Arquivo mensal: fevereiro 2009

João Amaro, quarta de cinzas

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Não sei o motivo, só sei que cometi um ato falho fotográfico. Nãoregistrei a fachada da Igreja. Mas ela está lá no projeto Iaçu Cultural, em foto de Deborah Dias (?). Veja:

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Música, maestro!

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Campo Grande, 1952. Onde estaria Dalila, Dodô e Osmar a esta hora?
 
Tento ver as coisas da “perspectiva da eternidade”, mas isso é tarefa para Nilson Pedro e sua poesia.  Só vejo detalhe, só vejo os segundos e modifico minha opinião em função deles. Minha máquina fotográfica de enxergar o mundo emperrou no close. Quando tento fazer um zoom  ela desfoca e aí eu não entendo mais nada. Tudo fica embaralhado.

Mudei de universo nos últimos dois dias, passei a ver o Carnaval de um praticável do Campo Grande, de perto e de longe da festa. Os tios passam quase colados, a estrutura treme com a percussão. Mas ao contrário da Barra, o Campo Grande tem um entorno diferente, é uma espécie de centro Histórico do Carnaval, tem o cheiro dos antigos carnavais. Ali eu enxerguei a farra e a importãncia que o Carnaval tem para milhares de pessoas, vi a força dos blocos afros, vi a galera caindo no reggae, como desde antigamente.

Escapuli e tentei ir até a Praça Castro Alves ontem a tarde, encontrar o Gandhy, mas esbarrei  no espreme-gato  da casa D`Itália, o povo todo  buscando por Dalila –  uns dizem que Dalila é branca, outros dizem que é cor de mato – mas eu estava de água mineral.

 Sem Dalila na cabeça tentei voltar pelo relógio de São Pedro e me lasquei. Encontrei o Parangolé pelos peitos e ao som de piriri-pam-pam / piriri-pam-pam  estiquei o pescoço, a única coisa que eu conseguia mover com facilidade e fui navegando na maré contrária até escapar pela lateral do TCA. Aí o milagre aconteceu. Os cinco reais que havia esquecido no bolso da frente da bermuda ainda estavam lá.

Já de volta à minha bolha , alguém grita, lá vem o Fantasmão. Acabara de ver as imagens da pancadaria provocada pela passagem de Eddye pela Barra no dia anterior. Não conhecia o Fantasmão, só de ouvir falar e de um texto fantástico do maestro  Fred Dantas na Muito, em dezembro, em entrevista a Marcos Dias.

Meninos, eu vi. Ali estava a única novidade deste Carnaval. Novidade musical, novidade de performance , sangue novo na avenida. O garotão Edyye, com pinta de pop star, pegada hip hop,  rocker, kuduro, quebração, tudo junto, dialogava com a turba embaixo do trio, com intimidade, revolta e sinceridade.

Ao contrário dos comandos café-com-leite do prá esquerda, pra direita, todo mundo beijando, senta, levanta, deita, das estralas do axé, Eddye  falava com a turba com a intimidade de uma relaidade de exclusão, musical e social.

O maestro Fred Dantas nos explica melhor, quando fala da  “elaboração crítica e musical de um grupo Fantasmão”, que para ele tem reflexão social e contemporaneidade, “mais potencial de vitalidade” do que todo o resto da música hoje feita  na Bahia.

E dá uma explicação técnica, que não sei bem o que é mas entendo: “Se no axé isso não está acontecendo, no pagode está. Porque incorporaram o 6/8, os ritmos ternários do candomblé, em cima da base do samba. Aquilo ali representa mais o que o jovem baiano está pensando”.

Marcos Dias lembra então das músicas que reproduzem cantos do candomblé. Aí o cacete, digo a batuta, do maestro bate na cabeça do queridinho Brown:
“Mas há uma diferença entre uma letra como Balança Coqueiro, que fala do candomblé criticamente, de uma Maimbê Dandá, por exemplo, de Carlinhos Brown, que simplesmente é um refrão tomado do candomblé. Não há reflexão nenhuma nem deixa conseqüências nenhuma, a não ser aquela alegria de discoteca, com aquela expressão em iorubá, que vira uma expressão exótica para ser reproduzida, como Jorge Benjor faz em tetê tetêretê…. Você bota os gringos para ficar dizendo maimbê maimbê e não acontece nada, a não ser um desvirtuamento do sentido original.
E no pagode, não. Você faz uma citação e uma reflexão. As pessoas precisam escutar o que esses jovens pagodeiros estão dizendo. Vamos escutar o que Marcio Vitor tem a dizer. Vamos saber o que é o contra-egun que eles estão falando”.
 
Bravo, bravo!
Obrigado, Mestro!

PS – Duas cenas dignas de nota.  No sábado, mãe e filho pequeno cadeirante brincavam a valer na esquina do Campo Grande. A cadeira ia ao ritmo das gargalhadas e da felicidade do menino. Mesma cena ontem. Pai filho de Gandhy, menino idem, de turbante e colar, todo paramentado e feliz n ritmo do reggae, junto com outro irmão andante. Felizes da vida.

PS2 – Clique na imagem para ver mais fotos de antigos Carnavais e aqui para saber um pouco da história delas.
 
PS3 – Deixei os comentários sem resposta. Estou na correria pra pegar a estrada e de lá de Iaçu respondo. Levo a tiracolo Morte Abjeta, do vingativo Dr. Guimarães, Grão Vizir  das saúde do Baixo-Sul, que por aqui passou e não me deu o prazer da visita.

Morreu ela ou morri eu?

Acabo de chegar da rua, são quase quatro da manhã deste sábado e a cabeça ainda meio zunindo. Resisto em falar mal do Carnaval, hábito dos que morreram para a festa. Mas ao contrário do que diz a canção, a folia que na quarta-feira também morria hoje  é natimorta. 

Meninos, não vi, não vi um, sequer um casal se agarrando. Tirando o corredor iluminado onde é obrigatória a alegria, nas ruas transversais e na saídas dos blocos, vi os olhos compridos e cansados de centenas de trapos humanos pelas calçadas, esperando a vez de se transformar em gradil e sair puxando e empurrando  cordas, ou meninos e velhos catando lata, ou famílias inteiras vendendo de um tudo.  

Pats e mauricinhos (ainda é essa a denominação?) passam elas com seus shorts colados, coxas grossas, sapatos plataforma e eles de camisetas com músculos á mostra, parecidos todos ex-BBBs,  em direção aos camarotes. Mas nas caras levam uma certa tristeza ou apreensão.

Nos camarotes, privado e público, comida e bebida à vontade, mas aquele clima de festa social, de exibição,  poderia ser em qualquer época, qualquer festa, qualquer lugar. Fiz uma pesquisa para o jornal da escola dos meninos e fui encontrar a origem da festa nas farras dionisíacas, nos bacanais romanos,  tudo a ver com a esbórnia, nada do que eu vi hoje.

Vi muita, muita gente trabalhando, como eu, para tirar um troco, na estrutura da festa. São milhares de barnabés do Estado e da prefeitura, o bloco dos crachás, também muito do sem graça.

Se você viu o Carnaval pela televisão, não vale discordar de mim. Aquilo  é acionado automaticamente no momento em que as pessoas se veem diante da câmera. Apagou a câmera, fogo apaga  junto.

Pra não dizer que não vi nada de bom, felizmente fui escalado para acompanhar música de qualidade e o que vi você pode conferir aqui. Nos mais de 500 metros de território livre de cordas e com boa música, a guitarra baiana e o samba do Recôncavo reuniram um colorido raro, diversificado, de gente. Mas era como se fosse um show comum, bacana mas comum. Pra Carnaval se espera mais.

E também pra não dizer que não considerei nada, lembro de pelo menos umas 20 pessoas se divertindo a valer, a moda de Vadinho, de Dona Flor.

Dois travestis, que se acabavam em cima de salto 15, short a exibir a popa da bunda e a dividir a rola, um grupo de gringos pra lá de bagdá, interagindo na base dos abraços e sorrisos e brincadeiras de duplo sentido com um grupo que carregava  bastões de ar vermelhos com a marca do Bradesco,  um outro travestido macho que requebrava sem parar e um grupo de adolescentes beleza pura, quebrando pra valer numa autêntica roda de samba. Mais, não vi.

Morri eu?

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