Arquivo mensal: outubro 2010

Tempo de gude, de arraia, de blog

Muitas vezes anunciado, o fim dos blogs pessoais ronda este coco pequeno. Aos poucos o blog vai se tornando uma amizades antiga e distante, daquelas ausentes do dia a dia mas que permanecem presentes e acessíveis como um botão de emergência de elevador, um seguro de vida, um cartão internacional, quem sabe um dia. E para ser menos utilitarista, como  fotografias antigas, cartas amareladas, lembranças de infância. Melhor ainda, como as temporadas de gude e de arraia, num ir e vir constante, como as estações. Enfim, este coco pequeno continua.

 

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Se música fosse, seria um fado

Mas é fotografia. E se eu pudesse e meu dinheiro desse, seria este o meu destino no próximo final de semana.

Ando incutido com o poder do Facebook. Vamos começar pelas coisas boas, como esta foto e as demais de Helder Reis, colega de faculdade que hoje vive em Portugal.

Helder mantém uma espécie de exposição permanente, com centenas de admiradores, eu incluído,  a curtir e comentar suas imagens cotidianamente.  Tem coisa melhor do que isso pra ele, artista, e prá nós, público?

Tá certo, nada substitui uma música ao vivo, um encontro ao vivo, uma exposição ao vivo,  como a de Thomas Farkas nas paredes do MAM, que me deixou emocionado dias atrás. Mas as doses quase diárias das imagens de Reis trazem esta novidade do nosso tempo, a possibilidade de ver e interagir. É banal e óbvio, mas me impressiona.

Também me impressionou o depoimento de Sheila Ribeiro. A moça viu o debate, foi para o teclado e em segundos trouxe para o presente e para o público um episódio que desnuda a hipocrisia do discurso político.  Isso é novo.

Tem o lado obscuro também. Mais uma notíciq divulgada esta semana comprova o que até os teclados da minha velha, muda, cega e surda máquina de escrever já sabia. Tudo o que a gente joga na rede é recolhido, tratado e vendido na forma de análise de tendência para o tali mercado, como dizia minha amiga Maria.

Falei esta semana com um velho amigo e ele se desculpou sem graça por não ter aceito meus reiterados convites de entrar na roda, ou na rede. O diabo é que não mandei convite nenhum, e ainda passei recibo de mala da internet.

Uma outra amiga, a quem indiquei uma promoção do Itaú, disse ter recuado assim que pediram o CPF dela. Tá certa.

Mas eu já relaxei com relação a informações e dados potencialmente “roubáveis” na rede. Seu CPF e o meu, que não é nenhum Omo total, pode ser encontrado em qualquer esquina, disponível num CD pirata.

Além do mais, até já usufrui desta facilidade universal de saber da vida alheia na internet. Quando roubaram minha lata velha  recebi em casa, no telefone fixo, uma ligação do desconhecido que havia encontrado o carro abandonado próximo a Feira de Santana.

Enfim, pra quem tava sem assunto neste inicio de madrugada de uma semana cheia…

Então, tá esperando o quê? Visite agora a exposição permanente de Helder Reis: http://www.facebook.com/heldersreis