Veneno

16/11/2012

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Próximo a Ipirá, no entroncamento do povoado chamado Bravo, tem um aglomerado de pontos de venda de requeijão e goiabada cascão. Irresistíveis Romeu e Julieta.

O requeijão é daqueles que choram com um aperto. Foi veneno pra meu pai, é pra mim e é pra seu Rubem.

Noite de ontem, pedaços de requeijão cortados no café com leite quente, seu Rubem lembrou meu pai.

Mas tratou logo de eliminar a minha culpa:
– Ultimamente tenho gostado de poucas coisas, mas quando eu gosto, gosto mesmo.

Há uns 7 ou 8 anos, seu Rubem foi a Salvador para curar uma crise de gota. Levamos ele a um famoso médico naturalista e enquanto ouvia a prescrição balançava a cabeça afirmativamente, assentia calado.

Nunca mais açúcar, nunca mais gordura, nunca mais carne, e ele só balançando a cabeça afirmativamente, sem falar nada. Não sobrou carne sobre carne do cardápio gordo e sertanejo de seu Rubem.

Na saída, comentou com um sorriso maroto:
– Esse velho é doido. Se eu deixar ele escolhe até a madeira do meu caixão.

Quem sou eu para dizer quem está certo, se o médico, se seu Rubem, que continua com seu cardápio completo, aos 91.

Só desconfio que o prazer pode ser o antídoto para muitos venenos.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3953464911808&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&relevant_count=1

Foto: http://bit.ly/XM7Z44

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