Suas ideias não correspondem aos fatos

01/06/2014

São muitas, muitas metralhadoras cheias de mágoa nas áreas dedicadas aos comentários nas telas dessa vida.

Aconteceu com meus amigos, aconteceu finalmente comigo. Abri, fugi da briga, caí fora, corri.  Mas a história ficou na minha cabeça, o espinho cravado na planta do pé, incomodando.

Volto então ao assunto.

Achei muito engraçado um vídeo,  gravado  possivelmente por um pai, de um criança chorando, protestando, não queria vestir a camisa do Brasil, queria jogar aquela camisa fola, quelia mesmo era a camisa do Bahia.

Gostei do vídeo por uma motivação atual, particular. Não estou com muito saco para esta copa, desinteressado mesmo, sem tesão para esta monocultura de assunto que varre o país nestes dias, ainda mais agora que o baba vai ser no meu quintal e tem briga e acusações pela posse da bola, dos holofotes, da festa.

Assim como o menino do vídeo, prefiro continuar com o meu Baêa, pelo menos serve pra eu ficar de pirraça com os amigos da tribo do vice, aquele que por sinal entrou ontem  na zona.

Me passaram o vídeo pelo uatiszap. Tentei saber de quem era, sou das antigas, sou do tempo de blog, de orkut, de facebook, costumo postar as coisas sempre citando a origem.

Mas não consegui, ali no telefone, no carro do trabalho, saber a origem. Pimba, postei no facebook.  A reação foi imediata,  muitos kkkkkk, muitos hahahahaha, os inimigos de time sacanearam, enfim estava bem divertido até que uma voz dissonante jogou um balde de texto azedo e frio sobre a festa:

Triste estes tempos em que expõem uma criança desta maneira e ainda acham graça.

Acusei o golpe. Foi no fígado.

A voz de fora daquela roda animada apareceu como acontece em filmes, quando surge alguém assim do nada, com a arma em punho, e surpreende um grupo fazendo algo errado.

Ou quando de repente aparece a mãe, ou a professora, enfim uma autoridade a ralhar com um bando que precisa de correção.

Pra piorar,  a voz era conhecida. Colega de faculdade, das antigas, a gente se vê raras vezes mas este mecanismo aqui nos torna acessíveis um ao outro a qualquer momento, sem aviso prévio, sem oi, olá como vai, eu vou bem e você, quanto tempo, pois é quanto tempo.

Matutei várias respostas. Do deboche, com um sonoro kkkkkkk, ao texto sério, cheio de argumentos. Senti vergonha, senti raiva e o resultado foi o pior: excluí vídeo, texto e comentários.

Mas não adiantou. Continuei pensando no assunto.

Ontem foi a vez de Nilson. O papo, novamente sobre copa, nasceu de uma brincadeira, de uma provocação, e de repente, não mais que de repente, olha ele lá, o texto dissonante, agressivo.

Quando se contesta um texto agressivo a resposta é sempre o argumento de que isso aqui é público, você não aguenta a discordância, se não aguenta não desce pro play, e por aí vai.

Pertenço ao grupo que defende  o direito  da condução e mediação do debate em sua tela. Ou seja, aqui onde eu iniciei a conversa quem decide sou eu, as medidas são minhas e as regras também.

Pesquisei, o vídeo tá no you tube, foi mostrado num programa esportivo, a família curtiu, enfim tinha um contexto familiar, foi tornado público e não vejo maldade nenhuma nele. Republico. Junto com outros dois que me vieram à mente enquanto buscava as palavras para escrever este texto.

Estou com o garoto, pelo direito de não vestir essa camisa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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