Os homens até hoje gostam de se achar os primeiros, antes deles só donzelice. Talvez venha daí essa história de dizer que as praias são virgens. Mas as praias que circulam as terras da Ilha de Boipeba guardam muitas marcas de amor e dor e o povoado de São Sebastião, mais conhecido como Cova da Onça, a história de marujos que esbarraram nos seus corais e ali ficaram, não se sabe se por encantamento ou necessidade. E deixaram seus descendentes.
As tripulações grega e espanhola de pelo menos dois naufrágios ali por perto [um deles deu nome à ponta dos Castelhanos e se relaciona à lenda que explica a origem da Igreja da Graça, contada por Câmara Cascudo] podem explicar a presença maior da população branca no povoado, incomum no litoral da Bahia, muito mais no Baixo-Sul.
Impossível visitar este passado e não esbarrar também nas marcas e histórias deixadas pelos missionários religiosos. A Cova da Onça, onde não tivemos tempo de ir, é uma espécie de caverna ou gruta ocupada pelos Jesuítas. A partir daí a história carece de exatidão. Uns dizem que ali se guardavam ouro e pedras preciosas, outros que o túnel ia dar em Boipeba Velha, lenda semelhante às que existem em Salvador sobre ligações subterrâneas entre igrejas.
O certo é que na cova havia algo de valor. Suspeito terem sido sacras, deixadas lá quando empombaram com os Jesuítas e eles foram convidados a se retirar, por conta de querelas ultramarinas.
O marujo desmemoriado aqui perdeu o bloco de anotações, sobrou apenas o endereço do site de Jonas Nascimento http://www.covadaonca.i-ssa.com/ morador do povoado, onde há um relato da histdória de ocudpação da Ilha.
Mas me impressionou uma história ouvida de pelo menos dois moradores, e que não vi em site algum, sobre um suposto desembarque noturno, na década de 1960, de pessoas que se diziam militares. Foram até à cova, dinamitaram uma das passagens e de lá voltaram carregados, ninguém sabe de quê.
Se os Jesuítas esconderam o ouro ou se levaram as imagens, até hoje ninguém pode até hoje afirmar, o certo é que deixaram a devoção a São Sebastião de Cairu.
Estávamos almoçando com o grupo de turistas que veio no barco com a gente, quando os fogos pipocaram, avisando que lá no cais vai chegando a procissão marítima. Larguei Soraya, meninos e prato na mesa e fui fotografar. Clique na primeira imagem pra ver um filmete curto com o som da bandinha.


































Se toda ocupação fosse assim. Na praia, só o banco.
Atrás das árvores deve estar a casa do dono do banco
Causa…
Consequência…
O crédito destas duas últimas divido com Maria Sampaio.














Detalhe da porta da igreja














