Ressurreição

18/02/2016

O telefone já dava sinais do fim próximo. Demorava de ligar, descarregava rapidamente, pegava quase no tombo. Hoje amanheceu morto.
Pedi ajuda aos universitários da área de informática no trabalho, nada. Só outro, talvez outra bateria. Fui de sala em sala atrás de um modelo semelhante para testar a bateria, nada. Na última tentativa, falo baixo com a secretária de uma sala mergulhada no trabalho. Lá do fundo, uma diretora reunida com a equipe me olha entre os óculos e a sobrancelha.
– O que foi?
É uma técnica graduada, pessoa fina, modelo executiva do Bird, já foi secretária de Estado.
Sem graça, aparelho escangalhado, dividido em três, bateria e capa na mão, explico minha necessidade.
– Acho que posso lhe ajudar. Levanta, vai até a bolsa de grife, retira um estojo e dele uma pequena lixa de unha. No melhor estilo MacGyver, toma a bateria da minha mão, esfrega a lixa nos conectores e depois nos conectores do aparelho. Bingo. O telefone ressuscita cheio de energia.
Admiro muito pessoas com habilidades insuspeitas.

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