54

09/03/2015

1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015…

Visto assim, em números, é bastante.


Aqui e agora

20/02/2015

De dentro

16/02/2015

1097984

Depois de mais de 20 anos entrei novamente no Carnaval. Soltei o corpo, dancei. Do Campo Grande à Castro Alves, encharcado, com a alma leve, no embalo da BaianaSystem na sexta à noite.

Nos últimos anos vi a festa de fora, pela TV ou a trabalho. É bem diferente,  mesmo estando ali perto, observando de um praticável ou até andando na rua.

Desta vez entrei, de cabeça, corpo e copo com Soraya, num liquidificador de gente e som. Um mix de gente bonita, diversa. De gente de vinte e poucos anos. De um pouco mais do que eu só vi Marcio Meirelles, trocamos um abraço encharcado.

Este reencontro com o Carnaval foi meio por acaso. De repente avistamos lá no final do Campo Grande a concentração e ao nos aproximar, ouvimos o coro “Afasta a dor nefasta”. Gostei da frase, gostei da palavra de ordem, veio a calhar, embora hoje aprendi que na verdade Russo Passapusso cantava “Afasta onda nefasta”.

Afastei e entramos na onda sonora, até à Praça Castro Alves.

Na passagem pela passarela do Campo Grande,  uma saudação às mães do Cabula quebra o silêncio da cidade. Ficou o  registro aqui neste vídeo, órfão de texto,  do G1.

Na volta vi o Carnaval vivinho da silva, as pessoas quebrando, dançando, se esbaldando como sempre. Mas no sábado pela manhã outro Carnaval, louro e angelical,  estava estampado na capa dos jornais, quase sem novidades.

Jornal adora o passado. Como bem diz meu amigo Josias Pires, quando sai no jornal é porque todo o mundo já sabe.

 


10

15/02/2015

20150215_065813


Maré

23/01/2015
Pratigi

Pratigi

“Guarde suas lágrimas porque o pior está por vir”. Ando numa maré tal que há dias rumino esta fala do cavalo do jovem herói do conto infantil russo “O pássaro de fogo” quando algo errado acontecia. A frase cai como uma luva nas mentes chegadas a um catastrofismo como a minha embora no conto tudo acabe bem no final.

Só para ilustrar a maré, duas historinhas. Das mais amenas, porque isso aqui é mas não deveria ser muro das lamentações.

Sempre fui chegado a uma furadeira e empresto meus atributos de brocador. Atributos desmoralizados quando esta semana consegui fazer jorrar água com precisão de mira a laser em dois canos em duas paredes de um mesmo banheiro.

Sempre fui o preparador de ovos mexidos da casa deste quando éramos dois. Hoje somos cinco e o ritual começa com ovo por ovo despejado num copo antes de ir para a frigideira depois de avaliado. Resolvi colocar direto e pela primeira vez na vida misturei um goro, o último.

Viver é sempre  arriscoso mas tá na hora desta maré virar.

O jeito é ir para onde tenha sol, como diz a velha canção do Júlio Nastácia. O jeito é ir para o Pratigi.

É pra lá que eu vou.


ZIP

14/01/2015

Nao é permitido

– Não me bate que eu não sou vagabundo, nem ladrão, nem ‘estrupador’.
Quatro da manhã deste domingo na emergência lotada do Hospital do Subúrbio, a lógica torta do paciente surtado e com o maxilar fraturado soava aos brados em protesto contra o policial que lhe aplicava sopapos como calmante depois dele se desamarrar da maca mais de uma vez. Espancar em vez de conter um paciente surtado não cabe no manual de nenhum hospital. Nem se ele fosse ladrão ou estuprador.

Quem viu a barata foi Dan, cabelo estilo Neymar, que recebeu uma bala  saída de um cano de revólver enfiado na boca e está há mais de trinta dias estirado lutando para quem sabe sair do hospital tetraplégico. Coberto de escaras, passou o dia quase todo sem ser trocado. Diante do apelo de quem não aguentava mais as solicitações do rapaz, um som esganiçado saído do buraco da traqueostomia, a funcionária argumenta: é esse aí que rouba o seu celular.

A barata foi devidamente esmagada por Soraya, reincidente no gesto de matar barata, uma na emergência outra na enfermaria.

Depois de solicitar algumas vezes a troca da bolsa de urina cheia de um paciente, a acompanhante ouviu a resposta irritada da funcionária: tá cheia mas não vai explodir. Madrugada, mesmo paciente com diagnóstico de pneumonia está completamente molhado, é solicitada uma troca de roupa de cama. Negativo. É só uma por dia, há problemas na lavanderia. O copo descartável também tem que durar o dia inteiro.

Claro, há atendentes atenciosas, médicos também. E o aspecto geral do hospital não é ruim, melhor até do que enfermarias de outros hospitais da rede privada. Mas há uma  distância entre o que o hospital propaga e a realidade. As pessoas sabem disso. – Isso aqui é igual ao Itaú, diz um, só tem estrela. – Na televisão é tudo maravilhoso, diz outro. E as pessoas reclamam, sim, mas o protesto chega a lugar nenhum.

Depois de cinco ou seis dias em observação, paciente com diagnóstico de pancreatite foi informado de “alta” até o surgimento de uma vaga para cirurgia. Caso piorasse, poderia voltar. Rodou a baiana e a biblia, ameaçou  um abaixo-assinado com  os irmãos da igreja, lembrou que aquilo ali era bancado por seu imposto, que até numa caixa de fósforo a gente paga imposto.

Ele tem toda a razão. O imposto da caixa de fósforo e de tudo o mais consumido por nós integrantes do universo dos  ZIP, aquele formado pelos Zero Important People, é juntado centavo por centavo até completar R$151,5 milhões anuais mensais, ou mais de R$400 mil/dia para os 313 leitos, entregues à empresa privada que administra o hospital, segundo matéria publicada na revista Época no início do ano passado.

Se levarmos em conta a revista e instituição acreditadora contratada, o Hospital do Subúrbio beira o paraíso do atendimento público. Não foi o que vi e ouvi nestes dias.  Na foto aqui publicada, Peterson tenta falar com o irmão internado e a mãe acompanhante. Veio de Itacaranha, neste sol de Verão, mas foi barrado na porta porque estava de camiseta, vestuário integrante da lista de proibidos afixada na entrada. Neste mesmo dia vi jalecos brancos passeando fora do hospital, o que do ponto de vista de segurança hospitalar parece bem mais grave.

As duas barras nas cores amarela e preta com a corrente que aparecem na foto é para organizar a fila das visitas. A regra é clara: só duas visitas por dia e uma por vez, das 15 às 17 horas. Próximo de três da tarde o segurança dá um grito para as pessoas se levantarem e entrarem em fila para o início da operação de entrada. O clima é de uma mistura de reformatório com quartel em ordem unida. Um paciente murmura, nem no hospital de  Irmã Dulce é assim. Lá não tem limite para visita.

O hospital fica a cerca de 25 km do centro da cidade, o acesso é difícil, pela BR, mas os horários de troca de acompanhantes são rígidos: 8 às 9, 13 às 14, 18 às 20h30. Fora deste horário, que não coincide com o de visita, tem que falar com a assistente social uma via crucis ainda não vencida por mim desde ontem.

Enfim, todo este relato aqui foi feito na esperança de chegar a quem pode avaliar o que está acontecendo. Meu amigo Ronaldo Jacobina, que tem acesso ao círculo VIP, marcou no penúltimo post o secretário de saúde do Estado, integrante do seu círculo de amigos no facebook.

Eu então me animei  com a possibilidade de escuta e detalho aqui hoje mais alguns episódios, na esperança de alguma  coisa ser feita para diminuir a distância entre a fantasia das matérias encomendadas  e a realidade, dura realidade de quem pertence ao círculo ZIP.


O céu, as grávidas, o quartzo, a fila no Aristisdes Maltez e o mineiro

12/01/2015

20150111_191819
Impossível não olhar para o céu de Salvador nestes dias, especialmente ao entardecer. É preciso dizer, os dias estão lindos, o tempo chama pras ruas – não é à toa que a Barra está entupida de gente – pra areia, pro litoral. Tento sintonizar estas coisas, afinal estou em férias, é Verão e a vida tem que ser bela.

Mas meus olhos incutidos cismam em olhar em outra direção. É como quando frequentei o curso técnico em Geologia, quartzo, feldspato e mica me saltavam aos olhos nos paralelepípedos. Quando trabalhei na Coelba, de repente as subestações ficaram todas visíveis. Nas três gravidezes de Soraya, o mundo inteiro engravidou junto.

Talvez por isso, por essa sintonia destes dias,  hoje às 5 e meia da manhã recebo o bom dia de uma fila de mais de quatrocentos metros na porta do Aristides Maltez, semelhante àquela de 2013, registrada aqui.

Impossível não ver a fila, impossível não se incomodar nestes dias em que de alguma maneira estou nesta fila, frequento a rede pública de saúde. E minha cabeça, apesar deste céu de janeiro, não deixa de latejar com perguntas quase infantis.
Por que é assim? por que tem de ser assim? por que não muda? o que precisa ser feito para mudar?

Vou continuar, mesmo sem resposta,  me incomodando, incomodando você. Difícil acostumar com isso.

É mais ou menos  como naquela velha piada do mineirinho, esbaforido e agoniado diante do compadre:
–  Corre, vem ver, tem um mulherão  tomando banho pelada ali na lagoa.
–  Uai, até parece que você nunca viu mulher nua, retrucou o compadre.
–  Claro, uai, já vi muitas. Mas nunca me acostumei.


Somos todos Paris ou Periperi?

10/01/2015

marcaHS2

O grito é de mãe.
– Ele é diabético, ele está vomitando sangue.
O grito sai às oito horas da manhã, depois de mais de quatro horas de espera e zero atendimento. Comecei a filmar, de longe.

Um grupo maior do que o do atendimento, formado por funcionários, seguranças e policiais se armou em torno de mim. Apaga, não apaga. Não havia  imagem especial nenhuma, apenas os gritos da mãe, mas apagar aquele material era questão de honra para eles.

Manter também pra mim era, especialmente diante dos argumentos de que eu não tinha nada a ver com aquilo, que o meu paciente já estava internado, que mal agradecido que éramos, eu e Soraya, fazendo tumulto.

Sim, nosso paciente já estava internado. Mas isolado por 10 horas, sem que uma informação sequer fosse passada. Informação finalmente conseguida a fórceps depois de um noite de vigília. Informação obtida por conta dos argumentos pouco usados ali, de alguma maneira fomos privilegiados por manusear palavras.

Aquele  hospital com fachada aparentemente moderna, forma um círculo  de isolamento, uma linha de acesso, difícil de ser transposta. Esta noite estava lotado, dizem sempre estar lotado.

E quem consegue entrar, transpor a barreira do atendimento, cai num território isolado, onde o único direito dado a quem fica de fora é esperar até 15 horas do dia seguinte para ter acesso a alguma informação.

Madrugada. O homem com  afundamento de crânio perdeu a paciência, arrancou o acesso, pegou suas coisas e foi-se embora, acompanhado pela mulher.

No grito, um porteiro conseguiu internar a mulher na madrugada, depois de ter ficado manhã, tarde, noite fora da linha de acesso, a porta que separa atendimento e espera, a porta que não dá acesso a informação alguma.

Nos últimos dois dias eu havia matutado sobre Paris, sobre liberdade, fraternidade, igualdade. Essas coisas de uma Europa  pré-1800 que ainda não chegaram ao círculo de isolamento e micropoder do hospital do subúrbio, em Periperi desta noite de 2015 na Bahia.

E o que mais incomoda nem é a situação, o mau atendimento, o exercício de poder pelos  porteiros, seguranças, assistentes sociais. O que incomoda é a grande farsa no site do hospital. Dois mundos, o mundo do site, com missão e visão de belas palavras. Bela viola.

Levado a uma sala do posto policial e na iminência de ser conduzido a uma delegacia, cedi. Humilhado, tomei a decisão, apaguei o grito da mãe. Alívio geral, me estenderam a mão e eu apertei a mão de todos, estava estabelecida a síndrome baiana de Estocolmo.

Olho os jornais de hoje e  eles só falam de Paris. Da liberdade agredida em Paris, da violência em Paris. Sim, como ficar indiferente a tanta violência em Paris?

Difícil  entender também como ficamos indiferentes a tanta mentira, farsa e violência 24 horas por dia, ali, em Periperi.


O dia de Irismar Reis

06/01/2015

Assim como as cartas de amor, os posts confessionais são ridículos. Especialmente com o passar do tempo. Mas como bem acusou o poeta, posso revidar e chamar de ridiculo que nunca os cometeu. Invoco também Nego e Pierre Onassis e autorizo: pode falar, pode rir de mim.

Segue então, texto escrito há sete anos, num dia como hoje, de Reis. Talvez não hoje não o escrevesse com estas palavras, mas dele não retiro uma vírgula do sentimento.

Hoje é dia do Santo Reis

E do aniversário de Irismar Reis de Oliveira, uma das pessoas mais importantes da minha vida. Tia Maria foi advertida pela professora que aquele garoto calado e distraído tinha algum problema. Hoje, tia conta esta história com o orgulho de mãe coruja elevada à décima potência como ela sempre foi. De fato, o menino era especial e se tornou também um adulto especial. Virou médico, mestre, doutor, professor livre docente, ganhou o mundo e  e continua um garoto distraído e sangue bom.
– Vamos Marcus, levanta!
Era uma ordem firme e carinhosa para me tirar  da prostração, do buraco existencial de uma bruta depressão em que me meti quando tinha 20 e tantos anos e que de lá não sairia não fosse a sua ajuda. Além de me acompanhar em todo o tratamento, ele saía da sua casa na Federação e ia até o Garcia me arrancar da cama, levar para andar na Barra, devolver em casa para só então seguir sua rotina na universidade.
O que dizer a um cara desses hoje e sempre?
Parabéns! E, mais uma vez, obrigado!


El reloj e o bar do WhatsApp

31/12/2014

O tempo, este mistério,  intriga desde que me entendo. Talvez a primeira música da infância, El reloj, talvez daí o encanto pela língua espanhola.

Mas o tempo, o tempo. Ao andar pelas estradas de Iaçu vem a lembrança dos carros de boi na estrada para o Barreiro, em Tanhaçu, o canto do carro de boi da infância. Por mim passam hoje as motocicletas, o tempo é outro, da velocidade como previu Calvino – como diria nossa amigo Franciel, receba uma Ítalo pelas caixas, incréus,  mas é acidente. O livrinho foi presente de amigo secreto da virada do milênio, não sou estes leitores todo, mas esta história da velocidade me pegou.

Nem certo, nem errado passar depressa, apenas a certeza de que a cada dia é mais rápido o tempo passado.

Há uns anos, por exemplo, a novidade era desejar feliz ano novo pelo celular, numa loteria para conseguir sinal, quem sabe mãe, pai e uns poucos amigos. Hoje apenas um meme no WhatsApp serve para trocentos grupos que chegam a outros trocentos amigos.

A televisão perde terreno muito rapidamente. Antigamente, muito antigamente, nome de novela virava bar, como o Pé na Jaca, na estrada Iaçu-Ipirá. Mas hoje a tela é quase ignorada, a TV serve talvez apenas para relógio de contagem regressiva.

É a era do WhatsApp e o assalto em voga em Iaçu é motoqueiro roubando celular das meninas.
Moto e celular e whatsApp, Viva 2015!

Bar do WhatsApp

P.S – velho tem mania de guardar coisas. Guardo duas receitas de ano novo, uma de Carlos e outra de Juan.
Aqui as duas a quem interessa possa:

Carlos: http://pensador.uol.com.br/frase/MTM0MDQ5/
Juan: http://nemvem-quenaotem.blogspot.com.br/2008/12/receita-pra-virada.html

 

 


Volta pra casa

23/12/2014

Das festas impositivas Natal é a mais estressante. Tudo se afunila e todos os prazos são dia 23, com várias confraternizações pelo meio e a melosidade das boas intenções dos cartões e das mensagens. Pra piorar, cinco dias depois vem a festa cujo imperativo é ir para algum lugar.

Mas o que fazer? Entrar no clima.

E desta maneira, neste embalo de balanços de fim de ano, faço também minha promessa de ano novo, motivado por um provérbio chinês visto advinha onde? Numa mensagem publicitária de Natal:

“Antes de começar a reformar o mundo, dê três voltas em sua casa”.

Parece fácil de cumprir, mas a facilidade é enganadora. Especialmente quando você lê sua casa como seu corpo, sua alma, seu ponto de vista.

Desejo então para 2015 mudanças profundas na casa de todo mundo.


Espetinhos

12/12/2014

Saio em busca de uma lista de remédios perto de casa. Faltou um. Resolvo então andar os cerca de 1.500 metros entre o Acupe e o Largo da Cruz da Redenção, pela D. João VI, ao encontro de outras três farmácias e da garantia de que voltaria com a compra completa.

Sete da noite de sexta-feira, gente, muita gente, na volta pra casa, a fazer compras de última hora, do fim do dia, a beber, a comer, no vai e vem da mudança de turno das ruas de comércio, de botecos, de um tudo. Brotas é um bairro de um tudo, de muita gente nas ruas, de calçadas cheias. Este é o principal motivo da minha alegria nesta penúltima morada em Salvador antes dos dois metros quadrados definitivos.

Se um turista fizesse o mesmo percurso imaginaria que o espetinho –  no meu tempo diziam ser de gato – fosse nossa comida mais típica, apesar de quase uma dezena de baianas de acarajé além de pontos  de mingau, filas para beiju, carrinhos de milho cozido, cachorro quente. Comida é que não falta na rua.  Mas espetinho neste trecho é soberano, servido nas mesas da matriz e das duas filiais da rede Espetinho do Bolero e no Baú do Espetinho, todos lotados. E também nas esquinas, nas calçadas, lá está ele aqui e ali a queimar, sempre cercado de gente, de cerveja e do arrocha.

Não tem como evitar a lembrança da morte, da doença, mesmo com toda a vida nos passeios. Passo por duas funerárias, dois hospitais, muitas clínicas, faculdades da área médica. Alguns  pontos de ônibus concentram mais dores, de quem vem dos tratamentos, de quem acompanha tratamentos.

Se tem morte, tem igrejas,  muitas igrejas, católica, evangélica, pentecostal. A de Nossa Senhora de Brotas, a mais antiga, vazia e enfeitada, à espera de um casamento. Salões de beleza lotados, festa infantil num playground já animada. Frutas, todas que você imaginar, banana a preço de banana, a 1,99 a penca, na promoção da calçada, muitos mercadinhos.

Traio minha baiana e experimento o abará com pimenta da outra. E gosto mais, talvez pela novidade, motor das aventuras. Chego em casa, compra completa,  abro um vinho chileno barato e potencializo meu amor por Brotas.

 

 


Sem hora

16/11/2014

Cruzeiro

08/11/2014

id_16462_r1

Com uma história na cabeça desde que Simone Prazeres  me contou, na semana passada.  Digna de um  conto, mas travei. Por isso  trago aqui ela crua, quero ajuda, aceitam-se versões.

Década de 1950, ele planejou durante anos um cruzeiro. Incutiu.
Tudo passou ao  segundo plano, tudo era em razão da viagem,  o navio partiria do Rio, ele embarcaria no porto de Salvador em direção às mulheres, à Europa.
Sonhou,  trabalhou, economizou, descuidou do corpo, arruinou os dentes.

Mas o dia chegou. Passagem comprada, ternos de linho comprados, chapéus, dentes novos, superiores e inferiores.Embarcou. Primeira noite, a festa do comandante, cercou quatro. Quase.

Mas bebeu, bebeu, bebeu. As mulheres se recolherem, a  lua apareceu, o mundo girou. Levantou e se apoiou no parapeito do navio, lançou tudo ao mar.Comida, dentes e sonhos.

Seguiu viagem, toda a viagem, trancado no camarote.

Imagem: http://bit.ly/1pCAD7u

Minha versão em construção

Cruzeiro

A vida é aquilo que acontece enquanto você planeja.”
John Lennon.

Debruçado sobre a balaustrada da Praça Castro Alves observa o movimento dos barcos na baía. Completa 35 anos na próxima terça-feira, véspera do embarque. (…)


O lugar

04/11/2014

1653248_890876530930619_6804091082484912296_n

Aos 15 anos, vindo do interior de Conquista, pisei pela primeira vez no carpete do teatro meu chinelo de couro. Muitos shows do projeto Pixinguinha com a camisa azul e os colegas da ETFBa, fui me acostumando, me viciando nas suas escadarias, um dos lugares mais mágicos desta cidade. Naqueles dias vi e ouvi Cartola. Só por isso valeu. Depois vi nascer a OSBA. Um belo dia me vi trabalhando nas entranhas daquele gigante, em todos os sentidos. E cresci. Vi Gil cantar pela primeira vez sua recente A linha e o Linho. Outro dia vi nascer o Neojiba e me emocionei. Vi o teatro lotado, no Domingo no TCA, de gente de todas as partes da cidade ocupando aquele lugar especial antes restrito.
Domingo será mais um dia especial. Tomara que lote mais uma vez.


Seu filho, 13.

31/10/2014

Sai oficialmente da infância hoje, embora há algum tempo já ostente corpo, jeito, cara de adolescente.

Seu filho detesta exposição na internet e proíbe seu pai de tirar fotos. Publicar, nem pensar. Seu filho surpreende seu pai, não sua mãe que o conhece muito mais e está sempre elogiando suas qualidades, embora jogue duríssimo com as notas da escola. Outro dia seu pai precisou usar o computador de seu filho e tomou um susto. Ali na arrumação da tela, na escolha dos programas, na forma de se relacionar com a máquina estava uma pessoa desconhecida, e muito, muito especial, como todo filho.

Seu pai não presta, é um péssimo pai. Mas ama seu filho. Sabe disso.

Se você chegou até aqui e aguentou esta confusão, explico. André quando aprendeu a falar deduziu o seguinte. Se todo mundo dizia pra ele seu pai isso sua mãe aquilo, ele começou a me chamar de seu pai e a Soraya de sua mãe.

Parabéns, meu filho.

 

 


Promessas

27/10/2014

unnamed (2)

Votei nulo. Não acreditei nas promessas de melhoras no país feitas por ele. Não acredito nas mudanças prometidas por ela, a imagem daquela galera ao fundo na coletiva, a turma aliada, sustenta com folga minhas dúvidas.
Mas vi nas ruas ontem uma grande festa desde cedo. Além do céu azul, do mar delicioso e dos aviões de carreira sobre o mar de Ipitanga a apontar necessidades de maiores viagens interiores.
Vivemos hoje num país onde, bem ou mal, as pessoas decidiram a política no voto, uma alma, um voto.
Minha alma pede mudanças interiores, primeiro. Tenho dúvidas sobre vitórias aqui também.
Como os políticos, mantenho as promessas.


Amigo de carteirinha e troféu

20/10/2014

unnamed
Agora tenho um troféu na minha estante.

Em mais de meio século de existência nenhum prêmio, nenhum troféu, nem bilhete na loteria, nem rifa das moças, nem nada. Vivia igual ao Vitória, sem nenhum título. Aliás, conseguia ser pior, nem vice era. O melhor que consegui na vida foi um jogo de panelas no terceiro lugar num programa de calouros num domingo, no cinema em Castro Alves, quando aos 12 anos respondi sobre “A Origem do Homem”. Até hoje quando ouço australopitecus ou homem de Java me lembro deste dia.

Mas voltando à noite de ontem, eis que finalmente minha vida de loser, como dizem os americanos nos filmes, finalmente teve um final feliz.

Fui laureado com o troféu Amigos da Picolino, a mais alta honraria deste circo instituição, lugar onde aprendo muito sobre erros, acertos, tombos, malabarismos, e, principalmente, a dar meus pulos nesta vida louca vida breve, vida imensa.

Todo TDAH tem um momento chamado de hiperfoco, quando canaliza todas suas energias para um fim. No meu interior chamam isso de incutimento, pior que doidice. Mas neste momento este incutimento tem gerado benefício para este projeto de pedagogia de vida que é o circo. Que seja assim.

Enfim, de verdade surpreendido, fiquei muito feliz, perdi a vergonha e subi para receber o prêmio ao lado de Clóvis, o capataz do circo, de quem já ouvi histórias incríveis do circo Vostok, onde ele trabalhou. E do dia em que fugiu com um circo. Um dia ainda conto isso aqui. Também recebeu a honraria a produtora Karine Paz, integrante da trupe que conduz toda essa loucura de administrar trocentas demandas tudo ao mesmo tempo agora da campanha ‪#‎SomosTodosGuerreiros‬.

Recebemos os títulos das mãos de duas generais vencedoras do Picolino: Carol Guedes e Luana Serrat.

Mas a guerra apenas começou, o tempo ruge e a sapucaia, como é mesmo Zé Wilker? A real é que a campanha ainda está abaixo da média de arrecadação diária para atingir a meta.

Portanto, vá lá e colabore, agora: http://www.kickante.com.br/campanhas/somos-todos-guerreiros-picolino-30-anos

entrea do trofe

Olha a gente na tela da Record. Por erro de corte aparecemos nos últimos dois segundos desta matéria veiculada hoje pela manhã. Karina, esta mão que recebe o troféu da Palhaça Kerolzene,  não quis subir ao palco e recebeu o prêmio desde o picadeiro.


Queria ser jornalista

12/10/2014

Foi a coisa que mais quis hoje à tarde, quando testemunhei notícia merecedora de um jornalista. Estavam  ali à mão, a notícia, as fontes, o ambiente. Mas  me faltaram o inglês, o jornal, a agilidade.

Estavam ali sob a lona do Picolino turistas estrangeiros. Voaram de várias partes do mundo para Salvador e embarcariam no final da tarde em navio da National Geographic para um cruzeiro diferente.

No picadeiro, crianças da companhia Mirim da Picolino, quase todas do projeto Conexão Vida,  numa parceria mantida por estrangeiros, por italianos que fazem adoção à distância e proporcionam a elas aulas de circo no turmo complementar. Na plateia 99 turistas, pessoas que pagaram mais caro para fazer um turismo especial, acompanhados por especialistas em botânica, cultura, música, pássaros. Sim, eles pagam US$ 1.000,00 por dia para entender o mundo.

Eu é que não entendo. Há cinco anos me chamou atenção uma notícia dos jornais. Governador, secretários, prefeito e uma caralhada de aspones foram assistir ao Cirque du Soleil levantar lona. Isso mesmo que você leu. Não foi espetáculo, os caras deixaram suas ocupaçoes para ver a lona subir. Nenhum deles se dignava naqueles dias a visitar um circo com aparência mambembe em Pituaçu, onde um menino da Boca do Rio começou, e que estreava na Bahia naquela semana como artista no mesmo circo merecedor da atenção deles para assistir a lona subir.

Os turistas do National Geographic Explorer viajam na contramão dos nossos turistas,  que vão a Las Vegas ver o Soleil. Eles preferem vir a Salvador ver o Picolino. Talvez tenha mais mágica, mais esforço, mais cenas do impossível do circo ali no picadeiro à beira-mar em Pituaçu, com crianças e adolescentes de cotidiano nada fácil  mas que sobem com elegância no trapézio, dão saltos e cambalhotas,  se contorcem no limite, deslizam com alegria no alto dos seus monociclos gigantes, caminham sem medo sobre o fio do arame, manejam com muitos acertos os seus malabares.

Enfim, minha cabeça de aprendiz de jornalista tinha a seguinte pergunta. Por que diabos pessoas que poderiam ir a qualquer lugar para ver o melhor feito em circo no mundo preferem vir assistir ao Picolino, com lona estropiada, instalações precárias? Consegui fazer a pergunta a um casal, Bart e Kathleen Little-Astor, da Virgínia, EUA. A resposta está ainda sem legendas  neste vídeo, mas em essência eles dizem que preferem ver a vida de outra maneira.

Não estou cético sobre o olhar da minha cidade e do meu país para o Picolino. As coisas começam a se mover. O caminho escolhido pelo circo/escola, o de financiamento coletivo para uma nova lona e um trato no visual do circo decolou hoje e decolou bem. Veja aqui.  A campanha é um duplo salto  de trapézio sem rede. É acertar ou acertar. Espero daqui a 60 dias comemorar a notícia de que teremos lona e circo novos.

Com sorte de aprendiz, descobri agora no google que o cara que entrevistei é escritor, autor de best sellers, de um guia de vida para quem tem mais de 50 anos. Justo a fase em que me encontro. Tentando ser jornalista sem jornal e sem inglês.

Agradeço a Cristiana Damiano, bióloga paulista, uma das especialistas embarcadas no navio para a expedição, que segue para Abrolhos, Ilhéus, Rio Parati e Rio Grande do Sul. Ela foi tradutora das minhas perguntas para a entrevista.

Viva o Circo. Viva o Picolino.


.

28/09/2014

10675744_10202661719199320_7138251672282331176_n

Fui em busca da filha e encontrei um olhar. Encontrei o tempo.
Parabéns  Luísa, pela imagem, por seu 28 de setembro.
Que seu tempo não voe, plane.


#SomosTodosGuerreiros

05/09/2014

plateia-picolino

O Circo Picolino está em busca daqueles que passaram por sua lona, que participaram de alguma maneira destes seus quase 30 anos. Eu sou uma dessas pessoas. Há poucos jornalistas em Salvador que nunca tenham feito uma pauta da Picolino a partir de 1985. Foi por esta época que entrevisteiAnselmo e Verônica Tamaoki e desde então sempre olhei com simpatia aquela lona e o trabalho que se realizava ali. Anos depois, Virginia Yoemi me convidou para um espetáculo, destes de formatura de fim de ano, a partir daí fui a quase todos e um belo dia resolvi integrar a trupe como parceiro na divulgação. Atendo agora ao chamado de Anselmo também como pai de aluna da Picolino, uma escola diferente, bacana, astral, que deve continuar seu trabalho com uma lona nova, bonita e, com seu entorno recuperado. Estamos juntos, colados nesta campanha. Veja aqui: http://circopicolino.wordpress.com/


Domingo, no Parque da Cidade

24/08/2014

arco-iris


Amanhece e tudo se perde

22/08/2014

unnamed

Muitas, muitas fotos deste amanhecer no Acupe de Brotas, pouco mais das cinco da manhã deste 22 de agosto de 2014 se perderam. Ficaram uma ou duas num álbum publicado no facebook. Também se perderam muitas fotos do dia a dia da casa, de uns passeios com a renca, das crianças comendo licuri no quintal da casa de Iaçu, de muitas cenas do cotidiano, da calopsita Lupi, que já se foi também.

Todas as imagens se apagaram por uma distração. Ao receber a sugestão de reinstalar o sistema no celular de um sujeito num estande no shopping para resolver um problema de não registro dos últimos telefonemas, esqueci completamente que com isso iriam embora também  as fotos. Nem os contatos telefônicos ficaram, embora o tal sujeito tenha dito que não os perderia.

Estou puto, mais chateado ainda porque não foram poucas as vezes em que posterguei acionar o salvamento automático em outro ambiente, gesto que me tomaria uns cinco minutos. Ainda postergo.

Só restou tomar o acidente como exercício de desapego, como ensinamento. Assim como as fotos, a vida também irá embora daqui a pouco, como as nuvens que já são agora mais claras, como eu e você , como a lua minguante da parte de cima da foto, como o dia já perto das seis, hora de acordar as crianças para a escola, .

Daqui a pouco é muito ou pouco tempo? quem vai saber?


96

21/08/2014

Ómnibus  (Bestiario, em português)

Ler depressa, comer depressa, trepar depressa, viver depressa, nunca deu certo. E ao ler depressa este conto, perdi detalhe crucial, um dos fundamentais para viajar melhor neste ônibus tão estranho e tão igual aos que nos acostumamos a pegar em qualquer cidade, a qualquer tempo.

Se você pretende ler o conto, pare por aqui. E aproveita para ler ouvindo o texto original neste vídeo. Bom demais para o ritmo e o entendimento.

Se quiser saber sobre minha desatenção, não notei um detalhe: todos, todos os passageiros  carregavam flores. Só soube disso ao ler sobre o conto e ao reler com atenção. Tá lá dito com todas as letras, embora aos poucos, e neste trecho, explicitamente: “Es natural que los pasajeros miren al que recién asciende, está bien que la gente lleve ramos si va a Chacarita, y está casi bien que todos en el ómnibus tengan ramos.” 

Mas o que você tem a ver com minha pressa, o meu esquecimento, o que eu li?

Confesso que acho estupidez correr pra cá e escrever sobre cada um dos contos lidos.

Mas encaro como uma retribuição por  informações que me foram úteis ao me interessar por eles. É uma forma nova de ler, de compartilhar, de reunir e disponibilizar o que ajudou no entendimento. 

 

 

Falar em versão,  é impressionante a quantidade de releituras em vídeos do conto. Basta buscar por  “ómnibus cortázar” no youtube. Se fosse fazer um vídeo com releitura, trocaria as flores por smartphones.

Faltam 96: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/


97

20/08/2014

3. Lejana (Bestiario, em português)

Lara/Diana, o duplo e o tal repertório.
Ler é prazer. E mais prazer depende de repertório? Se um texto se apresenta em camadas, são várias portas, avançar depende de sensibilidade e entendimento?

Em Lejana, ao contrário do dois anteriores, dependi de algumas chaves para ir um pouco mais além. Antes de ler, me avisaram que o assunto,  o tema central, é o duplo.

Já disseram também  que sensibilidade é informação concentrada. Desta maneira seria melhor  tocado pelo texto quem tivesse lido O Médico e o Monstro, de Stevenson; O Lobo da Estepe, de Hesse; O Monge Negro, de Tchekhov.

Mas minha principal referência de duplo é Irmãos Coragem, de Janete Clair.  Acompanhei as fantásticas mudanças de personalidade de Lara/Diana pela televizinha,  nos meus 11 anos de idade. Foi suficiente? Quem sabe?

O interessante é que estas referências são “descobertas” depois pelos leitores e críticos. Veja, nesta  entrevista, o que diz o próprio Cortázar:

-¿Por dónde empezamos?; ¿por el tema del doble? -aparece ya en un cuento tan temprano como “Lejana”, de Bestiario; la volvemos a encontrar en “Los pasos en las huellas”, deOctaedro.

-Sí, hay en mí una especie de obsesión del doble

¿Viene de la lectura temprana de Doctor Jekyll and Mister Hyde, de Stevenson, de “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, o toda la literatura alemana que está habitada por el tema del doble?

No creo que se trate de una influencia literaria. Cuando yo escribí ese cuento que usted cita, “Lejana”, entre 1947 y 1950, estoy absolutamente seguro -y en ese sentido tengo buena memoria- esa noción de doble no era, en absoluto, una contaminación literaria. Era una vivencia.

El tema del doble aparece ya con toda su fuerza en ese cuento. Usted recordará que se trata de una “pituca” de Buenos Aires que por momentos tiene como una especie de visión de que ella no solamente está en Buenos Aires sino también en otro país muy lejano donde es todo lo contrario: una mujer pobre, una mendiga. Poco a poco se va trazando la idea de quién puede ser esa mujer y finalmente va a buscarla, la encuentra en un puente y se abrazan. Y es ahí que se produce el cambio en el interior del doble y la mendiga se va en el maravilloso cuerpo cubierto de pieles, mientras la “pituca” se queda en el puente como una mendiga harapienta.

Futuquei por aqui: http://clescudero.blogspot.com.br/2007/12/anlisis-de-lejana.html

Faltam 97: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

 

 

 

 

 

 

 

 


Retardado, eu?

18/08/2014

Cortázar não se compara a Borges, fazer isso seria como  colocar na mesma galáxia É O Tcham e Pixiguinha, informa ldeIber Avelar.

Confesso que estava todo pimpão por entender no original e gostar de um cara reconhecido, até onde iam meus conhecimentos ontem, como dos melhores da literatura. Mas veio esta informação nova: Cortázar não é um grande escritor.

Estou pouco me lixando, também não sou um grande leitor. Acabou ficando melhor, pelo menos o motivo de gostar será apenas a  obra e não a a fama entre doutores.

Ainda bem que sou cronópio.

Das minhas frustrações nesta vida está a de não ter tido acesso a muitos dos dos clássicos da literatura. Queria poder ter lido no original e, de quebra, ainda tocar um instrumento. Fica pra outra vida. Nessa, me viro com o pouco que posso e meu TDAH deixa. E de vez em quando tento ouvir uma musiquinha.

No mais, sigo com pouca memória e pouca cultura, mas contemplado pelo google. Em poucos cliques em alguns dias tive acesso  a uma obra de um cara que continuo achando fantástico e a chaves a entendimentos que me tornam um pouco menos ignorante. Ou pelo menos me sentindo.

Mas com licença. A vida é curta e a lista de contos argentinos me espera. Borges tá na fila.

 

 

 


98

17/08/2014

2. Carta a una señorita en París (Português)

Bagunça, desorganização, insônia. Eu me vejo vomitando pequenos coelhos a vida inteira. E o conto trouxe à memória o dia trágico quando abri desconcertado a porta do apartamento que eu ocupava há quase um mês diante do dono que chegava de volta de um giro pela Europa. Atrás de mim, tudo  em frangalhos, como se 500 coelhos tivessem passado por ali.

Mas a história vai por muitos outros caminhos. Li pelo viés do humor. Mas nesta releitura em vídeo do conto, angustiante, uma das versões para o final que não me havia ocorrido na primeira leitura:

E aqui, um vídeo com a leitura do texto no original. Ouvi ao mesmo tempo em que lia a tradução e serviu para esclarecer algumas palavras não entendidas.

 

Faltam 98: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/


99 contos argentinos para ler antes de morrer

17/08/2014

CasaCortazar                 Casa na Rua das Pitangueiras, em Brotas, Salvador.

Casa Tomada, o primeiro da lista, via Saymon Nascimento, publicada neste site. Li o conto ontem durante uma assembleia de condomínio, local onde se fala  muito e se ocupa pouco a mente. O essencial entendi, mas reli traduzido e aí  incuti. Para quem viaja em casas antigas, o conto bate na veia. Depois fui ao google e vi que são muitos os vídeos, os estudos, as análises, enfim, muito se falou sobre Casa Tomada mas nada chegou perto do meu prazer em ler a história, seus detalhes, suas sutilezas. O texto me pegou logo na abertura:

“Gostávamos da casa porque, além de ser espaçosa e antiga (as casas antigas de hoje sucumbem às mais vantajosas liquidações dos seus materiais), guardava as lembranças de nossos bisavós, do avô paterno, de nossos pais e de toda a nossa infância.(…)

E em afirmações como como essa:

(…) Estávamos muito bem, e pouco a pouco começamos a não pensar. Pode-se viver sem pensar.(…)

Pouco do que li sobre o conto bateu com o que senti. Talves esteja aí o fantástico da literatura. E a intensidade com que um texto nos  impressiona  tem tudo a ver com o momento que se vive. Neste meu momento, o texto disse muito.

No encutimento, futuca daqui e dali, encontrei esta entrevista com Cortazar, feita em 1977 por um jornalista espanhol. Em 2 horas, fala da infância, do pai, da mãe, dos seus livros, de literatura, de política, enfim, um belíssimo documento.

 

Vamos então aos 99, transcritos deste post anterior:

100 Contos de Borges e Cortázar

Cuentos de Julio Cortázar

Bestiario (1951)

1. Casa tomada (Aqui em português)

***************************
2. Carta a una señorita en París
3. Lejana
4. Ómnibus
5. Cefalea
6. Circe
7. Las puertas del cielo
8. Bestiario

Final del juego (1956)

9. Continuidad de los parques
10. No se culpe a nadie
11. El río
12. Los venenos
13. La puerta condenada
14. Las ménades
15. El ídolo de las Cícladas
16. Una  flor amarilla
17. Sobremesa
18. La banda
19. Los amigos
20. El móvil
21. Torito
22. Relato con un fondo de agua
23. Después del almuerzo
24. Axolotl
25. La noche boca arriba
26. Final del juego

Las armas secretas (1959)

27. Cartas de mamá
28. Los buenos servicios
29. Las babas del diablo
30. El perseguidor
31. Las armas secretas

Todos los fuegos el fuego (1966)

32. La autopista del sur
33. La salud de los enfermos
34. Reunión
35. La señorita Cora
36. La isla al mediodía
37. Instrucciones para John Howell
38. Todos los fuegos el fuego
39. El otro cielo

Queremos tanto a Glenda (1980)
Cuentos de Jorge Luis Borges
Ficciones (1944)
El Aleph (1949)60. El inmortal
61. El muerto
62. Los teólogos
63. Historia del guerrero y la cautiva
64. Biografía de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)
65. Emma Zunz
66. La casa de Asterión
67. La otra muerte
68. Deutsches Requiem
69. La busca de Averroes
70. El Zahir
71. La escritura del Dios
72. Abenjacán el Bojarí, muerto en su laberinto
73. Los dos reyes y los dos laberintos
74. La Espera
75. El hombre en el umbral
76. El AlephEl informe de Brodie (1970)77. La intrusa
78. El indigno
79. Historia de Rosendo Juárez
80. El encuentro
81. Juan Muraña
82. La señora mayor
83. El duelo
84. El otro duelo
85. Guayaquil
86. El evangelio según Marcos
87. El informe de BrodieEl libro de arena (1975)88. El otro
89. Ulrica
90. El Congreso
91. There are more things
92. La secta de los treinta
93. La noche de los dones
94. El espejo y la máscara
95. Undr
96. Utopía de un hombre que está cansado
97. El soborno
98. Avelino Arredondo
99. El disco
100. El libro de arena

 

 


Adios Nonino

14/08/2014

Fmesseger - Cópia

Quem manda nesta porra? A cada 10 segundos recebo esta bendita mensagem, e ainda envolvem meus amigos. É aceitar ou aceitar. Nem o tal do livre arbítrio, esta grande fantasia humana, posso ter a ilusão de ter.

Pois bem. Me retei e vou devolver com a mesma moeda deles. Vou punir o facebook, inicalmente com 15 dias, como eles fazem com a gente. Vou zumbizar o meu perfil por duas  semanas, tal qual todos fizeram com o orkut. Abandono.

Se quando eu voltar eles continuarem, dobro o tempo.

Não quero usar o messenger e pronto final, como dizia Maria quando aprendia a falar.

Tal qual  aquela antiga lenda, meu gesto é semelhante ao da Inglaterra ao lamentar um cabo de comunicações rompido sob o Canal da Mancha: o mundo está isolado.

Deixo de recordação este belo tango argentino de despedida. Adios, amigos.

 

P.S Como não sobrevivo desconectado, continuo no coco pequeno http://www.licuri.wordpress.com e no twitter.com/MarcusGusmao


Admirável 2014

12/08/2014

Não deveria, mas ainda me espanto  ao ver um comentário na tela do computador abaixo da notícia da morte do ator Robin Williams: – verme.

O motivo? no programa Late Show, de David Letterman, o cara sacaneou com o Brasil ao dizer que o Rio de Janeiro  conseguiu a sede da Olimpíada à custa de strippers e meio quilo de pó. Vá lá, uma brincadeira clichê, mas como usuário de pó, tava brincando talvez com suas próprias seduções.

Mas verme? E não foi um nem dois comentários destroçando o sujeito. Foram muitos.

As caixas de comentários na internet exigem estômago. Num toque de mágica, toda o pensamento obscuro da humanidade surge ali exposto, transparente, com cor e cheiro, como um esgoto a  céu aberto. É preciso ter estômago para essa caixa de pandora sem nenhuma esperança.

Chico Buarque neste vídeo ilustra o espanto do artista diante das opiniões sobre ele na internet. Incrédulo, só consegue rir.

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 59 outros seguidores