Lúpi deambula

Ele  veio para nossa casa como viemos ao mundo, sem nenhuma possibilidade de escolha.

Talvez pior porque de asas cortadas para não voar.

Se fosse humano, teria as pernas quebradas para não fugir.

Pior ainda, veio como compensação pelo veto a um cachorro. E veio doado pela segunda vez, esta é sua terceira casa.

Está muito bem tratado, tem atenção constante das crianças, reclama e quer ir atrás quando todos saem para a escola.

Mas quando o vejo caminhando pela casa, cambaleante, deambulando (obrigado Ângela Vilma), sinto culpa, como se eu fosse o furador dos olhos do Assum Preto.

Filosofia vai, filosofia vem, na mesa do almoço a discussão é se vale a pena aceitar Dóris, a parceira para Lúpi, omo forma de amenizar sua solidão de bicho igual. Na natureza, as calopsitas vivem em bandos.

Dóris já está prometida pela tia Conceição, mas a irmã maior argumenta que aceitar a parceira  é colaborar para a continuidade do negócio de aves presas e de asas cortadas.

O dilema é: resolve o problema individual de Lúpi e colabora com a continuidade deste tráfico de sofrimento animal ou sacrifica Lúpi pelo bem do futuro das calopsitas na terra?  

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