E se fosse um afogamento?

André queria porque queria voltar de lancha rápida do Morro para a Ponta do Curral. Eu e Soraya insistíamos com o barquinho pô-pô-pô por ser a metade do preço, por levar gente da terra, por permitir olhar as margens com calma.

Mas a pressa para não dirigir à noite e a multidão agoniada no cais de domingo nos convenceram na volta.

Todos na proa da pequena lancha, subiamos e desciamos ao sabor das marolas provocadas pelos outros barcos, impulsionados pelo motor poten…. pifou no meio do mar. O marinheiro riu amarelo e rapidamente ligou novamente a máquina. – É entupimento, é entrada de ar. Choveram explicações.  A lancha avança e pifa, avançae pifa, pega velocidade, volta a quase morrer, pega velocidade, pula sobre as ondas, torna a sileciar, retoma o ronco.

Até então levava  na bricadeira e fazia piadas. Mas a lembrança de um barco que emborcou assim do nada em Abrolhos me fez pedir os coletes ao marinheiro. Pelo menos para André e Maria.

O marinheiro abriu a portinhola, pegou o primeiro colete e entregou à mão estendida assim do nada  de uma mulher por trás de uns óculos escuros enormes. Permanecemos eu e Soraya com os braços estendidos em vão esperando que o colete fosse passado de mão em mão até nós, enquanto a mulher de óculos enormes colocava o colete sofregamente. E fim e pronto.

Não sei por quanto tempo permanecemos com os braços no ar, olhando um para o outro, até alguém pedir um segundo colete. Tudo foi em câmera lenta e durou eternos cinco ou seis segundos.

Como seria num afogamento?

Conto esta historinha ilustrativa da natureza humana nem sei por quê. Ela me marcou.

Fico devendo falar sobre o atum delicioso preparado pela mana Rita, sobre a creperia Strike, de Dine e Xadai,  sobre o  banquete oferecido pela cunhada Regina, no Café com Arte, na Vila, sobre o  reencontro das crianças com o cão Taiti, sobre o que mudou desde a minha primeira visita ao Morro, há 23 anos, sobre os argentinos que tornam o português a segunda língua do lugar neste Verão,  tudo contido nas 46 ¨horinhas de descuido¨ passadas com a renca no Morro de Sâo Paulo. Qualquer dia volto ao assunto.

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O dia em que eles tiveram   um cachorro.

Somos cinco num pequeno apartamento e não queremos nem podemos ter um cachorro, o maior sonho de consumo de três dos cinco aqui de casa, maioria derrotada.
Enquanto isso, Maria se vira por um dia com Taiti, o cachorro do tio. Um grude só. A menina tomou duas doses de antirrábica no final do ano por causa de uma mordida no rosto de Quico, o cachorro do bisavô. No dia seguinte à segunda dose,  já estava aagarrada com o seu algoz e garantia ser amada por ele.

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