Mãe, por que Deus ouve tudo que a gente diz e a gente não ouve o que Deus diz?
Posts Tagged ‘Maria’
Onde estás que não respondes?
14/09/2009Para ser lido longe das refeições
13/09/2009Renca almoça na sala quando Maria grita lá do banheirinho, eufórica com a sua última descoberta:
- Gente, gente, meu cocô sabe nadar!!!
Quatro anos
15/02/2009



Pachuluca azuleja o dia
03/09/2008O mar de Camamu num apiário sertanejo. Esta é a versão lá de casa para a “espiga de milho no meio do cafezal”, atribuída a Euclides de Anna, o mais famoso do país antes de Eduardo de Marta.
Vixe Maria, de quem são estes olhos? Não são do pai, não são da mãe, não são cor de mel como os de André e de Luísa, não são dos tios… A pergunta indiscreta seguida dos não indícios não quer calar desde que Pachuluca abriu os que lindos olhos, que lindos olhos que ela tem. Alguns ainda não se emendam: este cabelo é pintado?
Já fotografei em Iaçu, mas ainda não copiei para botar na carteira (culpa destas malditas máquinas digitais), os quatro olhos próximos e absolutamente iguais da Pachuluca e do biso Rubem. Pena que os outros absolutamente iguais do biso Antônio só existam na foto P&B.
Mas vou dar meu troco. Se a coisa conseguir ficar ainda mais apertada, alugo Pachuluca para modelo e folgo. Não estes modelos de publicidade que as agências exploram via vaidade dos pais e pagam uma merreca. Vou alugar a menina por uma fortuna é para uma futura grande pesquisa genética/étnica, como modelo da síntese perfeita da alegria desta mistura que chamamos Bahia. Esta garota, além da felicidade 24 horas (só perde o humor quando chegam os dentes) traz no corpo o mapa perfeito da combinação Oropa/África/Sertão.
E se daqui a uns quize anos ainda não inventarem uma coisa menos polêmica do que esta tal cota ela vai empinar o nariz e o bumbum, sorrir e exigir: eu também quero!
Pachuluca, que também atende por Maricota ou Nicota Farofa, é boa de briga. E arteira. A mãe já notou que ela encontrou um meio de não levar pancada de Budegão nas horas em que surrupia algum dos seus pedaços preferidos de brinquedo. Antes de a porrada descer ela já corre, apóia uma mão na outra em cima do sofá, abaixa a cabeça sobre as mãos e abre o falso berreiro. Pronto, antes da descoberta da farsa pai, mãe e Luísa já deram bons berros em coro: Andrééééééé´!
E é teimosa. Basta o outro dar as costas, e ela ter a certeza de que ele não está por perto, para a cambotinha partir picada em direção ao baú de tranqueiras e se refastelar. Até que ele retorne. E então…
Dei dois grandes vacilos mas não perco esta terceira chance. Pachuluca já está sendo treinada desde agora para me chamar como devem ser chamados os pais aqui nesta terra. Luluthica tem me ajudado nesta insistente e estafante alfabaianização:
_ Pa-in-nho, vai Maria, Pa-in-ho.
Ela fica séria e tenta:
_ Piau.
_ Pa-in-nho.
_ Papio
_ Pa-in-nho.
_ Piiio.
Já tá de bom tamanho!
PS: A frase de Euclides citada lá no começo foi lembrada neste fim de semana pelo tio marinheiro Popay Flávio, num dos intervalos do festival gastronômico do aniversário da Vó Conceição, em Feira, quando em menos de 24 horas a família colocou a fofoca em dia e caiu de boca no famoso caruru/vatapá pega marido da Ceiça, numa mariscada com ingredientes da rampa do Mercado levados pelo quase capitão-de-corveta e sua comandante e numa feijoada/carneada baiana da Vó Mônica (os meninos têm duas vós maternas) que deixam no chulé qualquer destes restaurantes ranqueados no melhor de Veja.
(encerro aqui a trilogia escrita há dois anos sobre os miúdos. Este post é de 31 de agosto de 2006. Mas o repeteco continua enquanto eu não trouxer todo o pouco que falta do Licuri do Uol para cá. O PS acima revela a repetição do encontro familiar deste final de semana comentada no post sobre André,o que comprova que a vida não vem em ondas, vem em círculos).
Crueldade com os pequenos animais
10/08/2008
Não é só nos velhos circos que se cometem atrocidades com os bichos bebês para que eles aprendam. Para comemorar este dia dos pais, resgato um vídeo de 2005 que mostra técnicas cruéis para ensinar filhotes de humanos a engatinhar.
Cínico
14/06/2008Desta vez fui avisado de que querem conversar comigo a respeito da “explicação” para Maria sobre crianças dormindo na rua. Fui taxado de, no mínimo, omisso diante confusão da menina ao se deparar com a cena inédita e estranha para ela.
Nâo tentei explicar simplesmente porque não sei.
O que leva crianças a dormirem na rua, na calçada sem forro e sem cobertor, num dia chuvoso? Não tenho explicação.
Outro dia saí do filme o pianista e vi uma criança na chuva pedindo dinheiro na sinaleira. Fiquei mal. Associei a vida desta criança à daquela massacrada ao tentar voltar ao gueto por um buraco no muro.
Cenas como essas ainda me chocam, mas a diferença é que agora tenho convicção de que não tenho explicação. Quero evitar coisas óbvias do tipo que país é este, ou que pais são esses.
Crianças dormindo na calçada vão além do meu entendimento. Não acredito em Deus, tampouco tenho fé nos homens e na humanidade.
Sou um cínico fracassado. Constituí família, coisa que não combina com um cínico. Não queria ter filhos. Até os 34 anos era adepto de Brás Cubas, não queria transmitir o legado da minha miséria material, da minha anemia espiritual e da minha fragilidade emocional. Por um golpe de sorte, fui premiado três vezes e eles têm-me feito menos pior.
Quanto à Maria e seu espanto, ela ainda terá a oportunidade de tentar entender.
Maria
14/02/2008Minha Pachuluca completa hoje, 15 de fevereiro, tlês anos. (escrevi este post quase uma da manhã mas o relógio do blog ainda estava no ontem).
E antes de dizer quantos, junta os três dedinhos gordos com a ajuda da outra mão e mostra.
Toda linda, não sei se pelos belos olhos, não sei se pela simpatia, não passa na rua sem que todos a chamem pelo nome. Em Salvador ou em Iaçu, é a garota mais popular que eu já conheci.
De personalidade forte, reúne três personagens de Maurício de Souza nela só. Come como a Magali, fala como o Cebolinha e é foltona, baixinha e golducha como a Mônica.
Voltou bilíngüe de Iaçu. É preda pra cá, vrido pra lá e saudade de Frô, sua colega de escola.
Pediu e vai ganhar daqui a pouco a bicicreta rosa que tem desejado, enviada por tia Reia e Tio Rubinho, transportada pela vó Mônica, que trouxe também um imenso bolo branco no colo, enfeitado por três princesas.
Mandona, outro dia gritou da sala. - Liene, venha cá! Eliene vai e recebe de chofre: – Liene, eu te amo.
Bate muito e apanha, apanha muito de André. Completamente apaixonada pelo irmão, mal sai dos tapas e abraça e beija seu algoz ou vítima sem a menor cerimônia.
É a mais apegada a Soraya, a quem se declara também assim do nada e em quem vive se enroscando em busca de um chamego.
Obedece a Luísa como a uma mãe de quem recebe cuidados e proteção. Foi Luísa a autora da foto deste post, quando Maria tomava seu banho de espuma no quintal, em Iaçu.
Parabéns minha filhota.
E eu, por que vou reclamar da vida diante de uma coisa como essa?
P.S: E hoje também é o aniversário de minha querida amiga Márcia, uma das figuras mais incríveis que conheço. E pra completar, resolveu nascer no dia de Maria.
É uma maleta, mas é maravilhosa também. Parabéns Marcinha.


