
Calçada, 1861. Foto de Camilo Vedani, no site Estações Ferroviárias do Brasil. Clique na imagem para ver outras fotos e a história da estação.
Encontro marcado para domingo, 9:20, na gare da Estação da Calçada. Embarque no trem das 9h40.
Até agora, somos 63 passageiros (11 crianças). Veja lista aqui.
Certo, certo mesmo, é o embarque às 9h40 em direção ao fim de linha, em Paripe, viagem que dura cerca de 30 minutos. O mesmo trem que vai, retorna. É gratuito.
A partir daí, os grupos podem se rearrumar e tomar os mais variados destinos. Quem tiver a fim de almoçar no Boca de Galinha (preços aqui) deve retornar para a Estação Almeida Brandão, antes de 11h30, para pegar um bom lugar no restaurante, com vista para o mar da Ribeira.
Quem for de carro, pode parar numa área aberta em frente à estação ou no estacionamento ao lado da Igreja dos Órfãos de São Joaquim. Quem optar por terminar o passeio na Sorveteria da Ribeira, na Igreja do Bomfim ou na ponta de Humaitá, há várias linhas de ônibus a partir da Ribeira que que passam por estes locais, até a Estação da Calçada. Domingo os ônibus são vazios e andam rápido.
É bacana escrever gare, termo relembrado por Berna em e-mail e encontrado no texto de Euclides da Cunha, que em 12 de julho assistiu o desembarque de soldados estropiados pela resistência de Antonio Conselheiro:
“Acabo de assistir na estação da Calçada ao desembarcar de cerca de oitenta feridos que chegam de Canudos e não posso, nestas notas ligeiras, esboçar um quadro indefinível com o qual se harmonisariam admiravelmente o gênio sombrio e o pincel funéreo de Rembrandt.
Ao apontar, vingando a ultima curva da estrada, o lúgubre comboio, a multidão, estacionada na gare, emudece, terminando bruscamente o vosear indistinto, e olhares curiosos convergem para a locomotiva que se aproxima, lentamente, ariando. Esta pára, afinal, e, abertas as portinholas, começam a sair — golpeados, mutilados, baleados — arrastando-se vagarosamente uns, amparados outros e carregados alguns, as grandes vítimas obscuras do dever…” Íntegra aqui.
Euclides também embarcou nesta estação, no dia 31 de agosto de 1897:
“LAGOINHAS – Ao tomar o trem na estação da Calçada prefigurei uma viagem incômoda, preso em vagão estreito puxado por locomotiva ronceira, esmagado por uma temperatura de 30º centigrados mal respirando numa atmosfera impregnada de poeira. Iludi-me. A viagem correu rápida num trem ruidoso e festivo, velozmente arrebatado por uma locomotiva possante, e ao traçar estas notas rápidas do Diário não tenho sobre o dolman uma particula de pó. Pude observar com segurança a região atravessada…” Íntegra aqui.