“Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria” ou o cego e o francês

12/08/2008

Clique para ver a apresentação sobre pedras porguesas hospedada no site do MP

Não lembrava do título nem do seu autor, Alcântara Machado. Mas o google trouxe a íntegra deste conto lido na adolescência na Escola Técnica e que não sai da cabeça desde que descobri que foi preciso um francês dar o grito de guerra para que houvesse uma mobilização maior contra a destruição de Salvador por um prefeito néscio e ignorante, embora nosso Forrest John de bobo não tenha nada, repito. Comparo o francês ao cego do conto porque  humilha um pouco saber que o cara é estrangeiro e se mobiliza mais por esta terra do que eu, você e nossos conterrâneos. No conto é um cego, coincidentemente chamado de cego  baiano,  que lidera a revolta contra a falta de luz em um trem.

 

A vitória continua folgada do granito sobre a pedra portuguesa no resultado parcial da enquete do MP. O tiro sai pela culatra. É pedir demais aos conterrâneos, equivalente a opinar sobre um show de pagode ou de chorinho. Dizem que sensibilidade é informação concentrada. Como exigir sensibilidade de uma cidade analfa, desinformada e que ignora sua memória?

Mas o caso ainda não está perdido, vale pelo debate e a guerra por votos continua. Saiba mais sobre o projeto, principalmente os pareceres de Ana Fernandes e Ordp Serra antes de votar aqui.

 

Eis a  revolta do francês, distribuída por e-mail:  

“Nao dá para ficar indignado o tempo todo.

Ás vezes tenho vontade de fechar a cabeça, renunciar a enfrentar mais uma briga, visto a pouca mobilizaçao da sociedade quando se trata de re-pública. Cada um parece so se alarmar quando o problema vem bater a própria porta e ameaça invadir seu bem-estar. individual e imediato.

Hoje de manhã, deste gostoso domingo de sol discreto, apos ler a denuncia da lúcida jornalista Mary Weinstein no jornal A Tarde sob o título “Barra muda de paisagem”, uma chamada de telefone me leva a depressão.

Uma moradora da Barra me informa que fora colocado um imenso tapume ao longo da ladeira da Barra, do lado da encosta, preparando o terreno para a construção de um gigantesco edifício que irá definitivamente obstruir a vista deslumbrante da baía para quem vai em direção a Barra.

Ha probabilidade que os responsáveis sejam a portuguesa Imocom, a mesma do hotel Hilton/Comercio.

Algum de vocês teve acesso ao projeto?

Mais uma vez se evidencia o monopólio ditatorial das imobiliárias, a ganância de uma minoria contra a qualidade de vida, a sensibilidade e os direitos da população.

Façam a conta do que Salvador perdeu nestes quase quatro anos com a eleição desastrada do atual prefeito, o Exterminador do Futuro.

É assustador.

A derrubada, em fim de semana, da mansão Wildberger, no belo largo da Vitória para construção de mais um espigão.

A derrubada, em fim de semana, do Clube Português, na Pituba, nem se sabe para que projeto.

O alvará para se construir um hotel Hilton junto ao Mercado Modelo, totalmente disproporcionado ao contexto urbano. É bom lembrar que a cadeia Hilton não será proprietária do imóvel.

O desaparecimento de um rio da avenida Centenário, sob toneladas de concreto, no momento que o mundo inteiro fala de preservação ecológica.

A derrubada, durante a madrugada, de seis árvores no porto da Barra sem que a populaçao fosse informada.

A retirada da tradicional pedra portuguesa do mesmo porto da Barra, substituida por concreto com alguns enfeitos de granito, impermeabilizando a terra e criando microclima mais calorento.

Agora o roubo da paisagem da ladeira da Barra, com a omissão do Conselho Estadual de Cultura, os argumentos burocráticos do Iphan, a omissão conivente do Etelfi e os aplausos eleitoreiros da Amabarra.

Amanhã, será aprovado o projeto demolidor do Marcos Cidreira para o Comércio.

Depois de amanhã, o vasto quartel dos Fuzileiros Navais, perto do Pilar será vendido a imobiliárias para mais especulação. Enquanto isso, nossa cidade carece dramaticamente de áreas verdes.

E os galpões do porto, em vez de adaptados como em Belém ou Barcelona, serão derrubados para mais alguns shopping centers.

E já que baiano tem os EU como referencia cultural obrigatória, é bom lembrar que em Miami, as residencias Art Deco (1925) do Ocean Drive foram tombadas e não podem ser demolidas.

Veja o que fizeram aqui com o corredor da Vitória…

Chegou o momento de dar um basta a tanta agressão sob pretexto de modernidade.

Chegou o momento de questionar a sanidade de alguns dirigentes.

Chegou o momento de fazermos uma assembléia geral e avaliar o prosseguimento deste holocausto cultural.

Ajudem a programar uma verdadeira ofensiva.

É caso urgente de sobrevivência para Salvador!

ACORDEM!”

Dimitri Ganzelevitch

Presidente da Associação Cultural Viva Salvador

 

A imagem do pombo sobre as pedras peguei aqui.

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8 Respostas to ““Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria” ou o cego e o francês”

  1. Camila Says:

    Quando eu soube disso me revoltei, estragou meu domingo de Páscoa, espertos eles não??!! colocaram essa matéria em pleno feriado….
    até postei sobre isso no meu blog..

  2. Carla Viana Says:

    Estas suas colocações são tão superficiais sem nenhum fundamento podendo ser até processado mas como parece ser de uma pessoa sem menor preocupação com suas fontes ,querendo apenas criticar,é um burgueisinho mesmo .Olha que posso te dizer que sei muita coisa mais…Irresponsabilidade ,posso dizer com toda certeza que o cara que escreve tal matéria é um ignorante no assunto de projetos desta cidade.Porque antes de tentar denunciar este tipo de coisa não faz uma pesquisa para saber como as coisas realmente acontece nesta cidade que algumas pessoas como voce só fazem reclamar nada contribuem só alimentando dúvidas incertesas com esta tão atrasadas e erradas.Vamos crescer cara….salvador precisa de apoio,ajuda, não de criticas…

    Quem pode ser processado? quais fontes? eu, gay burgo pequeno? reclamão ? crescer ? Salvador não precisa de crítica? precisa de ajuda? de apoio? Confesso que entendi quase nada…

  3. Ernane Gusmão Says:

    O que estão fazendo com Salvador é realmente aterrador,aproveitando o sentido ambíguo do adjetivo.A imagem do pombo é sincronística,acasual,com significado talvez metafísico- quando o Barão Rothschild,o homem mais rico do mundo,estava em visita à França,no início do século XIX,morreu importante componente da sua comitiva.Para avisar o mais urgente possivel a seus pares na Inglaterra,numa época,há apenas 200 anos,sem correio,sem telégrafos,sem rádios,sem televisão,a mensagem foi enviada a Londres através um pombo correio(também útil componente da comitiva baronesca).O pombo está aquí como sinal dos tempos,na sincronicidade holística que integra a humanidade.


  4. Marcus,
    Já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha visto o horror q estão fazendo na Centenário, fechando um rio, totalmente na contramão de qualquer consenso ecológico. E tome obra! c.
    Forrest John está ainda mais Forrest John nestes últimos tempos.

  5. blag Says:

    Com tanta merda em tão pouco tempo, a gestão de JH deveria ser tombada, né não? E tome obra!
    Ele parece ser um tipo de ciclotímico raro, ao alternar três anos e meio de depressão e imobilismo com últimos seis meses de mania. Deu na merda que deu.

  6. Franciel Says:

    Marcus,
    que a cidade é analfa, desinformada e que ignora sua memória, não há muitas dúvidas. Porém, a Prefeitura e outras interessados ocultos mabilizam seus asseclas e outros canalhas para produzir resultados fictícios nestas nestas tais enquetes.
    A questão é que a parte que não é analfa, desinformada e que não ignora sua memória também não se mobiliza e tem, digamos assim, um baixíssimo teor indignatório.
    Caro, também desconfio do resultado, mas tenho dúvidas. A realidade é que a maioria quer mesmo o granito modernoso. Parabéns pela profissionalização do Ingresia, que agora finalmente vai lhe deixar milionário. Já atualizei o link.


  7. Marcus,
    eu era uma meninota quando Carybé lutou como louco para que não viesse a Tibrás para a Bahia. Eu já era mulher quando assinei nas lutas de Carybé contra a construção da marina ali… nos trapiches. O Morro da Nita Costa… agora é o Barro Vermelho, granfino! A praia do Buracão? Da Casa de Pedra (agora Escravo Miguel) à Invasão de Ondina, morrotes, coqueiros, o mar! Diz que a invasão era a feia, precisava virar jardim… no restante, há hotéis e prédios granfinos. Ai, deixa eu para de escrever e de chorar
    Beijos pra você Marcus, grata pela visita em busca de minha opinião. Gosto muito de você. Mais agora com filha que tem o meu nome.

    Curioso. Eu estava lendo um texto de Lima Barreto, que se irritava com as mesmas frivolidades da arquitetura no início do século passado, a agressão às belezas naturais do Rio de janeiro. Ou seja, é a eterna luta do aparentemente novo com o aparentemente velho. Desta perspectiva, seremos sempre perdedores, paciência. Gosto também de você e tenho acompanhado o seu blog. Os blogs provocam os milagres dos reencontros e das (re)descobertas. E Maria, além de ser um nome bonito, é também bom de falar. Beijos, Maria.


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