Arquivo mensal: outubro 2009

Oito anos do meu magricela

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Até os 33 eu era 100% Brás Cubas. Aí aos 34 veio Luísa e eu virei a folha.
Quando ele se anunciou, temi. Pai de homem significa ser o exemplo, forte, vencedor, bom de bola.
Quando ele era menor, era mais fácil manter a fachada. Aí ele foi crescendo, crescendo, a verdade aparecendo e hoje já anda um pouco desconfiado, às vezes até compreensivo com este arremedo de pai, que sai até bem na foto.

São oito anos desde aquela lua cheia como hoje, quando atravessei a Paralela a mais de 100 no possante Escort Hobby enquanto Soraya segurava a dor.

Nasceu rápido e, pra meu desespero, puxou muito a mim, principalmente na distração. Pelo menos é magricela.

Tem mais noção de valor que o pai, mas se satisfaz com o que está incutido no momento. Leu numa revistinha da Turma da Mônica uma história sobre o tamagotchi e, imagine só, encontramos o brinquedo no Feiraguai, a módicos R$ 4. Já tinha aceitado receber o carro de controle remoto total desejado lá pra frente, mas acabou se encantando com um encontrado também no Feiraguai, com preço um pouco mais salgado, sem garantia, mas que está funcionando que é uma beleza ali na sala pós-aniversário básico em Feira.
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Iaçu, década de 70

projeto-iacu-cultural-no-orkutUma das 2.843 fotos do Iaçu Cultural, projeto de memória criado por Deborah em um perfil  no Orkut e que agora está também no Facebook.

Busquei a imagem para ilustrar este post sobre uma minissaia, motivo  de rebelião num presídio, digo, numa universidade  de São Paulo. 
Soube deste assunto via twitter, há uma eternidade em tempo de internet, mas não consegui ver o vídeo postado no Boteco Sujo porque a Uniban colocou funiconários para enxugar gelo, ou seja, ficam de plantão vasculhando a rede para pedir a retirada dos vídeos ao You Tube.

E hoje finalmente vi um video completo. Veio num e-mail indignado  de Bárbara Jolie, do Vinte e Cinco Inquietações, com o link para uma matéria de tv postada no Bahia em Pauta.  Resolvo entar  na roda porque a história me impressionou.

E pela primeira vez vejo  unanimidade nos comentários no You Tube. O nível é baixo, como sempre, mas a pontaria é certeira. Ou chamam os homens de viadinhos ou as mulheres de invejosas, ou a universidade de Unibambi, ou até aceitam o coro absurdo de puta, mas defendem o direito das putas  frequentarem uma faculdade.

O anúncio no portal da Uniban oferece cursos de até R199,00 por mês. Ou seja, tá mais pra mercadinho. A arquitetura circular do prédio lembra grandes bibliotecas do mundo mas no vídeo mais parece pátio de presidio em motim de filme americano.

Os gritos têm a força dos gritos do movimento estudantil, movido a saias tão ou mais curtas como a da moça. Saias como estas da foto,  usadas à vontade em Iaçu, na Chapada diamantina, pssivelmente por volta de 1968, o ano portador da  ilusão de que o mundo mudaria pra melhor.

Atualizado em 09/11: a decisão da uniban é mais absurda ainda do que tudo o que aconteceu. É inacreditável. Episódio gera  vídeo  hilário.
Atualizado em 10/10: uniban volta atrás. Distribuída pela AP, notícia ganhou o mundo:  The Guardian.

Cuide-se, porque elas mandam bem

Lilith

Finalmente, por pressão de Luísa, fomos ver a exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle.

Chegamos ao MAM e demos de pára-choque com cinco cones. A descida estava impedida por obras e só restava a alternativa da rua lateral, bloqueada  pelo quinto cone. O segurança explicou: este lado aí é com a comunidade. E o dono da rua, o tal senhor comunidade, tava lá grande e forte: R$3, adiantado. Tentei negociar para R$ 1, preço máximo que pago sempre por este pedágio social irritante e institucionalizado. Pela primeira vez me ferrei. Não teve acordo com o dono da rua. Dei meia volta e fui parar quase no Largo dos  Aflitos. Para quem não conhece Salvador, os R$ 3 nos custaram uma caminhada de 200 metros numa inclinação de quase 45 graus.

Mas voltando ao bilhete azul francês, além das 107 mulheres das fotos e vídeos, mais umas vinte percorriam a exposição com expressões muito semelhantes às daquelas, empatia total pelo exército feminino convocado pela artista para provar que os homens deverão pagar sempre muito caro.

Só eu de representante da raça no salão. Passados uns 10 minutos  já estava satisfeito com a repetição  mas Soraya e Luísa ainda continuavam interessadíssimas. É o tipo de exposição que se basta só pela idéia. O resto é previsível. Falar nisso, todas as respostas estão  aqui.

Estou exagerando, é claro. Vale  pelo passeio, pelas fotos, pela iluminação das fotos, pela palhaça e pela papagaia.

E pela melhor resposta, a da moça do tiro ao “Álvaro” francês.  Medalha de prata para a bela síntese da adolescente: Ele se acha!

Saí para tomar ar menos refrigerado e beber uma coca-cola. Puxei assunto com um funcionário do MAM, sentado na grande mesa do jardim. Ele então me  brindou com a seguinte definição da exposição:  o pessoal tá chamando isso aí de bucetocracia.
Se não é uma definição perfeita, é um bom prenúncio.