Arquivo mensal: dezembro 2013

Sapato novo

Era professor de física na ETFBa. Estranho e engraçado. Andava de um lado para outro da sala/laboratório e de repente foi até à pia, descalçou um pé, abriu a torneira e completou o sapato com água. Escorreu, apertou a ponta e o calcanhar nas duas mão, dobrou o sapato  ao meio algumas vezes. Sacudiu e escorreu a água antes de calçar novamente e explicar para a turma boquiaberta.
– Sapato novo incomoda!
E continuou a aula, andando de um lado para o outro.

Concordo com o velho professor, também não gosto de sapato novo. O André deste chorinho que o diga, ouça a dor expressa na nota famosa que sai do sax de Pixinguinha.

Tudo isso pra falar o quanto me incomoda trocar de sapato.

Na época do (m)All Star, tive vários, seguidos. Depois veio o Kildare, talvez o primeiro sapatênis. E eu também emendei uns bons anos só mudava a cor.

Mas sábado tem um casamento e os meus velhos e queridos sapatos não estão apresentáveis socialmente nem mais para trabalhar, quanto mais para casamento.

Fui então ao shopping em busca de um sapato novo. Rodei, rodei, rodei, olhei, olhei, olhei, durante uns 15 minutos e finalmente fiz a minha escolha. Um modelo igual ao que eu tenho, só mudei de marrom para preto.

Sapato é uma peça íntima, exige cumplicidade. Uma cueca você usa e esquece. Tanto faz, é tudo igual. Sapato não, vai se ajustando à sua pisada, aos seus passos, pacientemente, até chegar ao ponto de conforto ideal.

O diabo é que o ponto de conforto ideal coincide com a apresentação não mais aceita socialmente. Por isso sempre me separei dos meus velhos sapatos no melhor momento da nossa relação, do nosso ajuste. Isso dói mais do que sapato novo.

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Brinquedo


Pelas marquises hordas contam com a caridade natalina da classe média. Mulheres e crianças, muitas crianças. Elas cercam os carros com caixinhas em forma de cofre. Pelas estradas de asfalto ou de fibra ótica outros tantos carentes, eu incluído,  trafegamos  por ares natalinos em busca do tal brinquedo que não tem. Feliz Natal, de Assis Valente, sempre será o clássico dos clássicos, a trilha sonora destes estranhos dias. Boas Festas!

Comportas II

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Cartas e documentos da Rússia estavam numa grande pasta transparente. Espalhei na mesa para arrumar e encaixotar. Mas desarrumei ainda mais.
Maria e André se surpreendem com o alfabeto russo. André futuca as cartas e Maria se espanta  com minhas velhas/nova cara.
– Maldito, diz Maria, surpresa, num  elogio ao jovem barbudo. Por que você engordou, tirou a barba e cortou o cabelo?

Mais CCCP: https://licuri.wordpress.com/?s=cccp