As duas fotos que não fiz

Parei o carro na frente do circo. Lá dentro vi dois braços longos soltos no ar, de um corpo deitado de costas  sobre o arame. Reconheci  aqueles braços. A cena era  parecida com o que vi no dia 28 de setembro de 1995 pela manhã. Luísa foi a única dos três que não vi nascer de perto, no parto. Vi duas horas depois, com meu nariz colado no vidro do berçário. Lá estava ela, de bruço e, no primeiro movimento pra mim,  ergueu um pouco o  tronco, virou a cabeça e esticou os dois longos braços, com cotovelos enrugados. Parecia um filhote de pelicano. Imagino que os filhotes de pelicano tenham longas asas, grande envergadura. Queria ter feito uma foto naquele dia, queria ter feito uma foto ontem à noite, quase 15 anos depois, da minha passarinha de grande envergadura.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2973812221103&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

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6 ideias sobre “As duas fotos que não fiz

  1. Martinha

    Impressionante a sua capacidade de ser tão transparente no amor que expressa através das narrativas e de tudo mais que te inspira… nos leva a crer que possui como cerne seus alicerces: Luiza, André, Maria e Soraya.

    Por vezes as imagens na memória e no coração são + presentes, + claras e + precisas do que qq impressão em papel fotográfico ou formato digital(por + precisão e qualidade da imagem).

    Vc é show Marcão! Sou sua fã!

  2. Chorik

    Lindo depoimento, Marcus. Nem precisei das fotos, as duas imagens formaram-se claríssimas na minha mente.

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