Goku precisa de nós

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Pedi ajuda aos universitários para entender o apelo Goku, escrito num dos cartazes erguidos na caminhada do Campo Grande em direção à Fonte Nova. Depois da explicação entendi mais ou menos, era algo do bem.

A pergunta fica no ar, na discussão na madrugada aqui em casa. Quem é do bem, quem é do mal  em todo este movimento?
Só tenho duas pequenas certezas. Não tem santo nesta história e  nem ninguém parado enquanto as ruas se movimentam.  E que é preciso ir as ruas para tentar sentir o que está acontecendo. Sentir um pouco na pele e nas mucosas não ajuda a entender mas torna a gente um pouco sujeito e menos espectador.

Fomos em três, eu, Soraya e  Luísa. No Campo Grande encontramos Paulo e a filha Paulinha e os colegas da escola de Luísa. Enquanto descíamos o Politeama em direção ao dique,  Guilherme, o namorado de Luísa, e sua irmã Carolina,  estavam no front, diante das bombas e tropa de choque. Na ladeira  encontramos Nilson e o filho Caio.  O grupo maior se se dispersou no final da ladeira próximo ao estacionamento dos Barris, de onde muitos já retornavam,  escorraçados pela barreira da  choque.

Ficamos ali, no meio do caminho, vendo de longe subir colunas de fumaça e o estouro das bombas. Um sujeito derruba uma placa e é vaiado. Um outro acelera um carro  para abrir caminho e é vaiado. Na nossa frente começa uma discussão, um grupo obriga um militante do PSTU a recolher sua bandeira. Ele protesta, tenta reagir, mas acaba vencido e humilhado pelo coro que começa com PSTU e termina em  rima.

Um  grupo de mascarados em cima de uma camionete passa em direção aos Barris gritando – Para a prefeitura, para a prefeitura. Mas é seguido por quase ninguém.

A correria no no contrafluxo aumenta, o mal-estar produzido pela fumaça e gás trazido pelo vento nos obriga a bater em retirada também. Na subida, boatos de que a polícia havia fechado as saídas. No politeama,   fogueiras de lixo e em pequenas barricadas  davam a impressão de batalha recente. 

No Forte de São Pedro o cenário é de madrugada de Carnaval, com gente andando de um lado pro outro, vendedores de cerveja, sujeira por todo o lado. O barulho das bombas de efeito moral na esquina da casa D’Itália faz lembrar a palavra de ordem: Não é Carnaval, é Salvador caindo na real.

Espalhado pela calçada e colados nas paredes do Forte, centenas de cartazes deixados pelos manifestantes, numa espécie de mural de ex-votos formado por palavras de ordem e  pedidos de mudança.

No campo Grande encontramos Guilherme e Carolina, assustados mas já refeitos. O barulho das bombas vem agora do Hotel da Bahia. No caminho para casa, tudo aparentemente normal.  Cansado, dormi e só acordei de madrugada. Soraya dava notícia do que ia nas redes, dos boatos de manipulação, do que andam tramando pelas alcovas e me faz lembrar a música O que Será, de Chico.
O que será?

O que aconteceu la na frente>

 

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