De Cássia Eller, ao vivo, numa noite quente no Ad Libitum. De Raul Seixas no alto-falante numa tarde chuvosa em Conquista. Do gosto de genipapo, de gemada e de manga no pé e da busca por estrelas cadentes no peitoril da roça de tio Descartes, nas noites sem lua das Minas Gerais. Da porrada da quinta de Tchaikovsky num vinil Grammophon comprado na Carlos Gomes. Do gosto de picolé salgado pelas ondas e do sanduíche de sardinha no Porto da Barra, seguidos de almoço com macarrão e pudim de sobremesa. De Picolé premiado. De vela na lata em forma de lanterna quando faltava luz em Castro Alves, pelas ruas com a meninada. De comer licuri. Do cheiro de gaveta velha cheia de tranqueiras mais velhas ainda. De beber em avião. Da minha primeira insônia aos seis anos depois de um espetáculo do Circo Thiany. Da Música O Divã numa vitrola vermelha. De Vick Vaporub. De receber uma carta coberta de selos. Do pátio do Polivalente de Castro Alves. De um macaquito vinho. Da alegria da notícia do primeiro filho. Das noites dos nascimentos dos três. De ver as luas de Júpiter e os anéis de Saturno. Dos rios da Chapada. De dirigir um caminhão 608D nas madrugadas de Conquista aos 14. Das escadas do Centro Cívico da ETFBa. Da padaria, do balcão e da sanfona do primo Aldinho na loja de Tio Deoclides em Tanhaçu. Da cachoeira de Mané Roque. De São João. Da boléia de um caminhão, de carona. Da cidade de Tiradentes. Das arquibancadas do Parque de Exposições de Conquista. Do balcão da loja de tecidos do tio Ruguinha. Da Iemanjá num quadro da sala de Tia Lurdes. Da estante de pranchas de madeira e blocos de argila da casa do Garcia. De chacretes. Do cheiro de murta no passeio da Leovigildo Filgueiras às duas da manhã. De mata-burro nas estradas. De estrada. Do sonho de mudar o mundo. Do cheiro de sargaço do primeiro banho de mar em Amaralina. De uma paulista entre amigos. De uma paulista a dois. De confiar em todo mundo. De chorar copiosamente. Da Via Láctea no céu da roça de Tio de Assis. Do frio. Da cama do Hotel Livramento. Do quarto do Hotel Lisboa. Do Rio Neva. Do quintal do Hotel Maringá. Do Cine Madrigal. Da gamela de coalhada na despensa e do leite espumando no curral, no copo de alumínio com açúcar. De falar ne za schtô. Da luz que apagava às 10 em Tanhaçu, depois de três avisos. De pescar acari com saco de estopa no barranco do rio. De pescar traíra com anzol. Das escadarias do TCA. De vento frio na cara. De plantar alface. De tênis Mal Estar. De tampilhas premiadas. Da seda azul do papel da maçã. Da música Trem das Cores. Do tédio dos domingos. De larica. Dos círculos na água formados pelo impacto da chuva no jardim dos meus cinco anos. Do tal pretérito a cada dia mais perfeito já falado aqui. Do tempo em que eu era imortal.
Posts Tagged ‘São João’
Quarta de cinzas
24/06/2009Véspera
23/06/2009
A cidade se enfeita, na cozinha o movimento é grande, no quintal o forno está aceso. É véspera, manhã/tarde da noite de São João. E eu torço para que isso fique nos meninos como ficou em mim. Hoje já não sinto nada, só lembranças. Da fogueira, dos fogos, dos balões, da música. Hoje sou apenas memória, que tento reaver em caminhadas pelas ruas decoradas da cidade. São João passou por aqui. Pelas minhas lembranças.
Bandeirolas – Shirley Stolze
22/06/2009Bandeirolas – Fenando Vivas São João
21/06/2009Bandeirolas – Adenor Gondim
20/06/2009Caminho da roça
20/06/2009
Br 324 hoje pela manhã. 115 km em 2 horas e meia.
Bem melhor do que as cinco horas do ano passado.
Fogueiras
19/06/2009Inaguro com esta noite chuvosa de São João que passou, uma sequência de fotos bacanas. Os outros posts entrarão amanhã e terça, sempre às 23:59, na programação automática do blogue. Estaremos em Iaçu, com nossa renca desfalcada de Luísa. Ela vai para Cachoeira, lugar das bandeirolas de amanhã, de Adenor Godim. Luísa deve passar por Santo Amaro, lugar destas belas fogueiras de Maria. Vivá São João.
São João não passou por aqui
04/07/2008
Desta vez descemos com a renca desfalcada para o São João. Faltou Lu, que levou a máquina. Faltou o post também. Mas Maria, André e os primos Davi e Lívia se divertiram com os fogos, sob o olhar atento e gripado de (bis) vovô Rubem. Voltei às pressas de Iaçu, e só neste final de semana retorno pra lá e vou recuperar as imagens dos miúdos a dançar na praça ao som do São João afro de Iaçu.
Mas basta um passeio pelos meus vizinhos aqui para ver que Maria Sampaio, a autora da foto aí de um São João em Santo Amaro, Paulo Galo, Madame K e Aeronauta mandaram bem sobre o tema. Além deles, vai aqui uma amostra grátis do início do texto de dá gosto de Paulo Bono:
“Numa Sala de Reboco
Foi numa cidadezinha do interior da Bahia. Fazia frio. Muito frio. Mas fazia frio lá fora. Porque naquela garagem onde improvisaram um salão o forró pegava fogo. E de repente a sanfona puxou Numa Sala de Reboco. Minha favorita. Sou gordo e tímido, não costumo chamar ninguém para dançar. Mas o Rei do Baião e algumas doses de licor de jenipapo fazem milagres. Ataquei a moreninha de vestido florido que assistia ao forró quietinha…”
Veja o resto aqui, no ótimo Espalitando dente.
O arrastão dos Candangues
06/06/2008
Quem digita São João em Iaçu no google tem como primeira resposta Iaçu/Macondo « Licuri, ou seja, um post que fiz na véspera do São João do ano passado quando embarquei com toda minha ascendência e descendência no velho Corsa Sedam 99/2000 debaixo de chuva em direção à hospitalidade de seu Rubem Reis. Como boa parte das parcas visitas a este blog é resultado desta busca, resolvi atender à demanda indicando o endereço mais apropriado para informar as atrações juninas deste ano.
Clique aqui.
Recomendo o Arrastão dos Candangues, a reencarnação dos passageiros do trem Mochilão, que desfila no ritmo de São João na tarde do dia 23. O vídeo mostra parte dos candangues ao som do Trio Nogueira, no São João do ano passado.




