Tribunal de Feicebuqui

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Trago esta imagem  do facebook  aqui para o coco pequeno porque ela me botou pra pensar mais além do segundo em que a vi, achei genial e compartilhei. Fui atrás do autor, é Tim Dlighan, pai de três filhos. Mais dele aqui: http://dolighan.com/

O desenho me botou pra pensar nas  dificuldades cotidianas de enxergar nossos filhos, entendê-los, sair do modelo estático, cristalizado, idealizado e aceitar os seus rumos, muitas vezes inesperados, como naquela canção de Gil aqui lembrada outro dia, quando alerta que a estrada vai dar em nada do que a gente pensava encontrar.

Claro, a imagem da cela é radical, mas ela é apenas um modelo presente em outras situações bem mais corriqueiras mas que levam ao mesmo desencontro com nossos filhos.

Este é um dos cartuns mais geniais que vi nos últimos tempos. Ele me instigou até a questionar o sentido da participação neste grande tribunal popular, muito bem descrito por Tom Zé na expressão e na música Tribunal de Feicebook. Tom Zé foi acusado, julgado, apenado e  jogado no lixo por gente que se recusa a se enxergar, como eu e você. Não fui inquisidor neste caso, assumi a defesa de Tom Zé, mas isso não me tira o incômodo provocado pela repentina percepção de um dedo indicador  constantemente apontado para alguém ou alguma coisa julgada errada por nós. Talvez esta seja até uma estratégia para nos afastar dos nossos grandes e pequenos defeitos.

Claro, é importante tomar  providência, tomar  posição, apontar os erros das pessoas nefastas e da humanidade. Mas este desenho baixou a minha bola, me incentivou a virar os olhos pra dentro e concentrar energias na construção de coisas novas e efetivamente positivas. Por menores que sejam.

Estou confuso. Mas pressinto que é uma confusão com frutos. Desejo, pelo menos, recolher temporariamente o indicador.

 

https://www.facebook.com/gusmaomarcus

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2 ideias sobre “Tribunal de Feicebuqui

  1. Marcus Gusmão Autor do post

    Feliz, muito feliz por este diálogo retomado. Retorno a este mundo aparentemente desabitado dos blogues pessoais, já fora de moda. E ganho este retorno bacana, reato esta conversa separada pelo tempo. É isso meu amigo, vamos continuar sempre esta conversa. Abraço forte.

  2. Washington Carlos

    Esse coco pequeno é danado, mesmo. Numa hora que eu devia estar dormindo, mas estava refletindo sobre o que fazer com uma filha de 19 anos que está tentando seguir caminhos nada confortáveis para um pai de 54 anos (caminhos muito semelhantes aos do pai quando ele tinha aquela idade…), me deparo com uma genial combinação de um cartun revelador, com estradas que chegam no que eu não pensava encontrar, com Tom Zé, com olhar pra dentro, com humanidade, com confusão com frutos…
    Resultado: sou transportado para um trecho que escrevi em 2007 sobre autoconhecimento inclusivo. É isso aí, Marco, seu inspirador post contribuiu pr´eu diluir mais essa função instituinte, que de vez em quando baixa em mim e tenta “enquadrar meus filhos e a mim mesmo”.
    Te reproduzo o trecho onde fui parar. Grato e abraços. Vida longa ao Licuri instigador (acho que, agora, posso ir tirar um merecido cochilo), Washington
    .
    “O autoconhecimento inclusivo é uma proposta de autopercepção direcionada para a possibilidade de incluir todos os acontecimentos passados e presentes como tijolos de sustentação da construção de um processo de “honrar a própria história”. Não se propõe a ser, apenas, um conceito mental, mas uma observação participante do que está acontecendo em cada momento/agora, considerando o contexto envolvido. É a necessidade de inclusão, no cotidiano, da máxima quantidade possível dos elementos que compõem as múltiplas realidades dinâmicas, superpostas, fragmentadas e não fragmentadas.
    Pode ser visto como um passeio por territórios individuais e coletivos, o espaço de si mesmo e o espaço do jogo das relações sociais; uma possibilidade de agregar uma atitude inclusiva quando consideramos que os fatos cotidianos (violentos, suaves, alegres, cruéis, dispersos, consistentes, instáveis, seguros, delirantes, luminosos, sombrios…) também podem ser espelhos de nós, podem nos abrir cadeados, janelas e portas para o reconhecimento de alguns dos muitos “eus” e “outros” que nos habitam. Inclusive uma dimensão de silêncio, tão pouco acessível na lógica de velocidade consumista na qual vivemos atualmente.” (Extraído de “Autoconhecimento Inclusivo numa Aprendizagem Singular e Plural”)

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