Arquivo mensal: julho 2011

Malabares na rede, o sonho

Como um possível ganhador de um prêmio, de vez em quando me pego ensaiando o virtual discurso de lançamento do Bahia na Rede, no Circo Picolino, neste sábado, antes do espetáculo “Moças Aéreas”.

Mas como essa coisa de ensaiar normalmente resulta em alguns grunhidos na hora H, antecipo o que poderia vir a ser um texto falado em público.

No domingo acrescento aqui o que faltou, o que a realidade do sábado me disse.

E o que quero mais saber de sábado é a dúvida de todos envolvidos em atividades que dependem da presença dos outros pra dar certo. Vai ter gente?

Conheço pessoa que somatiza legal, que entra em parafuso nestas vésperas. De certa maneira eu me garanti ao marcar o lançamento na abertura de um espetáculo. Se não for ninguém que insistentemente chamei (esta é a paranóia básica de quem convida), tomo emprestado os ouvidos de quem foi ver as moças.

Eis o meu discurso sonhado, antes ou depois da fala de Josias:

Meus amigos, minhas amigas, respeitável público.

Eu poderia estar roubando, matando, mas estou lançando um site de notícias.

Tudo culpa deste Josias Pires aqui ao lado. Este sujeito vive sempre a me convidar para doidas viagens.

Lembro bem do corredor da Escola Técnica Federal da Bahia, nós dois a bordo dos nossos 16 anos de idade. Ele a me convencer a participar de um grupo de teatro, texto de sua autoria.

“Patrões e Joões”, uma peça altamente subversiva para a época – 1977. O trecho mais audacioso e militante era uma fala da mulher do protagonista, vivida por Claudia Moura, aqui presente (?), a bradar que sofria há 13 anos, que os últimos 13 anos sua vida era um inferno. Conta possível de censura: 1977-13 = 1964.

Interessante lembrar que o protagonista daquela peça, Joran Macedo, o primeiro professor de teatro deste circo Picolino. Joran, infelizmente, já não está entre nós.

Interessante porque este circo hoje também faz parte da minha vida, hoje eu me considero um circense. Minha missão no Picolino é tornar público o que acontece aqui sob esta lona. E nos próximos dois anos vão acontecer muitas coisas.

O desejo inicial era ser trapezista, mas como a lei da gravidade é uma carente a insistir em nos provar a sua força de forma mais gritante a cada ano que passa, eu me conformo em sonhar ainda em ser, quem sabe, um malabarista.

O aprendizado de malabares ensina o caminho das pedras aos sonhadores. O malabares nos prova na prática, por exemplo, que não se arremessa nada para o alto sem uma estratégia para pegar de volta, para não deixar cair.

E ideias são como bolinhas de malabares. É preciso saber não deixar cair, porque ter ideias equivale a jogar bolinhas de malabares para cima. É a parte mais fácil. Saber pegar de volta, não deixar ir ao chão, conseguir devolvê-las para o alto na hora certa dá a medida da nossa capacidade de realizar sonhos.

Mas voltando aos convites de Josias, quanto tínhamos pouco mais de 20 anos ele me convidou para uma segunda viagem, desta vez sozinho, para ir em seu lugar estudar na CCCP.

Foi um grande presente, que me permitiu ver de perto perto porque socialismo gerido por burocratas é uma grande furada.

Nestes já mais de 33 anos de amizade, fizemos juntos muitas viagens. Dividimos casa, dividimos dores, perdas de amigos. E aqui eu me lembro especialmente de Gustavo e de Álvaro.

Dividimos também alegrias. Enfim, Josias é o que se pode chamar de amigo irmão e cá estou eu em mais uma viagem a convite dele.

Viagem que tem tudo pra dar certo se a gente conseguir viabilizar o caminho da colaboração. E este site recém-nascido tem esta marca. Futucamos daqui e dali e conseguimos agregar um punhado de gente boa, boa de texto, boa de foto, boa de prosa, boa de poesia, boa de convívio. Qualidades que acabam transferidas, naturalmente, para a tela do computador.

Ontem vi um vídeo interessante no you tube, a primeira matéria de tv sobre uma novidade no Brasil: um tal de e-mail, há 20 anos. Difícil imaginar a vida da gente hoje sem e-mail. Incrível constatar que essa brincadeira de jogar palavras e imagens em movimento pra lá e pra cá via tela de computador começou outro dia.

Difícil imaginar a vida profissional de um jornalista hoje sem um www na frente. E lançar um site significa direcionar a vida profissional e pessoal 25 horas por dia para este caminho, para esta estrada que ao final vai dar em nada, como já disse o poeta, mas que é preciso trilhar pelo menos com alegria e prazer.

Prazer e desafios que envolvem também pequenas descobertas, como a de que na tela de um computador estão as mesmas barreiras de acessibilidade que existem nas calçadas, nos prédios desta cidade.

E tivemos a sorte de encontrar uma pessoa disposta a nos ajudar na tarefa de quebrar estas barreiras, de tornar este exercício cotidiano de opinião deste site mais amplo e acessível. Esta pessoa é Patrícia, uma garota que tatuou a sua causa no sobrenome e atende também por Patrícia Braille. Aproveito a citação do nome dela para agradecer a todos os demais colunistas e colaboradores, que até agora têm participado voluntariamente e sem remuneração deste projeto de arremesso de sonhos.

Para finalizar, o processo de criação deste site foi rápido, intenso, doloroso e prazeroso, que contou com uma razoável dose de paciência (às vezes pouca aqui em casa, com toda razão) de nossas mulheres e nossos filhos. Com toda razão, porque no sertão nos ensina que incutido é pior do que doido. E nos últimos dias estive incutido em dobro.

Antecipo então aqui os agradecimentos do final: obrigado Soraya, Concinha, Huna, Luísa, Luís, André, Áureo e Maria, por terem segurado a nossa barra nestes dias.

Mas entre mortos e feridos acabamos todos aqui. E olhar para a tela do Bahia na Rede hoje equivale a enxergar algumas bolinhas de malabares subindo, alegremente subindo, mas todas com passagem de volta. É preciso cuidar do ciclo, e para que elas retornem pra cima novamente é preciso fazer, além de malabarismo, também um pouco de mágica para manter a brincadeira de pé, no ar.

Conto com vocês, amigos e colaboradores do site aqui presentes para este desafio, que não é pequeno.

E antes do muito obrigado em busca de palmas, não podem faltar as lembranças e os agradecimentos finais.

A lembrança forte é de Maria Sampaio e de Márcia Rodrigues. Certamente elas estariam aqui e na tela, ao nosso lado hoje. De alguma maneira a realização e o espírito deste projeto tem a ver com elas.

Além dos colaboradores do site, a maioria aqui presente (espero), queremos agradecer também a Luana Serrat, a Robson Mol e Anselmo Serrat por poder está aqui neste picadeiro hoje com vocês. A Clóvis, capataz do circo, a Márcia Ogava, também da comunicação da Picolino, pela força na produção e divulgação, a Claude Santos pelos slides, a Aldo, Valéria e Daniel, Web designers e desenvolvedores do site, e às Moças Aéreas, pelo belo espetáculo a seguir.

Vamos então, finalmente, ao embarque com destino a Moças Aéreas.
Muito obrigado.

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