Arquivo mensal: janeiro 2010

Sobre “O Apanhador”

Minha Biblioteca da Alexandria de livros fundamentais não lidos incluia até outro dia O apanhador. Como muitos destes livros da minha não-leitura, eu sabia da sua existência e  importância. Aí Nilson Pedro falou sobre ele, recomendou. E Maria Fabriani e Juliana Cunha citavam tanto que um dia resolvi ler. Teve pra mim o gosto das coisas não realizadas  na idade certa. Era pra ter lido aos 15. Não que exista idade pra isso, mas acredito que  certos livros inflenciam em decisões aparentemente banais mas fundamentais para o nosso destino e aos 47 as alternativas são menores.
Mas mesmo atrasado, o livro bateu,  como dizem os maconheiros. Não sou apologista da loucura, mas tenho um certo fascínio pelas criaturas meio doidas. E Salinger se enquadra nestes figuras míticas, doidas e meia. Ao ler agora a matéria no Uol sobre sua morte me impressionou  o que ele disse em uma entrevista ao New Y. Times “Amo escrever, mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer.” Acreditei. E fiquei imaginando a cena.

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Bate-ponte Salvador/Buenos Aires

Estou de férias e exatamente às 21 e 44  tento escrever a primeira palavra de um frila pra entregar  domingo mas que está na minha mão desde antes do ano novo.

De repente entram três pessoas de uma só vez no bate-papo do Gmail.

Um amigo me ofereceu mais trabalho. Outra, ao ouvir minha queixa de que não viajei por falta de dinheiro, imediatamente se prontificou a me repassar um  relatório para ser feito… durante o Carnaval.

É por isso que dizem que amigo na praça é dinheiro no caixa! Caso a gente sobreviva.

O terceiro foi Gilson Jorge, que vive na terra dos hermanos e de lá pilota o Buenos Aires em bom Português. Não me ofereceu trabalho, pediu uma opinião.

Ao final de 17 minutos reli a conversa e gostei. Como não consegui ainda escrever sobre a odisséia de renovação da carteira depois de um ano de vencida e sobre  férias dentro de casa com três meninos e sem empregada, ou sobre como viemos de Iaçu por causa do festival de verão, ou sobre….etc etc etc, resolvi compartilhar a conversa aqui à guisa de post.

Desculpe-me o texto sem revisão, mas é assim mesmo que acontecem as conversas nos bate-papos online. É uma língua meio estranha mas ao fim e ao cabo todos se entendem.

E  você também já tem opinião formada sobre este debate? Veja então a nossa em estado bruto, na lata:

21:44 Gilson: e ai, marcao…
 eu: Diga, hermano…
21:45 Gilson: rsrsrrsrs
 eu: em Buenos Aires ou em Ares quentes?
 Gilson: Ares quentíssimos!
  Tão quente quanto Salvador, mas sem brisa…
21:46 eu: ????
  juro que n´~ao imagino a cidade quente
 Gilson: De dezembro a fevereiro é um forno
21:47 E de junho a agosto um freezer
  rsrsrsrsrrss
 eu: ent~çao vem pra cá… forno com água
 Gilson: Eu devo terminar o o mestrado no fim do ano, e ai comecar a preparar minha volta…
  Vem cá, que é que cê tea achando dessa discussão sobre a ponte?
21:48 eu: li agora o manifesto de JUR
21:49 no começo achei coisa de velho chato…
  mas quando ele fala da pasteurização violenta dos espaços urbanos acho que tem razão
 Gilson: sim, sim
21:50 me parece que sao duas coisas distintas, a obra em si e a questao estetica
21:51 eu: mas a ilha já tá um favelão mesmo
 Gilson: é isso…
 eu: e tem a questão das drogas, o crak, que tá chegando no interior e ningu[ém fala
21:52 Gilson: a questao para mim é o que pensa quem mora na ilha
21:53 é como o pddu, para mim. Liberar o gabarito para mim nao ee o porblema, mas sim o tipo de obra que se faz hoje em dia, esses condominios fechados
21:54 eu: nisso ele tem razaõ também
 Gilson: mas se é isso que a classe media quer…
 eu: esta cultura de condomínio e shopping center é foda
21:55 Gilson: é desesperadora, ninguem quer mais caminhar na rua
 eu: tem uma geração já condicionada…
 Gilson: sim.
21:56 agora esse negocio do saveirista, tem que perguntar se o cara quer continuar sendo saveirista….
21:57 nao fazer a ponte porque meia duzia de intelectuais é contra, me parece foda. acho que a comunidade deveria decidir
  principalmente da ilha
 eu: Um dia de salvador a Salinas com vento a favor é foda
 Gilson: pois é…
 eu: e quando o vento é contra, tem que ir no zigue zag
 Gilson: e nem todo mundo quer andar de saveiro, eu nao quero….
21:59 e, honestamente, nao ee por decreto que se vai congelar a bahia de caymmi, que morava no rio, de jorge amado, que morava no rio vermelho, e de outros tantos que quase nunca vao a itaparica
 eu: é nesse aspecto que vejo discurso de velho nele
 Gilson: parece uma coisa autoritaria
22:00 a ilha tem que ficar assim por causa dele….
 eu: é igual carnaval
22:01 não aguento o papo de carnaval bom era assim e assado…
  caranaval bom, ontem e hoje e semp´re é o carnaval de quem tem os hormônios de 20 anos… e ponto final. Ou pronto final, como diz Maria minha filha de 4 anos.
 Gilson: pois e…
22:02 mandei uma msg para liz, perguntado se ela esta com wagner, ubaldo, ou se chuta o baldo…
22:03 vou aguardar a resposta
 eu: gostei do chuta o baldo..
 Gilson: hahahahahahaha
pausa

22:10 eu: Gostei desta conversa. posso publicar no blog?
22:11 Gilson: claro
  um prazer
22:12 acho que vou perder alguns amigos. rsrsrsrrss

A terceira ponte de Iaçu

Iaçu tem uma não-ponte sobre o Paraguaçu, quase uma instalação a ligar o nada ao nada com um espaço vazio no meio, testemunho de uma antiga ferrovia que morreu antes de se expandir. Clique na imagem para ver mais da ponte, rio, cidade e arredores no  google maps.

A segunda ponte, estreita e centenária, ameaça ruir mas ainda é a única utilizada para atravessar o rio, um veículo de cada vez. Veja vídeo sobre a ponte aqui e fotos antigas aqui.

A terceira ponte ainda é virtual mas virá a ser antes  do primeiro turno das eleições. Ela é a síntese da disputa eleitoral pelo goveno da Bahia.
É uma ponte política e uma solução melhor do que a reforma da velha sempre prometida pelo menos nas úitimas quatro eleições.

A cidade não fala em outra coisa. Na padaria, nos bares, a conversa é a ponte,  os 130 trabalhadores que chegarão nos próximos dias e os 20 da cidade que estão sendo contratados. Aí a ponte fica ainda mais política. O trabalho temporário é moeda política e a contratação passa pelo crivo eleitoral.

A licitação para a construção da ponte foi lançada pelo governo do Estado há quase um ano e meio, em agosto de 2008. Do custo total de aproximadamente R$ 11 milhões, 3 vieram do Ministério da Integração.

O prefeito é do PMDB, partido de Geddel, ministro da Integração Nacional. Geddel reivindica a paternidade da ponte e segunda-feira, pelo Twitter, usou a ponte de Iaçu para torpedear a construção da Ilha de Itaparica:

“Esse governo estadual,nao consegue fazer a ponte de Iaçu,cujo dinheiro . Min.Integração ja liberou a (sic) 6 meses, imagina a tal de itaparica” , escreveu o ministro.

A cidade tem outra obra eleitoral na agenda. Para as próximas eleições a nova moeda é a BA O46, trecho Itaberaba – Milagres, Iaçu no meio do caminho, com a ponte construída. A estrada diminuirá em cerca de 72 KM a viagem de quem vem no sentido norte pela BR-116  em direção à Chapada e ao Oeste.

A novela deverá ser tão longa como a da terceira ponte.

Mas parece que a ponte sai mesmo . As  placas com os créditos da obra  foram erguidas hoje, com erro. Falam de reconstrução.
Quem passa por ali e vê uma ponte aos frangalhos e outra incompleta vê sentido.

Atualizado em fev de 2012

Finalmente, a novela chegou ao fim e a  terceira ponte ficou pronta em dezembro de 2011, junto com a estrada Ia;u – Milagres. O sucesso foi tanto, que choveu pai de ponte. Veja como se deu o causo aqui https://licuri.wordpress.com/2012/01/16/os-pais-da-ponte/.