Adeus, meu prezado!

10/08/2015

Ele se vai aos poucos, sem alarde, sem angústia, sem dor. O coração desacelera, o pulso cai devagar até o corpo ficar completamente em silêncio e frio.  Talvez as palavras mais sinônimas de morte sejam silêncio e frio.

Em volta a vida pulsa. No choro, na dor, no corre-corre para as providências dos adultos. As crianças, o cachorro, o papagaio também participam de alguma maneira do redemoinho, é um momento de quase transe para todos.

Uma morte à moda antiga, em casa, de uma forma a cada dia mais rara. Seu Rubem, meu querido amigo de 94 anos, que me chamava de meu prezado, muitas vezes de meu filho, avô de Soraya, bisavô da minha renca,  foi embora cercado de cuidado, de carinho, dos filhos, netos e bisnetos.

Enterrado ontem em João Amaro, ao lado de sua Ludu. Também numa tarde ensolarada de domingo.
Não casualmente Dia dos Pais.

___

Aqui umas histórias desta convivência: https://licuri.wordpress.com/?s=Rubem+Reis


Não te perdoo por te trair

31/07/2015

Sem título

Ela tem 20 anos, cuida da casa e do filho de 2, em Cariacica, Espírito Santo. Ele tem 33 e é mecânico. Estavam juntos havia cinco anos mas 15 dias se passaram sem um toque, sem um chamego, sem cama.

15 dias é muita desatenção.

Ela então foi à luta e em uma semana tirou por duas vezes o atraso, com  outro, a última vez num domingo, quando os três se encontraram. Ele tentou jogar a moto em cima da moça, ela se esquivou.

Em casa, ela mandou ver de faca, caneta, até tampa de fogão. Brigaram mais uma vez, terminaram na  delegacia.

Na foto do jornal ela veste uma camisa onde se lê  Love Story. É ouvida e  liberada pelo delegado porque ele não quis prestar queixa.

A história está nas páginas do jornal A tribuna, de Vitória. E como bem lembrou  minha amiga Ana Lívia,  a moça não perdoou por  trair.

É a realidade tecendo mais uma trama, superando ficção. Se Gilberto, o corno de Nelson Rodrigues, assume a culpa e pede perdão por ser traído, se o traidor de Chico Buarque, em Mil Perdões, perdoa por trair, nossa heroína não pede desculpa e nem pede perdão.


Não vou me adaptar

21/07/2015

Na Rádio Educadora, Arnaldo Antunes prevê: Não vou me adaptar.

A tarde é de julho de 2014 mas a melodia cheira a anos 80,  lá se vão três décadas.
E a velha canção pós-adolescente cai hoje novamente como um luva nesta pré-terceira idade:

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia…

A cada frase, mais atual…

No espelho essa cara já não é minha…

Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!

Não Vou Me Adaptar
Titãs

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém dizia?
Será que eu escutei o que ninguém ouvia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava desse tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar

Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!


…e eu me sinto melhor colorido

29/06/2015

Sem título

Eita ignorância e falta de memória. Talvez por isso goste tanto da internet, onde diminuo a ignorância e a lembrança é sempre estimulada pelas checadas quase a minuto no google, prótese de memória, HD perdido.

Quando ouço alegria é a prova dos nove, minha cabeça repete musicalmente e a tristeza seu porto seguro.

Até hoje pela manhã, quando li a coluna de Xico Sá sobre o fiasco da seleção na Copa América para ser informado e lembrado que a frase é do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

É a segunda vez que o manifesto me pega.

Ao me deparar com a frase Só não interessa o que não é meu numa colagem de um tapume do metrô de São Paulo fiquei incutido, fotografei. Também descobri depois  que a fonte era o  manifesto. Santa Ignorância.

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Fiquei em dúvida quando vi na sexta-feira a campanha deflagrada pelo facebook para mascarar as fotos dos perfis com o arco-íris. Entro ou não entro na brincadeira? Fiz o que muita gente deve ter feito, chequei quem entrou. Gostei de quem vi, vesti meu arco-íris e segui a parada.

Passei então a acompanhar a pipoca na panela. A TL foi praticamente tomada pelas alterações das fotos de perfil. E pra todo mundo que passava eu dava um alô com polegar e era retribuído. Foram 208 acenos de volta. Isso me deixou feliz e me lembrou aquele momento da missa onde o padre ordena e todo mundo se abraça, em clima era de confraternização. Ou os encontros de Carnaval.

Começaram a surgir também as brincadeiras de bom e de mau gosto. E os argumentos mais ou menos  elaborados. Modinha, comportamento de manada, inocentes úteis do marketing do facebook, melhor seria combater a fome no mundo e por aí vai. Não vou chover no molhado. Tá tudo muito bem rebatido duas vezes pelo professor  Wilson Gomes aqui e aqui  e por Rafael Sampaio aqui.

Difícil saber o tamanho do impacto desta campanha. Pra mim pelo menos serviu para reler o manifesto e ouvir novamente Geléia Geral. Toca Torquato:


Curta pra quebrar melhor

26/06/2015


faceO coco pequeno é também página.


Oh! telefonista, a palavra já morreu?

25/06/2015

Nos últimos dias me dei conta da presença de Fernando Brant na adolescência, vida afora. Tentei fazer lista de 10, não consegui diminuir destas 23: Beco do Motta, CaxangáPonta de AreiaConversando no BarSan VincenteCanção da AméricaCanoa, CanoaCredoFeira ModernaGente que Vem de Lisboa/Peixinhos do marItamarandibaMaria MariaMaria SolidáriaMilagre dos PeixesO Medo de Amar é o Medo de Ser LivreO Que Foi Feito DeveráOutubroPaisagem da JanelaPaixão e FéPara Lennon e McCartney, Roupa NovaSentinelaVevecos, Panelas e Canelas.
Ops! Faltou Travessia


Joanita

22/06/2015

“Joanita havia completado dezenove annos, e d. Maria que se casara aos quinze, julgava aquella idade já um tanto elevada para uma menina casadoira.”
Que fim levou Joanita? Qual o desfecho da sua história na página 4 de O Combate, que circulava  aos domingos pela manhã, naquele domingo do São João de 1935? *

As palavras  amareladas no papel ressuscitam hoje  para os meus olhos e os de algumas dezenas de pessoas na página de fotos antigas de Conquista em cristal líquido.  No tempo de Joanita, o texto era  grudado no papel em tinta, na forma do linotipo, os l e os n eram algumas vezes dobrados e com ph se escrevia physionomicos.

A alegria de quem produz um texto, qualquer texto, é ser lido.

Produzo então aqui alegria póstuma e presto  homenagem a este escritor anônimo da primeira metade do século passado numa pequena cidade do sertão.

Que fim terá levado o autor do texto?

P.S: por sugestão de Paulo Galo, lanço aqui o desafio.
A moça vai resistir às pressões da mãe para a aceitar a corte dos “cow-boys”. Ou vai optar por um pretendente “civilizado”?
Enquanto não localizamos a página 4 de O combate, quem se arrisca a completar a história de Joanita?

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Texto completo joanita

O S. João de Joanita

Joanita era o encanto da fazenda Páo d’Arco. Não era dessas moças que se fazem bellas, mediante  os enfeites, os atavios da moda, os recursos da arte. Ignorava a maquillage. Despresava o baton.  Sabia’se formosa, dessa formosura natural, cambiante a apenas ás variações do nosso clima  voluvel.
Bem nova ainda fora mandada á Capital, a estudar, interna, no Collegio dos Perdões.
Aos dezeseís annos, achava’se prestes a collar o gráo de alumna mestra, quando lhe morreu o pae.  A viuva d.Maria Vieira, não podera supportar mais, a ausencia da filha unica.
Joanita teve que voltar aos seus penates, sem o diploma de professora. Era o carinhoso genitor  quem fízera questão de um diploma qualquer para a sua adorada filhinha.
-Eu quero minha filha, disséra d. Maria, aos parentes, qundo do fallecimento de seu esposo. Graças  a Deus, temos com que viver. Ella não precisa de nenhuma carta. Eu é que preciso della. Não  poderei viver assim isolada.

*
* *

A inconsolavel viuva entregando a administrração da fazenda, a direcção de todos os seus negocios, a um irmão dedicado, Paulo Vieira, passara a viver quasi unicamente para a filha, que lhe recordava, pelos traços physionomicos, a imagem do defunto esposo.
Comtudo desejava casa-la. Joanita havia completado dezenove annos, e d. Maria que se casara aos quinze, julgava aquella idade já um tanto elevada para uma menina casadoira.
Os pretendentes é que não faltavam. A Fazenda Páo d’Arco era um castello encantado, onde uma pequenina castellã ou fadazinha, attrahia pela sua belleza magica, toda a “nobreza” das enstancias circumjacentes.
E os jovens fazendeiros, por mais esforços que fizessem não podiam desencantar a fada, encantando-lhe o coraçàozinho…
*
* *
Era dia de S. João.
Sentadas ambas na varanda da bella vivenda, d.Maria dissera a filha:
-Porque não acceitas o Everaldo Gomes? Um rapaz que está em boas condições, e que pode fazer’te feliz?
– Não, Mamãezinha. Não me fale num moço que me vem fazer a corte, vestido com um gibão e perneiras de couro! Julgam estes senhores que basta o seu porte de “cow-boys” para conquistar, num olhar, a nossa admiração!… Eu nunca me habituarei a um marido assim. Prefiroum homem civilizado, ainda que seja pobre.
_ Faça o que quizeres, minha filha. Creio, entretanto, que com essas ideias, ficarás para tia. A Bahia, civilizou’te talvez mais do que o necessário… Mas, eu não ponho obstaculos á tua linha de conducta… Seja como quizeres…

CONT. NA 4. pag.

 

Joanita

* Publicado em https://fotosdevitoriadaconquista.wordpress.com/1935/06/23/o-sao-joao-de-joanita/

Conquista na época de Joanita:

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Foto: https://fotosdevitoriadaconquista.wordpress.com/1939/09/06/rua-grande-automoveis-postes/

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Aula

18/06/2015

Sentei num banco de espera, comprei uma paçoquita e puxei assunto. Há alguns anos houve uma campanha para ajudar na sua  cirurgia e aproveitei para saber do resultado. Normalmente calado e concentrado no atendimento aos clientes, me espantei com sua fluência, clareza, e tranquilidade para falar sobre o assunto.

Sabe tudo sobre seu tratamento. Contou como fazia religiosamente a cada seis meses o acompanhamento do PSA. Numa dessas, deu alto. Passou também a fazer biópsias regulares, seis meses PSA, seis meses biópsia. Mas não dava nada. Até que um dia deu e veio a decisão médica. Melhor tirar. Atendeu prontamente à indicação, tirou. Não precisou de procedimento adicional, tava bem no começo. “Tirei logo para resolver, depois não tive mais nada”, diz com uma ponta de alegria e total confiança em tudo que foi feito.

Não economiza resposta. Em alguns minutos soube detalhes de seus 73 anos de vida, como começou a trabalhar de motorista de trator e de caminhão no interior, como foi rebaixado a cobrador nos primeiros meses em Salvador por falta da carteira de habilitação. Tirou a carteira mas deixou a vida de motorista de ônibus para vender balas e doces. Um negócio que combina mais com sua natureza.

Jamais conheci alguém tão resolvido com rotinas médicas. Frequento aquele lugar há quase 15 anos e em todo este tempo poderia ter aprendido mais com o baleiro.


Joinha$

15/06/2015

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Você passa muito tempo na internet porque está infeliz ou está infeliz porque vive na internet?  Nem uma coisa nem outra, penso eu. Como bem ensina o professor Antonio Nery, o problema não são as drogas mas as pessoas.

Já está bem claro que o X da questão  não está  na coca nem na coca-cola, nem no cigarro ou no baseado, no álcool ou no rivotril, tampouco no Bono ou na Nutella.  São todos inertes e inocentes.

O problema, como sempre, está em nós.

Fui a uma reunião de escola com pais, destas que costumam comparecer alguns gatos pingados, estava entupida, nunca vi tanta gente. O assunto era internet. Estamos todos perdidos, pais, filhos, professores. Quem souber a saída, por favor aponte.

A droga do facebook é um pouco mais pesada, complexa, nem tão inerte, nem tão inocente. É uma droga social.
A matéria de capa da Superinteressante deste mês,  assinada por Alexandre de Santi, dá uma pequena noção da força deste “doce” tecnológico. Somos 59 milhões de brasileiros conectados ao f azul e branco todos os dias, numa rede de 1,4 bilhão de almas em todo o mundo. Uma droga que rende muito dinheiro.

Muito interessante também o box do editor Bruno Garatonni, que criou uma página nonsense, com o título Sdftyu459868 e sem nada publicado mas conseguiu  184 likes ao pagar R$70 ao Facebook.

Na matéria, relatos de experiências que demonstram a infelicidade aguçada pela exposição da felicidade alheia, já que, em tese, as pessoas tendem a mostrar ali seus melhores momentos. Por que não eu? seria a pergunta desencadeadora do amargo na boca diante da foto e relato da viagem, do sucesso, da alegria alheia.

Talvez não por acaso, o post mais acessado neste Licuri seja sobre a inveja. Talvez seja este um dos sentimentos mais destrutivos e autodestrutivos também. O veneno e o ódio destilados nos comentários na rede são testemunhas desta sombria manifestação humana.

Mas enfim, tem coisas boas por aqui também. Como alguém já disse, a diferença entre o veneno e o remédio está na dose.
Qual a sua dose?

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Cachorro com pena

11/06/2015

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Luísa sempre sonhou com um cachorro. Chegou a desenvolver o desejo de ser veterinária talvez por conta desta paixão frustrada. Um dia, finalmente, venceu a resistência de Soraya e ouviu a promessa. Teria um quando não houvesse mais fraldas em casa. André deixou as fraldas junto com a notícia da chegada de Maria. Promessa retirada.

Para não dizer que nunca havia entrado outros bichos na casa, vieram os peixes. Não por vontade, mas pela imposição de um saco plástico com o condenado dentro, lembrança de  festa de aniversário. Presente que resultou sempre na busca por aquário, bomba, apetrechos e, principalmente, companhia para o solitário. Teve de tudo em uma das empreitadas. Brigas conjugais no aquário, tentativa de fuga ou suicídio – nunca ficou esclarecido o que aconteceu para o peixe amanhecer um dia no chão, no meio da sala. Enfim, longas histórias todas com final infeliz, contadas aqui, aqui e aqui.

A cantilena por um sexto morador na casa continuou com a mudança para o novo apartamento, no início do ano passado, coro reforçado por Maria. Mas foi André quem incutiu, queria ter uma calopsita. Pesquisa daqui, pergunta dali, estávamos quase comprando uma  quando Lupi entrou na nossa vida, por coincidência. Vivia em Feira de Santana solto numa casa, até que nasceu uma criança e ele foi doado para a família  da tia avó das crianças. Lá precisou ser engaiolado por conta de uma tentativa de homicídio praticada  pelo cachorro da casa.

Lupi recuperou a liberdade em Salvador. Oficialmente era de André, mas foi adotado integralmente por Maria. Ele pressentia e anunciava a chegada da menina, para sair tínhamos de correr e bater a porta antes dele pular para o corredor. Maria ia  com ele no ombro à loja comprar ração ou ao supermercado. Se ficasse com a gente na porta e ela entrasse, danava a gritar chamando pela menina.

A foto mostra bem a relação. Maria dorme, ele aguarda.

Um dia voou, foi parar na mata ao lado do prédio. Foi um Deus nos acuda.Mas aquela  fuga teve um final feliz. Lupi foi recuperado e voltou à sua rotina de cachorro com asas. Um dia, fui me desviar dele e pisei no bicho. Escapou por milagre. Num outro, recebi a ligação de Soraya avisando que havia sumido, desde cedo, não havia mais canto da casa a ser revirado.  Dei a notícia todo preocupado à menina na escola e ela nem tchum. Ao chegar, bastou um chamado dela  pra gente ouvir um pio como resposta de dentro do forro do sofá.

Mas a tragédia não tardou. Logo com ela, Maria. Ao levantar do sono, seu pé encontrou o apoio no fiel companheiro que esperava ali, colado como sempre.

Foi em prantos até o veterinário. E lá se desesperou com a confirmação da morte. Vi o que nunca havia visto, um profissional  experiente marejar diante da dor da menina.

Lupi foi enterrado no Parque da Cidade por toda a família, naquela mesma tarde, na trilha onde Maria aprendeu a andar de bicicleta, ao lado de um banco conhecido, onde tiramos fotos em anos diferentes.

O retorno para casa foi de absoluto silêncio. Choros diários antes de dormir e ao acordar. Até que o tempo passou. Cicatrizou  a ponto de eu ser liberado finalmente  para contar esta história aqui.


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09/06/2015

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Também sou hipocondríaco na internet. E se eu pegar este vírus do facebook?

Estava buscando uma desculpa pra voltar de vez para este coco pequeno, encontrei duas. Aqui eu tenho memória e como fazer buscas. Aqui não tem vírus.

O problema do blog é o silêncio. Se você muda uma foto do perfil no facebook é como sair pelado na rua. Todo mundo nota e se sente na obrigação de se manifestar. Uma foto pelado aqui talvez não gere nem comentário.

Então a solução, já tentada em vão, é publicar aqui e levar pra lá. La vou eu de novo então.

Gosto muito deste pequeno coco. Foi aqui que comecei lá pelos idos de junho de 2006, no Uol Blog, numa lan house em Iaçu. Depois de testar uns textos com uns amigos, impulsionado pelo comentário desqualificador e elogioso de um deles “foi você mesmo que escreveu isso?”, criei coragem.

Apaguei o blog em agosto, num surto de vergonha,  mas no dia seguinte criei novamente. Isso aqui é sem retorno.

Foi aqui que fiz amizades online, muitas.

Depois veio o orkut, o facebook e mais recentemente o zapzap.

O zap é a universalização da rede. Por ele me comunico com a pessoa que trabalha conosco, com a família em Conquista, com a família em Iaçu, com o pessoal do  trabalho, das escolas dos meninos,  com o pessoal do prédio. O zap reúne tudo de bom e ruim de todas as redes. Falta apenas me acostumar com os muitos,  muitos bons-dias, as muitas carinhas, dedões, orações e kkkkkkkkkkkkas.

No zap todo mundo se revela mas é um desnudamento para parentes e pessoas próximas ou relativamente próximas. Aqui é o desnudamento para todos. E não raro me envergonho do que escrevi. Basta passar o tempo.

Mas tem o outro lado, o contato, a troca, a sensação boa da loucura, da indignação, da alegria e das descobertas compartilhadas.

Então, se alguém perguntar por mim, diz que eu tô por aqui. De novo.

Foto: com Soraya, no Bar do WhatsApp, em Iaçu, no último dia de 2014.


Gramática da Ira

06/06/2015

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Sou um leitor preguiçoso, deixo muitos livros esperando,  quase todos. Sou quase um leitor fraude. Mas de vez em quando um livro me pega e me vence. Assim terminei hoje de ler Gramática da Ira, de Nelson Maca, de uma segunda levada. E então me arrisco a compartilhar umas palavras sobre meus  sentimentos a partir da leitura.

Gosto de Maca falando poesia. O cara encarna, entra em transe, vira um caminhão lança mísseis de palavras. Certeiras.

No livro não é diferente, leio em voz alta e entro no seu ritmo. É um livro de guerra, de trincheira, sem meias palavras. A poesia de Macca é artilharia pesada em  branco e preto. É oito ou oitenta.

É guerra de guerrilha poética, sem bandeira branca. Macca vai à luta, se recusa a alisar a língua, a dar a outra face. De preto para preto, de preto para branco.

Li Declamei Vozes D’Africa em praça pública, quando criança. E ao ler Maca vejo que na sua poesia a garupa também sangra e a dor poreja. Mas na primeira pessoa.

Salve Maca, com respeito.


Versão finlandesa para incutimento

04/06/2015

O Catraca Livre pescou lá de 2006 este curta sobre compulsão. Os incutidos se verão nele.


Versão

31/05/2015

Perde tempo quem reclama nesta tela verdades, histórias completas e reais. O que temos aqui, como sempre tivemos na vida, são versões, fragmentos e fantasia. Da parte de quem envia e, principalmente, de quem vê.

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Espelho

19/04/2015

Coloco a conversa em dia com a mãe, sobre minha geração, em Conquista.
Como está fulano?
Cortou as pernas, diabetes.
E sicrano?
Teve derrame.
Conversa vai, vem.
E beltrano, mãe?
Morreu de câncer, na barriga, menino novo.
Quer um pedaço de bolo?
Não, menti.
Fui à cozinha, cortei dois limões e tomei com água.

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09/03/2015

1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015…

Visto assim, em números, é bastante.


Aqui e agora

20/02/2015

De dentro

16/02/2015

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Depois de mais de 20 anos entrei novamente no Carnaval. Soltei o corpo, dancei. Do Campo Grande à Castro Alves, encharcado, com a alma leve, no embalo da BaianaSystem na sexta à noite.

Nos últimos anos vi a festa de fora, pela TV ou a trabalho. É bem diferente,  mesmo estando ali perto, observando de um praticável ou até andando na rua.

Desta vez entrei, de cabeça, corpo e copo com Soraya, num liquidificador de gente e som. Um mix de gente bonita, diversa. De gente de vinte e poucos anos. De um pouco mais do que eu só vi Marcio Meirelles, trocamos um abraço encharcado.

Este reencontro com o Carnaval foi meio por acaso. De repente avistamos lá no final do Campo Grande a concentração e ao nos aproximar, ouvimos o coro “Afasta a dor nefasta”. Gostei da frase, gostei da palavra de ordem, veio a calhar, embora hoje aprendi que na verdade Russo Passapusso cantava “Afasta onda nefasta”.

Afastei e entramos na onda sonora, até à Praça Castro Alves.

Na passagem pela passarela do Campo Grande,  uma saudação às mães do Cabula quebra o silêncio da cidade. Ficou o  registro aqui neste vídeo, órfão de texto,  do G1.

Na volta vi o Carnaval vivinho da silva, as pessoas quebrando, dançando, se esbaldando como sempre. Mas no sábado pela manhã outro Carnaval, louro e angelical,  estava estampado na capa dos jornais, quase sem novidades.

Jornal adora o passado. Como bem diz meu amigo Josias Pires, quando sai no jornal é porque todo o mundo já sabe.

 


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15/02/2015

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Maré

23/01/2015
Pratigi

Pratigi

“Guarde suas lágrimas porque o pior está por vir”. Ando numa maré tal que há dias rumino esta fala do cavalo do jovem herói do conto infantil russo “O pássaro de fogo” quando algo errado acontecia. A frase cai como uma luva nas mentes chegadas a um catastrofismo como a minha embora no conto tudo acabe bem no final.

Só para ilustrar a maré, duas historinhas. Das mais amenas, porque isso aqui é mas não deveria ser muro das lamentações.

Sempre fui chegado a uma furadeira e empresto meus atributos de brocador. Atributos desmoralizados quando esta semana consegui fazer jorrar água com precisão de mira a laser em dois canos em duas paredes de um mesmo banheiro.

Sempre fui o preparador de ovos mexidos da casa deste quando éramos dois. Hoje somos cinco e o ritual começa com ovo por ovo despejado num copo antes de ir para a frigideira depois de avaliado. Resolvi colocar direto e pela primeira vez na vida misturei um goro, o último.

Viver é sempre  arriscoso mas tá na hora desta maré virar.

O jeito é ir para onde tenha sol, como diz a velha canção do Júlio Nastácia. O jeito é ir para o Pratigi.

É pra lá que eu vou.


ZIP

14/01/2015

Nao é permitido

– Não me bate que eu não sou vagabundo, nem ladrão, nem ‘estrupador’.
Quatro da manhã deste domingo na emergência lotada do Hospital do Subúrbio, a lógica torta do paciente surtado e com o maxilar fraturado soava aos brados em protesto contra o policial que lhe aplicava sopapos como calmante depois dele se desamarrar da maca mais de uma vez. Espancar em vez de conter um paciente surtado não cabe no manual de nenhum hospital. Nem se ele fosse ladrão ou estuprador.

Quem viu a barata foi Dan, cabelo estilo Neymar, que recebeu uma bala  saída de um cano de revólver enfiado na boca e está há mais de trinta dias estirado lutando para quem sabe sair do hospital tetraplégico. Coberto de escaras, passou o dia quase todo sem ser trocado. Diante do apelo de quem não aguentava mais as solicitações do rapaz, um som esganiçado saído do buraco da traqueostomia, a funcionária argumenta: é esse aí que rouba o seu celular.

A barata foi devidamente esmagada por Soraya, reincidente no gesto de matar barata, uma na emergência outra na enfermaria.

Depois de solicitar algumas vezes a troca da bolsa de urina cheia de um paciente, a acompanhante ouviu a resposta irritada da funcionária: tá cheia mas não vai explodir. Madrugada, mesmo paciente com diagnóstico de pneumonia está completamente molhado, é solicitada uma troca de roupa de cama. Negativo. É só uma por dia, há problemas na lavanderia. O copo descartável também tem que durar o dia inteiro.

Claro, há atendentes atenciosas, médicos também. E o aspecto geral do hospital não é ruim, melhor até do que enfermarias de outros hospitais da rede privada. Mas há uma  distância entre o que o hospital propaga e a realidade. As pessoas sabem disso. – Isso aqui é igual ao Itaú, diz um, só tem estrela. – Na televisão é tudo maravilhoso, diz outro. E as pessoas reclamam, sim, mas o protesto chega a lugar nenhum.

Depois de cinco ou seis dias em observação, paciente com diagnóstico de pancreatite foi informado de “alta” até o surgimento de uma vaga para cirurgia. Caso piorasse, poderia voltar. Rodou a baiana e a biblia, ameaçou  um abaixo-assinado com  os irmãos da igreja, lembrou que aquilo ali era bancado por seu imposto, que até numa caixa de fósforo a gente paga imposto.

Ele tem toda a razão. O imposto da caixa de fósforo e de tudo o mais consumido por nós integrantes do universo dos  ZIP, aquele formado pelos Zero Important People, é juntado centavo por centavo até completar R$151,5 milhões anuais mensais, ou mais de R$400 mil/dia para os 313 leitos, entregues à empresa privada que administra o hospital, segundo matéria publicada na revista Época no início do ano passado.

Se levarmos em conta a revista e instituição acreditadora contratada, o Hospital do Subúrbio beira o paraíso do atendimento público. Não foi o que vi e ouvi nestes dias.  Na foto aqui publicada, Peterson tenta falar com o irmão internado e a mãe acompanhante. Veio de Itacaranha, neste sol de Verão, mas foi barrado na porta porque estava de camiseta, vestuário integrante da lista de proibidos afixada na entrada. Neste mesmo dia vi jalecos brancos passeando fora do hospital, o que do ponto de vista de segurança hospitalar parece bem mais grave.

As duas barras nas cores amarela e preta com a corrente que aparecem na foto é para organizar a fila das visitas. A regra é clara: só duas visitas por dia e uma por vez, das 15 às 17 horas. Próximo de três da tarde o segurança dá um grito para as pessoas se levantarem e entrarem em fila para o início da operação de entrada. O clima é de uma mistura de reformatório com quartel em ordem unida. Um paciente murmura, nem no hospital de  Irmã Dulce é assim. Lá não tem limite para visita.

O hospital fica a cerca de 25 km do centro da cidade, o acesso é difícil, pela BR, mas os horários de troca de acompanhantes são rígidos: 8 às 9, 13 às 14, 18 às 20h30. Fora deste horário, que não coincide com o de visita, tem que falar com a assistente social uma via crucis ainda não vencida por mim desde ontem.

Enfim, todo este relato aqui foi feito na esperança de chegar a quem pode avaliar o que está acontecendo. Meu amigo Ronaldo Jacobina, que tem acesso ao círculo VIP, marcou no penúltimo post o secretário de saúde do Estado, integrante do seu círculo de amigos no facebook.

Eu então me animei  com a possibilidade de escuta e detalho aqui hoje mais alguns episódios, na esperança de alguma  coisa ser feita para diminuir a distância entre a fantasia das matérias encomendadas  e a realidade, dura realidade de quem pertence ao círculo ZIP.


O céu, as grávidas, o quartzo, a fila no Aristisdes Maltez e o mineiro

12/01/2015

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Impossível não olhar para o céu de Salvador nestes dias, especialmente ao entardecer. É preciso dizer, os dias estão lindos, o tempo chama pras ruas – não é à toa que a Barra está entupida de gente – pra areia, pro litoral. Tento sintonizar estas coisas, afinal estou em férias, é Verão e a vida tem que ser bela.

Mas meus olhos incutidos cismam em olhar em outra direção. É como quando frequentei o curso técnico em Geologia, quartzo, feldspato e mica me saltavam aos olhos nos paralelepípedos. Quando trabalhei na Coelba, de repente as subestações ficaram todas visíveis. Nas três gravidezes de Soraya, o mundo inteiro engravidou junto.

Talvez por isso, por essa sintonia destes dias,  hoje às 5 e meia da manhã recebo o bom dia de uma fila de mais de quatrocentos metros na porta do Aristides Maltez, semelhante àquela de 2013, registrada aqui.

Impossível não ver a fila, impossível não se incomodar nestes dias em que de alguma maneira estou nesta fila, frequento a rede pública de saúde. E minha cabeça, apesar deste céu de janeiro, não deixa de latejar com perguntas quase infantis.
Por que é assim? por que tem de ser assim? por que não muda? o que precisa ser feito para mudar?

Vou continuar, mesmo sem resposta,  me incomodando, incomodando você. Difícil acostumar com isso.

É mais ou menos  como naquela velha piada do mineirinho, esbaforido e agoniado diante do compadre:
–  Corre, vem ver, tem um mulherão  tomando banho pelada ali na lagoa.
–  Uai, até parece que você nunca viu mulher nua, retrucou o compadre.
–  Claro, uai, já vi muitas. Mas nunca me acostumei.


Somos todos Paris ou Periperi?

10/01/2015

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O grito é de mãe.
– Ele é diabético, ele está vomitando sangue.
O grito sai às oito horas da manhã, depois de mais de quatro horas de espera e zero atendimento. Comecei a filmar, de longe.

Um grupo maior do que o do atendimento, formado por funcionários, seguranças e policiais se armou em torno de mim. Apaga, não apaga. Não havia  imagem especial nenhuma, apenas os gritos da mãe, mas apagar aquele material era questão de honra para eles.

Manter também pra mim era, especialmente diante dos argumentos de que eu não tinha nada a ver com aquilo, que o meu paciente já estava internado, que mal agradecido que éramos, eu e Soraya, fazendo tumulto.

Sim, nosso paciente já estava internado. Mas isolado por 10 horas, sem que uma informação sequer fosse passada. Informação finalmente conseguida a fórceps depois de um noite de vigília. Informação obtida por conta dos argumentos pouco usados ali, de alguma maneira fomos privilegiados por manusear palavras.

Aquele  hospital com fachada aparentemente moderna, forma um círculo  de isolamento, uma linha de acesso, difícil de ser transposta. Esta noite estava lotado, dizem sempre estar lotado.

E quem consegue entrar, transpor a barreira do atendimento, cai num território isolado, onde o único direito dado a quem fica de fora é esperar até 15 horas do dia seguinte para ter acesso a alguma informação.

Madrugada. O homem com  afundamento de crânio perdeu a paciência, arrancou o acesso, pegou suas coisas e foi-se embora, acompanhado pela mulher.

No grito, um porteiro conseguiu internar a mulher na madrugada, depois de ter ficado manhã, tarde, noite fora da linha de acesso, a porta que separa atendimento e espera, a porta que não dá acesso a informação alguma.

Nos últimos dois dias eu havia matutado sobre Paris, sobre liberdade, fraternidade, igualdade. Essas coisas de uma Europa  pré-1800 que ainda não chegaram ao círculo de isolamento e micropoder do hospital do subúrbio, em Periperi desta noite de 2015 na Bahia.

E o que mais incomoda nem é a situação, o mau atendimento, o exercício de poder pelos  porteiros, seguranças, assistentes sociais. O que incomoda é a grande farsa no site do hospital. Dois mundos, o mundo do site, com missão e visão de belas palavras. Bela viola.

Levado a uma sala do posto policial e na iminência de ser conduzido a uma delegacia, cedi. Humilhado, tomei a decisão, apaguei o grito da mãe. Alívio geral, me estenderam a mão e eu apertei a mão de todos, estava estabelecida a síndrome baiana de Estocolmo.

Olho os jornais de hoje e  eles só falam de Paris. Da liberdade agredida em Paris, da violência em Paris. Sim, como ficar indiferente a tanta violência em Paris?

Difícil  entender também como ficamos indiferentes a tanta mentira, farsa e violência 24 horas por dia, ali, em Periperi.


O dia de Irismar Reis

06/01/2015

Assim como as cartas de amor, os posts confessionais são ridículos. Especialmente com o passar do tempo. Mas como bem acusou o poeta, posso revidar e chamar de ridiculo que nunca os cometeu. Invoco também Nego e Pierre Onassis e autorizo: pode falar, pode rir de mim.

Segue então, texto escrito há sete anos, num dia como hoje, de Reis. Talvez não hoje não o escrevesse com estas palavras, mas dele não retiro uma vírgula do sentimento.

Hoje é dia do Santo Reis

E do aniversário de Irismar Reis de Oliveira, uma das pessoas mais importantes da minha vida. Tia Maria foi advertida pela professora que aquele garoto calado e distraído tinha algum problema. Hoje, tia conta esta história com o orgulho de mãe coruja elevada à décima potência como ela sempre foi. De fato, o menino era especial e se tornou também um adulto especial. Virou médico, mestre, doutor, professor livre docente, ganhou o mundo e  e continua um garoto distraído e sangue bom.
– Vamos Marcus, levanta!
Era uma ordem firme e carinhosa para me tirar  da prostração, do buraco existencial de uma bruta depressão em que me meti quando tinha 20 e tantos anos e que de lá não sairia não fosse a sua ajuda. Além de me acompanhar em todo o tratamento, ele saía da sua casa na Federação e ia até o Garcia me arrancar da cama, levar para andar na Barra, devolver em casa para só então seguir sua rotina na universidade.
O que dizer a um cara desses hoje e sempre?
Parabéns! E, mais uma vez, obrigado!


El reloj e o bar do WhatsApp

31/12/2014

O tempo, este mistério,  intriga desde que me entendo. Talvez a primeira música da infância, El reloj, talvez daí o encanto pela língua espanhola.

Mas o tempo, o tempo. Ao andar pelas estradas de Iaçu vem a lembrança dos carros de boi na estrada para o Barreiro, em Tanhaçu, o canto do carro de boi da infância. Por mim passam hoje as motocicletas, o tempo é outro, da velocidade como previu Calvino – como diria nossa amigo Franciel, receba uma Ítalo pelas caixas, incréus,  mas é acidente. O livrinho foi presente de amigo secreto da virada do milênio, não sou estes leitores todo, mas esta história da velocidade me pegou.

Nem certo, nem errado passar depressa, apenas a certeza de que a cada dia é mais rápido o tempo passado.

Há uns anos, por exemplo, a novidade era desejar feliz ano novo pelo celular, numa loteria para conseguir sinal, quem sabe mãe, pai e uns poucos amigos. Hoje apenas um meme no WhatsApp serve para trocentos grupos que chegam a outros trocentos amigos.

A televisão perde terreno muito rapidamente. Antigamente, muito antigamente, nome de novela virava bar, como o Pé na Jaca, na estrada Iaçu-Ipirá. Mas hoje a tela é quase ignorada, a TV serve talvez apenas para relógio de contagem regressiva.

É a era do WhatsApp e o assalto em voga em Iaçu é motoqueiro roubando celular das meninas.
Moto e celular e whatsApp, Viva 2015!

Bar do WhatsApp

P.S – velho tem mania de guardar coisas. Guardo duas receitas de ano novo, uma de Carlos e outra de Juan.
Aqui as duas a quem interessa possa:

Carlos: http://pensador.uol.com.br/frase/MTM0MDQ5/
Juan: http://nemvem-quenaotem.blogspot.com.br/2008/12/receita-pra-virada.html

 

 


Volta pra casa

23/12/2014

Das festas impositivas Natal é a mais estressante. Tudo se afunila e todos os prazos são dia 23, com várias confraternizações pelo meio e a melosidade das boas intenções dos cartões e das mensagens. Pra piorar, cinco dias depois vem a festa cujo imperativo é ir para algum lugar.

Mas o que fazer? Entrar no clima.

E desta maneira, neste embalo de balanços de fim de ano, faço também minha promessa de ano novo, motivado por um provérbio chinês visto advinha onde? Numa mensagem publicitária de Natal:

“Antes de começar a reformar o mundo, dê três voltas em sua casa”.

Parece fácil de cumprir, mas a facilidade é enganadora. Especialmente quando você lê sua casa como seu corpo, sua alma, seu ponto de vista.

Desejo então para 2015 mudanças profundas na casa de todo mundo.


Espetinhos

12/12/2014

Saio em busca de uma lista de remédios perto de casa. Faltou um. Resolvo então andar os cerca de 1.500 metros entre o Acupe e o Largo da Cruz da Redenção, pela D. João VI, ao encontro de outras três farmácias e da garantia de que voltaria com a compra completa.

Sete da noite de sexta-feira, gente, muita gente, na volta pra casa, a fazer compras de última hora, do fim do dia, a beber, a comer, no vai e vem da mudança de turno das ruas de comércio, de botecos, de um tudo. Brotas é um bairro de um tudo, de muita gente nas ruas, de calçadas cheias. Este é o principal motivo da minha alegria nesta penúltima morada em Salvador antes dos dois metros quadrados definitivos.

Se um turista fizesse o mesmo percurso imaginaria que o espetinho –  no meu tempo diziam ser de gato – fosse nossa comida mais típica, apesar de quase uma dezena de baianas de acarajé além de pontos  de mingau, filas para beiju, carrinhos de milho cozido, cachorro quente. Comida é que não falta na rua.  Mas espetinho neste trecho é soberano, servido nas mesas da matriz e das duas filiais da rede Espetinho do Bolero e no Baú do Espetinho, todos lotados. E também nas esquinas, nas calçadas, lá está ele aqui e ali a queimar, sempre cercado de gente, de cerveja e do arrocha.

Não tem como evitar a lembrança da morte, da doença, mesmo com toda a vida nos passeios. Passo por duas funerárias, dois hospitais, muitas clínicas, faculdades da área médica. Alguns  pontos de ônibus concentram mais dores, de quem vem dos tratamentos, de quem acompanha tratamentos.

Se tem morte, tem igrejas,  muitas igrejas, católica, evangélica, pentecostal. A de Nossa Senhora de Brotas, a mais antiga, vazia e enfeitada, à espera de um casamento. Salões de beleza lotados, festa infantil num playground já animada. Frutas, todas que você imaginar, banana a preço de banana, a 1,99 a penca, na promoção da calçada, muitos mercadinhos.

Traio minha baiana e experimento o abará com pimenta da outra. E gosto mais, talvez pela novidade, motor das aventuras. Chego em casa, compra completa,  abro um vinho chileno barato e potencializo meu amor por Brotas.

 

 


Sem hora

16/11/2014

Cruzeiro

08/11/2014

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Com uma história na cabeça desde que Simone Prazeres  me contou, na semana passada.  Digna de um  conto, mas travei. Por isso  trago aqui ela crua, quero ajuda, aceitam-se versões.

Década de 1950, ele planejou durante anos um cruzeiro. Incutiu.
Tudo passou ao  segundo plano, tudo era em razão da viagem,  o navio partiria do Rio, ele embarcaria no porto de Salvador em direção às mulheres, à Europa.
Sonhou,  trabalhou, economizou, descuidou do corpo, arruinou os dentes.

Mas o dia chegou. Passagem comprada, ternos de linho comprados, chapéus, dentes novos, superiores e inferiores.Embarcou. Primeira noite, a festa do comandante, cercou quatro. Quase.

Mas bebeu, bebeu, bebeu. As mulheres se recolherem, a  lua apareceu, o mundo girou. Levantou e se apoiou no parapeito do navio, lançou tudo ao mar.Comida, dentes e sonhos.

Seguiu viagem, toda a viagem, trancado no camarote.

Imagem: http://bit.ly/1pCAD7u

Minha versão em construção

Cruzeiro

A vida é aquilo que acontece enquanto você planeja.”
John Lennon.

Debruçado sobre a balaustrada da Praça Castro Alves observa o movimento dos barcos na baía. Completa 35 anos na próxima terça-feira, véspera do embarque. (…)


O lugar

04/11/2014

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Aos 15 anos, vindo do interior de Conquista, pisei pela primeira vez no carpete do teatro meu chinelo de couro. Muitos shows do projeto Pixinguinha com a camisa azul e os colegas da ETFBa, fui me acostumando, me viciando nas suas escadarias, um dos lugares mais mágicos desta cidade. Naqueles dias vi e ouvi Cartola. Só por isso valeu. Depois vi nascer a OSBA. Um belo dia me vi trabalhando nas entranhas daquele gigante, em todos os sentidos. E cresci. Vi Gil cantar pela primeira vez sua recente A linha e o Linho. Outro dia vi nascer o Neojiba e me emocionei. Vi o teatro lotado, no Domingo no TCA, de gente de todas as partes da cidade ocupando aquele lugar especial antes restrito.
Domingo será mais um dia especial. Tomara que lote mais uma vez.


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