Arquivo mensal: agosto 2011

Pum imobiliário

A bolha ainda nem estourou mas já pegou pra mim e pra muitos.

Juntamos eu e Soraya  nossas parcas economias e demos  entrada num apertamento na planta em 2009 na mão de uma empresa chamada Agra que não existe mais porque se juntou com outra e se transformou em Agre que não existe mais porque se transformou numa  holding que atende por PDG e diz ter o Poder de Garantir.

Pois bem, a PDG deveria usar esse poder todo e nos entregar o apertamento agora em agosto. De posse do habite-se eu poderia ir a um banco para  garantir o financiamento do restante da dívida. Mas a PDG informa: só garante apartamento pronto em janeiro de 2013. Ou seja, garante um atraso de um ano e cinco meses.

E agora José? Vai sobrar pra mim pagar juros de 2% ao mês a correção pelo Índice Nacional de Custo da Construção sobre o saldo devedor até janeiro de 2013? É justo? tem culpa eu no atraso?

O duro é encontrar em cada sinaleira, em cada esquina,  jovens oferecendo muitos e muitos empreendimentos da PDG. Mas como, se ela não tem tempo de terminar o nosso apertamento, diz que choveu, diz que falta mão de obra, diz que falta material, diz que a rocha não prevista apareceu na fundação, diz que teve greve, mas anda por aí oferecendo novos lançamentos, assumindo e garantindo novos prazos?

Taí uma boa sugestão para o Ministério Público: Empresas, como a PDG, com empreendimentos em atraso, deveriam ser  impedidas de fazer novos lançamentos. De sair por aí garantindo o que não pode dar conta.

Ainda bem que outras pessoas são mais antenadas e ágeis do que eu. Um grupo de compradores  já se reuniu, já criou e-mail, blog, orkut e comissão para conversar com a PDG. De minha parte contribuo agora entrando criando num grupo também no facebook. Se você conhece alguém que esteja na mesma situação, repasse estes endereços.

Blog: http://atrasopatiojardins.blogspot.com

E-mail grupo: patiojardins.googlegroups.com

Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community?cmm=63919833

Grupo no Facebook: http://www.facebook.com/#!/groups/patiojardins/

PS: Alguém comprou ou conhece quem comprou apto na planta e não pôde fazer o financiamento para o restante porque a empresa não cumpriu o prazo de entrega? Alguém conhece advogado especialista neste assunto? Alguém quer escrever sobre isso? Fiz este post pessoal  mas pretendo fazer um post jornalístico colaborativo no Bahia Na Rede. Estamos em busca de fontes, de textos.

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Internet faz a vara crescer

Cutucar o cão com a vara curta é esparro, aprendemos desde cedo no sertão. Cão ou onça, tanto faz. O computador, a internet, os e-mails, as listas, o facebook funcionam hoje como encompridadores de vara, ou de tridentes.

Diante do teclado e da tela, distante do alvo, as pessoas, mea culpa, eu incluído, tornam-se mais destemidas, mais valentes, mais irônicas, mais mal educadas, mais agressivas…

A tela em branco funciona como o papel onde se publica, e a palavra, ainda mais a publicada, tem força.

Pra piorar, lembra um psicanalista amigo meu, muitos não dominam a língua, não só para escrever, como também pra ler.

Pra piorar ainda mais, o  ambiente de rede é como uma mesa de bar, onde o mundo é reformado, reconstruído,  onde o outro é lembrado para o bem e para o mal… o problema é que o outro lembrado pode estar  ali, ao lado,  on line e devolve a “gentileza”.

E e aí o pau, ou a vara,  quebra.

Cuidado ao postar sobre a sua felicidade. A inveja tem facebook, twitter, alerta no gmail e acesso aos arquivos do google.

“Não divulgue sua felicidade”…..A Inveja tem Facebook! Vi esta frase no twitter e lembrei que já falei sobre sobre o assunto neste coco pequeno, há quase quatro anos,  ao refletir sobre a expressão inveja boa. Ontem também vi um busdoor da Igreja Universal convocando os fieis para combater o monstro com vela (e dízimo).

Futucando mais, achei esta outra ótima de Zuenir Ventura: “O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”

Repito então 0 trecho principal  do texto publicado aqui em setembro de 2007:

Admiração sempre me pareceu uma definição incompleta. Também não vale a  máscara atenuada pelo complemento boa. Inveja boa não existe. Às vezes, o sentimento vem como  um pouco mais que admiração. Tratei de ir mais fundo. E a sugestão veio de Soraya. Tem que ler.
Fui ao  texto de Renato Mezan, Sobre a Inveja, publicado no velho e bom Os Sentidos da Paixão. E aí a leitura acaba trazendo conhecimento, esta praga que diminui nossas certezas.
O cara começa com um conto de Clarice Lispector, do livro A Legião estrangeira, onde ela narra o sentimento de inveja de uma menina ao descobrir um pintinho na casa da vizinha. A menina quer aquele pintinho. Mais. Não serve outro. Mais. Ela quer também tirar o bicho da outra. Mais: “não estivesse eu ali, ela roubava minha pobreza também”, diz a narradora. A inveja quer mais, sempre mais, quer tudo. Quer a nossa alegria.
Mas o melhor do texto até onde eu li é a revelação de que a palavra inveja traz na raiz o verbo ver. E esta raiz está presente também em outras línguas, como o russo, por exemplo, em que os verbos ver e invejar tem “vid” na raiz. E inglês e francês têm também o v pelo meio. Do olhar invejoso talvez derive a expressão olho gordo, olho de seca pimenteira. Ou, o que os olhos não veem o coração não sente. Ou seja, o mesmo olhar, fonte também do desejo. Mas aí já é outro livro da mesma série.
Voltando ao Mezan, ele  me assustou com o destino dos invejosos em Dante, em cujo purgatório os invejosos  têm os olhos cosidos com fios de arame.

E ataca de Ovídio:  “A inveja habita no fundo de uma vale onde jamais se vê o sol… Ela ignora o sorriso, salvo aquele que é excitado pela visão da dor”.

Bom, não cheguei nem à metade do texto, mas já encontro uma certa dificuldade em admitir que sou este monstro. Não, definitivamente este tipo de inveja não sinto. Pé de pato, mangalô, três vezes. Sai pra lá olho gordo.