Joguei Argentina na pesquisa aí do lado superior direito desta página e encontrei a última data em que fui ao cinema ver um filme adulto: 24 de julho do ano passado, uma história sobre a Argentina, Café de los Maestros. E eis que encontro novamente a Argentina no meu caminho hoje em A Janela, de Carlos Sorín, numa grata surpresa. Que filme belo, me pegou de jeito em tudo o que me interessa nestes dias. O coração claudicante, o passado, a velhice, o pai, o rural em contraste com o urbano, o tempo.
O cara diz muito com apenas uma casa, oito atores, uns seis pontas e algumas mais umas poucas tomadas externas, num tempo que não alcança as 24 horas. Após o filme, um giro na internet decifra o sentimento de que eu estava diante de um conto, onde vale, e muito, os detalhes. O autor se inspirou em Tchecov.
De quebra conheci o novo cine Glauber Rocha, fiquei extasiado. Tudo do melhor, bom gosto na arquitetura, no visual, na decoração. Não perde nada para as melhores salas do pais. Qualidade da projeção impecável, tecnologia que enche os olhos.
Mas na platéia apenas 7 pessoas além de mim e Soraya. Tá certo, hoje é segunda, mas dá dó ver poltronas vazia, cena cada vez mais comum nesta cidade. E a questão não é o preço do ingresso.
Fomos assistir eu Soraya e Luísa à estréia de A Gaviota, coincidentemente de Tchecov, com o Grupo Piolin, um dos melhores do Brasil, no Centro Cultural da Caixa, ali pertinho, no ano passado. Saltei do ônibus na entrada da Lapa e percorri uma verdadeira festa de largo de barracas, bebidas, churrasco de gato, mesas na calçada até chegar à Piedade. A galera se divertia e gastava. Mas no pequeno teatro de arena o público não era nem a metade da capacidade. Detalhe, o preço do ingresso era um kg de alimento, ou seja, algo em torno de R$ 2 ou 3.
Também assisti recentemente a um concerto de Antônio Menezes, um dos melhores violoncelistas do mundo, com ingressos a preços populares, nas quintas sinfônicas, os convites sobrando na entrada, e a sala do TCA com público que não ocupava nem a metade da parte de baixo.
Portanto, os motivos da ausência de público nas salas de cinema, de teatro e de concertos vão bem mais além do preço do ingresso. Pelo visto, gente como eu, que vou ao cinema uma vez por ano, está cada dia mais comum nesta cidade.
P.S: a efusividade do título deste post vale para os territórios Argentino e Brasileiro menos, menos mesmo, para os estádios de futebol e transmissões futebolísticas.













