Passu japiassoca assu

Silencio

-Oh, Ney Matogrosso!, disse Soraya, rolando a tela.
-Que foi, morreu? perguntei.
-Não, tem show dele…

Ando assim, com o pensamento meio Dassanta, a personagem de Elomar parceira inseparável da veia da foice.

A velha da foice é uma conhecida minha recente. Passou longe da minha vida na infância e adolescência, mesmo tendo sido premiado com quase 20 tios e mais de 60 primos.

Talvez por isso tenha cultivado por muito tempo o sentimento de imortalidade, pra mim e pro mundo. A morte habitava os livros, os jornais, a música, a história. As lembranças mais fortes de hospital eram de uma operação de fimose aos 10, 11 anos ou  quando ia visitar os irmãos quando nasciam e ficava impressionado com o cheiro e as caras das moças pedindo silêncio.

Mas de um tempo pra cá, a fila tá andando rápido, as visitas ao cemitério em procissão são frequentes, as visitas aos hospitais idem, as más notícias por telefone também, melhor encarar.

A esperança é que todos nós, assim como Dassanta, nos transformemos pelo menos em  pássaros das asas amarelas, Passu japiassoca assu.

 

 

 

 

 

 

 

 

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