Retrovisor

02/10/2009

Sem título

Que espelho enigmático é esse, que vai mudando a cada dia? Quem é esta pessoa separada por duas décadas, aparentemente feliz? Foi melhor, foi pior? Difícil dizer. A dor da gente não sai no jornal nem nas fotos antigas. Não me lembro do café da manhã daquele dia, não sei do dia anterior, nem do dia seguinte. Eram últimos dias de Moscou, talvez maio, primavera de 1995. 1985. Perambulava pelas ruas, me despedia da cidade. Jeans, tênis mal estar, jaqueta, velha zenit a tiracolo. Sim, talvez estivesse feliz. Aquela roupa me deixava feliz, aqueles dias me deixaram mais feliz. Neste espelho de décadas, a felicidade é mais crível. E aumenta a cada dia.

PS: mais sobre URSS: https://licuri.wordpress.com/category/back-in-the-cccp/

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4795912172463&set=a.4795379159138.1073741832.1135737937&type=1

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9 Respostas to “Retrovisor”

  1. Ana Barbosa Says:

    Arrasou! Desde o primeiro texto seu, que li, não me livro desse gosto de “quero mais” da boca dos meus olhos…

  2. ana lívia Says:

    Tava gatinho, hein Gosmão!??? Fiquei viajando no “cara de cédula” que passa na rua (foto à esquerda). Parece uma personagem do início do século 20. Um Santos Dummont perdido na Perestroika.

  3. Nílson Says:

    É isso: como se diz em russo ‘por favor, não pare’???


  4. Marcus,
    Como Maria, também quero que essas histórias continuem. São muito boas! Por favor, fale mais da sua permanência lá, impressões, deve ter muita coisa para comentar!


  5. Marcus, gosto tanto dessas suas histórias. Será que você estava sorrindo assim porque voltava para o Brasil?

  6. Bernardo Says:

    felicidade é bom de se ver em qualquer década, qualquer espelho.

  7. Katia Borges Says:

    Poxa, Marcus, é Cecília Meireles: “em que espelho ficou perdida a minha face?”

    É mesmo, Madame: tirando o rosto gordo e o coração exibicionista, sou eu!

    Retrato

    Eu não tinha este rosto de hoje,
    assim calmo, assim triste, assim magro,
    nem estes olhos tão vazios,
    nem o lábio amargo.

    Eu não tinha estas mãos sem força,
    tão paradas e frias e mortas;
    eu não tinha este coração
    que nem se mostra.

    Eu não dei por esta mudança,
    tão simples, tão certa, tão fácil:
    – Em que espelho ficou perdida a minha face?

    Cecília Meireles


  8. Também quero saber do resto.


  9. Marcus, a frase “Perambulava pelas ruas, me despedia da cidade” no post de hoje não significa que esteja chegando ao fim a história da viagem… Continue, por favor!
    Beijo de Maria
    ———
    Remende no texto, 1995 para 1985…


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