Duas luas

27/01/2009

– Olha pai, tem duas luas. Uma lua assim , disse Maria, girando o dedinho indicador num duplo círculo para a direita. – E tem uma lua assim, repetiu o gesto. Desculpa aí a baba, mas tem definição mais lindinha para auréola lunar?

dsc04051-copia3Igreja do Jatimane

E a lua foi a nossa companheira de tarde/noite do dia seguinte, o quarto dia,  um sábado iniciado com um uma ida à feira de Ituberá para providenciar frutas, um bis na Cachoeira de Pancada Grande, quando o acaso nos levou a uma plantação de guaraná. Soraya apostava numa subida alternativa aos milhões de degraus para se chegar ao alto da cachoeira, porque ele vira um pessoal subindo, e eu teimava. Não havia.

dsc03932-copia3Fruto do guaraná

Pois havia. Mas antes de encontrar a tal subida, também feita a pé, pegamos uma direita errada e fomos parar numa plantação de guaraná. Os frutos pareciam olhos a nos espreitar. São impressionantes a cor e o formato. Deco lembrou então da história contada por Kátia Borges, no Crear, sobre uma lenda indígena. A semente original seria os olhos de um menino.

dsc040352Ponte da saici

Voltamos já noitinha, e lá estava ela novamente por trás da igreja do Jatimane, um vilarejo quilombola. Há dez anos, na abertura da estrada, o povo vivia da colheita da piaçava e da pesca. Tinha uma fita cassete gravada com a mais antiga moradora do lugar e dei de presente para Soraya, apaixonada por história oral. Ela promete encontrar a fita e me emprestar para eu ouvir novamente.

dsc04047-copia3Ponte da Saici, a leste, um pouquinho depois

Hoje o turismo já mudou o perfil do lugarejo, onde não há ainda pousada mas se vê várias placas para aluguel de casas. Quase ficamos hospedados no primeiro andar do restaurante de Jajá, onde, na beira do riacho, são  servidos peixe defumado e galinha da terra. Um dos ilustres fregueses é o Dr. Bernardo.
dsc04054-copia3
 
 
 
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3 Respostas to “Duas luas”

  1. Keila Nunes Says:

    Tentei encontrar adjetivos para descrever o que senti ao ler cada palavra, cada parágrafo, … mas, tudo me pareceu insuficiente. Fique com um suspiro acompanhado de “que delícia de texto, que imagens lindas!”.

  2. Luli Says:

    Seja sempre muito bem vindo ao meu cantinho!
    E, quando voltar para as bandas de Ituberá, venha tomar um café comigo! Estarei ali do lado! Traga a molecada e Soraya! ;)

    Muito obrigada pela visita e pela torcida!

    Beijo

    Voltar é o meu sonho recorrente. Quem sabe? Repito aqui o desejo de boa sorte para sua viagem e comemoro mais um blogue com notícias do interior.


  3. Marcus, foi bacana o telefonema durante a químio. 10,100,MIL.
    Seu texto sempre delicado, gostoso. As fotos? cada dia melhores, mais bonitas, mais fotografia. Quem me dera aqueles tempos em que enchíamos a Sala Walter da Silveira, uma vez por mês, para o público ver projeção de? FOTOGRAFIAS. A noite de seus slides saiu gente pelo ladrão. Ainda tínhamos fotovaral no foyer. Preciso registrar um pouco daquele trabalho no blog…
    Beijos
    Maria
    Quem ganhou fuii eu, não poderia deixar de conversar com você sobre sua entrevista à Muito, na matéria sobre Voltaire. Tomo a liberdade de tornar pública aqui nossa opinião sobre a qualidade do texto do repórter Victor Pamplona, que mandou muito bem. Bela lembrança daquela terça fotográfica. Outro dia encontrei Célia na Dimas e a gente faou um pouco sobre aqueles tempos. Registre mesmo. Beijos.


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