Normalmente paro de ler coisas assim, no máximo, na segunda linha.
Mas como confio no valor terapêutico da exposição, vamos lá então quem continuou a ler: são oito horas e 53 minutos de uma quarta-feira, dia em que já estive acordado na madrugada tentando colocar a vida em dia. Em vão.
Devo muito algum tipo de coisa a alguém: ao banco, aos patrões, aos parceiros, aos amigos, à mulher, aos filhos, ao corpo, à alma. Até tento dar calote. Mas o caloteiro competente deve ser amoral e ainda não evolui a este patamar.
Então descubro o óbvio. Em vez de tentar alterar o resultado, sempre negativo,talvez a saída seja mudar alguns coeficientes da equação ou cláusulas contratuais.
Suspeito que assino contratos o tempo todo com todo mundo sem ler aquelas letrinhas miúdas embutidas e quase invisíveis no papel ou no subtexto dos acertos verbais.
Soraya e os menores em Feira, fiz o que há muitos, muitos anos, não fazia. Bebi, fumei e ri com velhos colegas de faculdade. E constatei que, de fato, nos vamos poniendo viejos. Quase todos barrigudinhos ou carecas, ou os dois. Mas o bom humor ainda é sobrevivente.
Caminhei até o Farol e vi o que há muito não via. O pôr-do-sol de um lado e a pré-lua cheia nascente do outro.
Cheguei em casa no começo da noite com saudades dos meus. Silêncio. Na porta da geladeira, o recado com letra adolescente e caprichada, as coordenadas do lugar aonde havia ido e com quem estava, conforme eu havia pedido antes de sair.
Na pia do banheiro uma necessaire, lápis, pincéis e mais vestígios da passagem do tempo.
Não emborcarei mais nenhum dos alguidares muitos que porventura encontre pelas calçadas, encruzilhadas e praias desta nossa cidade. Só foi emborcar um às 7 horas e apareceram para mim muitos outros antes mesmo das 9 desta manhã de sol de hoje, em frente ao Parque Costa Azul, próximo ao Jardim de Aláh. E fartos. Portanto, Bernardo, Maria e Martha: eu não creio em quase nada, mas respeito todos os sinais. Não emborco mais.
Atualizado por conta do comentário de Martha: a única coisa que posso fazer é mudar o ângulo da foto.
A pedidos, emborquei o alguidar, já seco, quebrado e deslocado do lugar onde estava, quase uma semana depois. O sol, o grande culpado, já brilha novamente.
Tudo como dantes no quartel de abrantes: recuperi minha identidade inicial de uma forma prosáica. Chegou uma mensagem no meu e-mail, eu tentei entrar e não consegui. Mas aí informei que perdi a senha. Veio uma nova mensagem do twitter com a opção de troca de senha. Bingo. http://twitter.com/marcusgusmao
P.S: minha experiência com o twitter durou apenas algumas horas. Fiz uma barberagem ou um hacker chamado zorg123 ou alberto otero roubou minha persolidade. Agora ele está no meu lugar e o twitter não aceita mais meu nome nem minha senha. Que fazer? A twittolândia vai ter que sobreviver sem mim.
Esbarrei com esta e outras 57 fotos antigas ao buscar no google informações sobre a história dos buzus de Salvador para ilustrar este texto sobre um possível próximo passeio, já que muitos pediram bis.
Praça da Sé na década de 70. Foto: Arquivo A Tarde.
A idéia é simples:
Escolher uma linha circular que passe pela orla e percorra variados bairros da cidade. Marcar uma data, num feriado ou domingo. (1º , 3 ou 10 de maio).
Estabelecer o horário de circulação nos ônibus, num intervalo de mais ou menos quatro horas, pela manhã.
Cada pessoa ou grupo embarca no ponto e horário mais convenientes, da mesma linha, e todos se encontram num piquenique, no final da manhã, em um lugar por onde passe a linha escolhida (Pituaçu, Passeio Público, Parque da Cidade).
A idéia veio com a experiência recente como fotógrafo de janela de buzu, eu que ando neste troço desde o tempo em que existia Vibensa, eu que sou fascinado por este bonde de rodas, desde o tempo em que ele se chamava catanica, em Conquista.
O ônibus se revela um eficiente praticável móvel sobre o cotidiano da cidade.
E gente das mais preciosas fontes. Cinquenta almas, contadas em casa por mim e Soraya, na lembrança de cada uma delas. Vivi um dia de pinto no lixo. Feliz com minha renca, com uma renca de gente bonita, astral, divertida. Enfim, sem palavras, começo a receber as imagens. As primeiras vieram de Haroldo/Martha.Depois as de Giuseppe Fiorentino (Pepe), Gilberto, Shirley, Fátima, Mariana…
O post continua em construção, com a adição as fotos que chegam. Última atualização, 06/04 às 22:48.
A viagem, por Haroldo Abrantes. Clique na imagem para ver as demais fotos.