Back in the CCCP

19/09/2009

Rússia

O Tupolev e o hospital do post anterior me levaram de volta à CCCP, onde cheguei  em setembro de 1983, depois de um vôo atribulado e tenso  Buenos Aires-Dakar-Budapeste-Moscou. Poucos dias antes um míssel soviético havia explodido  240 passageiros e 29 tripulantes de um Boeing civil da Korean Airlines. Da janela do avião, qualquer coisa que se movia no horizonte era o míssel da vingança em direção ao barulhento Aeroflot, onde eu seguia com Zau e Alexandre, parceiros da empreitada.

Nilson vive insistindo para eu contar aqui histórias destes 22 meses em terras soviéticas, como bolsista da Universidade Patrice Lumumba. Já se passaram  26 anos, perdi a língua que aprendi a trancos e barrancos, a memória é uma vaga lembrança, mas é chegada a hora de relembrar. Afinal, tem o google para ajudar e informar, por exemplo, o número de passageiros, de tripulantes, o fabricante e a empresa do avião acima e como se escreve certinho Back in the URSS, com direito a ouvir e ver  imagens dos Beatles em Moscou. Desse jeito é bem mais fácil.

Já contei aqui, mais de uma vez,  três histórias. O dia em que quase fui preso e deportado de Lenigrado ao fazer xixi na madrugada nos jardins da Catedral de Santo Isaak, o dia em que uma russa invadiu meu quarto e quase  me fez cantar Eu não sou cachorro não e o dia em que por pouco não afundei nas águas do Rio Dnepr, em Kiev, por causa de uma foto.

Ainda há algumas histórias, mas vou começar com uma foto. Esta acima,  ao lado da professora de russo Ludmila,  em frente à casa museu onde Wladmir, o tal Lenin, passou seus últimos dias, nos arredores de Moscou. Foi um passeio escolar da minha turma do curso preparatório, que em russo é algo como padgatoviltena facultet. Ao lado de Ludmila estão uma garota do Nepal;  Zadic, do Panamá; Hosny, da Síria; Morradeo, do Nepal e eu, a bordo dos meus 23 anos.

Mais CCCP: https://licuri.wordpress.com/?s=CCCP

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9 Respostas to “Back in the CCCP”

  1. miro paternostro Says:

    os anos oitenta mandaram ver na elegância, aê Marcus gostei de ver, nota mil.
    além de confessar aqui, que tenho loucura para ir a Russia.
    Este casaco verde não era estilo, era o único pra frio brando, comprado numa promoção em Conquista, antes da viagem. Rapaz, você aí tão perto. Tá na mão.


  2. Que look! Adorei Gusmão! Traga mesmo suas memórias, conte desse tempo que só conheço pelos livros de história. Beijo
    Pois é, você descobre que está ficando velho quando seu tempo foi parar nos livros de história.

  3. Nílson Says:

    Salve, salve! Então decidiste contar mais! Haverá editor, tenho certeza, interessado nessa visão de um brazuka sem viés ideológico vagando por trás da cortina de ferro!!!
    Os editores serão vocês, aqui nos comentários. O viés ideológico será o sentimento.

  4. kátia borges (Crear) Says:

    Marcus,

    Zau e Alexandre, amigos comuns em alguma medida do tempo e da vida. Vou adorar tb ouvir histórias dessa experiência. Vc tá um gato, a bordo desse corpo e idade! Ah! O tempo!!!
    Alexandre contou a versão da viagemneste blog, num projeto de livro, em 2005: http://sashacavalcante.blogspot.com/ . Pois é, o tempo não para no porto, não apita na curva e não espera ninguém como dizia alguém numa canção.


  5. Marcus, quero mais! Sensacional a foto, fiquei viajando nela (de tupolev). Abração.
    Estou incutido, vai continuar sim. ;)

  6. Martha Says:

    sensacional!
    vou adorar “ouvir”

  7. Celso Says:

    Pô Marcus, sensacionais histórias, conte-nos tudo. Mas essa foto está mesmo demais. Teu visual à época é new-wave total, meio A-ha, meio Duran Duran.

  8. Bernardo Says:

    1.ficarei atento às histórias; não é todo dia que temos um e-amigo sobrevivente dos tupolev da vida.
    2.vai ter foto da perestróika de alguém?
    3.menino, que figura o morradeu nepalês!
    4.aeroflot é o blogue da e-amiga nas tundras geladas?


  9. Não abro mão de meu primeiro lugar na fila para escutar vossas russas histórias e estórias.
    Quanto a bordo dos 23 anos… provavelmente pensamos algo semelhante: onde foi parar a minha magrém?


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