A cratera de Matarandiba

planta final matarandiba

Por dever de ofício, acompanho os jornais diários, sites de notícias e noticiário na TV. E como fiz curso técnico em Geologia, fiquei ainda mais intrigado com a notícia da descoberta de uma cratera de 71,7 metros de comprimento, 27,7 de largura e 45,4 de profundidade, em junho, por moradores da Ilha de Matarandiba, entre Itaparica e o continente, região de manguezal, na foz do Rio Jaguaripe.

Mas o que saiu na imprensa não responde a muitas perguntas óbvias. Resolvi pesquisar mais, já que o noticiário que vi se limita a usar como fonte apenas a empresa Dow Química, que atua como mineradora na ilha e parece ter mais interesse em se eximir de responsabilidades e ganhar tempo, em vez de esclarecer as causas do que está acontecendo. Ontem, a Dow Química divulgou  a ampliação da cratera em 6 metros no comprimento e 3,3 na largura apenas no mês julho.

Busquei então um geólogo e ele foi incisivo: a situação é crítica, há riscos sérios de ampliação e propagação da cratera e é preciso a intervenção mais efetiva de instituições como CREA, Instituto de Geociências da UFBA e INEMA para exigir mais estudos, esclarecimentos e providências. Estes órgãos podem ouvir  profissionais de geologia, geografia, oceanografia e geofísica para elucidar  o que está acontecendo.

Vejamos:

Há 46 anos, a empresa extrai do subsolo sais de sódio e potássio, conhecidos também como salgema. Para dissolver o minério, que está em profundidades superiores a mil metros, é injetada água no subsolo, que retorna à superfície na forma de salmoura.

Levada por um duto de 51 km de extensão, nos assoalhos das baías de Todos os Santos e de Aratu, para a planta industrial de Candeias, a salmoura é utilizada como matéria-prima para a produção de cloro, soda cáustica e outros insumos industriais.

A cratera surgiu a 1,1 km do povoado, próximo da represa construída para acumular a água utilizada na extração do minério (veja mapa do google acima).

Ao contrário de outras minas de subsuperfície, onde são construídos pilares de sustentação, nada é colocado para sustentar o vazio subterrâneo surgido depois da dissolução do mineral no subsolo.

Recentemente, houve também deslizamento de terra numa praia da ilha, fato nunca antes registrado pelos moradores e que pode ter também relação com o surgimento da cratera.

Será que vamos precisar de mais uma tragédia envolvendo uma mineradora para ter mais respostas das instituições interessadas?

Vídeos e matérias sobre o assunto
Atualizado em 17/08/2018

Registro  mais recente, no Jornal A Tarde, de 14 de junho

a tarde

http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/1984813-cratera-em-matarandiba-registra-aumento-e-chega-a-quase-78-metros

Matéria publicada pelo G1 em 13/06

g1 13 06
https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/cratera-gigante-misteriosa-com-quase-50-metros-de-profundidade-surge-na-ba-e-preocupa-moradores-medo.ghtml

 

Vídeo publicado em 14/06. Entrevista de Gil Santos com o morador Jonata, da Vila de Matarandiba, que descobriu a cratera durante uma caçada com um amigo.

Vídeo publicado em 14/06. Entrevistas de Gil Santos com moradores. São mostradas as rachaduras surgidas em casas da Vila de Matarandiba.

 

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Alemanha, Bélgica e Sampaio Correia

Sete a um

São quatro da tarde e daqui a pouco, há exatos quatro anos, o Brasil vai tomar sete da Alemanha.
Dois dias depois dos 2×1, e quase 24 horas após o 0x0 deito ali na rede e começo a ler o livro SETEAUM pelo conto 8 de julho de Lima Trindade.
Nem tudo está perdido.
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Gol de Marcus Borgón.
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Mais um, de Eliezer César, à la Adeus, Lênin.
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Lula solto e preso umas quatro vezes.
Gol de Carlos Barbosa.
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Gol feminino, da gaúcha Cláudia Tajes.
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Mayrant Gallo, 6×0.
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7×0 com Luís Pimentel e sua alemoa.
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Intervalo. Mais tarde volto para o gol de honra alemão e as considerações finais.
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E o gol de honra do alemão Hans-Ulrich Treichel não poderia ser menos irônico ao nem tocar nos 7×1.
E ainda teve o bônus do ensaio de uma alemã, Dagrun Hintze.

Enfim, um ótimo e divertido livro neste domingo de aniversário de quatro anos do Mineiraço e ressaca de duas novas pancadas, uma na sexta novamente com a Seleção e outra no sábado com o Minha Porra.

Foto: Editora Cousa

Desenharam pra mim

Aos 17, desci de Conquista na boleia de um caminhão de carona, e de carona em carona conheci a parte antiga de Minas, subi pela Belém-Brasília num caminhão carregado de pneus de trator para a construção da usina de Tucuruí, entrei pelo Maranhão e desci pelo litoral. Conheci muito caminhoneiro, ouvi muitas histórias. Tenho um tio que foi assassinado ao volante de um caminhão, um primo que morreu num acidente, também ao volante, enfim, conheço um pouco essa realidade.

E ao ouvir muita baboseira sobre o que está acontecendo, finalmente encontrei em dois vídeos as versões que resumem quase toda a ópera. A de um caminhoneiro, que de quebra dá uns cascudos na mídia, e a de um estudioso do assunto. Dá gosto ouvir quem vive uma realidade e quem entende do recado.