Arquivo mensal: novembro 2008

Mamãe Noel, deferente, pediculus humanus e seu Cari

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O UOL não permite importar arquivos e por isso de vez em quando vou lá no antigo  Licuri  e trago uns posts. Desta vez resolvi passar a peneira em novembro de 2006.

O deferente continua intacto, Maria tem mais dentes, os pediculos nunca mais deram o ar da graça e a  Eletrolux anda meio barulhenta mas continua firme. Seu Cari ainda atende no mesmo número. A charge acima foi enviada por Marcinha e será sempre atual porque são as mulheres que resolvem a porra toda mesmo (clique para ampliar).

Recordar é viver. Vamos lá:

Meu deferente condenado à forca (27/11/ 2006)

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Levarei meu deferente ao cadafalso. A ilustração mostra o tal tubinho por onde a metade de você passou um dia. Medicina tem uns nomes estranhos. Outro dia descobri (na teoria) que existe útero bicorno. Na prática descobri também, mas isso faz muito, muito tempo.

Não conhecia o tal deferente até que ele surgiu  numa roda de pais, onde o assunto era proles exageradas como a minha. O Dr. Niltinho, cirurgião com apelido e cara de menino, mas com mais de 800 deferentes estrangulados no currículo, deu a sentença: isso a gente resolve em minutos. Ainda estou criando coragem para o quando, mas a decisão está tomada. Em breve serei um cara menos deferente.

Cadê o bicho, Maria? (17/11/2006)

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O bicho não teve a menor chance na cabeça de Maria. Bastou uma  blitz relâmpago da tia-avó para o único estalar entre unhas. Bicho exterminado, ficou a graça de Maria. É só perguntar por eles e ela junta logo as duas mãos no alto da cabeça, coça e ri.

Vá entender, mas eu tenho uma memória afetiva positiva do bicho. Como lá em casa ninguém recebeu muito colo – éramos seis, a labuta grande e minha mãe não muito chegada a um chamego – lembro com felicidade da cabeça sobre uma toalha no colo dela  e da massagem das pontas das unhas e dos dedos abrindo espaço entre os fios de cabelo da minha cabeça.

Mas o bicho é tabu e segredo de família. As crianças é que entregam numa boa. Uma amiga estava no shopping com a filha e encontrou aquela vizinha chata, metida e fofoqueira. Vinha na direção, não teve como evitar e ficou ali naquela conversa mole, doida pra encerrar o papo. Na falta do que falar, a amiga danou a elogiar a farta cabeleira da menina.

_ Paulinha, seu cabelo está lindo!

Paulinha levantou no ato as duas mãos, fez o movimento de juntar  e afastar os dedos enquanto dizia com o nariz franzido: Tá assim de piolho!

Seu Cari (7/11/2006)

A máquina de lavar quebrou. A palavra mais próxima para o que aconteceu depois é… caos.

Pior é chamar alguém para consertar. Toda negociação com consertadores  me transforma num ser mais estúpido, mais incoerente, mais inseguro. E mais uma trouxa de adjetivos desqualificadores que me habitam normalmente em percentuais menores, mas que nestas horas chegam a 10000% e formam um rol maior do que o da roupa acumulada.

A saída seria a oficina autorizada. Mas autorizada só serve para a garantia. E como fora da garantia é extorsão certa, a gente parte então para a loteria dos autônomos. Alto risco.

Da última vez que a máquina emperrou a portinhola, um sujeito identificou um ruído estranho que, com certeza, seria o rolamento estragado. Consertaria por R$ 400, quase a metade do preço da máquina nova. Resolvi consertar apenas a portinhola e esperar o tal rolamento pifar de vez para comprar uma nova.

E parecia que desta vez a hora do rolamento da velha Eletrolux havia chegado. Ela que tinha quase os cinco anos de André e que nunca recusou o serviço diário passou a devolver a água em vômitos ensaboados que inundavam a área de serviço. Ela que chegou toda bela e imponente para substituir o velho tanquinho que acompanhou Luísa, não resistiu ao tranco com a chegada de Maria.

Eu já estava a contabilizar mais vermelho no orçamento.

Eis que surge seu Cari, indicado por Leila e Zé Luís, para estabelecer a normalidade na casa por … R$ 25 de mão-de-obra, mais os R$ 33 da eletrobomba e dos novos pés da máquina. Tudo comprado diretamente por mim na Paraná Refrigeração, na Vasco da Gama.

E a ex-quase defunta já está ali novamente fazendo seu inninninninninninninninnin num vai-e-vem delicioso.

E o tal rolamento, segundo novo diagnóstico, está e sempre esteve em perfeito estado.

Telefone do seu Cari: 3240 7676.

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Computador bala

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Acima, alguns dos objetos expostos no museu. E na última imagem o museu vivo a bordo de um computador bala (Redação de A Tarde, 16/08/91. Foto: Geraldo Ataíde).

Como já contei aqui, faço um jornalzinho de uma página semanal (às vezes quinzenal,  mensal…) para o Crear, a escola dos meninos. E toda edição traz uma ou mais historinhas das crianças, como essa:

 

Ao ver um disco de vinil reunido com os outros objetos para a exposição da Alfa sobre coisas antigas, João, do grupo 05, não se conteve:

 

_ Pô! Que cedezão!

 

Não é que eu também me espantei com o cedezão ao ver a exposição?

 

Reunido com outros objetos do século passado, o cedezão sobre um prato de um som Gradiente me jogou no meu tempo. Quem não teve um som Gradiente? Ou um disco da coleção Grandes Compositores?

 

Os objetos foram  levados pelas crianças alunas de Kátia Borges (não a Madame K, mas a madame educadora do Crear – este coco pequeno tem a honra de as vezes ser lido por duas KB) depois de pesquisa nos acervos de casa.  

 

Parece que foi ontem para nós, mas para as crianças são trecos estranhos e o museu fez o maior sucesso: fita cassete, disco de vinil e toca-disco de vinil, máquina de escrever, monóculos, máquina fotográfica analógica, telefone com disco, notas de cruzeiro e cruzado, selos, coisas que não existem mais.

 

Isso me lembrou uma história de uma criança que definiu carta a pedido da professora:

_ É um e-mail escrito a mão.

 

Ou de uma outra, ao ver uma máquina de datilografia:

_ Que computador bala, a gente escreve e imprime na mesma hora!

 

Enfim, parece que foi ontem. Mas meu cotidiano de outro dia  virou um completo museu de coisas estranhas e exóticas.

 

Note na foto da redação detalhes como cola tenaz  e caixinha de filme. Quem nunca utilizou esta caixinha para outros fins?

 

Atualizado em 25/11

 

E Marcelo, meu cunhado, me manda este registro de laaaaaá do início da década de 1960, quando ele já era um iniciado nas artes de computar num computador bala de contar e já treinava para trabalhar na Caixa:

 

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