A foto ao lado é da finalização do terceiro quadro do painel Nós Vamos Invadir sua Praia, que conta a história de Jailton Carneiro. Tive o privilégio de acompanhar a criação dos quadros, um dos primeiros assuntos do recém-criado circopicolino.org.br .
Pensando seriamente mesmo, porque tive um insight, acompanhado de uma pequena satisfação. Há poucos dias, diante de um convite para uma vivência onde se compartilhariam conhecimentos, fiquei com a velha angústia de não dominar nenhum ofício, a angústia de não saber fazer nada de palpável nesta vida.
Descobri então que tenho feito ultimamente muito uma coisa: transformar informação em conteúdo e colocá-lo rede.
E tudo começou quando aceitei ser professor por um dia e tudo vai continuar, espero não queimar o filme falando antes, com uma viagem à Chapada, para repassar este conhecimento. E pode continuar numa oficina na Picolino… Enfim, não aprendi a fazer pão mas estou aprendendo a inventar blogues.
Mas este incutimento a a urgência do calendário me retiraram o que mais gosto de fazer, ficar futucando na blogolândia. Acho que é melhor retomar pé do deste meu lado direito do blog e esquerdo do peito.
P.S: Se você não entrou no poema lá de cima, entre agora aqui para entender esta angústia de macaco velho com a mão na cumbuca.
Precisava de uma foto do pai para levar pro Crear, mas tem que ser só o pai.
Aí o bicho pegou.
São centenas, talvez passe do milhar, as fotos no computador ( com risco iminente de irem pro espaço) mas só o pai são quase nenhuma e desatualizadas.
Providência tomada, Luisa fez a imagem ontem no circo depois da aula (dela). Pena que tenha se recusado a me ajudar a subir no trapézio.
Eu queria ser trapezista, mas por enquanto só consegui a vaga de divulgador no Picolino. Anselmo também acha que ajudo mais nos teclados do computador. Um absurdo.
E como gostei muito do retrato, resolvi atualizar também a imagem na tela. Esta agora é a minha cara na rede.
A sugestão de pauta estava marcada para 9 da manhã. Do jornal A Tarde vieram Meire Oliveira para o texto e Fernando Vivas para as fotos. Só que o caminhão com as 7 lonas do edital da Funarte destinadas aos circos baianos quebrou em Conquista e só chegaria no final da tarde. Meire se virou, entrevistou os donos de circo e membros da Cooperativa de Circenses da Bahia que ali estavam, entrevistou Anselmo, foi na casa de Jailton, o artista que começou na Picolino e hoje é um dos integrantes do espetáculo Quidam, que o Soleil vai trazer a Salvador. E o texto ficou bem bacana, saiu hoje na página 7 do jornal, alto de página, colorida, enfim, uma senhora matéria. Infelizmente A Tarde não coloca muitos dos seus textos no on line e somente assinantes podem ler (aqui).
E a foto?Um fotógrafo normal xingaria, reclamaria da vida, diria que sem lona não há fotos, voltaria mal humorado pro jornal – conheci muitos destes. Vivas não é nem uma pessoa normal, nem um fotógrafo normal. Não só fez a foto da matéria, numa bela composição com donos de circo e artistas em ação no fundo, como emplacou também a foto do dia na página 2 do jornal (acima). O jornal pediu pra avisar quando as lonas chegassem para mandar outro fotógrafo. Não precisou. Sempre fui macaco de auditório de Vivas. Confira com vagar seu trabalho no Olho da Rua.
E eu estou de volta mais intensamente à Picolino, participando da equipe que prepara uma publicação para os 25 anos da escola, divulgando os cursos.
Conheça mais a Picolino no blog da Escola, no fotolog e neste novo blog específico criado por mim ontem para divulgar os cursos e que ainda está em (argh!) em construção.
O correio também deu duas páginas de seriviço hoje no caderno vida sobre as vantagens das aulas de circo sobre as academias para manter a forma de maneira mais lúdica, com destaque para os cursos da Picolino. A matéria é assinada por Dóris Miranda, as fotos por Angeluce Figueiredo, mas já está fora do ar no site, onde não há a opção edições anteriores. Vou pedir um pdf ao pessoal da redação para colocar lá no blog.
Para completar o dia, encontrei por acaso o recém-criado Picadeiro – A magia do Circo, das jornalistas Cassandra Barteló, Giovanna Castro e Paula Pitta, do curso de pós-graduação em Jornalismo e Convergência Midiática da Faculdade Social da Bahia (FSBA). Muito bacana! Tem vídeos do Quidam postado lá, tem histórias de circo. Vale uma conferida.
Continuo sem conseguir escrever sobre uma coisa só, focar num assunto, a vida insiste em vir em ondas e aqui estou a comentar picotes desta rotina que compartilho com pessoas raras que aqui transitam.
Uma destas pessoas é um japa chamado Celso Chorik, que tive o prazer de descobrir por acaso em andanças www. Já falei dele aqui mas vou repetir e ampliar a história. Fui ao blog dele outro dia e bati com o clik na parede. Havia sido removido. Sinceramente, pensei que o cara batera as botas, já que o blog era sobre hipertensão e depressão, embora com humor. Senti como se sentisse por um amigo. Internet tem destas coisas.
Eis que um belo dia, outro dia, encontro o blog de Chorik renascido, cheio do astral de sempre, e ele convalescente de uma obra de engenharia no coração,que hoje tem mais pontes do que este Licuri. Minha alegria maior, além dos textos divertidos, foi encontrar por lá Maria e Aeronauta nos maiores papos com o japa. Como eu gosto de costurar nesta rede de fuxico, como gosto de ver gente do bem, sangue bom, se encontrando. E melhor, ter contribuído para isso.
A novidade é que embarco terça-feira para Brasília, a trabalho, a numa caravana de três ônibus que vai partir daqui da Bahia para participar da TEIA, o encontro nacional dos pontos de cultura. Vou tentar narrar a viagem aqui e no 416destinos. Antes, vou aproveitar e tentar republicar aqui os posts que fizna minha primeira viagem à capital federal para um pseudo blog, que criei na época para criar coragem de colocar o licuri na rede. Lá se vão quatro anos.
E sobre os mistérios da divulgação, vou fazer um laboratório prático com a Picolino, para quem presto serviços esporádicos de comunicação, remunerado as vezes sim, as vezes não.
Desta vez vai ser voluntário e vou encarar o desafio de lotar o circo no Projeto Viva o Circo ano XXIII, com a participação de todos os alunos da escola, da companhia Picolino Mirim e da Turma do Curso de Formação de Instrutores de Circo, que apresentarão nos dias 13 e 14 de dezembro espetáculos baseados na obra de Monteiro Lobato.
E para fechar este big póstpicotado não posso deixar aqui de falar da viagem de Otto Billian, que está esquentando e que no capítulo desta semana traz a história curiosa do seu encontro com quatro professoras contratadas no Rio para dar aulas na Chapada Diamantina, em 1933. Que destino tomou estas criaturas? Tenho esperança ainda de descobrir.
É impressionante a força da audiência da Globo. Algumas pessoas que sabem que eu sou colaborador eventual e macaco de auditório do circo me avisaram que viram a matéria. Também tenho aquele sentimento meio estúpido de assessor, que ficar feliz com este tipo de repercussão mas também a consciência de que esta felicidade não passa de uma grande bobagem. A repercussão ajuda, mas não é tudo. Se fossem alinhadas todas as matérias sobre o Picolino que saíram nestes mais de 20 anos do circo e escola de circo daria para ir de Pituaçu a Abaeté e isso não mudou muito a realidade de carência e as dificuldades de Anselmo, que arranca seus últimos grandes fios de cabelos brancos para levar o barco.
Romário de Assis, o garoto que encerra a matéria, enfrentou uma bateria de testes e conquistou o papel de Professor, um dos protagonistas do filme Capitães da Areia,
Clique na imagem para ver o vídeo
Falar em Anselmo, foi ele que deu a senha: L’Oratorio d’Aurélia é imperdível (clique aí e veja o depoimento de um dos que piraram com o espetáculo). Anselmo viu uma performance da protagonista num festival de circo e recomenda.
E por falar em Picolino e Anselomo, encontrei casualmente uma das envolvidas na produção do Picolino no TCA no ano passado e ela sugeriu que eu repetisse a dose de um spam que deu certo.
Seguinte: o medo de cadeiras vazias na apresentação num domingo pela manhã, em um projeto recém-lançado, fez com que eu disparasse mais de 1500 e-mails para a as minhas listas e para a rede do circo. O e-mail pedia que as pessoas convidassem quem nunca havia ido ao TCA. Não sei o grau de influência do e-mail mas não só o teatro lotou como houve necessidade de sessão extra. Fiquei com a fama. Resolvi aceitar a sugestão e vou repetir a dose. Caso você queira entrar na corrente é só copiar, alterar o que achar conveniente e enviar para a sua lista o sequinte e-mail:
Você que gosta de teatro, de gente, de circo, de poesia – não necessariamente nesta ordem – pode ser patrocinador cultural. E terá que fazer apenas duas coisas: repassar este e-mail e levar a informação contida nele para quem não tem acesso à internet.
Explico: muito provavelmente as pessoas que trabalham na sua casa, na portaria do seu prédio, ou nos serviços gerais do seu trabalho nunca foram ao Teatro Castro Alves. Se estas pessoas tiverem filhos, possivelmente eles também não. E certamente nem pensariam em ir ao Oratório de Aurélia, espetáculo internacional que mistura circo, teatro e ilusionismo e encerra sua turnê no Brasil neste domingo, dia 03, às 19 horas. Os ingressos custam R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia. Mas você pode informá-las que no mesmo domingo, às 11 da manhã, o espetáculo será 60 vezes mais barato, com inteira a R$ 1,00 e meia a R$ 0,50. Mas também é importante lembrar para seu convidado chegar pelo menos uma hora mais cedo. Para eliminar a ação dos cambistas, o teatro vende o ingresso na catraca, na hora da entrada. Bom espetáculo!
Equipe de rede em ação. Em breve, a Escola Picolino de Artes do Circo no JN.
São 3 horas da manhã quando, depois de colocar a foto aí em cima, começo a regidir este post. Soraya não agüentou o sono e foi dormir sem ver a homenagem a Noel Rosa no Som Brasil. Eu vi, não gostei de um certo artificialismo nas interpretações, e espero coisa melhor no próximo, dedicado a Raul Seixas. No momento, enquanto digito, FHC dá uma velha aula sobre multilateralismo e a crise internacional na TVE. Até agora não ouvi nada interessante no que ele está falando. Só a suspeita de que o ex deve sonhar algum dia ocupar algum cargo na ONU ou em outro destes orgãos multilaterias que permitam muitas, muitas viagens, esporte predileto de presidente que ele não pode mais praticar sem enfiar a mão no bolso.
Mas resolvi postar motivado pela grande notícia do dia: a equipe de rede da TV Bahia gravou durante toda a manhã matéria no Picolino, pautada para o Jornal Nacional. Pressinto que a Picolino esteja prestes a dar o grande salto, um velho sonho do velho guerreiro Anselmo. Vamos ver no que isso vai dar.
Negro gato
Na verdade devia está postando aqui sobre o tal gato premonitor, como já cobrou Nilson. Não sobre a notícia em si, mas sobre a rapidez com que ela se alastrou e deverá ainda se alastrar pelo mundo nos próximos dias.
Assistia ontem ao Jornal da Globo quando vi a matéria pela primeira vez. Minutos depois já estava no IG, com um link para o site da BBC. Ao acordar, olha a notícia de novo na boca de Boechat, na Band News, que prometeu dá uma bicuda no bichano se ele aparecer por perto.
Seguramente, mais de um bilhão de pessoas hoje no mundo deve ter sido atingido pela notícia, em si bastante prosaica, mas que toca em temas universais como a morte, a premonição e a ciência. E gatos. Liguei para Nilson, um cara entendido de gatos, não no sentido que você neste momento por acaso esteja pensando, mas como um dos donos de Chico, um negro gato que parece gente e que pertence também a Emília e Caio. Chico já provocou uma guerra homérica no condomínio quando era macho e costumava fazer barulho em busca das gatas do Rio Vermelho. Castrado, tornou-se silencioso e costuma descansar em cima do monitor do computador. Eu consigo imaginar Nilson com toda a paciência do mundo a deslocar por várias vezes o rabo do bichano da frente da tela para continuar trabalhando.
Lembrei de Nilson porque eu estava no trânsito e não tinha o google à mão para completar meu post mental. A idéia era argumentar que em poucas horas esta notícia do gato deve ter atingido mas gente do que alguma outra relacionada a gatos que tenha acontecido há algumas décadas.
Bingo. Nilson era um dos mais de um bilhão de pessoas que já sabiam da história e como um raro exemplar daquilo que antigamente a gente chamava de enciclopédia ambulante não só lembrou da história do gato de Winston Churchill, que teria acompanhado o dono no momento da morte, como também sobre a teoria da física quântica que diz, segundo entendi, que a probabilidade de um gato que você colocou dentro de uma caixa esteja vivo é de 50%. Não porque a caixa seja abafada ou coisa que o valha, mas por conta da nossa impossibilidade de garantir as coisas que não estejam sob o alcance dos nossos sentidos. E ainda tirou onda dizendo que havia postado antes da notícia um poema sobre esta tal teoria e que tem justamente um gato preto como ilustração. De fato o cara escreveu um belo poema intitulao Caixa- preta, no dia 25, portanto antes do artigo sobre Oscar, mas eu nem tinha notado o gato preto na caixa nem a teoria quântica contida no poema. O cara joga as cajá como dizem por aqui.
Depois de gastar uma fortuna de celular e correr o risco de receber a milionésima multa de trânsito neste longo papo cabeça com Nilson, que incluiu também a informação dele sobre a estratégia dos persas de colocar gatos a frente do exército como escudo contra os egípcios que os adoravam, cheguei ao trabalho e não tive mais tempo de pensar no post. Mas ao acessar a lista dos jornalistas para pirraçar um pouquinho os companheiros de plantão eis que já estava lá o link para um blog Forquilha, de Vanda Amorim, que falava justamente… de Oscar.
Vou continuar seguindo esta notícia para ver até onde ela vai. FHC agora fala na televisão do sonho de uma sociedade civil planetária que pudesse evitar a guerra, sugerida por um utópico mas não me atrai para a sua aula. Talvez a utopia da paz só se concretize no dia em que a gente entender de fato como os bichos conseguem pressentir a morte.
P.S Fui pesquisar como se escreve Winston Churchill e encotrei esta página sobre gatos.
Olha só a cara do Oscar… foto
Atualizado em 29/07 – Exagerei na estimava, mas não muito. Uma geral na rede revela que o assunto foi notícia no mundo todo. Distribuída pela Associated Press(AP, saiu nos sites dos principais jornais. Esteve entre as cinco mais acessadas na CNN e teve direito a vídeo no Fox News. No Yahoo actualités a foto acima esteve entre as 10 mais vistas nos últimos dias. A busca casada de “oscar the cat” e “The New England Journal of Medicine” no goggle gerou 91.600 registros. E isto não é pouco. Jogue apenas “oscar the cat” google e veja a dimensão do alcance desta história “banal”.
Mas o melhor comentário que vi foi mais ou menos o seguinte (infelizmente, perdi o link):
Não seria uma inversão de causa e efeito? O gato, a chegar no quarto, não estaria provocando a morte do paciente? Perguntou alguém num comentário de notícia de um site americano.
Neste caso teríamos o primeiro caso de um gato serial killer da história.
Atualização: Veja aqui a matéria citada no em breve lá do início do post.
Foi muito bacana ver mais de sessenta crianças vivas, alegres, tensas, felizes. E mais de duas centenas de amigos e familiares celebrando com eles a alegria de se manifestar, de se apresentar. E os instrutores, e a banda, e toda a equipe da Picolino sintonizados com o trabalho.
Confira aqui a matéria de Ciro Brighan, do Correio da Bahia, que foi ontem cobrir o espetáculo dos meninos do Nordeste de Amaralina.
Em russo, bolshoiquer dizer grande. Temos também na Bahia o nosso bolshoi teatro Castro Alves, no Campo Grande. E o nosso grande teatro da Praça Dois de Julho vive dias agitados. Seus 1554 lugares têm sido tomados de assalto por crianças, jovens, adultos e idosos, saídos dos mais improváveis cantos da cidade aos domingos pela manhã. Em março foi o balé, em abril o circo, em maio será o teatro e em junho a música da Orquestra Sinfônica da Bahia.
Para o domingo reservado ao Circo Picolino foi necessária uma sessão extra, ao meio-dia. E a dupla sessão lotada contrariou aquela antiga marchinha que diz que todo mundo vai ao circo menos quem não tem dinheiro para pagar ingresso e fica de fora escutando as gargalhadas. Ficava, porque o ingresso da matinê do TCA custa R$ 1. Crianças e estudantes pagam 50 centavos.
Como que saída do nada, também surgiu uma tropa de vendedores de pipoca, água e refrigerante. Este pequena divisão do nosso exército de ambulantes, com faro aguçado para aglomerações, transformou a calçada em frente do teatro em quermesse.
No palco – ou picadeiro – o povo se viu na cena do ônibus lotado. Passageiros contorcionistas jogados para cima, de cabeça pra baixo, enroscados um nos outros por freios de arrumação, representaram com humor o cotidiano bizarro dos ônibus lotados da nossa cidade. Mas o público se viu também no trapézio, nos tecidos, na pirâmide humana, nos saltos, no hip hop e na poesia de Mario Quintana e Maikoviski. E aplaudiu do começo ao fim o premiado espetáculo cenascotidianas@cir.pic. .
Muitos ali na platéia viviam a primeira experiência de circo e de Teatro Castro Alves. Quem não se lembra da primeira vez em que entrou no TCA, nosso maior teatro?
O preço do ingresso facilita esta primeira experiência para muitos. Mas há ainda o custo do transporte. Para uma família que mora na periferia, só o deslocamento para o teatro pode representar 20% do salário. A Picolino fez então uma campanha de marketing viral, num e-mail que trazia esta conta detalhada e o pedido para que as pessoas se transformassem em patrocinadora do transporte de quem não pudesse pagar. E desse a oportunidade a alguém que trabalhasse em suas casas, edifícios ou empresas de ir ao teatro. Deu certo.
Este foi o segundo espetáculo do projeto Domingo no TCA, uma iniciativa de formação de platéia fundamental para a democratização dos espaços públicos, construídos e mantidos com recursos da sociedade. Foi um domingo histórico para a Picolino. E também para o nosso jovem grande teatro, que colhe aplausos populares para comemorar os seus 40 anos
Publicado na página 3, Opinião, do Jornal A Tarde de 21 de abril de 2007.
Tenho uma relação pra lá de esquisita com o sucesso. Passei mais de um mês encafifado, buscando meios de divulgar o espetáculo da Picolino no TCA. Tinha uma meta: lotar o teatro. E batizei este desejo como projeto 1554, numero de poltronas da grande sala a espera dos aplausos. E vieram as 1554 pessoas em dose dupla, e vieram os muitos aplausos com lotação da sessão extra também esgotada. Teatro coalhado de povo, num mix total que ia dos professores doutores, aos sem escola; da classe média alta aos assalariados de mínimo. Todos ali, encantados com a arte da troupe Picolino.
Não sou maluco o suficiente para achar que a dupla lotação tenha sido resultado da minha genialidade como divulgador. O Picolino tem uma trajetória de 21 anos, é parte da história da cidade. Tem artistas de nível internacional, tem alma, tem gente bonita e astral, tem ritmo, tem axé e é parte do povo desta terra. E tem muita gente que deu e que dá a vida por aquilo ali. E teve ingresso a 1 real e 50 centavos a meia, e tem o peso da sala principal do TCA.
Também tenho lucidez para perceber que o espetáculo ainda pode melhorar muito, a pedra pode ser ainda lapidada. Mas é preciosa.
O problema é que não consigo metabolizar a parte que nos cabe, a mim e a Nilson, neste latifúndio de sucesso. O marketing viral deu certo, o e-mail com a proposta de patrocínio repicou legal, encontrei uma conhecida na porta que tinha trazido a pessoa que trabalha com ela e mais outras vinte. Perguntei como ela teve a idéia e ela disse que havia recebido um e-mail…
Deu tudo certo. Mas não fui ao encontro dos artistas depois do espetáculo, não passei no circo nem anteontem, nem ontem. Consegui apenas mandar um e-mail para Anselmo, Virgínia e Tiago com os parabéns e o pedido de repassar à galera. Consegui também, na insônia de ontem, fazer um texto para o caderno de Opinião de A Tarde, que está na fila, com alguma chance de publicação. Se não publicarem lá, publicarei aqui.
Mas, enfim, em Português direto: foi do caralho! E se você quiser saber como é “do caralho” em russo, vá ao Licuri.
P.S. A foto do espetáculo é antiga, mas fica aí enquanto Tiago não baixa as novas.
Pra você que gosta de circo, de gente, de teatro, de música, de poesia…
Você que gosta de circo, de gente, de teatro, de música, de poesia – não necessariamente nesta ordem – está convidado a estrear como patrocinador cultural da Picolino. E sua primeira ação como patrocinador é convidar os amigos pela internet para também virarem patrocinadores. E a sua ação seguinte de patrocinador é de inclusão cultural, explico a seguir:
Certamente, com raras exceções, a pessoa que trabalha na sua casa, na portaria do seu prédio, ou nos serviços gerais do seu trabalho jamais pisou no Teatro Castro Alves. Se esta pessoa tiver filhos, possivelmente também eles nunca foram ao circo. Provavelmente também eles não conheçam a poesia de Mário Quintana ou de Maiakovski.
Você pode proporcionar estes três primeiros momentos nas vidas destas pessoas. Como?
Você vai apenas informar e convidar estas pessoas para o espetáculo cenascotidianas@circ.pic, da Companhia de Circo Picolino, dia 15 de abril, um domingo, às 10 horas da manhã. Não precisa patrocinar o ingresso, porque o ingresso vai custar R$ 1,00, isso mesmo, um real. Deixe a pessoa pagar, até pelo orgulho de ser pagante.
Aí você pergunta: eu só vou patrocinar isso?
Só, e isso já é muito. Mas se você puder mais, patrocine então o transporte ou transporte você mesmo estas pessoas e suas famílias no dia do espetáculo.
Sabe por quê?
Porque para um casal e dois filhos que mora na periferia de Salvador, por exemplo, e tem que pegar dois ônibus para chegar ao Campo Grande, ir ao TCA, mesmo com ingresso a RS 1,00, pode significar um gasto de R$ 24,00. Mais pipoca, refrigerante e água, numa eventual esticada ao Campo Grande, eleva a despesa a R$40,00.
E R$ 40 para quem ganha R$300 líquidos representam pouco mais de 13%. Ou pouco mais R$ 260 para quem ganha R$ 2.000. Isto é bem mais que um Chico Buarque, que custou apenas R$ 180,00.
Sobre o espetáculo:
A Companhia de Circo Picolino leva ao palco do Teatro Castro Alves o espetáculo cenascotidianas@circ.pic, que reúne música, dança, teatro, técnicas circenses e a poesia de Maiakovski e Mário Quintana. Vencedor do prêmio Funarte de Estímulo ao circo 2004 e contemplado pela mostra palco giratório 2005 o espetáculo já foi visto por mais de 30 mil pessoas em turnê por seis estados brasileiros. Cenascotidianas@circ.pic volta ao principal palco baiano na programação “ Domingo no TCA” que integra o calendário do aniversário de 40 anos do TCA, com ingressos a preços mais que populares: R$ 1,00.
O espetáculo retrata o dia-a-dia de uma escola de circo numa metrópole. Acordar, escovar os dentes, lavar o rosto, trocar de roupa e pegar ônibus cheio, são cenas da vida de quase todos. Mas, dentro da lona de um circo, essas rotinas tomam uma nova dimensão, que envolve magia, poesia, risco e riso.
O QUÊ? Espetáculo: Cenascotidianas@circ.pic
ONDE? Teatro Castro Alves
QUANDO? 15 de abril, às 10 horas.
INGRESSOS? R$ 1,00 (um real)
Clique nos links abaixo e saiba mais sobre o espetáculo e sobre a Picolino:
Clip de cenascotidianas@circ.pic no You tube Fotolog Blog Licuri no Picadeiro Trailer do Vídeo do espetáculo Guerreiro Site (desatualizado mas serve com história. O novo site está a caminho)
Orkut: Circo Picolino (235 membros) Eu sou/fui do Circo Picolino (218 membros)
ATUALIZADO após o espetáculo:
E como deu resultado. Claro que outras coisas influenciaram como o preço, o local, a rede de contatos do circo, etc etc. Mas muita gente recebeu a mensagem e o teatro não só lotou como teve um bis, numa sessão extra ao meio-dia.!
E as crianças dão espetáculo, no Nordeste de Amaralina. Mandam ver com desenvoltura nas técnicas de malabares, arame, contorcionismo, corda indiana, monociclo, trapézio e acrobacia. Todas interessadas, todas felizes.
Será que não é também por aí um dos caminhos para melhorar este nosso ….. de(me falta um adjetivo, prefiro não xingar) país que a gente vive?
Vamos mandar um texto com estas imagens (o link está no títuolo do post) como sugestão de pauta para jornais e TV, para que histórias e os sonhos destes meninos sejam vistos pelo resto da cidade, pelo resto do estado, pelo país. Para que a partir do lúdico, do Circo, a cidade crie coragem para enfrentar a vida. Para ser feliz.
Evito extremos quando o assunto é Lula: nem tanto ao mar como o santo filho do Brasil, nem tanto à terra como o satanás comedor de menino. 13 hours ago
No céu de Salvador só o sol e a lua crescente. Nenhum fiapo de nuvem. Se pudesse, mataria a tarde em Ponta de Humaitá. 1 day ago
Ó Papai Noel, dai-me saco pra aguentar estes dias de cão: calor, engarrafamento e confraternização. 1 day ago