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Dança do cocar

18/11/2008

Dança do cocar

As índias tomam os cocares e expulsam os marmanjos da aldeia. Durante três dias  brincam, cantam, dançam e celebram a ausência dos malas sem alça. Soraya adorou e aplaudiu a sabedoria das garotas da floresta. Nem faço idéia do motivo.

em 20/11: achei minhas anotações: as índiass são do povo Kamayurá, do Xingu, os mesmos da dança do papagaio do post anterior. Veja o site deles.

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Síntese

16/11/2008

A rádia saiu do ar porque beiço de jegue não é arroz-doce. Coloco legenda: na idéia é tudo mais fácil. Não consegui, não funcionei como blogueiro itinerante.  De volta então à base, resumo a parada nesta cena casual, flagrada enquanto eu andava de um lado para o outro tentando ver um pouco das zilhões de coisas que aconteciam tudo ao mesmo tempo agora.

 

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Sentados junto à cúpula do Museu Nacional,  velho e menina. Tinham intimidade musical, pareceiam antigos amigos. Ele com paciência, incentivava, ela encantada, era só ouvidos e tentativas. Mestre e aluna. Encostei com a câmara ligada e eles nem se incomodaram com minha presença. Sentei ao lado e num intervalo da aula descobri que estava diante de Zé do Pife, Pernambucano de São José do Egito, morador da Ceilâdia, e já famoso em Brasília por dar aulas em oficinas de música para alunos da UNB (eu já havia visto um documentários sobre ele). Ao seu lado, Linete Matias, griô aprendiz do Ponto de Cultura Olha o Chico, da cidade de Piaçabuçu, Alagoas, na Foz do Rio São Francisco, onde seu mestre Cícero Lino já havia lhe falado de Zé do Pife, como um dos bons. Se conheciam havia menos de uma hora, desde que Linete o viu tocando na tenda Griô. Aquele encontro musical, diante da  cúpula silenciosa de Niemayer resume o espírito da coisa.  Clique aqui e ouça um pouco dos dois. A Teia é isso.

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Que brasileiro é esse? Eu nunca havia visto de perto os povos da floresta amazônica. Lembrei de Quarup, de Antônio Callado – era adolescente quando li e o livro me impressionou muito –  e do uluri, quando vi índias de calcinha. O uluri era apenas um fio de miçangas que não cobria absolutamente nada mas simbolizava que a índia estava “vestida”, não disponível. Para os brancos, as índias de uluri estavam nuas, para os índios nuas estavam as brancas de calçola. E ali estavam as índias todas meio vestidas. Venceu a calcinha.

Clique aqui e veja a Dança do Papagaio, dos Kamayurá, do Xingu, do lado de dentro do museu onde havia pouco Linete e Zé do Pife se encontraram.

Chegamos, sobrevivemos.

12/11/2008

18h55

A partir deste histórico momento, esta rádia, parafraseando o meu amigo Franciel, passa a transmitir direto e em cores desde o Planalto Central. Saímos mais de cem baianos em três ônibus naquela longínqua terça-feira, ontem, 10 horas da manhã de Salvador. Desembarcamos agora há pouco, às 18h10,  depois de 32 horas de navegação asfáltica, com muito sofrimento, transtornos, atrasos, e como sou um cara otimista, com muita alegria. No hotel, na beira do Paranoá. gente de tudo que é canto do país, de todo o tipo. É a tal diversidade desta grande teia.

Vou contar do fim para o começo.

Daqui a pouco coloco as fotos dos japoneses baianos encantados com a praça dos três poderes. Se a Bahia acabar aí, dá pra recompor a civilização, pois nas caravelas veio gente de Alagoinhas, Rio de Contas, Central, Paulo Afonso, Itapetinga, Canavierias, Ilhéus, Salvador, Itaparica, Heliópolis, São Francisco do Conde, Santa Brígida, Caetité, Rio do Antônio, Pedrão, Itabuna, Castro Alves, Santo Amaro, São Felipe, Maracás, Lençóis, Morro do Chapéu, Palmeiras, Seabra, Iraquara, Lapão,  Brumado, Barra, Bom Jesus da Lapa, Ibotirama,  Cocos, Santa Maria da Vitória, Jandaíra…  UFA.

Volto daqui a pouco.

19h25

Veja só o que a proximidade do poder não faz com o humor de uma criatura. Quem diria que estes japoneses acabaram de chegar de 33 horas de estrada?

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A Pinta, a Nina e a Santa Maria

11/11/2008

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A vida é tudo o que me acontece enquanto postergo.  Como bom TDAH, quase nada do que planejei para a viagem foi feito.  O notebook vai sem mochila, o celular sem carregador,  a sacola  ainda está para ser arrumada, a poucas horas da viagem. Nestas horas lembro de Alvinho, um amigo que chegava aos compromissos sempre antes  de todos,  com seu inseparável  guarda-chuva.  Alvinho era tão pontual que até a Deus ele se apresentou com antecedência e se mandou deste mundo antes dos amigos. Admiro até hoje as pessoas que usam guarda-chuva, como Alvinho. Elas gastam tempo procurando o guarda-chuva, checando o guarda-chuva, ocupando temporariamente a mão ou a sacola com um guarda-chuva e fico a imaginar o prazer que elas sentem  quando cai uma chuva, ao abrir com tranqüilidade  a lona sobre si e sair por aí zombando de pessoas que como eu passam esbaforidas ou ficam presas nas marquises. Acho que estou falando do passado, porque faz um bom tempo que eu não vejo uma marquise.

Enfim, voltando  ao presente e â viagem não planejada,  o jeito é me concentrar no único compromisso que tenho,  semelhante ao de Pero Vaz.  Vou escrever  uma ou  mais  cartas diárias a meu rei, cidadão baiano que me paga o salário e me pagou a travessia, contando o que vi.

Portanto, a  partir de hoje e até o dia 16 este Licuri estará a serviço  da Teia 2008. Daqui a pouco partem as três caravelas, rumo às queimadas da Chapada, ao Oeste e ao Planalto Central. Com este espírito de descoberta, misturo Cabral e Colombo e sigo a bordo da Pinta, da Nina ou da Santa Maria. E vou tentar usar a velha sabedoria do mar, aquela que manda ajustar as velas da maneira mais favorável ao vento. 

Peguei aqui a imagem acima da teia que  não usou guarda-chuva. Vá lá que tem de brinde para você o poema Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto. E por falar em imagem, não poderia deixar de registrar aqui a visão de Vivas sobre as queimadas na Chapada, que se repentem todo ano, há anos.

 

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Chorik, Brasília, Picolino, as professoras da Chapada e o prefeito de Palmeiras

07/11/2008

pagina_15_fotoContinuo sem conseguir escrever sobre uma coisa só, focar num assunto, a vida insiste em vir em ondas e aqui estou a comentar picotes desta rotina que compartilho com pessoas raras que aqui transitam.

 

Uma destas pessoas é um japa chamado Celso Chorik, que tive o prazer de descobrir por acaso em andanças www. Já falei dele aqui mas vou repetir e ampliar a história.  Fui ao blog dele outro dia e bati com o clik na parede. Havia sido removido. Sinceramente, pensei que o cara batera as botas, já que o blog era sobre hipertensão e depressão, embora com humor. Senti como se sentisse por um amigo. Internet tem destas coisas.

 

Eis que um belo dia, outro dia, encontro o blog de Chorik renascido, cheio do astral de sempre, e ele convalescente de uma obra de engenharia no coração,  que hoje tem  mais pontes do que  este Licuri. Minha alegria maior, além dos textos divertidos, foi encontrar por lá Maria e Aeronauta nos maiores papos com o japa. Como eu gosto de costurar nesta rede de fuxico, como gosto de ver gente do bem, sangue bom, se encontrando. E melhor, ter contribuído para isso.

 

A novidade é que embarco terça-feira para Brasília, a trabalho, a numa caravana de três ônibus que vai partir daqui da Bahia para participar da TEIA, o encontro nacional dos pontos de cultura. Vou tentar narrar a viagem aqui e no 416destinos. Antes, vou aproveitar e tentar republicar aqui os posts que fiz  na minha primeira viagem à capital federal para um pseudo blog, que criei na época para criar coragem de colocar o licuri na rede. Lá se vão quatro anos.

 

 

E sobre os mistérios da divulgação, vou fazer um laboratório prático com a Picolino, para quem presto serviços esporádicos de comunicação, remunerado as vezes sim, as vezes não.

Desta vez vai ser voluntário e vou encarar o desafio de lotar o circo no Projeto Viva o Circo ano XXIII, com a participação de todos os alunos da escola, da companhia Picolino Mirim e da Turma do Curso de Formação de Instrutores de Circo, que apresentarão nos dias 13 e 14 de dezembro espetáculos baseados na obra de Monteiro Lobato.

A abertura será no dia 12 com apresentação de vídeo sobre o 3º Encontro de Artistas de Circo da Bahia, trechos do vídeo “Insurreição Rítmica” de Bem Watkins, clips sobre o trabalho da Picolino em 2008 e uma performance da Companhia Picolino de Artes do Circo

 

 

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E para fechar este big póst  picotado não posso deixar aqui de falar da viagem de Otto Billian, que está esquentando e que no capítulo desta semana traz a história curiosa do seu encontro com quatro professoras contratadas no Rio para dar aulas na Chapada Diamantina, em 1933. Que destino tomou estas criaturas? Tenho esperança ainda de descobrir.

 

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