho! E se você quiser saber como é “do caralho” em russo, vá ao Licuri.
P.S. A foto do espetáculo é antiga, mas fica aí enquanto Tiago não baixa as novas.
Tinha mais ou menos a idade de André, meu pequeno filho de cinco anos. Era mais ou menos uma noite de 1966. Dormíamos todos embolados, todos os três irmãos de então, em camas ajuntadas num grande quarto no hotel Maringá, em Vitória da Conquista. Dormiam todos, menos eu. Foi minha primeira insônia. Revirava na cama e na minha cabeça piscavam as luzes do circo Tihany, roncava o som das motocicletas do globo da morte, cintilavam as roupas dos artistas, soava a bateria que fazia o repicar das cenas de suspense. E ainda tinha mulheres e homens alados, a dar cambalhotas no ar e a fazer encontrar mão com mão, numa precisão que dispensava as redes.
O circo trouxe a minha primeira lembrança de infinito: aquelas cortinas desnudavam as moças de coxas brancas cintilantes e não acabavam nunca. Nem as coxas, nem as cortinas. O circo foi meu primeiro espetáculo, onde eu fui pela primeira vez platéia. Chegou na minha vida antes da televisão, antes do cinema, muito antes do teatro. Chegou na minha vida pra dizer que existe um lugar onde é possível sonhar acordado. E este lugar é a cabeça de uma criança insone. Este lugar é o picadeiro.
Viva o circo! Viva o circo Picolino!
E por falar em Hotel Maringá, nasce hoje o Maringá, Maringá, meu blog de memórias. Confira.