me faça sempre peregrino, Maria.

16/02/2012

Ontem Maria completou 7 anos de caçulice. No final da tarde, depois de um dia corrido e engarrafado, fomos todos para uma praça aqui perto e o acaso nos levou a terminar o dia numa pizzaria desconhecida por nós e na companhia de amigos encontrados casualmente na praça.

A menina  insistia em ir para uma pizzaria onde comemoramos outros aniversários, e que para ela era a melhor do mundo. Em fração de segundo,  convencida por um amigo de André,  mudou de opinião e o lugar mais bacana do mundo mudou de lugar.

Maria é assim. Intensa nas suas crenças, passa do choro e berros ao sorriso e fala mansa numa rapidez tão grande que sempre desconfio errado de fingimento.

Maria tem tudo para ser peregrina em vez de turista nesta vida. Tomara.

Esta história de peregrino e turista surgiu sábado,  quando comentei com Soraya sobre o meu encantamento com as pedras abauladas pelos pés das portas da básilica do Mosteiro de São Bento, sobre as marcas de joelhos no confessionário, sobre a atmosfera  daquele lugar de 430 anos.

Soraya então me elogiou de peregrino, porque eu havia transformado em viagem uma  ida à igreja como acompanhante da minha mãe, que na verdade queria ir para a Igreja de São Pedro, na Piedade, mas eu confundi os santos e fomos parar numa missa de formatura com direto a incenso e cantos dos monges beneditinos.

Soraya então explicou as diferenças entre peregrino e turista, como o desapego aos destinos carimbados e aos roteiros traçados torna o primeiro  uma criatura livre e o segundo um quase escravo. Mas, diante do meu espanto com a concordância do que ela dizia com o que sempre pensei, fez questão de lembrar que este papo é velho e que muitas pessoas já escreveram sobre isso. Talvez temesse que eu corresse praqui, para anunciar a minha descoberta da pólvora.

Mas voltando a Maria agora uma menina de 7 anos, no final de tarde ontem fomos todos peregrinos, Maria à frente, sem se importar em comemorar o aniversário na companha de amigos de Andŕe.

Resultado:  conhecemos um novo lugar que sempre esteve sob o nosso nariz, conversamos boas conversas voluntárias e casuais com os amigos, e o mais importante, Maria voltou feliz para casa.

Foto de Luísa, descolorida.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2729192425761&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

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2 Respostas to “me faça sempre peregrino, Maria.”


  1. Vocês são tão bons pais… E são tão inteligentes! Que lindo o Dia de Maria!

  2. Fernando Queiroz Says:

    Marcus, continuo gostando do que você escreve. Só não gosto de não poder enviar coisas a você, somente responder… Por isso, às vezes tenho vontade de nem mais escrever procê.

    Um grande abraço, meu amigo!


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