Arquivo mensal: julho 2007

Coprofagia existencial


Em pouco mais de 15 dias, a programação da Walter da Silveira a mais tradicional sala do circuito de arte da Bahia, ganhou três capas e mais um tiquinho e mais outras tantas páginas internas com destaque e elogios nos cadernos de cultura dos jornais A Tarde e Correio da Bahia. Sem contar as matérias de TV e notas no rádio. E duas notinhas desabonadoras, por conta de acidentes de percurso. Ganha um doce quem descobrir o que repercutiu mais. Ganha dois doces quem adivinhar o que despertou mais o seu interesse, caro leitor, nestas primeiras linhas: o sucesso da programação ou os fatos que renderam as duas notinhas. O mundo é assim, adora uma coisinha no ventilador.
Seríamos nosotros humanos chegados a uma coprofagia existencial? Por que coisas no ventilador dão mais Ibope?
Quer outro exemplo?
Passei anos tendo que agüentar zilhões de matérias sobre o abandono da obra de Anton Walter Smetak,um suiço genial que andou por estas bandas e deixou um trabalho instigante de investigação musical. Muito justo. Mas ninguém ainda gastou verbo na intensidade necessária e justa para repercutir o projeto que levou seu neto, Ícaro Smetac, meu “amigo” de orkut à Venezuela, junto com outros 12 jovens baianos, para dar continuidade a um trabalho que será uma das coisas mais importantes que surgiram no ramo desde a década de 50, com a criação dos Seminários de Música da Bahia. Trata-se do Neojibá,uma sigla com sotaque baiano e que significa Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. Comandado por Ricardo Castro,um músico internacional, vindo lá de Vitória da Conquista como Elomar, Glauber e euzinho aqui.

O título ideal para este post seria: A Walter da Silveira está arrebentando e o Neojibá vai revolucionar a música na Bahia. Preferi cocô para garantir a leitura.

Anúncios

A Picolino, o gato e a física quântica

Equipe de rede em ação. Em breve, a Escola Picolino de Artes do Circo no JN.

São 3 horas da manhã quando, depois de colocar a foto aí em cima, começo a redigir este post. Soraya não aguentou o sono e foi dormir sem ver a homenagem a Noel Rosa no Som Brasil. Eu vi, não gostei de um certo artificialismo nas interpretações e espero coisa melhor no próximo, dedicado a Raul Seixas. Enquanto digito, FHC dá uma velha aula sobre multilateralismo e a crise internacional na TVE. Até agora não ouvi nada interessante. Só a suspeita de que o ex deve sonhar algum dia ocupar algum cargo na ONU ou em outro destes orgãos multilaterias que permitam muitas, muitas viagens, esporte predileto de presidente que ele não pode mais praticar sem enfiar a mão no bolso.

Mas resolvi postar motivado pela grande notícia do dia: a equipe de rede da TV Bahia gravou durante toda a manhã matéria no Picolino, pautada para o Jornal Nacional. Pressinto que a Picolino esteja prestes a dar o grande salto, um velho sonho do velho guerreiro Anselmo. Vamos ver no que isso vai dar.

Negro gato
Na verdade devia está postando aqui sobre o tal gato premonitor, como já cobrou Nilson. Não sobre a notícia em si, mas sobre a rapidez com que ela se alastrou e deverá ainda se alastrar pelo mundo nos próximos dias.
Assistia ontem ao Jornal da Globo quando vi a matéria pela primeira vez. Minutos depois já estava no IG, com um link para o site da BBC. Ao acordar, olha a notícia de novo na boca de Boechat, na Band News, que prometeu dá uma bicuda no bichano se ele aparecer por perto.
Seguramente, mais de um bilhão de pessoas hoje no mundo deve ter sido atingido pela notícia, em si bastante prosaica, mas que toca em temas universais como a morte, a premonição e a ciência. E gatos.
Liguei para Nilson, um cara entendido de gatos, não no sentido que você neste momento por acaso esteja pensando, mas como um dos donos de Chico, um negro gato que parece gente e pertence também a Emília e Caio.
Chico já provocou uma guerra homérica no condomínio quando era macho e costumava fazer barulho em busca das gatas do Rio Vermelho. Castrado, tornou-se silencioso e costuma descansar em cima do monitor do computador. Nilson com toda a paciência do mundo tira várias vezes o rabo do bichano da frente da tela para continuar trabalhando.
Lembrei de Nilson porque eu estava no trânsito e não tinha o google à mão para completar meu post mental. A idéia era argumentar que em poucas horas esta notícia do gato deve ter atingido mas gente do que alguma outra relacionada a gatos que tenha acontecido há algumas décadas.

Bingo. Nilson era um dos mais de um bilhão de pessoas que já sabiam da história e como um raro exemplar daquilo que antigamente a gente chamava de enciclopédia ambulante não só lembrou da história do gato de Winston Churchill, que teria acompanhado o dono no momento da morte, como também sobre a teoria da física quântica que diz, segundo entendi, que a probabilidade de um gato que você colocou dentro de uma caixa esteja vivo é de 50%. Não porque a caixa seja abafada ou coisa que o valha, mas por conta da nossa impossibilidade de garantir as coisas que não estejam sob o alcance dos nossos sentidos.

E ainda tirou onda dizendo que havia postado antes da notícia um poema sobre esta tal teoria e que tem justamente um gato preto como ilustração. De fato o cara escreveu um belo poema intitulao Caixa- preta, no dia 25, portanto antes do artigo sobre Oscar, mas eu nem tinha notado o gato preto na caixa nem a teoria quântica contida no poema. O cara joga as cajá como dizem por aqui.
Depois de gastar uma fortuna de celular e correr o risco de receber a milionésima multa de trânsito neste longo papo cabeça com Nilson, que incluiu também a informação  sobre a estratégia dos persas de colocar gatos a frente do exército como escudo contra os egípcios que os adoravam, cheguei ao trabalho e não tive mais tempo de pensar no post. Mas ao acessar a lista dos jornalistas para pirraçar um pouquinho os companheiros de plantão eis que já estava lá o link para o blog Forquilha, de Vanda Amorim, que falava justamente… de Oscar.

Vou continuar seguindo esta notícia para ver até onde ela vai. FHC agora fala na televisão do sonho de uma sociedade civil planetária que pudesse evitar a guerra, sugerida por um utópico mas não me atrai para a sua aula. Talvez a utopia da paz só se concretize no dia em que a gente entender de fato como os bichos conseguem pressentir a morte.

P.S Fui pesquisar como se escreve Winston Churchill e encotrei esta página sobre gatos.

Olha só a cara do Oscar…
foto

Atualizado em 29/07 – Exagerei na estimava, mas não muito. Uma geral na rede revela que o assunto foi notícia no mundo todo. Distribuída pela Associated Press(AP, saiu nos sites dos principais jornais. Esteve entre as cinco mais acessadas na CNN e teve direito a vídeo no Fox News. No Yahoo actualités a foto acima esteve entre as 10 mais vistas nos últimos dias. A busca casada de “oscar the cat” e “The New England Journal of Medicine” no goggle gerou 91.600 registros. E isto não é pouco. Jogue apenas “oscar the cat” google e veja a dimensão do alcance desta história “banal”.

Mas o melhor comentário que vi foi mais ou menos o seguinte (infelizmente, perdi o link):

Não seria uma inversão de causa e efeito? O gato, a chegar no quarto, não estaria provocando a morte do paciente? Perguntou alguém num comentário de notícia de um site americano.

Neste caso teríamos o primeiro caso de um gato serial killer da história.

Atualização: Veja aqui a matéria citada no em breve lá do início do post.